quinta-feira, 22 de outubro de 2009

COMO SE NASCE HOJE EM PORTUGAL




Os jovens têm relações, andam como agora se diz, e um dia ele diz para ela ou ela diz para ele: "e se fossemos pais?"
Assim, entre ter um filho e não ter porque as condições ainda não estão reunidas, porque é uma responsabilidade, porque, porque, porque... um dia descuidam-se, quase de propósito e, sabem que vão ser pais.
Agora é a vez de anunciar aos pais da feliz novidade.
Chegam a casa e numa euforia, anunciam aos seus pais que vão ser avós e aos irmãos se os houver que vão ser tios.
Os avós ficam muito contentes. Toda a gente tem netos, porque é que nós não devíamos de ter?
Já podemos dizer aos amigos que vamos ser avós, etc. etc.

E depois, muito depois, pensam se podem sustentar a criança e oferecer-lhe tudo a que ela tem direito. Ora, os pais também vão ajudar, por certo.
E assim vem ao mundo mais uma criança.
Já ouviram falar de programação?
Pois quem programa muito, tarde ou nunca tem filhos e sabem porquê? Porque as condições nunca são as melhores para assumir essa responsabilidade.
Sempre foi e há-de ser assim -os jovens, um dia, dá-lhes o desejo de ser pais .

terça-feira, 20 de outubro de 2009

MOBILIZAÇÃO PORTUGUESA





No meu País as pessoas mobilizam-se por coisas engraçadas e pequeninas.

Este mês já se mobilizaram (= puseram-se de pé para falar) duas vezes. A primeira pela acrtiz brasileira Maitê Proença ter insultado os portugueses num vídeo com passagem na televisão brasileira, a segunda pelo Nobel José Saramago dizer que a bíblia era um tratado de maus costumes.
O meu país tem coisas que a razão desconhece. O povo não se levanta contra os capitalistas, contra o Sr. Van Zeller que diz que o ordenado mínimo não deve ser aumentado de 8o cêntimos por dia, pois seria um sarilho para as pequenas empresas que vivem de ordenados baixos.
O meu país não se mobiliza contra a pobreza em que muitos milhares de jovens estão a cair e no desalento depressivo por não conseguirem emprego. O meu país não se mobiliza contra o crime organizado que o gang dos banqueiros executa diariamente.
Não, o meu país fica encanitado do juízo quando uma actrizinha da telenovela brasileira cospe numa fonte em Portugal ou o nosso único Nobel diz que lê a Bíblia como sendo um manual de maus costumes. O meu país é uma anedota que se não entende, daquelas que nem ao fim nos faz rir, porque é tão boa, tão boa, que não conseguimos apanhar.

Há pessoas, portugueses que quando vão ao estrangeiro e para identificar o país de que são oriundos, dizem ser conterrâneos do Cristiano Ronaldo, antes diziam ser da Amália ou do Eusébio. Esses portugueses que assim procedem têm agora mais uns cartões de visita para oferecer no estrangeiro - nós somos um povo que não frequentando missas, que não gostando da inquisição, que cuspindo no chão a torto e a direito, que contando anedotas sobre alentejanos, que criticando tudo e todos, não gostamos, não suportamos, ficamos zangados com quem diga mal da Bíblia que ninguém leu ou quem cuspa numa fonte dum monumento histórico, já que não é a mesma coisa que cuspir no chão, diabo!
Somos ou não um povo curioso?
Amo o meu país, mas juro que não faço parte da anedota e nisso estou acompanhada de milhões de portugueses.
O problema é que uma minoria é que dá o mote, é que o todo é visto pela parte, é que uma andorinha se confunde com a Primavera e depois o que acontece é isto - A ANEDOTA que muitos até não entendem, felizmente.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

COMO AS COISAS SÃO




José Saramago diz-se um homem de sorte e eu acrescentaria que é também, como todos nós, um produto dos diversos acasos que a vida nos proporciona.
Um dia apaixonou-se por uma jornalista espanhola e com ela casou. Foi de facto este acontecimento que lhe mudou a vida e não só a pessoal mas também a literária.
Tenho para mim, que esta mulher,de seu nome Pilar, possuidora duma contemporaneidade muito prática e com espírito aberto face aos lucros deste olhar e fazer sobre as coisas, imprimiu neste homem, um cunho muito peculiar. Fez com que os holofotes se virassem para ele, tornou-o mais colorido, mais ele próprio.
Digamos, que conseguiu que as suas obsessões, que tudo aquilo que o persegue duma vida anterior fosse recolocado, no caso, na escrita e pela escrita, e rendesse.
Rendesse prestígio, rendesse polémica, rendesse fama e rendendo tudo isto, iria render dinheiro e por consequência também lhe traria para si própria uma vida cheia de reconhecimento.
Não há dúvida, que o Homem é o que é mais a sua circunstância, alguém disse, e Saramago é Saramago com uma linha de coerência terrivelmente forte mas é também a Pilar, isto é,a circunstância que lhe ocorreu. E o mesmo se passa com ela. Esta mulher não passaria duma jornalista espanhola se não fosse o facto de ter conhecido o futuro prémio Nobel e de o fazer render, com inteligência e sem qualquer sacrifício para o escritor que continua a fazer o que mais gosta duma forma mais cabal ainda.
É aquilo que eu considero o casamento perfeito. Há amor e há uma sociedade que neste caso não sendo comercial, não o deixa de ser, mas em que cada um tira o maior gozo possível deste contrato.
Há encontros perfeitos na vida.

Só me resta dizer, Pilar: - o objectivo foi cumprido, a Igreja mordeu o isco. Veio a terreirobarafustar, refiro-me ao último livro "Caim". E para o Saramago aqui vai o meu abraço. Conseguiu, dizendo o que acha e não saindo dum sofá, fazer o "mailing" necessário ao livro.
Há que agradecer à Igreja este contributo precioso no número de vendas que por certo se verificará no caso de "Caim".

PENAFIEL E ALBERTO SANTOS




Desde há cinco anos que frequento a cidade de Penafiel e verifico que está melhor do que estava. Está menos acanhada embora o espaço seja o mesmo.
Os castros e monumentos históricos que a cidade possui foram realçados. Deixaram de ser ilustres desconhecidos e as luzes da ribalta são-lhes hoje apontadas.
O museu municipal que era composto por duas salas de etnografia "velha" e salazarenta passou a um museu agradável duma cidade do interior.
Há escultura nas ruas.
E tudo isto ao lado do saboroso antigo-falo dos seus jardins, da feira, do comércio tradicional, das festas e romarias.
Agora temos a ESCRITARIA há dois anos.
O Alberto Santos, presidente da C. M., escreve, é escritor dum romance. Tem estado presente nas Correntes D' Escrita da Póvoa do Varzim e possivelmente, trouxe a ideia para a sua terra e bem. O que é bom deve ser copiado ou adaptado, como é o caso.
O Dr. Alberto Santos, autarca do PSD, está de parabéns e quem o diz é uma mulher de esquerda que nada tem a ver com o partido a que ele pertence.
Não se passava nada em Penafiel, agora a cidadezinha começa a bulir. Não pode nem deve uma terra ficar só nas suas tradições ancestrais, embora não deva delas abdicar, mas também buscar novos pólos de interesse colectivo - é aí que reside a sua idiosincrasia.
Já se passa alguma coisita em Penafiel porque, de facto , esta terra esteve adormecida muito tempo. O Presidente abriu a cidade através da cultura e era exactamente aí a maior carência.
Bom olho o de Alberto Santos, espero e desejo apenas, que esta obra não seja danificada ou mesmo beliscada.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

PORQUÊ?

Porque nos dizem que temos que ser amigos do ambiente se:

Fazem embalagens e mais embalagens para envolver o que já está envolvido? (ex. Vanish - 21 magnets - antes vinha em pó, agora vem em saquetas. Outro exemplo é o Carefree e por aí adiante).
Até as embalagens da fruta e legumes não escapam às caixas de plástico.

Outro inimigo do ambiente, dos olhos, dos ouvidos e de tudo quanto são SENTIDOS, são as campanhas eleitorais. Está tudo cheio de papéis, cartazes, placards, etc. Este lixo para onde vai depois? Será reciclado?

Os anúncios/publicidade em dísticos, cartazes, placas, etc., em especial, nas rotundas de tudo quanto é lugar. Trata-se, fundamentalmente, de poluição visual, mas é também de desperdício que se trata e, como tal, ser inimigo do ambiente.

As Câmaras Municipais são as primeiras a praticar os crimes ambientais ou duma forma activa ou duma forma passiva. Umas vezes porque são elas próprias a poluir, outras porque passam licenças ou não fiscalizam contribuindo para que a infracção se realize. Porquê então estas mesmas entidades apelam para se ser amigo do ambiente?
A que se devem estas contradições?
Maus exemplos dos governos centrais? Compadrios?
Gostava de ter respostas simples para coisas simples, mas parece que só se conseguem obter respostas para as coisas complicadas.

ECLIPSE DO OLHAR




As pessoas costumam ver só metade do problema.

E não tem a ver com inteligência, apenas.
Falta de exigência?
Desconhecimento da dialéctica? Também.
Reconhecem que o país está de rastos, mas quando são chamados a votar, votam Isaltino, Valentim ou outros quejandos.
Analisam que o país está com níveis de corrupção altíssimos, mas depois chamam coitadinhos, aprendizes de feiticeiro e outros qualificativos, igualmente exemplificativos, a quem perdeu com a falência do BPP, por exemplo.

Há muito que dou comigo a pensar que a linguagem serve para tudo, até para dizer o contrário daquilo que se pensa e quer os cínicos, os hipócritas ou os sinceros dizem as mesmas coisas e que a questão é saber descodificar o que é dito, o que se torna numa tarefa hercúlea.

Há muito que defendo que a COMUNICAÇÃO é o problema do mundo. E a linguagem faz parte da comunicação, como se sabe.

Hei-de voltar a este tema, com mais tempo.

Entretanto, apenas digo, que todos os dias me surpreendo com aquilo que dizemos e com aquilo que nos é escutado e depois com a interpretação dada.
É um assunto fascinante e ao mesmo tempo assustador.

domingo, 4 de outubro de 2009

GUIMARÃES E BRAGA





É bom visitar estas duas cidades e em especial, ao sábado de manhã.
As cidades estão cheias de gente, às compras.
As esplanadas estão repletas.
Nas ruas e cafés, vêem-se imensos turistas, principalmente, espanhóis.
São cidades em que a sua parte histórica está bem preservada. Há flores e os jardins estão bem arranjados.
As pessoas que se sentam nos jardins ainda não são só mendigos, drogados ou prostitutas, há o povo local a sentar-se, a dar vida à sua terra.
Braga tem imensa juventude ou não houvesse a Universidade por aqueles sítios e depois é um cidade tão antiga, que em todo o lado se respira a História.
Guimarães, mais conservadora, mas com uma atitude mais aristocrata, é igualmente um encanto.
Nestas duas cidades a dimensão humana está acima de tudo. Quando me desloco, em passeio, para aquelas bandas, quero sempre visitar as duas, porque ambas têm apelos que me fascinam.
Gostava que a minha cidade do Porto copiasse só um bocadinho destas duas lindas cidades e pelo menos, não fizesse da sua sala de visitas, a Av. dos Aliados, o enorme bairro social em dias de feira que tem feito.