segunda-feira, 8 de março de 2010

HÁ ALTURAS EM QUE NÃO NOS APETECE DIZER NADA

O que me apetece mesmo é ficar em silêncio. Escutá-lo para memória futura.
Guardá-lo dentro duma caixinha para quando me fizer falta.
Há alturas em que vogamos pelos espaços siderais.
Momentos há que mesmo sem asas, voamos em céus azuis.
Hoje, decidi que quero permanecer em silêncio. As dores de cabeça são muitas.
Voar sem asas, para sul.

A TODAS AS MULHERES DO MUNDO

(ÀS MULHERES DE TODAS AS GERAÇÕES, DE TODOS OS CREDOS E DE TODAS AS RAÇAS)



Às mulheres, senhoras das suas vontades e humores.
A todas as que choram.
A todas as mães.
A todas as que consolam.
Às que têm bom coração para gatos e para cães.
Às que pecam.
Às que sofrem baixinho.
Às que se indignam
Às mulheres fracas e que são vítimas.
Às mulheres fortes.
Às mulheres loucas.
Às que se justificam e às que se explicam.
Às que compreendem.
Às que se perturbam.
Às que têm humor.
Às que trabalham para pagar as dívidas.
Às que não fazem dívidas.
Às que são livres.
Às que se camuflam.
Às que são sapientes e às que nem por isso.
Às que têm ideias e às que não têm.
Às que são medianas e têm deuses medianos.
Às que sonham e às que já não têm sonhos.
Às que têm rugas e pele seca.
Às que têm pernas altas e são elegantes.
Às que são fracas.
Às que se erguem, se levantam e vão em frente.
Às dóceis e às menos docéis.
Às domésticas e às que laboram para patrões.
Às rebeldes.
Às vencedoras mas também às vencidas.
Às que pintam o cabelo com henné e às que não pintam o cabelo.
Às que influenciam e às que são influenciadas.
Às bonitas e às feias.
Às medrosas e às charmosas.
Às normais (mitológicas) e às chanfradas.
Às que falam muito e às que sabem escutar.
Às independentes.
Às que apenas sobrevivem.
Às que protestam e gritam.

A todas eu lhes canto bem alto o hino da minha ternura e compreensão, lhes ergo a taça da SAÚDE E DA VITÓRIA.
A UM PRESENTE COM FUTURO!

sábado, 6 de março de 2010

SE FOSSE OUTRA COR... COMO EU GOSTAVA



Como gostava que os dias de Portugal fossem coloridos.
Como gostava que a sujidade dos dias do meu país fosse toda varrida.
Como gostava que o meu rectângulo amado fosse um simbolismo em vez de um realismo.
Como gostava que as elites do meu país estivessem munidas de uma bibliografia antes de entrarem numa biblioteca, porque quem não sabe escolher as leituras perderá muito tempo.
Como gostava que a palavra, que é de todos os símbolos, o mais verdadeiro, fosse usada com parcimónia e verdade, que através dela fosse possível a educação e a evolução da sociedade.
Como gostava que Portugal saísse do Hospital rapidamente, do sofrimento em que tem vivido e tivesse saúde.
Como eu gostava que Portugal se conhecesse a si mesmo, olhasse para dentro de si e que resolvesse os seus problemas em face de si próprio antes de procurar resolver o problema em face da Europa.
Como eu gostava que o meu país regressasse. Temos água, temos vento, temos velas e barcos. Regressa querido país, volta para ti, vem para dentro e depois voltas, mas antes aproxima-te de ti, já chegam tantos anos de ausência.
Como gostava que Portugal ouvisse o seu canto e não fizesse ruído para o ouvir. Não falo do canto do cisne, duma sociedade a dar o último estertor, a última convulsão.
Falo do canto do silêncio, do canto do olhar intenso do pensamento, do trabalho e do descanso merecido.
Como eu gostava que o meu querido país gostasse de si e não vivesse maritalmente com o rectângulo sem dele gostar.

Eu quero um Portugal mais silencioso, mais sólido, menos indiferente, falo daquela indiferença que cerra os ouvidos do povo; que erga a voz de forma clara contra o exterior dos "ratings" ou do que for, que se erga e se deixe de andar de cócoras e aos gritos contra tudo e contra todos, que se erga das brumas, que deixe de mentir.

Como eu gostava que o meu Portugal diga não e resista a todos os FMI deste mundo, que saísse do passo em que se encontra e que se deixasse de ser vinho adamado para ter outro sabor, outro corpo, outro aroma, numa palavra, outra condição.

Em nome da estética e de tudo o resto convém que Portugal, o meu país, regresse a si próprio, que abandone o estilo da barricada.

Como eu gostava que o meu país se especializasse em justiça económica, justiça política, equilíbrio social, ascensão à cultura, que abandonasse interesses e "offshores", que abandonasse o reino do Mal e construísse o reino do Bem.

SONHAR EU POSSO E IMAGINAR TAMBÉM.

sexta-feira, 5 de março de 2010

AS SOCIEDADES ESTÃO VIOLENTAS





Suicidou-se um rapazinho de 12 anos, em Mirandela, Trás-os-Montes, para fugir às agressões e humilhações dos colegas.

Os inquéritos vêm depois. A escola não deu por nada, mesmo tendo sido o menino hospitalizado há um ano por agressões que os colegas lhe tinham feito (mas fora do estabelecimento).
Inquéritos realizados a 3891 crianças revelaram que 11% das crianças do 1º ao 6º ano foram vítimas de agressão por parte dos colegas 3 ou mais vezes.
A escola nem luto decretou nem falou sobre o assunto, que raio de conceito de educação tem esta escola? Ignorou em absoluto o facto, procedeu no depois como no antes, não ajudou, não prestou cuidados, não educou.
A escola, neste caso a escola Luciano Cordeiro em Mirandela, não presta, tem culpa no suicídio dum aluno seu.
Este rapaz estava desamparado quer pela família quer pela escola.
Há violência social, não só na agressão física mas naquela que não presta cuidados, na que vira a cara para o lado fazendo de conta que está tudo bem para não ter problemas e continuar na carunchosa vidinha.
Para estes conselhos executivos o silêncio é a sua ideologia.
Coleccionam-se estes casos de violência, quer na escola quer na família.
As escolas engolem os discursos do poder. Não se passa nada, nunca se passa nada.
Os conselhos executivos e a população docente nada querem arriscar. Não arriscam sequer a pegar num facto e fazer dele um acto exemplar, para educar ou tentar, pelo menos, conversar com os alunos sobre o assunto e para perceber o que se passa naquela comunidade.
Abriu um inquérito e depois? Depois fecha o inquérito e vem dizer que o miúdo sofria de depressão infantil, ou então limita-se a constatar que o "bullying" como agora lhe chamam para dizer que é internacional, é um fenómeno social e actual.
Os agressores, mesquinhos e horríveis, porque o são? Seres insignificantes que fazem os outros aparecer a si mesmos insignificantes.
Escolas, alunos, pais tragados pela linha de montagem.
Esta escola tem de agir para deslocar o lugar do poder. O poder não pode estar nos agressores.
Esta escola, associação de pais e tudo o mais estão escleróticos.
Estes adolescentes fanfarrões, idiotas, querem tudo até maltratar até à morte colegas mais novos e frágeis. Esta realidade actual está a recrudesceder e torna-se preocupante.
Há falta de amor nas sociedades, falta de amor consigo próprios em primeiro lugar e depois com os outros. Muitos destes jovens adolescentes reproduzem comportamentos vistos e vividos em família. As famílias tornam-se cada vez mais violentas e muitas delas com os progenitores desempregados entram em desespero e este propicia muitas vezes a agressão.
Há uma enorme ausência de compaixão que se manifesta também nos mais pequenos.
Há muita indeferença e o pior de tudo é que cada vez mais há gente a apreciá-la.
A sociedade de espectáculo em que vivemos gera estas situações, dá lugar à solidão, à tristeza.
Estamos todos, porque todos fazemos parte da sociedade, a assassinar as almas, mais que não seja, através da indeferença. A indiferença mata.
A indeferença destes professores e se calhar destas famílias (refiro-me também à dos agressores), matou este aluno.
As lágrimas estão a secar e os portugueses também estão a fazer o culto e a concentrarem-se na indisponibilidade.
Sociedades hedonistas sim, já sabemos, mas não se pode cruzar os braços, virar a cara para o lado.
Estes agressores também estão a chamar as atenções sobre si, é preciso escutá-los. São fruto do que paira na sociedade, a falta de atenção sobre o outro.
É urgente falar sobre o conceito de felicidade/infelicidade.
Acabar com as atitudes do deixa andar que aqui, neste caso, se verificou e verifica na comunidade escolar, fechada a cadeado.
Há gente a estoirar de amargura.
Ninguém se interessa com o indivíduo, mas toda a gente, sem excepção sobe à boca de cena em casos de catástrofes, o resto, os indivíduos, as suas tristezas, mágoas e aflições, é com os especialistas.
Cada um de nós tornou-se semelhante à assistência pública interessa-se tanto a sério e nada de nada ao mesmo tempo.
O mundo, o nosso que é composto por nós, torna-se uma aberração.
As pessoas não querem estar frente a frente, acham duro demais e por isso ou não telefonam-se muito, prometem, ouvem ou não ouvem, flutuam, enviam mensagens e a coisa passa ou volta.

quarta-feira, 3 de março de 2010

HÁ PESSOAS QUE SOFREM PARA ALÉM DO QUE É DEVIDO





A dor chegada ao paroxismo.

Para esta gente que após um terremoto ou um maremoto ou as duas coisas se vê privada de tudo, comida, casa, bens, segurança, lutos que não podem fazer, tudo mesmo.
Esta gente que tem de sobreviver, mas nem comida tem, que nem tão pouco consegue chorar, a toda esta gente venho pedir perdão por ter momentos de queixume e venho agradecer por me darem lições de vida.
Tenho de me proibir de me contorcer, de falar de dores.
Venho pedir desculpa pelo meu país que desbarata o tempo em insignificâncias, fingindo dor onde não há realmente.
Dores a sério são estas que as pessoas sofrem com as catástrofes e tragédias, sentindo-se completamente impotentes.
Partilho em silêncio o seu sofrimento.
Para esta gente que tem que recorrer a todos os mecanismos de esquecimento em simultâneo e pô-los a funcionar em pleno e não tem o direito de se deixar amodorrar nem que seja numa cadeira, vai a minha homenagem e o meu reconhecido agradecimento.
Todos eles me situam, me relativizam.
No Chile o terremoto, mais manifesto na cidade de Concepción, não atingiu só os pobres, todos ficaram sem nada. Ouvimos pessoas que viviam bem, a procurar responder às perguntas jornalísticas, a solicitarem ajuda, comida, protecção, entregues completamente à luta pela sobrevivência, perdidas, ausentes de si e de tudo. Dói, dói muito. Há, inclusive, pessoas desesperadas que se tornam de delinquentes de ocasião e há aquelas que mesmo nestas alturas continuam intransigentes na sua decência. Todos eles deixaram de ter a sua reserva de segurança.
Claro que nenhuma pessoa é fundamentalmente oposta a outra pessoa, qualquer que sejam as aparências contrárias.
Como dormirá esta gente, deitada sobre a saudade de tudo o que perdeu para sempre?
Não há ninguém que lhes/nos possa responder, penso.
Tudo se subverteu.
A cidade morreu. Procuram um outro caminho o da salvação.
É evidente, que mais tarde, no moer dos dias, as recordações virão, ora em cachão, ora espaçadas e escondidas.

Que desespero, que solidão brutal!

No meu cérebro a ideia de fronteira, já tão apagada, deixou mesmo de existir. Este Inverno inclemente, deu-lhe a machadada final.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

DO DIA QUE PASSA E ME LEVA





Fui à janela olhar o rio. Estava cheio das chuvas e possivelmente da abertura das barragens em Espanha. Nós e os espanhóis, sempre eles, pensei.
As águas do Douro têm estado castanhas, pardas, pesadas e quanto mais as olho mais sobressaltos tristes me fitam.
Que vou fazer hoje, pergunto-me.
Olho para o céu, plúmbeo, ameaçador. A lua já se tinha recolhido e o sol continuava aquartelado nos meus sonhos.
Estive dois dias a ouvir palavras, palavras que falam de mim. Os escritores(as) são pessoas iguais às outras. Vão à casa de banho, pintam os lábios, tomam café, querem saber quem são os leitores, como os leitores querem saber quem são os escritores, olham os abismos, comem e dormem, têm angústias muitas e incertezas várias e como por milagre, rodam para o outro lado, tornam-se para lá do palco.
Vi-me então à distância, de costas, na imaginação que tenho de mim.
Vi-me como se me olhasse naquela solidão que encontra a folha branca com a agitação da ideia, o encontro do dia com a vida.
E como tudo se funde no nosso ver, regressei a olhar o rio, esqueci-me do tempo, esqueci-me de mim.
Esqueci-me de todas as vozes que me gritam, de tudo o que tenho para esquecer, esqueci os gestos, esqueci a jornada e de novo regressei ao interior do meu quarto e logo todo o meu dia se perfilou à minha frente, olhamos um para o outro e ele ditou-me, como sempre deu-me ordens: "Vais fazer massa com carne, talvez seja bom para aumentar a energia e não engordar. Vais ter de passar a ferro, hoje é o dia da roupa e nisso gastas a tua manhã. Quanto à tarde, bem tu é que sabes, queres sair? Ir ao cinema? Não te esqueças que tens de falar, senão desabituas-te da palavra falada, da palavra exposta ao contraditório, da palavra que te puxa, que se move, que se apressa, corre até, te olha e te penetra. Tens de falar, partilhar o pensamento. Tens de a juntar a mim, não te esqueças! Não deves continuar só a falar contigo(podes pôr a vírgula no só, se quiseres, talvez seja mesmo isso).
Neste dia chuvoso, com vento suão, a olhar para o rio, reparei no arco-íris que se levantou do monte e veio cair aqui ao meio do leito e li, ao olhar para o céu que por momentos tinha clareado, li uma alma a mais, um corpo para juntar ao meu nos restantes dias.
Sabia que depois de ver o céu, ouvir poesia, pensar na rotina, convinha adiar o meu caminho para a clausura, para a existência tão espantosamente objectiva e precisa que me falava do abstracto, do geral como uma lei.
Entrou, por escassos momentos, um raio de sol. Iluminou-me de repente. Foi apenas um instante, desassosseguei. Queria perguntar a esse risco de luz, a esse raio de sol, por palavras que correm para o mar, imaginá-las noutros portos onde há descobertas e surpresas. Viajar, correr, dançar, amar, amar aqui,ali e a toda a gente como dizia a poetisa que tanto amei na adolescência, Florbela Espanca.
Sento-me na cadeira mais próxima, estonteada com tanta volta. A cabeça tinha rodízios. E se houvesse uma maneira de tudo ser e não ser ao mesmo tempo.
Não, não era uma boa ideia, se assim fosse onde ficaria a arte, a literatura?
E porque já o raio de luz se tinha ido, todo o pensado o vivido o experienciado naqueles minutos, se tinham fundido em mim, toda a proximidade e toda a distância.
A agitação tinha passado, mas permaneceu um brilhozinho nos olhos, reparo agora no espelho que se me dirigiu.
Vi-me. Vi o quarto e porque o sol já tinha regressado à sua condição de fantasma, regressei também eu à minha espantosa subjectividade existencial.
Deixei de olhar para olhar de novo.

NÃO QUERO RESPONDER PARA PERGUNTAR, NÃO QUERO NEGAR PARA AFIRMAR, NÃO QUERO MENTIR PARA DIZER A VERDADE, mas quero que os meus dias se tornem outra coisa.

Tudo à minha volta se tornou insuportável, a rádio, a televisão, os jornais, tudo se tornou um cansaço, tudo o que fala do mundo, tudo menos a VIDA da Vida.
O que faz um raio de sol?
O raio de sol que entrou de repente para mim e que de repente o vi...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

VAMOS PREGAR PARTIDAS AOS DOGMAS







Podemos ter dogmas?
Claro que sim.
Olha quem fala! Tenho muitos e alguns são mesmo de estimação e para que conste, algumas frases até as começo por "convicta estou..."
Mas então porquê pregar partidas às nossas convicções, aos nossos dogmazinhos?
Para não nos colocarmos apenas a favor duma versão em detrimento de outra.
Devemos sempre que ouvimos uma versão ir em busca da outra para formular opinião. A questão do contraditório, hoje tão enunciado e tão pouco assimilado.
Esta questão vem ainda a propósito do Sr. Mário Crespo e da sua crónica não publicada no JN.
Ontem, falou o director do JN, e explicou muito direitinho que a crónica do Sr. Mário Crespo não tinha sido publicada pela simples razão que era alcoviteira, traduzido: eclipsava os factos reais e não tinha honestidade intelectual, que é um princípio moral.
O jornalista em questão pauta-se por este tipo de conduta, moralista, dogmática.
Nem todos nós somos capazes de introduzir aspas ou perturbações nos dogmas jornalísticos, políticos ou outros e o Sr. Mário Crespo devia saber disso, por isso é falta de moral (ele que tanto fala dela) proceder daquela maneira, e nem sequer me refiro ao Shaw e insultos a tudo e a todos, a quem o ouve e a quem ainda persiste em estar atento aos meios de comunicação social, mas ao facto, de confundir coragem com incompetência. Para ser bom jornalista é preciso apresentar ou pelo menos ter provas concretas do que refere como notícia; é preciso distinguir notícia do que não é; mais básico ainda, é preciso distinguir o que é da esfera do público e do privado.
O Sr. Mário Crespo que se mostra tão piedoso, que carrega sobre aqueles ombros o carácter de tudo o que é moralmente condenável, desprezível, este senhor viu-se ontem retratado pelo Sr. José Leite Pereira, director do JN, na Comissão de Ética Sociedade e Cultura da AR e não sei se percebeu, penso que não, que não se pode ter lido Shopenhauer duma forma leviana.
Convido-o pois a reler este filósofo e a ler Hegel e já agora Platão, porque Platão situá-lo-ia duma vez por todas.
Foi dramático vê-lo a ler pelo teleponto umas frases sobre o tema "generalidades democráticas e sua imprensa", leia-se: "como eu posso sair desta sem dar mais o flanco", no telejornal das 21h na SIC notícias, anunciando a notícia que ele próprio criou e seu desfecho.
Como também tenho dogmas e alguns são mesmo de estimação, tenho para mim que o Sr. Mário Crespo anda mal amado, ouve pouca música boa e se sente muito infeliz.
SR. Mário Crespo faça o favor de ser feliz, para ver se nos dá tréguas e não nos gasta tanto dinheiro na AR. Uma comissão só para si, durante duas tardes, custa dinheiro e, como diria o Rei de Espanha "Por qué no te callas?"