domingo, 25 de abril de 2010

ADMIRAÇÃO


A PROPÓSITO DO COMENTÁRIO DE UM AMIGO


Sempre admirei as pessoas que aos 70/80 anos, continuam com os ideais em alta.
Nunca percebi se era por sofrerem de optimismo crónico ou simplesmente por serem crentes e terem fé.
Se calhar revejo-me mais em Paul Celan por exemplo, um judeu que se mostrou inconformado com o destino de uma humanidade devastada.
Mas continuo a admirar as pessoas que têm a coragem de acreditar duma forma quase épica, no género humano, que depois de lhes (nos) ter sido ensinado o manual da cobardia continuam de alma escancarada, continuando com um maravilhoso senso restaurador.
Não cedem a qualquer tipo de falências emocionais, não relevam a infindável crosta de mentiras a que assistimos no intuito de continuarem a estabelecer algum vínculo com a esperança.
Continuam sempre na viagem que nunca terminam e da qual se não cansam, mantendo seus olhos e coração maravilhados.
Felizes destes que dispensam a presença de algumas realidades. Têm a dose certa do sonho e o sonho comanda a vida.
Para eles não se trata de traição, de trair os factos e os sentimentos.
A sua linha de rumo é resistente e orgulhosa também. Admiro-os e com eles gostava de me parecer.
Não deixo de pensar que a minha ignorância é de tal magnitude que me torna vulnerável e inoperante.
Nestas alturas em que presto tributo aos que não desistem do optimismo, penso também que não passo dum ser exposto em busca do sol e do jogo de sombras.

sábado, 24 de abril de 2010

25 DE ABRIL




Já é 25 de Abril. 36 anos volvidos.
Estamos todos contaminados, mas não esqueçamos, nascemos todos aqueles que a ele assistiram, 2 vezes que é como quem diz, só tarde tomamos consciência dum certo número de coisas.
Foi o dia das descobertas. Da descoberta primeira - afinal, éramos um povo feliz, solidário e também alegre.
Éramos todos belos e sábios porque a sabedoria consiste em contentarmo-nos e nós estávamos contentes pelo espectáculo do nosso mundo, do nosso Portugal.
Tínhamos os sentidos satisfeitos. Cumprimentávamo-nos todos como cidadãos.
Comprometíamo-nos.
Tinha-nos saído a sorte grande.
Antes fugiamos ao mundo.
....
Veio depois com o Cavaquismo a época das falsidades. Toda a gente passou a ter tudo. Dinheiro, casas, carros, viagens.
Todos adquiriam tudo com dinheiro emprestado, penhoravam anéis e dedos para a vida toda. Tudo adquiriam a preço de ouro.
Era feio dizer-se que não se vivia bem, viver remediadamente não era cool.
As coisas humildes não estavam na moda. Os portugueses tinham evolucionado para este estadio, viviam teatralmente.
Era um estranho mundo, o mundo do faz de conta.
Toda a gente se julgava superior.
Todos começaram a falar avulso. Éramos assalariados mas julgavamo-nos livres, eis o 1º erro.
As palavras não correspondiam às coisas.
...
Vieram as lojas de chineses, lojas do falsíssimo.
Todos éramos inocentes, puros, não sabíamos que o ser humano segrega o mal como as abelhas o mel e poucos de nós tinham lido o "Deus das Moscas", fábula de William Golding sobre a maldade intrínseca do homem.
Onde havia cravos vermelhos, instalaram-se mentiras.
Este mundo tornou-se Kafkiano, está para além do entendimento.
Todos, porém, colaboramos com o que nos indigna.
Faz-se o jogo repugnante dos ódios ou das amizades pessoais e não se hesita em denunciar os erros ou os desmandos da administração. Ninguém lê livros, mas todos escrevem àcerca deles.
Porém, muitas coisas foram repensadas e postas em questão, como o estatuto do saber intocável.
Todos sofrem de indiferentismo, embora não pareça.
Na frente ocidental nada de novo, como diria Miguel Torga.
O povo sem ninguém que lhe valha está mascarado, cumpre pena de vida, já que a pena de morte foi abolida há muito.
Voltamos ao tempo das invasões, com a substituição de bárbaros por corruptos de falas mansas e bem cheirosos.
Não toleremos tudo porque há tamanhos absolutos e tamanhos relativos.
Punhamos pé no presente e não nos escravizemos ao futuro.
Não tenhamos saudade do porvir que não sabemos se o vamos viver, revelemo-nos na forma como defendemos as nossas ideias.
Revelemo-nos pois. Comecemos a limpar o lodo que tudo cobre.
Celebremos o 25 de Abril AGORA.

terça-feira, 20 de abril de 2010

A PROPÓSITO DUMA OBSERVAÇÃO DUM GRUPO DE ESTUDANTES EM VISITA DE ESTUDO A UMA BIBLIOTECA




Estava na esplanada da biblioteca Florbela Espanca em Matosinhos e observava o comportamento de estudantes do ensino secundário sem professores por perto, escrevi isto enquanto assistia a tudo aquilo, sempre com vontade de intervir, não saí da minha cadeira, irritada e a pensar que se dissesse alguma coisa talvez...


Estamos condenados de antemão ao fracasso.
Vivemos um larguíssimo período de fraqueza tolerante, também na educação das crianças e jovens.
O futuro está a ser penhorado. Inicialmente foi negociado com a "amizade/companheirismo" dos educadores (como se fosse possível atribui-se-lhes outros papéis que não os deles e para quê, a não ser baralhar?), agora estes, pais e família nuclear inclusive, desistiram de educar, de exercer a autoridade, quer através do exemplo, quer através do amor.
As nossas crianças não adquirem conhecimentos de civilidade, de bom trato, assim podemos abdicar da esperança no futuro.
Os adultos, mesmo autoridades, que passam num jardim, vêm crianças a destruir as flores e viram a cara para o lado, não se querem incomodar.
Os miúdos andam carregados de ira, não são humildes uns com os outros, muito menos com os mais velhos, não acatam qualquer tipo de conselhos. Estão agressivos porque vivem numa sociedade agressiva. Nas suas brincadeiras entre pares, não é raro vê-los a tentar vingar-se de alguma tragédia pessoal (qual? talvez a de falta de atenção dos progenitores seja a primeira). Os pais já só tocam os filhos por aquilo que lhes compram e o dinheiro que lhes dão. Sapatilhas e "jeans" de marca, todas as novas tecnologias que saltam para o mercado, meios de afirmação das novas identidades, ao fim e ao resto.
Não há desejos proibidos, todos são consentidos, não há interditos de qualquer espécie e assim, não raro, a depressão toma conta destas jovens vidas.
Que fazer para mudar de rumo?
Os Estados e quem os governa, ocupam a família em mais e mais horas, desprotegendo o espaço familiar, retirando o já de si enfraquecido sentido de família, há muito substituído pelo computador ou televisão pelos seus membros.
Cada um se isola no seu pequeno mundo, desconhecendo o que se passa na divisão ao lado. Horários diferentes que levam à impossibilidade do convívio e do diálogo.
Os espaços de comunicação são cada vez mais inexistentes, é o caos. As pessoas dentro da mesma casa, ligadas por laços de sangue, falam linguagens diferentes e desconhecem-se mutuamente.
Salvam-se apenas os primeiros anos da 1ª infância, quando os progenitores ou quem eles incumbem, têm ainda como obrigação levar os filhos à escola e ir buscá-los.
Hoje perdeu-se a ideia de quem é o chefe da família, porque seria uma ideia ultrapassada. Defender isso seria uma ideia "descabida", seria colocar de parte o jovem, a criança, supõe-se. Retomá-la não passaria dum anacronismo arrogante.
Já não há por hábito demonstrar o afecto que sentem uns pelos outros, a não ser através do dinheiro que é dado para comprar, comprar algo e comprar almas também.
Os filhos, os pais, todos os membros da família, quando se ausentam de casa já não se cumprimentam uns aos outros, momentos denunciadores de afecto e respeito.
A loucura/irracinalidade dos sistemas económicos selvagens, leva a uma maior despesa com a saúde mental e delinquência, perdendo-se assim todo o efeito das horas extras não remuneradas para mães e pais deste mundo.
A liberdade não é pêra doce. A liberdade é uma guerra e todos fazem a guerra para a ganhar, mas da pior maneira e com armas proibidas.
A distância é cada vez maior entre gerações, se bem que a aparência seja a contrária.
Os mais velhos querem imitar os mais novos, porque ser jovem é o que está a dar.
Ser velho não vende, ser maduro é estar a caminho de ser velho e isso é uma idade (25ª) que é desvalorizada, vilipendiada, injuriada.
Os velhos são humilhados, perdem todo o valor, são grotescos, por isso também se querem apresentar como novos.
Assiste-se à fealdade das atitudes, à tirania da juventude, à falta de confiança de quem a devia possuir, à retirada de valor a quem o tem por esta sociedade guilhotinadora.
Para ascender na hierarquia, mandam as regras vigentes, que cada um engrandeça desmedidamente o seu pequenino feito, que o mostre, que minta sobre ele, que o invente. São estas a moral e a ética actuais. Inexiste o policiamento interior.
As pessoas preferem ser símbolos em detrimento de ser pessoas.
As únicas causas que movem as sociedades actuais são os lucros desmedidos mas acima deles a burrice e a estupidez supremas.
Os poucos que insistem na abertura à racionalidade, que investem no amor são apenas aceites enquanto falhados, intrusos, corridos a adjectivos.
Voltamos à barbárie dos comportamentos, mas agora doutrinários e arrogantes, estridentemente ruidosos.
Para quando o entendimento, a aprendizagem de que o bem maior, a liberdade, é feita de simplicidades, amor e respeito pelos outros?
HOJE JÁ É TARDE. AMANHÃ MUITO MAIS AINDA.

sábado, 17 de abril de 2010

NOTÍCIAS QUE LI E ME CHAMARAM A ATENÇÃO HÁ DOIS DIAS







. "João Cotrim Figueiredo, antigo administrador da Privado Holding, proprietária do agora extinto Banco Privado Português, é o novo director-geral da TVI".



. "A Parpública, que representa o Estado no capital da EDP, votou contra a proposta de remunerações da comissão de vencimentos da empresa. O governo pretendia uma redução de 5% no salário-base dos membros do conselho de gestão, bem como o não pagamento de prémios, mas, por decisão dos accionistas maioritários, a proposta nem sequer vai ser discutida.
Afinal, a EDP é uma empresa privada em que o Estado detém uma quota de 20,49%.".


. "Presidente Václav Klaus disse na abertura do fórum económico que juntou empresários checos e portugueses "Fico muito surpreendido por Portugal não estar nervoso por ter um défice de 8% e para terminar Klaus disse: "e não serão os governos a fazer essa recuperação, mas sim vocês, dirigindo-se aos empresários."

e acerca do nosso Estalo laico:

. "Constituição portuguesa proclama a não confessionalidade do Estado (artº 41º, que trata da liberdade de religião e culto).
A Lei da Liberdade Religiosa diz que "O Estado não adopta qualquer religião", por isso as escolas vão fechar e o Estado decretou tolerância de ponto para os seus funcionários e a central sindical UGT pediu aos patrões privados para seguirem o exemplo do Estado."

. "Hoje os colonizadores elegem-se democraticamente" - frase retirada dum blog.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

VAMOS ARRENDAR O PAÍS POR 40 ANOS?





Lembrei-me de contribuir com ideias para o governo governar.
Esta questão veio-me à lembrança quando ouvi o Ministro das Obras Públicas admitir vir a alienar a posição maioritária da ANA - Aeroportos de Portugal, empresa que gere os aeroportos nacionais e ter afirmado que "todas as hipóteses estão em aberto", disse ainda que "neste momento não há nada definido relativamente ao modo como se vai proceder à privatização".
Já vimos isto acontecer noutros países como o Brasil e a Espanha, salvo erro, em 2008. Nesse ano tinha sido sugerida a entrada de capital privado na administração da infra-estrutura aeronáutica. Os aeroportos começaram a ser considerados como centros de negócios.
Ora, o país está endividadíssimo e com problemas de défice. Na U.E. começam a não confiar em nós e o Banco Europeu a não querer emprestar-nos mais dinheiro (mentira, eles só querem emprestar dinheiro, é dos juros altos que vivem), o que seria uma grande coisa para ver se endireitávamos as continhas.
Por isto tudo pensei em dar uma dica ao governo do nosso país para melhor fazer face às despesas correntes e urgentes e calar um pouco as agências internacionais, deputados, pseudo investigadores e outros que tais, ao serviço dos interesses deste Banco. Pensei então que o governo podia arrendar Portugal a um país que o quisesse para qualquer coisinha ou uma joint de países, sei lá, por um período de 40 anos, tal como com os aeroportos, só depois de ter tido esta brilhante ideia é que pensei:
"parece impossível como a Drª Manuela Ferreira Leite, uma mulher que enquanto Ministra das Finanças vendia tudo a retalho, até o edifício, lindíssimo aliás, da GNR, meu vizinho no Porto queria vender, como ainda não tivera esta ideia, ou mesmo o actual Primeiro Ministro, um homem com enorme produção ideativa, não lhe tenha ocorrido a ideia salvadora, como seria possível?
Ora se pensaram em alienar a ANA porque não arrendar o país inteiro? Dá muito mais dinheiro.
Não entendam estas palavras como uma espécie de rapsódia porque não são.
Não podemos nem devemos deixar o governo apenas à mercê dos líderes dos partidos da oposição numa situação de crise como estas. Governar é difícil e os nossos governantes andam esgotados, precisam de quem os ajude a pensar e essa tarefa espinhosa cabe a cada um de nós. Cada um tem a obrigação de dar um contributo. Não nos podemos dar ao luxo de nos sentar, encostar e não mexer uma palha.
A ideia é muito simples: se arrendássemos o país, receberíamos uma renda. Com essa renda poderíamos pagar os juros das dívidas e assim contraíamos mais empréstimos,estão a ver? Continuaríamos a fazer mais uns milhares de casas, já existem 40 milhões, parecem-me poucas, afinal somos 10 milhões. Construiríamos mais auto-estradas, dizem que estamos bem servidos com estas, mas há aldeias que ainda não possuem auto-estradas, se tiverem dúvidas, perguntem à Brisa.
Ao fim de 40 anos, poderíamos ter uma dívida maior, lá isso podíamos, mas até lá não nos tínhamos aborrecido com o problema dos juros e com Bruxelas e as suas exigências.
Porém, exigiríamos uma condição ao nosso futuro senhorio - a manutenção das aparências, nós Portugal continuaríamos a dizer ao mundo que éramos uma Nação soberana, mais ou menos como já agora fazemos. Também teríamos que acordar com o novo senhorio(s) a questão das eleições. Far-se-íam na mesma eleições, o povo ia às urnas, tudo a fazer de conta claro está, como se fôssemos um país livre, porque no final mesmo, o(s) gestor(es) seria(m) nomeado(s) pelo senhorio e mais nada, seria muito, muito, mas muito diferente de agora, em que os gestores, i.é, os governantes podem fazer o que querem porque estão no seu país endividado.
Seria tudo diferente, sim mesmo muito diferente, mas descansávamos, podíamos adormecer durante 40 anos e depois via-se. O que acham?
Portanto, à semelhança do que se está a passar com os aeroportos poder-se-ia, numa outra escala, passar com o país e, assim, toda a carga de amargura, daqueles insuspeitos fardos que os nossos governantes fecham a cadeado, toda essa carga era transferida para os governantes daqui a 40 anos, quando o contrato de arrendamento cessasse, mas nessa altura os novos governantes poderiam renovar o contrato.
Há sempre coisas para fazer na construção civil, até mesmo e porque não, fazerem um bombardeamento, uma espécie de ataque aéreo, uma guerra, eu sei lá (outra ideia para fornecer agora ao loby da construção civil, embora esteja certa que esses até já estão a trabalhar nisso conjuntamente com os bancos que os financiam) para destruírem milhares e milhares de casas devolutas e que se deterioram por esse país fora por falta de comprador e assim, poderiam construir de novo quiça.
Voltaríamos de novo à felicidade, se não conseguíssemos esse estadio, pelo menos à paz, ao deixa-andar em que gostamos de construir o quotidiano, sem agências de "rating" a anunciar-nos castátrofes ou a colarem-nos à Grécia e à sua falência.
E como diziam em 1914: "Quem tiver alguma coisa a dizer avance e fique calado".












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quinta-feira, 8 de abril de 2010

COMISSÕES DE INQUÉRITO NA A.R.

O que acham destas Comissões?
Há quem ache muito bem, eu sei.
Sabem o que eu acho?
Que dão muito trabalho, que são muito caras e que se tornaram uma moda muito moda.

REFORMAS ANTECIPADAS




Combinações de desejos mal saciados.
Voltam a surgir as imaginações e às vezes as ilusões. Há imaginações e impressões que ficam prontas a procriar nesta fase.
Preocupam-se, acima de tudo, com interrogações que relevam mais da ordem filosófica que do domínio propriamente político ou social.
As vidas das pessoas são profundas mentiras. Ninguém faz inteiramente o que quer, diz tudo o que pensa, ou pensa exactamente como procede.
"Em termos absolutos, todo o trabalho que não é feito para as nossas próprias necessidades, leve as voltas que levar, é uma servidão", dizia Miguel Torga.
O medo da originalidade matou toda a criação.
Agora procuram não sabem o quê, verdadeiramente.
Nalguns casos houve morte civil, por isso pode ser que a ilusão os salve a não cumprir os seus deveres habituais, assistir a milagres com olhos interiores para ver.
Há muita coisa que foi amontoada na consciência ao longo dos anos agora é o tempo de a pôr cá fora.
Vivemos emparedados, a liberdade interior é a última ilusão.
É a época da não resignação.
A vida a passar, a sumir-se irremediavelmente, é preciso pois aproveitar, aproveitar para agora desdobrar a alma.
Utilizemos agora o nosso duplo.
É tempo de recomeçarmos mil vezes. Embrutecemos à medida que os dias passam.
Chegamos a esta altura, quase desidratados do pensamento, exauridos, é pois necessário, recuperar.
Cortemos as amarras e guardemos as redes, naveguemos.