segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

UMA FOTOGRAFIA POR DIA

FALAR SOZINHA COMEÇA A SER UM DESPORTO À HORA DOS TELEJORNAIS


Ninguém conhece ninguém, mas acha que conhece.
A mãe que conhece o filho, a filha que conhece a mãe, a mulher que conhece o marido e vice-versa são inverdades, mitos do conhecimento.
A natureza humana possui elementos muito subtis e difíceis de controlar. Cada palavra vem mascarada.
Exibimos um tamanho para o outro que não corresponde à realidade.
A vida dá-nos muito trabalho.
Há capelas de silêncios em todos nós. As pessoas refugiam-se em lugares comuns e por vezes fazem destes um dever.
Todos nós somos feitos de contradições, de covardias, de transigências recalcadas, em percentagens diferentes, obviamente.
Muitos de nós de digno só tem a fachada.
É desta gente que é composta esta massa amorfa, egoísta, surda, protoplásmica (aprendi esta palavra com Miguel Torga), abúlica, manhosa, mas ninguém é capaz de se conhecer inteiramente e de inteiramente se mostrar.




TANTOS INSTINTOS AMESTRADOS...

ESPELHOS SOCIAIS ou blogs, murais facebookianos & sem vergonhices, Ldª

Há pessoas, sempre houve, que escavam palavras e textos e que até os coleccionam. Outras há que não dão qualquer importância a marcar o seu território e a protegê-lo.
Soltam-se dos parêntesis em que estiveram fechadas mas apenas, porque se submetem à técnica sempre velha de copiar. Copiam tudo, roubam tudo, engolem tudo.
Dirigem-se sorrateiramente a blogs desconhecidos e de lá retiram não só as ideias, mas também palavras, frases e começam a "encarnar o espírito" de outros blogs, às vezes com um novo chapéu ou uns novos sapatos apenas. Por isso se caminharmos por essa blogosfera adiante assistimos a fingimentos vários  e a macaquices sucessivas, algumas perpetradas por "jornalistas e críticos disto e daquilo". Copiam, copiam-se e "tornam-se verdade".
A técnica de colagem está na moda neste "mundinho" e cada qual monta o seu espectáculo e inicia o seu "patchwork". Há gente que mata a solidão de não estar o seu nome na(s) rede(s) através destes trabalhinhos de embutidos, cose aqui, remenda acolá.
Conforme há o chá das 5 ou das 6 para os(as) mais conservadores(as), também há o encontro na escrita e na ideia e, se forem tomar ao outro dia outro chãzinho com outras pessoas, já repetem aquela ideia que não é dela mas da outra (o), às vezes sem qualquer maldade, nem consciência têm que assim é.
Misturam as escritas e as ideias, os chãs e as pessoas.
É sabido e consabido que as  mesmas necessidades produzem ideias  semelhantes em pessoas e locais diferentes,  mas do que falo e que vou assistindo aqui na blogosfera é uma coisinha bem diferente: é pessoas sem ideias irem roubá-las a quem as tem, mais ou menos como o furto do fio de cobre e dos metais, pois nesta história também há os receptadores.
Sempre assim foi e será, até nos grandes escritores, nas teses de doutoramento, em tudo existe a grande figura do plágio.
Há o exemplo do nosso primeiro Código Penal publicado depois do 25 de Abril , com prefácio de Eduardo Correia e que segundo se consta ficou engavetado cerca de duas décadas não podendo ver a luz do dia e, o Código Penal Alemão que foi publicado anos antes e que dizem  ter sido plagiado pelo nosso (só que depois ninguém sabe quem plagiou quem).
Num olhar positivo sobre este fenómeno tão simples de copianço descarado, vejo que se estabelece uma corrente e esta corrente eventualmente fornece uma esperança, em todos estes temas, quase sempre iguais neste espaço português.
Ter ideias é desgastante. Expô-las sem ter a certeza que outros as aceitam ou terem sido validades por alguma voz, nem de que bacoca se trate no estrangeiro, é assustador duma forma geral, então porque não as "roubar", colocar-lhes outros adereços e levá-las à Rua a passear nem que seja com trelinha?
Afinal a reciclagem está na ordem do dia, não é assim?
Em tudo o que disse não está incluído, como é óbvio, o facto de todos nós incorporarmos ideias dos outros quando concordamos com elas e tudo o que é publicado deixar de ser nosso exclusivamente, que fique bem claro como é evidente, ou ainda o ir buscar ideias aos grandes escritores e trabalhar sobre elas como faz e diz que faz Enrique Vila-Matas.
Como é evidente, este tema não me tinha surgido hoje (porque tudo o que aqui verto é escrito e pensado naquele momento e não em outro) se não  tivesse verificado que em alguns blogs mais conhecidos, dos tais que têm muitas visitas diárias e até vão à rádio dizer quem são, ver plasmadas ideias minhas, aquelas que eu sei que não tinha visto em lado nenhum, que são única e exclusivamente minhas filhas, como se de repente toda a gente visse o mesmo que eu vi e sentisse a mesma necessidade.
Desde sempre achei que faço parte da maioria, às vezes não muito bem expressa estatisticamente e, o que  sinto, penso ou digo muitas outras pessoas sentem pensam e dizem, mas não sei porquê, aqui é muito claro, é tão claro que apenas a data, às vezes (um dia depois ou dois dias ou mesmo três e até mais) distanciam os pensamentos dos outros dos meus que sei que eram, efectivamente meus e de mais ninguém.
Claro que isto das ideias e do pensamento, como já disse mas repito e esta agora toda a gente sabe mesmo, é assim, a bem dizer, como que de frutos na árvore se tratasse. Uma árvore tem vários frutos maduros ao mesmo tempo. Uns são colhidos outros ficam lá e quem os come são as avezitas ou então outra que toda a gente sabe, mas eu também, é que tal como o capital não tem fronteiras, também o pensamento não tem sangue.
Houve a época das aspas, lembram-se? Por tudo e por nada vinham as aspas, lá estavam as aspas. Agora estamos na época das não aspas e das não referências, "é tudo nosso".
Mas sendo a blogosfera uma célula social, obviamente que teria que nela se plasmar o que se passa na sociedade em geral, toda a gente a copiar toda a gente, a originalidade foi abandonada, o que é necessário é seguir a moda e ai de quem não a seguir é apenas um espírito conflituoso e irritante, aqui ou noutro sítio qualquer.
IDEIAS COPIEM-SE E COMO DIZ O OUTRO: É MELHOR COPIAR O BOM DO QUE FAZER ALGO QUE NÃO PRESTE.
E DEPOIS QUEM NÃO COPIOU UM DIA ALGUMA COISA? VÁ ATIREM A PRIMEIRA PEDRA.

não gosto de finais moralistas, pronto

domingo, 12 de fevereiro de 2012

SAUDADE

Um passeio a pé, ao sol de Inverno, uma volta pelos locais.
O encontro com os outros.


O saborear todo o bulício da cidade, despreocupadamente, sem ver lojas fechadas e mais lojas fechadas e prédios devolutos e a cairem, sem olhar para um lado e me lembrar daquele lugar que antes era... e daquele comércio de tanta qualidade que hoje é mais uma casa de chineses com artigos baratos e sem qualquer interesse a não ser o de permitir que as pessoas pensem que apesar de tudo ainda conseguem fazer algumas aquisições e de não perderem completamente os hábitos do consumo. Democráticos porque capazes da maioria com ordenados mínimos, os comprar.
Olhar para as pessoas e senti-las alegres ou tristes, distraídas ou não.
Um passeio sem pressas e sem "dores".

sábado, 11 de fevereiro de 2012

TRIBUTO A TODOS(AS) QUE USAM O HUMOR PARA ADOÇAR A VIDA

Às vezes temos a arte de tornar os outros inteligentes, mas nunca conseguimos que tenham espírito de humor. Este espírito ou se tem ou não se tem.
Sou uma entusiasta desta práxis. Quem tem este "dom" consegue tornar a sua vida e a dos  que lhe estão próximos, mais repousante.
Dizem depressa o essencial. Têm vivacidade intelectual. Conseguem insuflar oxigénio em si e nos outros.
Estas pessoas são  saudáveis, psicologicamente falando, possuem um controle perfeito dos nervos.
Para mim, as pessoas com este tipo de inteligência viva, exercem magia, provocam emoções honestas. São um antídoto para a cólera. Enfim...  fazem-me (nos) bem à alma.
Num Portugal em que voltou ao tempo em que tudo cá manda (a Europa, a China, Angola e sempre a América) como em 1918 já dizia João Chagas no seu Diário IV (de 1918 a 1921 e que vale a pena ler), sendo que as potências eram outras nessa altura (Inglaterra, Espanha, Áustria e a França) é absolutamente necessário e cada vez mais, o humor.