quarta-feira, 7 de março de 2012
FOTOGRAFIA DO DIA
AGORA HÁ BANDEIRAS DA C.M.P. POR TODO O LADO. LAMENTO QUE NÃO HAJA POLÍTICAS, BOAS POLÍTICAS E PRÁTICAS POR TODO O LADO
terça-feira, 6 de março de 2012
VISTE O COMETA?
Vem merendar mano.
A avó está a perguntar se queres pão com marmelada ou torradas com manteiga.
Sete/oito anos, era dia de Inverno.
E os castanheiros assavam castanhas.
O fumo confundia-se com o nevoeiro
E nós pedíamos dinheiro ao avô e à avó
Para irmos comprar castanhas, uma dúzia
Eu gostava das abafadas que os homens
Traziam penduradas em cestos às costas com correias de couro
E abafadas por um pano.
No quintal enorme duma casa portuense com certeza
O pai tinha mandado fazer uma gaiola muito grande para pássaros.
E havia um sabugueiro.
E o meu irmão ia aos ramos para tirar miolo para as fisgas.
Queria matar pardais.
Eu assá-los-ia, estava combinado.
E para beber, dizia ele. Vou fazer licor, respondia eu.
Licor de cascas de maçã, de cenoura ou de ananás.
Claro que licor era juntar açúcar às cascas e aguardar um dia.
Quando as costureiras lá de casa acabavam os bibes novos,
Nós distinguíamo-nos por um ser azul, outro cor-de-rosa.
A Srª. Glória, a criada interna (naquela altura era assim que se dizia)
Quando encerava o chão, eu snifava o soalho , feliz da vida.
Sempre gostei do cheiro a cera e a torradas (aromas perfumados da infância).
E ouvia-se a chuva a correr sobre as pedras e o borbulhar nas caleiras.
E usava tranças com lacinhos
E sapatos de verniz preto com socquettes.
E as mulheres cantavam enquanto faziam limpezas
Ouvia eu nas traseiras da casa e do quintal.
E os panos de renda por cima do terno de sofás.
E o gira-discos a tocar músicas italianas e francesas.
E os colchões de folhelho lavavam-se uma vez por ano
Enchiam-se e voltavam a cozer-se.
E os guardanapos enfiavam-se na argola.
E o candeeiro de petróleo para quando faltasse a luz
Estava na despensa em sítio que toda a gente soubesse.
As idas à modista à Rua de Stª Catarina
Depois da escolha aturada da fazenda
Ou a procura insana nos figurinos, de tecidos e feitios
E havia a Burda, figurino dos figurinos.
A costureira de casa era para as coisas ligeiras
E as vestimentas para sair eram feitas na modista
Que chamava Madame à minha mãe e avó.
A praia durante dois meses sempre a mesma
E com os mesmos vizinhos de barraca.
As pastas de celeiro para início de aulas.
As roupas dos homens muito escuras, cinzentos e castanhos
E muito depois azul.
O meu pai ia ao alfaiate Capitólio junto à C.M.P.
E vestia cores muito mais claras
E eu achava-o lindo, lindo mesmo
As senhoras com os seus vestidos cortados na cinta
E de roda ou de godés.
A minha mãe que me parecia sempre uma artista de cinema
A quem o meu pai, de vez em quando, chamava Grace Kelly.
As idas à mercearia para aprender a fazer um recado
E a manusear o dinheiro e os trocos, dizia-se lá por casa.
Nas ruas havia muita gente, eu achava.
Nunca fui ao talho, mas quando por eles passava
Reparava que o chão estava coberto de serrim
Depois de ser lavado.
E perguntava ao meu irmão se tinha visto o cometa
Julgava que havia todos os anos cometa para ser observado.
e mais tarde
Os rolos no cabelo durante a noite para ir bonita para o liceu.
A escrita para os afilhados de guerra.
As cartas para os correspondentes franceses e ingleses.
E... E... E...
A avó está a perguntar se queres pão com marmelada ou torradas com manteiga.
Sete/oito anos, era dia de Inverno.
E os castanheiros assavam castanhas.
O fumo confundia-se com o nevoeiro
E nós pedíamos dinheiro ao avô e à avó
Para irmos comprar castanhas, uma dúzia
Eu gostava das abafadas que os homens
Traziam penduradas em cestos às costas com correias de couro
E abafadas por um pano.
No quintal enorme duma casa portuense com certeza
O pai tinha mandado fazer uma gaiola muito grande para pássaros.
E havia um sabugueiro.
E o meu irmão ia aos ramos para tirar miolo para as fisgas.
Queria matar pardais.
Eu assá-los-ia, estava combinado.
E para beber, dizia ele. Vou fazer licor, respondia eu.
Licor de cascas de maçã, de cenoura ou de ananás.
Claro que licor era juntar açúcar às cascas e aguardar um dia.
Nós distinguíamo-nos por um ser azul, outro cor-de-rosa.
A Srª. Glória, a criada interna (naquela altura era assim que se dizia)
Quando encerava o chão, eu snifava o soalho , feliz da vida.
Sempre gostei do cheiro a cera e a torradas (aromas perfumados da infância).
E ouvia-se a chuva a correr sobre as pedras e o borbulhar nas caleiras.
E usava tranças com lacinhos
E sapatos de verniz preto com socquettes.
E as mulheres cantavam enquanto faziam limpezas
Ouvia eu nas traseiras da casa e do quintal.
E os panos de renda por cima do terno de sofás.
E o gira-discos a tocar músicas italianas e francesas.
E os colchões de folhelho lavavam-se uma vez por ano
Enchiam-se e voltavam a cozer-se.
E os guardanapos enfiavam-se na argola.
E o candeeiro de petróleo para quando faltasse a luz
Estava na despensa em sítio que toda a gente soubesse.
As idas à modista à Rua de Stª Catarina
Depois da escolha aturada da fazenda
Ou a procura insana nos figurinos, de tecidos e feitios
E havia a Burda, figurino dos figurinos.
A costureira de casa era para as coisas ligeiras
E as vestimentas para sair eram feitas na modista
Que chamava Madame à minha mãe e avó.
A praia durante dois meses sempre a mesma
E com os mesmos vizinhos de barraca.
As pastas de celeiro para início de aulas.
As roupas dos homens muito escuras, cinzentos e castanhos
E muito depois azul.
O meu pai ia ao alfaiate Capitólio junto à C.M.P.
E vestia cores muito mais claras
E eu achava-o lindo, lindo mesmo
As senhoras com os seus vestidos cortados na cinta
E de roda ou de godés.
A minha mãe que me parecia sempre uma artista de cinema
A quem o meu pai, de vez em quando, chamava Grace Kelly.
As idas à mercearia para aprender a fazer um recado
E a manusear o dinheiro e os trocos, dizia-se lá por casa.
Nas ruas havia muita gente, eu achava.
Nunca fui ao talho, mas quando por eles passava
Reparava que o chão estava coberto de serrim
Depois de ser lavado.
E perguntava ao meu irmão se tinha visto o cometa
Julgava que havia todos os anos cometa para ser observado.
e mais tarde
Os rolos no cabelo durante a noite para ir bonita para o liceu.
A escrita para os afilhados de guerra.
As cartas para os correspondentes franceses e ingleses.
E... E... E...
PEQUENAS MENTIRAS
Não convivo bem com elas.
Toda a gente mente, mas até a mentir se vê a estatura das pessoas. Há pessoas que mentem por tudo e por nada, por coisas tão insignificantes, tão sem interesse que vão destruindo a sua imagem diante dos outros sem disso terem o mínimo de consciência.
As mentiras pequenas arrefecem-me, irritam-me porque são desnecessárias.
Nós não nos vimos como os outros nos vêem, caso contrário não pensávamos que éramos nós.
As pessoas dizem uma coisa, mas não é aquilo que de facto é. E muitas há que são ambíguas. Às vezes pensamos que caímos em mal entendidos e não é, é apenas o carácter dessa pessoa que se revelou e erramos na análise inicial.
Há pessoas que mentem mais para si do que para os outros, mais do que nos dizem mortificarem-se por isto e por aquilo e nós acreditamos cheios(as) de boa fé, mas afinal estão a servir os seus próprios interesses nem que seja o de ficarem bem a seus próprios olhos. Querem parecer sérios(as), mas não são, apenas ridículos(as) bajuladores(as).
Muitos de nós temos que saltar muitos alçapões e buracos no dia a dia e perdemos alguma energia também com esta gente, para não atolarmos nessa fuligem desconfortante que é o faz de conta.
Todos temos um tamanho para os outros e não se mede com um metro. A estatura de cada um, pode não ser a sua própria medida, mas antes o padrão da realidade que exprimimos e como em todas as coisas há tamanhos absolutos e tamanhos relativos.
Há pessoas que compram a paz das suas vidas com mentiras, são os revoltadas pacíficas.
Às vezes, muitas vezes, silencio o que descobri outras há que as devolvo, acontecendo que nalguns casos enrolam-se em novas mentiras para tornar as primeiras mais credíveis, ficando testado o metódo utilizado ou não.
Trata-se de gente que gasta e nos gasta energia com esta forma de refluir o sangue.
Cada vez perco menos tempo com eles (as), cheguei a uma fase da vida que não tenho essa necessidade, felizmente.
Outra das coisas que considero absolutamente irritante é a contradição.
Encontramo-nos na vida com indivíduos que proferem uma frase e logo a seguir a sua contrária e que nunca se apercebem disso. Aqueles que dizem, por exemplo: nunca, nunca bebo bebidas aloólicas e a seguir: se tiveres um cálice de Porto... é que com este creme queimado é uma delícia.
Por isso, quando encontro uma pessoa diferente no mundo, uma daquelas que não é vendedor de cultura, daqueles bárbaros com ideias, daqueles artifícios de pessoa chamadas civilizadas e que não tem nada a ver com essas pseudo-normas sociais, aplico os sentidos todos e aspiro até não caber mais.
Alguns de nós, já tivemos que aplaudir 1º e vomitar depois. No meu caso, a tragédia consiste em não ter feitio para render culto aos próprios vícios, àqueles que se instalam nos altares da virtude e preferir e prefiro quase sempre, as situações incómodas às cómodas. Odeio as pequenas mentiras, pronto tenho dito.
Toda a gente mente, mas até a mentir se vê a estatura das pessoas. Há pessoas que mentem por tudo e por nada, por coisas tão insignificantes, tão sem interesse que vão destruindo a sua imagem diante dos outros sem disso terem o mínimo de consciência.
As mentiras pequenas arrefecem-me, irritam-me porque são desnecessárias.
Nós não nos vimos como os outros nos vêem, caso contrário não pensávamos que éramos nós.As pessoas dizem uma coisa, mas não é aquilo que de facto é. E muitas há que são ambíguas. Às vezes pensamos que caímos em mal entendidos e não é, é apenas o carácter dessa pessoa que se revelou e erramos na análise inicial.
Há pessoas que mentem mais para si do que para os outros, mais do que nos dizem mortificarem-se por isto e por aquilo e nós acreditamos cheios(as) de boa fé, mas afinal estão a servir os seus próprios interesses nem que seja o de ficarem bem a seus próprios olhos. Querem parecer sérios(as), mas não são, apenas ridículos(as) bajuladores(as).
Muitos de nós temos que saltar muitos alçapões e buracos no dia a dia e perdemos alguma energia também com esta gente, para não atolarmos nessa fuligem desconfortante que é o faz de conta.
Todos temos um tamanho para os outros e não se mede com um metro. A estatura de cada um, pode não ser a sua própria medida, mas antes o padrão da realidade que exprimimos e como em todas as coisas há tamanhos absolutos e tamanhos relativos.
Há pessoas que compram a paz das suas vidas com mentiras, são os revoltadas pacíficas.
Às vezes, muitas vezes, silencio o que descobri outras há que as devolvo, acontecendo que nalguns casos enrolam-se em novas mentiras para tornar as primeiras mais credíveis, ficando testado o metódo utilizado ou não.
Trata-se de gente que gasta e nos gasta energia com esta forma de refluir o sangue.
Cada vez perco menos tempo com eles (as), cheguei a uma fase da vida que não tenho essa necessidade, felizmente.
Outra das coisas que considero absolutamente irritante é a contradição.
Encontramo-nos na vida com indivíduos que proferem uma frase e logo a seguir a sua contrária e que nunca se apercebem disso. Aqueles que dizem, por exemplo: nunca, nunca bebo bebidas aloólicas e a seguir: se tiveres um cálice de Porto... é que com este creme queimado é uma delícia.
Por isso, quando encontro uma pessoa diferente no mundo, uma daquelas que não é vendedor de cultura, daqueles bárbaros com ideias, daqueles artifícios de pessoa chamadas civilizadas e que não tem nada a ver com essas pseudo-normas sociais, aplico os sentidos todos e aspiro até não caber mais.
Alguns de nós, já tivemos que aplaudir 1º e vomitar depois. No meu caso, a tragédia consiste em não ter feitio para render culto aos próprios vícios, àqueles que se instalam nos altares da virtude e preferir e prefiro quase sempre, as situações incómodas às cómodas. Odeio as pequenas mentiras, pronto tenho dito.
segunda-feira, 5 de março de 2012
ARCO-ÍRIS E REUNIFICAÇAO
Andar, andar desemaranhado.
Embaixadas imensas de coisas miudinhas que se instalaram um dia e desapareceram ao sabor dos dias.
Atmosferas limpas, sem poeiras, ventos ou humidades.
Nesses olhares de amor com que tocava os contos de fadas a verdade era atingida.
Aqueles primeiros olhares não eram mistérios indecifráveis, eram a verdade da vida.
Nesses tempos indecifráveis em que o fogo e a água se misturavam na atmosfera, em que luzia o arco-íris, como aliança entre o visível e o invisível, nesses momentos saíam seres para os espaços siderais que eram apenas a vivência do mito do próprio momento.
O arco-íris eu via.
Não havia actualização do mito nesse instante porque o mito é o próprio instante em que chove e faz sol, é a actualização da actualização. O momento em que mostra que a vida está viva.
E não contemplo, sinto, sinto apenas.
A magia existe. Sente-se o sangue a correr nas veias, a raiz da existência.
É a vida que vive e julgo que hoje poucos escutam e muitos poucos olham.
Esse olhar que vasa na imagem toda a máscara que somos, todas as camadas, todos os pensamentos, todos os sentimentos, todas as intuições que residem no coração.
Por muito que este olhar queira voltar a recolher-se ao refúgio, como um molusco que volta à sua concha, já está totalmente de fora e há honestidade nas suas emoções.
E é nesses pequenos instantes em que a magia toma conta de nós e nos adopta como se duma mãe se tratasse que eu me reunifico. O que mais rapidamente muda é o que é composto de maior desassossego, o que existe já para ser outra coisa e caminho simplesmente nessa atmosfera limpa e sem poeiras.
Embaixadas imensas de coisas miudinhas que se instalaram um dia e desapareceram ao sabor dos dias.Atmosferas limpas, sem poeiras, ventos ou humidades.
Nesses olhares de amor com que tocava os contos de fadas a verdade era atingida.
Aqueles primeiros olhares não eram mistérios indecifráveis, eram a verdade da vida.
Nesses tempos indecifráveis em que o fogo e a água se misturavam na atmosfera, em que luzia o arco-íris, como aliança entre o visível e o invisível, nesses momentos saíam seres para os espaços siderais que eram apenas a vivência do mito do próprio momento.
O arco-íris eu via.
Não havia actualização do mito nesse instante porque o mito é o próprio instante em que chove e faz sol, é a actualização da actualização. O momento em que mostra que a vida está viva.
E não contemplo, sinto, sinto apenas.
A magia existe. Sente-se o sangue a correr nas veias, a raiz da existência.
É a vida que vive e julgo que hoje poucos escutam e muitos poucos olham.
Esse olhar que vasa na imagem toda a máscara que somos, todas as camadas, todos os pensamentos, todos os sentimentos, todas as intuições que residem no coração.
Por muito que este olhar queira voltar a recolher-se ao refúgio, como um molusco que volta à sua concha, já está totalmente de fora e há honestidade nas suas emoções.
E é nesses pequenos instantes em que a magia toma conta de nós e nos adopta como se duma mãe se tratasse que eu me reunifico. O que mais rapidamente muda é o que é composto de maior desassossego, o que existe já para ser outra coisa e caminho simplesmente nessa atmosfera limpa e sem poeiras.
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