sexta-feira, 9 de março de 2012
quinta-feira, 8 de março de 2012
CHAMAM-LHE ANTENAS ABERTAS
Como me irritam estes programazinhos em que toda a gente pode falar de tudo o que lhe vem à cabeça. Que pseudo-democracia esta.
Despejam ali o saco e pronto. Ninguém as ouve, só elas próprias, ninguém quer saber do que o outro diz, se não tiver nome registado na praça.
Sondo ali os abismos.
Esta gente traz-me à memória esse desejo de Kafka de ser como um pele-vermelha, sempre a cavalo, mas já sem ver a cabeça do cavalo, a galope desenfreado.
Querem dizer a si próprios que estão vivos, que lutam denunciando. Alguns são mesmo "habitués". E é a alegria dos alegres, que é uma espécie de doença como qualquer outra, uma espécie de vício que desordena a vida e a falsifica.
É apenas ruído, muito ruído. Uma "abundância" de democracia. Fico sempre extenuada com aquelas antenas abertas, aqueles fóruns, aliás cada vez mais tempo abertas(os) a comentadores convidados e reduzindo de duas horas para uma o tempo de participação dos ouvintes (descontando o dos convidados, fica meia horita) como por exemplo, na Antena 1.
Iludem-se os que se julgam escutados. São todos possuidores de ideias exactas, muito exactas e agradecem por poderem falar no "fórum", agradecem por pensarem e estarem vivos, verdadeiramente comovente.
Nestas alturas sinto a necessidade de reclinar a cabeça na música, na arte ou então no confortável silêncio.
Vezes há que dá-me para experimentar a piedade e sinto a alegria de ser boazinha, de simpatizar com esta gente que gosta de se ouvir a si própria e nem me revolto e então parece que acabo de cumprir o meu dever. Ouço estes programas com uma certa benevolência e acho tudo bem, acho que perderam a vergonha e isso só por si é uma coisa boa a até vencem os diferentes medos e a timidez, e conseguem falar em público, mesmo atabalhoadamente e isso eu acho o máximo, porque sei quanto me custou falar as primeiras vezes em público, não nestes contextos mas noutros bem diferentes.
Claro que tudo isto é melhor que a Pax Romana, a paz dos escravos, dos acomodados, mas mesmo assim não há meio de eu gostar de quem dialoga em coro, por necessidade, para traduzirem as suas queixas? E penso: Julgam-se livres?
Como podem? Praticam a liberdade?
Se houvesse liberdade, havia justiça, porque é na liberdade que se aprende a conhecer a fronteira das liberdades alheias e nessa altura, democracia também.
Neste mundo todo artificial, onde predomina o preconceito, o pedantismo, a mediocridade, há estes espécies de pseudo-oásis. Umas ilhas onde não se passa nada. É uma espécie de criança rebelde da Análise Transacional.
Os meios de comunicação assim chamados, ficam satisfeitos por desopilarem os fígados dos portugueses do bota-abaixo e também dos bota-acima para que se
não diga que a liberdade é total (deve ser catalogado como serviço publico como os discos pedidos ou parecido).
Não raro, nestes programas descubro que o nosso país está cheio de salvadores, de profetas, dos que se fossem P.M. fariam assim e assado, dos que pensam falar-lhe através da rádio.
E porque é que eu não gosto destes programas afinal?
Despejam ali o saco e pronto. Ninguém as ouve, só elas próprias, ninguém quer saber do que o outro diz, se não tiver nome registado na praça.
Sondo ali os abismos.
Esta gente traz-me à memória esse desejo de Kafka de ser como um pele-vermelha, sempre a cavalo, mas já sem ver a cabeça do cavalo, a galope desenfreado.Querem dizer a si próprios que estão vivos, que lutam denunciando. Alguns são mesmo "habitués". E é a alegria dos alegres, que é uma espécie de doença como qualquer outra, uma espécie de vício que desordena a vida e a falsifica.
É apenas ruído, muito ruído. Uma "abundância" de democracia. Fico sempre extenuada com aquelas antenas abertas, aqueles fóruns, aliás cada vez mais tempo abertas(os) a comentadores convidados e reduzindo de duas horas para uma o tempo de participação dos ouvintes (descontando o dos convidados, fica meia horita) como por exemplo, na Antena 1.
Iludem-se os que se julgam escutados. São todos possuidores de ideias exactas, muito exactas e agradecem por poderem falar no "fórum", agradecem por pensarem e estarem vivos, verdadeiramente comovente.
Nestas alturas sinto a necessidade de reclinar a cabeça na música, na arte ou então no confortável silêncio.
Vezes há que dá-me para experimentar a piedade e sinto a alegria de ser boazinha, de simpatizar com esta gente que gosta de se ouvir a si própria e nem me revolto e então parece que acabo de cumprir o meu dever. Ouço estes programas com uma certa benevolência e acho tudo bem, acho que perderam a vergonha e isso só por si é uma coisa boa a até vencem os diferentes medos e a timidez, e conseguem falar em público, mesmo atabalhoadamente e isso eu acho o máximo, porque sei quanto me custou falar as primeiras vezes em público, não nestes contextos mas noutros bem diferentes.
Claro que tudo isto é melhor que a Pax Romana, a paz dos escravos, dos acomodados, mas mesmo assim não há meio de eu gostar de quem dialoga em coro, por necessidade, para traduzirem as suas queixas? E penso: Julgam-se livres?
Como podem? Praticam a liberdade?
Se houvesse liberdade, havia justiça, porque é na liberdade que se aprende a conhecer a fronteira das liberdades alheias e nessa altura, democracia também.
Neste mundo todo artificial, onde predomina o preconceito, o pedantismo, a mediocridade, há estes espécies de pseudo-oásis. Umas ilhas onde não se passa nada. É uma espécie de criança rebelde da Análise Transacional.
Os meios de comunicação assim chamados, ficam satisfeitos por desopilarem os fígados dos portugueses do bota-abaixo e também dos bota-acima para que se
não diga que a liberdade é total (deve ser catalogado como serviço publico como os discos pedidos ou parecido).
Não raro, nestes programas descubro que o nosso país está cheio de salvadores, de profetas, dos que se fossem P.M. fariam assim e assado, dos que pensam falar-lhe através da rádio.
E porque é que eu não gosto destes programas afinal?
quarta-feira, 7 de março de 2012
OS ENIGMAS DA VIDA
Espreito as contradições da vida e esta cada vez mais me oferece mais enigmas e mais mistérios.
Hoje ouvi e vi o P.M. na A.R.. Ouve e entende duma forma muito diferente da minha. O Jerónimo de Sousa quis explicar-lhe porque havia mais velhos a morrer e ele respondeu ao lado, irritado, sem conseguir sequer fazer um esforço de compreensão.
Sempre para mim foi um enigma a cabeça dos outros, o que escutam e o que processam dessa escuta.
A vida às vezes, parece uma peça de teatro do absurdo. Aquela medida absurda na verdade do erro, no gato por lebre.Encontro gente simples, sem doutrina e muito aprendo com eles. Ocasiões há em que o nosso grau de expectância é tão baixo àcerca de alguém que nos surpreendemos com a nossa própria ignorância. Por isso é que ler nos dá uma enorme segurança. Tirar as personagens, dos livros para falarem connosco e interagirmos com elas é bem mais fácil do que viver, conviver com caras fechadas à chave, caras apressadas que apenas supomos que não sentem nada, que estão alheias, que nascem alheias, que apenas querem respirar, os tais que só gostam de futebol e de telenovela.
Antes do 25 de Abril pensávamos que era o açaime que todos tínhamos que fazia gente desta e agora o que é?
Porque fogem de ouvir? Porque não querem pensar?
Porque preferem ser ignorantes, se sofrem na mesma?
Como dá trabalho ser ignorante, no entanto não querem ser outra coisa para não terem trabalho, isto é um enigma para mim.
Há coisas que observo, principalmente na política que me parecem fazer parte do oculto.
Há gente que lê o que acontece no mundo, a nível económico e financeiro, não como ilusões, mas como lei. Para mim, constitui um enigma essa forma de ver.
Assumem a substância. Obedecem. Não se opõem. Aceitam a verdade e o erro.
Um outro enigma é a forma do encontro.
Quando andava na escola aprendi na geometria os axiomas e, também aprendi muito mais tarde que havia uma geometria não euclediana e o que ela tinha feito às matemáticas, isto é, demolir um axioma e acabou com a presunção, mas já no princípio dos anos 2000, li que um físico de Harvard, não me recordo o nome, disse que as linhas paralelas, de facto, se encontravam sobre uma esfera e isso nunca mais me saíu da cabeça. Não sei mais nada sobre esta questão, mas que penso na questão do encontro (aqui, visto como a tomada de conhecimento mútuo) lá isso penso.
Outro dos meus enigmas que hoje aqui partilho convosco, é o facto de haver pessoas que não são nada, não são tristes nem alegres, mas tudo isso.
Não são oprimidas nem opressoras, nem arrebatadas pelo desemprego, pela fome, mas tudo isso.
Elas sabem e não sabem que conforme querem fazer viver a maioria deste povo é a morte lenta, mas confundem vida com morte?
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