terça-feira, 10 de abril de 2012
segunda-feira, 9 de abril de 2012
FALEM-ME DO IMPOSSÍVEL
Não queria ser responsável moral por todas as velhacarias que se cometem no meu país, mas sendo contemporânea desta gente, passo por o ser.
Estamos em horas de humilhações. Desde que existo nunca fomos tão humilhados como Nação.
O que significou Mastrich para nós? E para a Europa? Em Junho de 1992, recordo, os dinamarqueses souberam dizer não a Mastricht.
Que bom que era eu acreditar na intercessão divina para sairmos deste atoleiro onde nos meteram e continuam a meter.
Claro que sei que a maioria dos acontecimentos só têm a importância que lhe damos, mas viver neste país meu amado, nestas circunstâncias com todos estes jovens a emigrar (56 mil portugueses inscritos no Portal Europeu de Mobilidade Profissional, ou seja, que procuram trabalho em países da União Europeia e na Suíça (4.700 novos nos últimos dois meses), penhorando o futuro do país, não é fácil.
Como podemos deixar de dar importância? Mesmo com toda a imaginação e inteligência a funcionar, é verdadeiramente impossível.
Temos que viver e o melhor possível, é nossa obrigação. Mas se viver, por si só é difícil, viver neste época é bem mais difícil.
Os valores em que acreditava e ainda acredito, estão a ser postos em causa, a honestidade, a honra, a independência.
É preciso dizer NÃO a este tempo que parece de Apocalipse.
Todos os governantes actuais e passados, dizem que querem melhorar a nossa situação e todos eles afundam mais e mais o País, além de serem incompetentes e estarem ao serviço do capital nacional e estrangeiro, não amam este rectângulo.
Vendem o país ao desbarato uma parte outra, até a oferecem de bandeja. Assistirmos ao nossso país deixar de existir, é demasiado triste. Não me lembro de no passado ter acontecido tal, com esta rapidez.
Que destino o nosso!
Depois de meio século de ditadura, o país agoniza sob nova opressão, tão tenebrosa como a anterior.
O capitalismo torna as pessoas selvagens, criminosas. Há pessoas que se estão a suicidar, outras a passar fome e em sofrimento para alimentar a Besta Capital.
Governantes corruptos e traidores. Começa a ser difícil distinguir o fascismo desta democracia.
Que mais nos falta perder? Mas mesmo assim, todos os dias somos surpreendidos com mais e mais crimes chamados medidas de austeridade.
Já não somos Nação Independente e Imortal, embora sejamos o país mais velho da Europa. Os iluminados que nos têm governado, abrem mão duma nação.
Agora já não é um Filipe II espanhol que nos integra, mas a própria Europa, nossa coveira, está a enterrar-nos vivos.
Entregamos o rectângulo gratuitamente a quem o quiser receber.
FALEM-ME DO IMPOSSÍVEL.
A globalização destruiu-nos, não decidimos por nós, outros o fazem em nosso nome. Uns burocratas europeus que nunca nos viram, nem sabem quem somos, como sentimos, amamos e sofremos, mandam em nós, têm-nos presos com uma corda ao pescoço e nós nem sequer estrebuchamos para tentar soltar-nos. Quando Filipe nos fez região de Espanha, éramos menos submissos do que agora.
O país morre aos poucos. Uma nação adiada, sem esperança, um País em que o chefe máximo diz para os jovens emigrarem porque não têm futuro nem esperança, é também um país sem futuro.
Neste rectângulo que eu amo, por todo o lado há um dobre a finados que o poder finge não ouvir, num desprezo olímpico pelo povo.
Um povo que pelos muitos anos de fascismo se degradou, se perverteu e agora de novo tiranizado se tornou impotente e apenas geme e sofre.
Amar este rectângulo dói muito. Precisava de substituir o coração, mudar de alma.
Não gosto de gente NIM e vivemos rodeados desta gente, de mansos, de gente que aplaude partidos que nos destruíram e continuam a destruir, de gente que se abstém. Não acredito nestes partidos, nesta gente que nos mente, gente que não é nem quente nem fria. Quem leu o Apocalipse sabe que até Deus não gosta dos mornos.
FALEM-ME DO IMPOSSÍVEL...
Estamos em horas de humilhações. Desde que existo nunca fomos tão humilhados como Nação.
O que significou Mastrich para nós? E para a Europa? Em Junho de 1992, recordo, os dinamarqueses souberam dizer não a Mastricht.
Que bom que era eu acreditar na intercessão divina para sairmos deste atoleiro onde nos meteram e continuam a meter.Claro que sei que a maioria dos acontecimentos só têm a importância que lhe damos, mas viver neste país meu amado, nestas circunstâncias com todos estes jovens a emigrar (56 mil portugueses inscritos no Portal Europeu de Mobilidade Profissional, ou seja, que procuram trabalho em países da União Europeia e na Suíça (4.700 novos nos últimos dois meses), penhorando o futuro do país, não é fácil.
Como podemos deixar de dar importância? Mesmo com toda a imaginação e inteligência a funcionar, é verdadeiramente impossível.
Temos que viver e o melhor possível, é nossa obrigação. Mas se viver, por si só é difícil, viver neste época é bem mais difícil.
Os valores em que acreditava e ainda acredito, estão a ser postos em causa, a honestidade, a honra, a independência.
É preciso dizer NÃO a este tempo que parece de Apocalipse.
Todos os governantes actuais e passados, dizem que querem melhorar a nossa situação e todos eles afundam mais e mais o País, além de serem incompetentes e estarem ao serviço do capital nacional e estrangeiro, não amam este rectângulo.
Vendem o país ao desbarato uma parte outra, até a oferecem de bandeja. Assistirmos ao nossso país deixar de existir, é demasiado triste. Não me lembro de no passado ter acontecido tal, com esta rapidez.
Que destino o nosso!
Depois de meio século de ditadura, o país agoniza sob nova opressão, tão tenebrosa como a anterior.
O capitalismo torna as pessoas selvagens, criminosas. Há pessoas que se estão a suicidar, outras a passar fome e em sofrimento para alimentar a Besta Capital.
Governantes corruptos e traidores. Começa a ser difícil distinguir o fascismo desta democracia.
Que mais nos falta perder? Mas mesmo assim, todos os dias somos surpreendidos com mais e mais crimes chamados medidas de austeridade.
Já não somos Nação Independente e Imortal, embora sejamos o país mais velho da Europa. Os iluminados que nos têm governado, abrem mão duma nação.
Agora já não é um Filipe II espanhol que nos integra, mas a própria Europa, nossa coveira, está a enterrar-nos vivos.
Entregamos o rectângulo gratuitamente a quem o quiser receber.
FALEM-ME DO IMPOSSÍVEL.
A globalização destruiu-nos, não decidimos por nós, outros o fazem em nosso nome. Uns burocratas europeus que nunca nos viram, nem sabem quem somos, como sentimos, amamos e sofremos, mandam em nós, têm-nos presos com uma corda ao pescoço e nós nem sequer estrebuchamos para tentar soltar-nos. Quando Filipe nos fez região de Espanha, éramos menos submissos do que agora.
O país morre aos poucos. Uma nação adiada, sem esperança, um País em que o chefe máximo diz para os jovens emigrarem porque não têm futuro nem esperança, é também um país sem futuro.
Neste rectângulo que eu amo, por todo o lado há um dobre a finados que o poder finge não ouvir, num desprezo olímpico pelo povo.
Um povo que pelos muitos anos de fascismo se degradou, se perverteu e agora de novo tiranizado se tornou impotente e apenas geme e sofre.
Amar este rectângulo dói muito. Precisava de substituir o coração, mudar de alma.
Não gosto de gente NIM e vivemos rodeados desta gente, de mansos, de gente que aplaude partidos que nos destruíram e continuam a destruir, de gente que se abstém. Não acredito nestes partidos, nesta gente que nos mente, gente que não é nem quente nem fria. Quem leu o Apocalipse sabe que até Deus não gosta dos mornos.
FALEM-ME DO IMPOSSÍVEL...
SENSAÇÕES
Fiquei satisfeita com as 64 visitas de ontem ao meu escrito, ainda para mais depois de ter andado a ler crónicas de gente que escreve mesmo bem e achar que os meus escritos, só têm uma virtude, a sinceridade do momento. Naquele momento senti e pensei daquela forma. Começo lentamente a pensar, depois embalo. Normalmente não revejo, aliás quase nunca, senão refazia tudo e seria um outro escrito e não aquele e, o meu prazer é mesmo escrever o momento. Sentar-me aqui e deixar fluir o pensamento, mesmo que só faça sentido naquela altura. Se alguém da minha família ou dos meus amigos quiser um dia ler-me quando eu estiver já no outro lado, vai saber o que pensei e senti naquele dia, àquela hora.
Claro que agora desabafo publicamente, o que no passado não fazia, apenas para um caderno iam os meus pensamentos e continuo sem perceber esta urgência de desabafar publicamente, a não ser mesmo porque considero que muita gente sente como eu e ilumino certos abismos, embora como dizia Roland Barthes em "A Câmara Clara", "uma foto é sempre invisível: não é a ela que nós vemos", também me pareço com todas as pessoas, excepto no facto de me parecer com elas.
Quando me sento aqui, ao computador sei, como Calvino, que a vida é uma enciclopédia, uma biblioteca, um inventário de objectos, um catálogo de estilos onde tudo pode ser continuamente remexido e ordenado de todas as maneiras possíveis.
Li há tempos no jornal que um indívíduo que ficou desempregado, ganhou coragem e escreveu um livro, livro que foi premiado quando o levou a concurso.
Nunca tinha escrito nada, foi ler nos outros escritores as técnicas utilizadas e começou a escrever. Escreveu mil e tal páginas que depois reduziu para 300 quando se dispôs a levar a concurso o seu romance.
Fiquei maravilhada com o que este homem fez. Sobreviveu a um ano de desemprego desta forma e ainda por cima, sabia que o romance tinha qualidade para concorrer.
É em pessoas como esta, possuidoras de uma sólida vontade que eu acredito. É com estas pessoas que o mundo avança e não com os cínicos que juram por uma coisa e acreditam noutra ou naqueles que vivem a ver o que podem roubar para terem dinheiro sem trabalhar muito.
Não gosto de empreiteiros, nunca gostei de mestres de obras promovidos que se tornaram exemplos a seguir para tudo.
Não gosto só de gente útil, de coisas úteis.
Gosto da filosofia e da arte.
Gosto do amor. E como diria Florbela Espanca "Eu quero amar, amar perdidamente! Amar só por amar: aqui...além... Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente... Amar! Amar! E não amar ninguém!
A arte liberta-nos, enquanto assistimos a um drama, lemos um livro, observamos um quadro, não são os nossos males que sentimos, descentramo-nos de nós.
Quando leio poesia ou filosofia fico com uma visão prática do mundo, perco ilusões.
Quando ouço pessoas que convictamente dizem não ter tempo para nada, nem para ler, penso: esta gente não vive, vegeta-se, murcham-se alegremente.
Os mesmos que dizem isto, são os que passam horas e horas em frente à televisão a preparar-se para existir.
Penso na aversão pelo esforço que foi inculcada a esta gente.
Lavam-se todos os dias, mas não lavam o destino que dão a si mesmos.
Não querem estar em desacordo consigo mesmos, por isso é que nunca estão de acordo e volto a mim e à tendência para ser a seguir outra coisa, uma impaciência da alma consigo mesma, um desassossego sempre crescente, como diria Pessoa.
Fernando Pessoa estudava o seu psiquismo através da forma como os outros o encaravam. Uma inutilidade absoluta.
Eu reconheço a realidade como ilusão e vice-versa, igualmente inútil.
No entanto, há uma coisa que ele dizia com a qual me identifico, às vezes, "a renúncia é a libertação. Não querer é poder".
Se não quisermos ser ricos, somos poderosos, por exemplo.
Se eu me der a mim o que preciso, não preciso do que os outros me dão, digo eu. Mas também só penso assim de vez em quando.Só sei que concluo muita coisa, para desconcluir muitas outras.
E por fim, vou confidenciar-vos mais um segredo: Sei ser educadinha, cheia de gramaticais gentilezas resolvidas, quando as pessoas e as coisas nada me dizem, quando permanecem aborígenes desconhecidos.
Mas o que eu desejo mesmo é deixá-los falar, falar e só muito depois saltar-lhes em cima.
E assim me vou inventando todos os dias, inventando a não fazer nada, a criar a única verdade em que acredito, a inventada.
domingo, 8 de abril de 2012
Subscrever:
Mensagens (Atom)
