terça-feira, 24 de abril de 2012
segunda-feira, 23 de abril de 2012
ATÉ AO DIA 25 DE ABRIL DAREI A VOZ A OUTROS
POR José Alexandre Rodrigues Henriques O ANTES E O DEPOIS DE 25 DE ABRIL DE 1974
Nasci em 1955, o que equivale
a dizer que vivi 19 anos no regime ditatorial do Estado Novo, tempo mais do que
suficiente para sentir os efeitos da opressão e do despotismo exorbitante que
era exercido pelos órgãos do poder e pelas classes sociais mais favorecidas,
sobre os mais pobres e desprotegidos. A injustiça social começava logo pela
impossibilidade dos jovens oriundos de famílias pobres poderem estudar para além
da 4ª classe, pois não existiam apoios para que isso pudesse acontecer. Assim
apenas alguns, nem sempre os mais inteligentes, podiam aspirar a frequentar um
curso superior, sendo cerceada essa hipótese a outros, com boas aptidões, apenas
porque não tinham tido a sorte de terem sido postos no mundo por progenitores
ricos. Isto mesmo foi o que se passou comigo, que apenas pude estudar até à 4ª
classe, tendo que iniciar a vida de trabalho aos 10 anos. Não quero dizer com
isto que tivesse uma inteligência invulgar o que possuísse fortes aptidões para
os estudos, creio até que não tinha e, a prová-lo, está o facto de só ter
conseguido a obtenção do 12º ano há cerca de um ano atrás; apenas me refiro ao
que de facto aconteceu, que era afinal o que se passava com a maioria dos
jovens, na altura. No entanto conheço algumas pessoas, mais ou menos da minha
idade, que concluíram licenciaturas em regime de trabalhadores estudantes,
começando a exercer tardiamente a sua profissão, tendo havido assim um
desaproveitamento de talentos que, de algum modo, terá prejudicado o
país.
Embora já existisse alguma
legislação sobre matéria laboral, ela era manifestamente insuficiente para
proteger os trabalhadores do autoritarismo de alguns patrões que, visando apenas
o lucro, admitiam e despediam trabalhadores a seu bel-prazer, fazendo-se aqui
notar a ausência de sindicatos livres, apesar de eles já existirem, o que era
comprovado pela quota sindical descontada nos salários. Assim era frequente o
despedimento individual e colectivo de trabalhadores sem que fosse efectuada
qualquer negociação ou pagamento de indemnizações e sem direito ao recebimento
de subsídio de desemprego. Felizmente naquela altura (refiro-me ao período entre
1965 e 1974), as ofertas de emprego eram maiores do que actualmente, o que era
devido, em parte, ao facto dos meios técnicos de produção não estarem ainda
amplamente desenvolvidos e haver necessidade de muita mão-de-obra humana. A
atestar isto mesmo está o facto de, neste período, ter sido impedida de se
instalar em Miranda do Corvo, uma empresa que ali pretendia construir uma
fábrica para produzir produtos para construção, a que os empregadores do
concelho se opuseram com receio de falta de trabalhadores para as suas
indústrias.
Outra condicionante económica
das pessoas mais pobres era o facto do comércio ser muito restrito, existindo
pouca concorrência, o que no caso da aquisição de bens essências se tornava
problemático devido à impossibilidade de escolha, existindo por isso uma
sujeição aos preços praticados pelas mercearias, ao contrário do que hoje
acontece com a imensidão de grandes superfícies comerciais o que impede, de
algum modo, o inflacionamento dos preços.
Nesta altura não existia
liberdade de imprensa, sendo camufladas muitas noticias que diziam respeito às
lutas dos trabalhadores e também a desastres ocorridos na guerra do Ultramar,
sendo ocultado ou diminuído o número das baixas sofridas pelos nossas tropas,
para não ferir ainda mais a imagem do governo, originando assim a existência de
altos níveis de ignorância sobre a verdadeira realidade do país.
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| Embarque de tropas para África |
Mas o facto mais marcante
deste período foi, sem dúvida, a guerra colonial que teve o seu início em 1961 e
se prolongou até 1974. Na vida dos jovens estava sempre presente a obrigação do
cumprimento do serviço militar, o que condicionava os seus planos para o futuro,
existindo por isso uma incerteza e uma angustia permanente dos pais sobre o
futuro dos seus filhos, existindo, por isso, o desejo de que essa guerra
terminasse o mais rapidamente possível. Não foi de estranhar, portanto, a enorme
alegria sentida pelo povo quando soube das acções desencadeadas pelas Forças
Armadas, para pôr fim ao regime opressivo do Estado Novo, que possibilitou o
inicio das negociações com os Partidos Africanos de Libertação, para o fim das
hostilidades, com vista à sua independência.
Esperava-se muito da
revolução. O povo queria, com todo o direito, melhores condições de vida e um
futuro melhor para os seus filhos e por isso aderiu de alma e coração aos ideais
do Movimento das Forças Armadas, na esperança de que com novas pessoas e outro
sistema político as coisas evoluíssem no sentido de serem criadas novas
oportunidades, de uma mais justa distribuição da riqueza e, sobretudo, que fosse
posto fim ao conflito ultramarino.
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| Cartaz publicitário dos S.U.V. |
Os meses que se seguiram à
revolução foram de alguma confusão e anarquia, principalmente no seio das
próprias Forças Armadas, onde durante algum tempo grassou alguma indisciplina,
tendo sido criado um movimento clandestino que apelava à união dos soldados e de
todos os trabalhadores para prepararem condições com vista à destruição do
Exército burguês e a criação do braço armado do poder dos trabalhadores: O
Exército Popular Revolucionário. Este movimento denominava-se S.U.V. Soldados
Unidos Vencerão e, eu próprio, cheguei a deslocar-me a Évora para participar
numa manifestação promovida por este movimento. Este período conturbado teve o
seu apogeu no «verão quente» de 1975, terminando com o golpe
contra-revolucionário de Novembro de 1975.
Foi um período épico, com
amplas massas populares a tomarem em mão a construção dum futuro melhor, no
qual, então, acreditavam. Período épico e alucinante, com um ritmo desenfreado
de acontecimentos naquele «verão quente»: ocupação de casas
vagas, nacionalizações, “caso República” (19 de Maio), Lei do Divórcio, «caso
Rádio Renascença» (25 de Maio), prisão de elementos do MRPP (28 de Maio),
independência das antigas colónias africanas, fuga de vários elementos da
PIDE-DGS, da cadeia de Alcoentre (30 de Junho), assaltos e massiva destruição de
sedes dos partidos de esquerda no Norte; ameaça separatista nos Açores; famoso
discurso de Vasco Gonçalves (em Almada, a 18 de Agosto), pronunciamento de
Tancos contra Vasco Gonçalves (2 de Setembro), desvio de 1000 espingardas
automáticas G3 do Depósito Militar de Beirolas (10 de Setembro), posse do VI
Governo Provisório, chefiado pelo almirante Pinheiro de Azevedo (19 de
Setembro), assalto e destruição da embaixada de Espanha (27 de Setembro), 50
feridos nos confrontos junto ao Regimento de Artilharia da Serra do Pilar, no
Porto (8 de Outubro), grande debate entre Mário Soares e Álvaro Cunhal na RTP,
com o célebre «olhe que não, olhe que não!» (6 de Novembro),
ataque à bomba contra os emissores da Rádio Renascença, ordenado pelo Governo (7
de Novembro), famosa manifestação pró-governo no Terreiro do Paço, com o
deflagrar de granadas de fumo, dando origem à celebre frase do primeiro-ministro
Pinheiro de Azevedo: «o povo é sereno. É só fumaça» (9 de
Novembro), manifestação de trabalhadores da construção civil junto à Assembleia
Constituinte e Palácio de S. Bento, com vaias ao primeiro-ministro Pinheiro de
Azevedo, o qual retorquiu com o contundente «vão à bardamerda»
(12 de Novembro), o Governo entra em greve e suspende o exercício da sua
actividade, acto inédito no mundo (20 de Novembro).
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| Assembleia Constituinte |
De facto foram tempos difíceis
para o país e a mudança para melhor, tão esperada pelo o povo, tardava em
chegar. Mas o país tinha imensos problemas para resolver e não se podia esperar
que fossem resolvidos de um dia para o outro. Estava em elaboração uma nova
constituição para a República Portuguesa, tendo sido realizadas, em 25 de Abril
de 1975, eleições por sufrágio directo e universal, para formar uma assembleia
parlamentar que foi designada de Assembleia Constituinte, que teria a seu cargo
a missão de elaborar, discutir e aprovar as leis fundamentais por que o país se
iria reger. A nova Constituição foi concluída em 31 de Março de 1976, tendo sido
aprovada em votação final global em 2 de Abril.
Nesta altura já tinham
regressado muitos soldados portugueses das províncias ultramarinas, no entanto,
em Angola, apesar da proclamação da sua independência ter ocorrido em 11 de
Novembro de 1975 e, devido à sua complexidade especifica, derivada da existência
de três partidos de libertação, que não se entendiam, ainda por lá se mantiveram
algumas tropas, estando lá, precisamente nesta altura, o meu irmão mais velho,
que prestou serviço militar em Cabinda e que para lá foi destacado já após a
revolução. De resto Angola após a independência passou a viver uma nova guerra
que praticamente só terminou em 2002, com a morte de Jonas Savimbi líder da
UNITA, um dos três movimentos de libertação.
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| "Retornados" livro de António Trabulo |
Mas Portugal tinha outro
problema em mãos, que era o regresso dos portugueses de África, os denominados
“retornados”, que chegavam em massa a Portugal; muitos deles tinham deixado
todos os seus haveres em África e era por isso necessária uma intervenção activa
com vista à sua integração. O regresso destes portugueses, feito em condições
tão adversas, terá sido motivado pela descolonização um pouco apressada que foi
feita, sem que tivessem sido acautelados alguns dos seus direitos. No entanto,
apesar das dificuldades, acho que foi feita uma óptima integração destas pessoas
e, passado algum tempo, já a maioria tinha a sua vida novamente organizada, pois
eram pessoas habituadas a lutar, que não se deixaram vencer por estas
contrariedades.
Passado este período muito
difícil da vida do país, as coisas começaram lentamente a melhorar tendo até, na
década de 80, havido algum desenvolvimento e, consequentemente, um aumento de
postos de trabalho e uma melhoria das condições de vida dos portugueses. Em 12
de Junho de 1985 é assinado o tratado de adesão de Portugal à Comunidade
Económica Europeia, tendo vindo para o país elevados fundos destinados a ajudar
o desenvolvimento e a estimular a economia, com a formação de novas empresas.
Infelizmente muitos desses fundos não foram bem geridos e terá havido uma
utilização menos própria desse dinheiro, por alguns sectores empresariais, o que
terá impedido um maior desenvolvimento do país nos anos seguintes à adesão. No
entanto, até finais da década de 90 e do século XX assistiu-se a uma
significativa melhoria das condições de vida dos trabalhadores, com o aumento
dos salários e uma maior estabilidade no emprego.
Infelizmente a partir do
inicio do novo século, coincidente com a adesão de Portugal à moeda única
europeia, houve um regredir da situação, talvez derivado de má gestão e
políticas erradas de alguns governos, o que faz com que actualmente, os
trabalhadores e o povo em geral, se vejam confrontados com a deterioração dos
rendimentos provenientes do seu trabalho, agravada com o aumento constante do
desemprego e da precariedade no trabalho, com medidas impostas aos
trabalhadores, principalmente na Administração Pública, completamente injustas
que agravam, sobretudo, as condições dos trabalhadores mais novos, que se vêm
impedidos de subir nas carreiras, auferindo salários bastante mais baixos, o que
configura uma situação de violação dos direitos humanos, cuja Declaração
Universal diz no seu artigo 23º que “todos têm direito, sem
discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual”.
Neste novo século, as
tecnologias de informação e comunicação têm tido uma enorme evolução e, o
governo actual, tem estado a investir fortemente em equipamentos informáticos,
tentando também aumentar as qualificações dos portugueses através do programa
«novas oportunidades», dando assim seguimento ao seu plano
tecnológico.
Em resumo, a vida no país após
a revolução, comparativamente ao período de 1960 a 1974, caracterizou-se
essencialmente pela vivência e participação democrática do povo, com a
realização de eleições livres para os diferentes órgãos de poder e pela
liberdade de imprensa e opinião, no respeito pelas diferenças e pelas conquistas
alcançadas pelos trabalhadores como: o direito à greve, a implementação do
salário mínimo nacional, o direito ao subsídio de desemprego, o direito a férias
e respectivo subsídio, protecção do emprego, a universalização do direito à
segurança social e à saúde.
Actualmente fala-se muito em
crise. Este termo está a ser utilizado para uma maior precariedade e
despedimento de muitos trabalhadores, fazendo aumentar o sentimento de mal-estar
e revolta das classes mais desfavorecidas. É certo que a crise existe e está
perfeitamente instalada no nosso país, no entanto era tão fácil diminuir os seus
efeitos e diminuir as injustiças sociais! Tenho ideias muito próprias a esse
respeito, que não vou dizer quais são, mas que tenho a certeza que teriam
sucesso se fossem implantadas. Ninguém ficaria prejudicado, pois não seria
necessário abdicar de nada que fizesse falta e toda a gente se sentiria melhor.
Vou levantar uma pontinha do véu e falar de uma medida que se fosse tomada
beneficiaria muitos trabalhadores, sem moralmente prejudicar
ninguém:
A maioria dos trabalhadores
aufere durante um ano 14 meses de remuneração, equivalentes a onze meses de
trabalho, um de férias, um de subsídio de férias e um mês de subsídio de Natal.
A retribuição correspondente ao subsídio de férias e subsídio de Natal é igual
ao ordenado dos restantes meses, descontado o respectivo subsídio de almoço. Por
este motivo muitos trabalhadores com ordenados elevados, podem perfeitamente
esbanjar em compras supérfluas pelo Natal o que a outros faz falta para
necessidades primárias. E o subsídio de férias? Porque é que uns podem ir para
as praias douradas do Havai e outros têm que procurar, no mês das suas férias,
tentar encontrar mais uma ocupação para obter mais uns “tostões”, para adquirir
qualquer coisa de que necessitem ou para pagar dívidas. A ideia era muito
simples e facilmente se poria em prática. Bastaria para isso recorrer a alguns
cálculos matemáticos, bem simples por sinal: Bastava somar um mês de ordenado de
todos os trabalhadores de uma empresa ou de uma instituição. O resultado dessa
soma seria dividido pelo número de trabalhadores e o resultado dessa divisão era
o que corresponderia ao mês de subsídio de férias ou Natal de cada um dos
trabalhadores. Era uma forma absolutamente democrática de fazer a retribuição de
fundos que não correspondem a trabalho efectivo e que atenuaria algumas
desigualdades. De resto isto é o que vigora em relação ao subsídio de almoço em
que é atribuída uma verba igual para todos.
O presidente dos Estados
Unidos da América, Barack Obama, recentemente eleito, anunciou o congelamento
dos ordenados de alguns dos seus colaboradores próximos, partindo do princípio
de que devia dar um exemplo às famílias americanas afectadas pela crise. Ora aí
está uma medida, que seria aplaudida pela maioria dos portugueses, se fosse
adoptada pelos nossos governantes. Andam para aí muitos gestores de bancos e
empresas públicas a auferirem ordenados imorais, de que é exemplo o governador
do Banco de Portugal, que está sempre a falar em contenção de salários, mas que
não fala em conter o seu! Na minha opinião o que faz falta ao país é uma equipa
governativa com coragem para tomar as medidas certas, sem se intimidar com os
arrufos dos privilegiados da nação.
Atualização em 24 de Março de 2012
Este artigo foi publicado em Maio de 2010, mas a história do pós-25 de Abril continua e, infelizmente, o que há a dizer sobre ela até este momento é muito negativa. O governo de José Sócrates tentava combater a crise implementando sucessivos pacotes de austeridade que ficaram conhecidos como PECs (Planos de Estabilidade e Crescimento). Não estava a ter sucesso nos seus intentos e a situação agravava-se de dia para dia, com o país a ter imensa dificuldade em se financiar, devido ao descrédito a que estava votado pelos mercados financeiros que cobravam juros muito altos, influenciados pelas avaliações negativas das agências de rating.
Atualização em 24 de Março de 2012
Este artigo foi publicado em Maio de 2010, mas a história do pós-25 de Abril continua e, infelizmente, o que há a dizer sobre ela até este momento é muito negativa. O governo de José Sócrates tentava combater a crise implementando sucessivos pacotes de austeridade que ficaram conhecidos como PECs (Planos de Estabilidade e Crescimento). Não estava a ter sucesso nos seus intentos e a situação agravava-se de dia para dia, com o país a ter imensa dificuldade em se financiar, devido ao descrédito a que estava votado pelos mercados financeiros que cobravam juros muito altos, influenciados pelas avaliações negativas das agências de rating.
Começou a pairar no ar a ideia de que o país não ia
conseguir escapar à bancarrota sem a intervenção do Fundo Monetário
Internacional, Banco Central Europeu e União Europeia (a Troika), intervenção a
que o primeiro-ministro se opunha terminantemente. O maior partido da oposição
espreitava a oportunidade para ocupar o poder e tentava lançar a ideia de que a
situação de crise era da exclusiva responsabilidade do governo que, no seu
entender, geria o país com incompetência.
Cada vez eram mais as vozes que se faziam ouvir
exigindo que o país recorresse à ajuda externa, tendo finalmente, em Abril de
2011, Sócrates se decidido pelo pedido de ajuda à Comissão Europeia, após o
chumbo do seu IV Plano de Estabilidade e Crescimento.
A
não aprovação do PEC IV levou à demissão de Sócrates, mas este ainda confiava
que seria capaz de obter uma nova vitória eleitoral, o que não se confirmou pois
o Partido Socialista foi derrotado pelo PSD nas eleições antecipadas realizadas
em 5 de Junho de 2011.
Pedro Passos Coelho substituiu José Sócrates no cargo
de primeiro-ministro, mas a exemplo dos governantes anteriores, quando tomou
posse fez exatamente o contrário do que prometera agravando ainda mais a já
periclitante situação de muitos portugueses, com o aumento de impostos, corte de
ordenados e eliminação de subsídios, estes últimos penalizando sobretudo os
trabalhadores da Administração Pública.
A
situação tem piorado de dia para dia com o aumento do custo de vida e o
encerramento de muitas empresas o que provoca um aumento exacerbado do
desemprego, sem que os governantes consignam dar uma resposta efetiva a esse
flagelo. A única resposta, para já, foi a sugestão do primeiro-ministro
convidando à emigração, o que é de algum modo um convite ao regresso ao antes do
25 de Abril, mais precisamente aos anos 50 e 60, quando muitos portugueses
procuravam no estrangeiro condições que o seu país não queria ou não lhes podia
dar.
O
25 de Abril de 1974 está cada vez mais longe no tempo e na esperança. Talvez por
isso muitos se interroguem sobre se esse dia valeu a pena. Outros há que
acreditam que só com uma nova revolução a esperança pode ser renovada. Uma coisa
é certa a História de Portugal escreve-se com intensidade.
Este trabalho foi elaborado
para o Processo RVCC – nível sec.- Núcleo SABERES FUNDAMENTAIS DR 4 -
Estabilidade e Mudança.
EMIGRANTES PORTUGUESES EM FRANÇA
Estou triste com a maioria dos emigrantes portugueses em França. penso que uma grande parte votou extrema-direita, como anteriormente tinha votado Sarkosy.
Em matéria de política, só conseguem ver com um olho, bastou a Srª Le Pen dizer bem deles e mal de todos os outros, para votarem nela.
A solidariedade destes emigrantes portugueses com os outros emigrantes, magrebinos ou não, foi toda para o brejo. Tornaram-se racistas, acontecendo o mesmo na América Latina.
Julgam-se superiores aos outros e adoptam as atitudes dos patrões e dos indígenas.
Não conseguem fazer um inventário de perdas e projectar a sua análise num futuro, ser solidários com outros companheiros emigrantes e perceberem que são já uma força em qualquer eleição que pode mudar o resultado.
Acabam por ser cobardes com estas atitudes.
Muitos deles foram "a salto" para França, viveram em locais miseráveis, os bidonville de Paris por exemplo, nos anos 70.
Nos anos 50/60/70 viveram em bairros de lata, muitos deles. Em 1967 em Champigny (bairro de lata) residiam 14.025 portugueses. Daqui eram distribuídos trabalhadores para toda a França, até se chamava a capital dos portugueses em França.
Nanterre, Courneuve, S. Dinis ainda hoje existem e são conhecidos, mas mesmo assim milhares de portugueses continuam bem integrados na sociedade francesa, tendo até uma crescente influência política, ao ponto de todos os candidatos às eleições presedenciais seduzirem os nossos emigrantes para neles votarem. Mas a maioria cultiva uma espécie de "Arte de Não Saber", que provém duma decisão, quase apriorística, ditada por uma visão ególatra e egocêntrica do mundo e da sociedade.
Os 20% de votos na extrema-direita e que podem decidir do futuro da França e até mesmo da Europa tem uma assinatura portuguesa.
Trata-se de gente trabalhadora, que passou as passas do Algarve, como se costuma dizer na minha terra, integrados na sociedade francesa, com os seus pequenos negócios e que talvez por isso, já se julgam chefes do mundo e que não lhes passa pela cabeça sequer, serem um público de borregos amestrados que mal os políticos franceses estalam os polegares a engraxá-los, a aplaudi-los, eles se desfazem na exaltação desses modelos culturais e políticas que não são as suas, esquecendo que os outros emigrantes, sejam eles oriundos de África ou da Europa do Leste possuam as mesmas histórias que a sua.
Não percebem que continuam a ser carne para canhão e que são jogados como bolas de ping-pong por imperiosa necessidade dos pontos de vista ideológicos, reflexo dos grupos económicos a que pertencem ou são simpatizantes os diversos candidatos.
São dóceis e cúmplices perante os poderes nem que esses poderes sejam racistas e xénofos, pensam sempre que não é deles que se trata, mas dos outros.
Intoxicados pelos canais televisivos que programam concursos como "quem pensa...perde" e como, os rádios e as televisões pertencem às mesmas empresas e dizem as mesmas coisas e repetem vezes sem conta, passam a ser aceites essas notícias como "aquilo que se sabe", ou "o que devo saber" que não é o mesmo, mas é igual.
São assim a maioria dos emigrantes portugueses em França, que individualmente até são boas pessoas e capazes de socorrer o vizinho que pode ser magrebino ou ÁRABE, vindo da Turquia ou de qualquer outro lado.
Em matéria de política, só conseguem ver com um olho, bastou a Srª Le Pen dizer bem deles e mal de todos os outros, para votarem nela.
A solidariedade destes emigrantes portugueses com os outros emigrantes, magrebinos ou não, foi toda para o brejo. Tornaram-se racistas, acontecendo o mesmo na América Latina.
Julgam-se superiores aos outros e adoptam as atitudes dos patrões e dos indígenas.
Não conseguem fazer um inventário de perdas e projectar a sua análise num futuro, ser solidários com outros companheiros emigrantes e perceberem que são já uma força em qualquer eleição que pode mudar o resultado.
Acabam por ser cobardes com estas atitudes.
Nos anos 50/60/70 viveram em bairros de lata, muitos deles. Em 1967 em Champigny (bairro de lata) residiam 14.025 portugueses. Daqui eram distribuídos trabalhadores para toda a França, até se chamava a capital dos portugueses em França.
Nanterre, Courneuve, S. Dinis ainda hoje existem e são conhecidos, mas mesmo assim milhares de portugueses continuam bem integrados na sociedade francesa, tendo até uma crescente influência política, ao ponto de todos os candidatos às eleições presedenciais seduzirem os nossos emigrantes para neles votarem. Mas a maioria cultiva uma espécie de "Arte de Não Saber", que provém duma decisão, quase apriorística, ditada por uma visão ególatra e egocêntrica do mundo e da sociedade.
Os 20% de votos na extrema-direita e que podem decidir do futuro da França e até mesmo da Europa tem uma assinatura portuguesa.
Trata-se de gente trabalhadora, que passou as passas do Algarve, como se costuma dizer na minha terra, integrados na sociedade francesa, com os seus pequenos negócios e que talvez por isso, já se julgam chefes do mundo e que não lhes passa pela cabeça sequer, serem um público de borregos amestrados que mal os políticos franceses estalam os polegares a engraxá-los, a aplaudi-los, eles se desfazem na exaltação desses modelos culturais e políticas que não são as suas, esquecendo que os outros emigrantes, sejam eles oriundos de África ou da Europa do Leste possuam as mesmas histórias que a sua.
Não percebem que continuam a ser carne para canhão e que são jogados como bolas de ping-pong por imperiosa necessidade dos pontos de vista ideológicos, reflexo dos grupos económicos a que pertencem ou são simpatizantes os diversos candidatos.
São dóceis e cúmplices perante os poderes nem que esses poderes sejam racistas e xénofos, pensam sempre que não é deles que se trata, mas dos outros.
Intoxicados pelos canais televisivos que programam concursos como "quem pensa...perde" e como, os rádios e as televisões pertencem às mesmas empresas e dizem as mesmas coisas e repetem vezes sem conta, passam a ser aceites essas notícias como "aquilo que se sabe", ou "o que devo saber" que não é o mesmo, mas é igual.
São assim a maioria dos emigrantes portugueses em França, que individualmente até são boas pessoas e capazes de socorrer o vizinho que pode ser magrebino ou ÁRABE, vindo da Turquia ou de qualquer outro lado.
domingo, 22 de abril de 2012
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