Hoje encontrei no meio duns papéis este "tesouro".
Não tem data, mas eu costumava apontar num papel, qualquer que ele fosse, quando lia um livro e não conhecia o significado duma palavra, para logo que pudesse consultar o dicionário.
Vou transcrever as palavras:
psitacista
mnezins
casbá
penisco
joeira
Zurbarán
beócia
mazombos
letes
demiúrgica
chouto
suspicácia
dilucidado
alvinitente
esbarrondo
trantagano
reixelo
pavanca
exautora
empecida
vincilho
açodados
esbagachadas
bonzo
sachets
triaga
chamorro e muitas muitas mais
Felizmente hoje sei o significado destas palavras. Estou contente por isso
quinta-feira, 10 de maio de 2012
quarta-feira, 9 de maio de 2012
terça-feira, 8 de maio de 2012
PERDOAI-LHES SENHOR PORQUE ELES SABEM O QUE FAZEM
Eles sabem que há muita gente triste como se fosse uma doença. Eles sabem que às vezes te vais sentir culpada por estares triste e tu não tens culpa de estares triste.
Eles sabem que deixam muitas crianças com fome, não é sem sobremesa porque se portam mal, mas com fome porque os pais não têm dinheiro nem para comer e não sabem roubar.
Eles sabem que há muita gente a sofrer e mais, a sofrer há muito tempo, por não ter emprego, não ter dinheiro, ter que entregar a casa ao maldito banco.
Eles sabem que há muita gente com vidas adiadas, que já não percebe o brilho de mil cores nem os sons mais variados, porque a única sensação que têm é que precisam de dinheiro para se alimentar e alimentar seus filhos.
Eles sabem que encarceraram os sonhos de milhares de jovens.
Eles sabem que são amigos de capitalistas, encobrem agiotas e nos roubam, sendo nossos inimigos.
Eles sabem que nos informam mal, que nos dizem só aquilo que julgam que "devemos saber".
Eles sabem que são sarcásticos quando nos falam e que mentem a maior parte das vezes, embora deliberadamente nos façam crer o contrário.
Eles sabem que lhes sobra encenação. E depois ainda se dizem surpreender com o desemprego, com o "sermos piegas", com... com... com...
Parece-me impossível que algum dia venham realmente a surpreender-se com algo. Esta sabedoria farisaica que os nossos governantes têm, à semelhança da Idade Média, que diziam "Paciência, o remédio está no céu", em resposta às reclamações do sofrimento, é insuportável.
Eles sabem que a Europa chafurda e que nunca houve Europa, no sentido que esta palavra devia ter em diplomacia.
Eles sabem que não existem futuro para a maioria porque eles não querem.
Eles sabem que fitamos os sapatos incapazes de escolhermos uma atitude, mas mesmo assim têm medo, porque também sabem que a alma vai acumulando e quando tirar para fora tudo aquilo que lá tem, nessa altura que não sabem qual é, bem podem olhar para o vazio que construiram e encontrarem o fim da circunferência.
Eles sabem que deixam muitas crianças com fome, não é sem sobremesa porque se portam mal, mas com fome porque os pais não têm dinheiro nem para comer e não sabem roubar.
Eles sabem que há muita gente a sofrer e mais, a sofrer há muito tempo, por não ter emprego, não ter dinheiro, ter que entregar a casa ao maldito banco.
Eles sabem que há muita gente com vidas adiadas, que já não percebe o brilho de mil cores nem os sons mais variados, porque a única sensação que têm é que precisam de dinheiro para se alimentar e alimentar seus filhos.
Eles sabem que encarceraram os sonhos de milhares de jovens.
Eles sabem que são amigos de capitalistas, encobrem agiotas e nos roubam, sendo nossos inimigos.
Eles sabem que nos informam mal, que nos dizem só aquilo que julgam que "devemos saber".
Eles sabem que são sarcásticos quando nos falam e que mentem a maior parte das vezes, embora deliberadamente nos façam crer o contrário.
Eles sabem que lhes sobra encenação. E depois ainda se dizem surpreender com o desemprego, com o "sermos piegas", com... com... com...
Parece-me impossível que algum dia venham realmente a surpreender-se com algo. Esta sabedoria farisaica que os nossos governantes têm, à semelhança da Idade Média, que diziam "Paciência, o remédio está no céu", em resposta às reclamações do sofrimento, é insuportável.
Eles sabem que a Europa chafurda e que nunca houve Europa, no sentido que esta palavra devia ter em diplomacia.
Eles sabem que não existem futuro para a maioria porque eles não querem.
Eles sabem que fitamos os sapatos incapazes de escolhermos uma atitude, mas mesmo assim têm medo, porque também sabem que a alma vai acumulando e quando tirar para fora tudo aquilo que lá tem, nessa altura que não sabem qual é, bem podem olhar para o vazio que construiram e encontrarem o fim da circunferência.
O CÃO E O GATO
Era uma vez um cão e um gato que não se conheciam.
O cão era velho e quase surdo e o gato novo e brincalhão, um e outro, animais únicos de seus donos e extremamente mimalhos.
Os donos de um e do outro julgavam que eles não se entenderiam, interpretando os sinais que emitiam. Fizeram-lhe uma série de imposições, considerando tratar dos seus instintos de conservação.
Colocaram o visitante fora, no jardim e garagem e no residente não tocaram.
Um dia o gato tentou reagir à situação, fugindo, saiu sem dizer água-vai.
Os donos foram-no buscar a tempo.
A partir desse dia mudou tudo. O gato civilizado e o cão desconfiado, de inconvenientes, incapazes de qualquer harmonia social, um bufava e o outro ladrava, começaram os dois no mesmo espaço um diálogo tímido, mas um diálogo.
Abandonaram o monólogo de pragas e vociferações.
Neste momento em que vos escrevo, cada qual cumpre os seus deveres. Um dorme no sofá da sala e o outro na cadeira do escritório.
Estou em crer, pelo que vejo, que todos aqueles terríveis encontros de intolerância canina e felina, eram electricidades do mesmo nome que se repeliam, o medo.
Não falam a mesma língua é verdade, mas são ambos muito bisbilhoteiros. Apetece-lhes descobrirem-se umas vezes, outras afrontarem-se e outras ainda manterem as tréguas da preguiça e da representação, sem descurarem a protecção de seus donos, implorando ajuda e meiguices personalizadas.
Moral da história que nesta história há uma moral: os civilizados aqui foram os animais, os analfabetos. Os míopes, os donos.
O cão era velho e quase surdo e o gato novo e brincalhão, um e outro, animais únicos de seus donos e extremamente mimalhos.
Os donos de um e do outro julgavam que eles não se entenderiam, interpretando os sinais que emitiam. Fizeram-lhe uma série de imposições, considerando tratar dos seus instintos de conservação.
Colocaram o visitante fora, no jardim e garagem e no residente não tocaram.
Um dia o gato tentou reagir à situação, fugindo, saiu sem dizer água-vai.
Os donos foram-no buscar a tempo.
A partir desse dia mudou tudo. O gato civilizado e o cão desconfiado, de inconvenientes, incapazes de qualquer harmonia social, um bufava e o outro ladrava, começaram os dois no mesmo espaço um diálogo tímido, mas um diálogo.
Abandonaram o monólogo de pragas e vociferações.
Neste momento em que vos escrevo, cada qual cumpre os seus deveres. Um dorme no sofá da sala e o outro na cadeira do escritório.
Estou em crer, pelo que vejo, que todos aqueles terríveis encontros de intolerância canina e felina, eram electricidades do mesmo nome que se repeliam, o medo.
Não falam a mesma língua é verdade, mas são ambos muito bisbilhoteiros. Apetece-lhes descobrirem-se umas vezes, outras afrontarem-se e outras ainda manterem as tréguas da preguiça e da representação, sem descurarem a protecção de seus donos, implorando ajuda e meiguices personalizadas.
Moral da história que nesta história há uma moral: os civilizados aqui foram os animais, os analfabetos. Os míopes, os donos.
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