Sinto-me empurrada.
Não quero, não gosto de ser levada. incitada ao ódio.
Quero continuar com as minhas ideias, a comungar com as pessoas, a partilhar o espírito cooperativo.
Quero continuar a amar a liberdade na sua essência, não a minha liberdade, mas a de todos, mas para amar a liberdade dos outros eles não podem ser escravos.
Quero voltar ao sonho e à razão, à paz do quotidiano.
Quero que todos voltem à força do trabalho. As pessoas têm direito ao trabalho, têm direito à felicidade, as crianças o direito a serem crianças e prolongarem a sua infância para virem a ser adultos saudáveis e pacíficos.
Quero voltar ao mundo de pessoas conscientes, quero que estes monstros inconscientes sejam derrubados, que o mesmo é dizer que a loucura, os inconscientes, a obscuridão desapareçam.
As pessoas devem confrontar-se com outros problemas, não com o desemprego, a fome e a doença.
Vivemos num caos, não num caos transformador, fundador de alguma coisa, mas apenas no caos.
A extrema precariedade não é boa conselheira. Singram os manipuladores, os pretensos sábios disto e daquilo, os medíocres de todos os matizes.
Não quero viver assim e como eu, quase todos.
Houve demasiada gente a sofrer para se fazer o 25 de Abril, porque tiveram a coragem de dizer não, para nos devolver a esperança, temos que lhe devolver a memória.
Em vez desta gente boa, vieram os oportunistas empoleirados na política, os terroristas financeiros, os criminosos de colarinho branco. Esta nova gente, a gente das promessas tomou conta de tudo e como diz a canção "eles comem tudo e não deixam nada".
Não quero ver os reformados à espera da morte nos bancos de jardim.
Não quero ver gente escravizada e enganada.
Não quero ver gente com fome e com vergonha, vergonha até por não ter emprego.
Não quero continuar a assistir ao paraíso destes senhores, ao "deixem-nos trabalhar" , não quero, não posso.
Não quero governantes e políticos que não estejam ao nosso serviço, mas apenas ao serviço dos seus próprios interesses.
Vivemos vinte e quatro horas de noite, na noite, não quero.
QUERO SOL, QUERO LUZ, QUERO DIA, QUERO ALEGRIA.
Quero que o conceito de classe social seja renovado porque há classes sociais. Há os ricos e os pobres.
Quero que todos os meus compatriotas respirem e vivam.
Está a faltar-me o ar.
terça-feira, 12 de junho de 2012
DE QUEM EU GOSTO ATÉ AO CABIDE CONFESSO
A curiosidade nem sempre mata e quando não mata, ajuda a descobrir e a redescobrir, a cultivar fragmentos.
Gosto de pessoas poliédricas. Gosto de quem pense sobre várias coisas, que imagine e seja rigoroso ao mesmo tempo.
As pessoas com uma postura crítica, mas que procuram os factos de maneira dinâmica normalmente leêm-nos pelo seu avesso, imprimindo-lhes um carácter dialéctico e compreensivo. São pessoas empenhadas e demonstram claramente que o individual se cruza com o colectivo.
Só estamos presentes no mundo quando se percebe bem o individual, quando se dá conta do peculiar. Há que descobrirmo-nos o melhor possível, para melhor conhecermos os outros.
A busca das diferenças é tão essencial quanto a das semelhanças, para nos encontrarmos melhor.
Gosto do pensamento politicamente incorrecto.
Gosto que as pessoas saibam os seus direitos mas não esqueçam os seus deveres.
Um dever por cada direito, mas como pode isso acontecer se as pessoas nem ao cinema vão, quanto mais à fruição de outros conhecimentos, de outros saberes e culturas, para saberem o papel que lhes cabe neste mundo.
Qual o investimento do Estado em Cultura? Qual a percentagem de população "letrada", i.é, que frequenta a cultura? 20%, 25%, talvez muito menos ainda, mais não deve ser, a outra percentagem, 75%/80% assiste ao lixo televisivo, aos reality shows, à pimbices de toda a ordem.
Chama-se democracia, o sistema que em Portugal não defende o bem estar e a qualidade de vida da maioria dos portugueses.
Gosto de gente que se dedica ao bem comum, gente que voluntária e dedicadamente, ajuda a erguer obras, que se empenha, que participa, que se solidariza e entrega a um ideal cívico.
Gosto de gente despoluída.
Normalmente trata-se de gente doce.
Enfim, gosto de pessoas que com os seus pequenos/grandes contributos, como os seus fios muito finos e quase ténues, tecem a História oficial.
É de todos os pequenos contributos que se constrói a História dum povo, não tanto de D. Joões II, o tal grande rei que matou friamente para assegurar o seu poder.
Gosto de pessoas poliédricas. Gosto de quem pense sobre várias coisas, que imagine e seja rigoroso ao mesmo tempo.
As pessoas com uma postura crítica, mas que procuram os factos de maneira dinâmica normalmente leêm-nos pelo seu avesso, imprimindo-lhes um carácter dialéctico e compreensivo. São pessoas empenhadas e demonstram claramente que o individual se cruza com o colectivo.
Só estamos presentes no mundo quando se percebe bem o individual, quando se dá conta do peculiar. Há que descobrirmo-nos o melhor possível, para melhor conhecermos os outros.
A busca das diferenças é tão essencial quanto a das semelhanças, para nos encontrarmos melhor.
Gosto do pensamento politicamente incorrecto.
Gosto que as pessoas saibam os seus direitos mas não esqueçam os seus deveres.
Um dever por cada direito, mas como pode isso acontecer se as pessoas nem ao cinema vão, quanto mais à fruição de outros conhecimentos, de outros saberes e culturas, para saberem o papel que lhes cabe neste mundo.
Qual o investimento do Estado em Cultura? Qual a percentagem de população "letrada", i.é, que frequenta a cultura? 20%, 25%, talvez muito menos ainda, mais não deve ser, a outra percentagem, 75%/80% assiste ao lixo televisivo, aos reality shows, à pimbices de toda a ordem.
Chama-se democracia, o sistema que em Portugal não defende o bem estar e a qualidade de vida da maioria dos portugueses.
Gosto de gente que se dedica ao bem comum, gente que voluntária e dedicadamente, ajuda a erguer obras, que se empenha, que participa, que se solidariza e entrega a um ideal cívico.
Gosto de gente despoluída.
Normalmente trata-se de gente doce.
Enfim, gosto de pessoas que com os seus pequenos/grandes contributos, como os seus fios muito finos e quase ténues, tecem a História oficial.
É de todos os pequenos contributos que se constrói a História dum povo, não tanto de D. Joões II, o tal grande rei que matou friamente para assegurar o seu poder.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
domingo, 10 de junho de 2012
A INFELICIDADE EVOLUÍU
Voltamos ao antes do 25 de Abril? Parece, embora com a diferença de termos muitas auto-estradas e muitos carros e muitas propriedades privadas e viagens a crédito e muitos electrodomésticos, a maioria tem duas e três televisões, e muitas coisas inúteis, muito consumismo. Fomos colonizados pela lógica do consumo.
Antigamente era a classe social que ditava o consumo, hoje é o indivíduo que quer estar bem consigo próprio, bonito, é a identidade individual que conta.
Vivemos uma época que nem a política nem as tradições, contribuem para a formação da identidade, mas sim o consumo.
Hoje o sofrimento é para os pobres talvez maior, ouso dizê-lo. São hiperconsumidores, assim os fizeram, não querem apenas comer, querem marcas, aspiram ao que vem na publicidade, nos centros comerciais e na televisão.
Gilles Lipovetsky explica isto dizendo que antes a cultura de classe fechava as pessoas no seu mundo, interiozavam a pobreza, pensavam: "Aquilo não é para mim", hoje já não se verifica isso.
Se não puderem ter o último telefone da moda sentem-se miseráveis. As pessoas são mais infelizes agora, mesmo com mais bens à sua disposição.
As pessoas têm grandes expectativas para as suas vidas e estas não se cumprem.
Há muita revolta, muito medo e também muita devoção à arte do deixa andar.
Passados que foram os tempos de irreflexão, das viagens ao México, dos patos brancos sobre a Pr. de S. Marcos, ainda no ano de 2000, recordo-me ouvir mais um relato das viagens de funcionárias administrativas após férias.
Era o tempo de tudo é possível, em que tudo fica bem e nada parece mal. Tudo vestido de igual.
Estamos diante da submissão total da revolta à globalização da banalidade, para não esfolar o cérebro, o que conta é não dizer asneiras, nem alterar o tom de voz, é preciso darmo-nos bem com todos. Está-se no tempo do absurdo, da individualização, da insipiência calejada de austeridade.
Às vezes parece que o individuo se encontra fora da sociedade.
Estou a lembrar-me da discussão ainda recente relativamente à arte, em que se queria que esta estivesse completamente fora do indivíduo, se calhar para o indivíduo estar fora da sociedade.
A globalização do inútil permite que esqueçamos o que pretendemos e nos apresentemos como aquilo que julgamos ser.
Saímos ou estamos a sair do limiar da ambicionada liberdade de não sermos fruto de nada.
Antigamente era a classe social que ditava o consumo, hoje é o indivíduo que quer estar bem consigo próprio, bonito, é a identidade individual que conta.
Vivemos uma época que nem a política nem as tradições, contribuem para a formação da identidade, mas sim o consumo.
Hoje o sofrimento é para os pobres talvez maior, ouso dizê-lo. São hiperconsumidores, assim os fizeram, não querem apenas comer, querem marcas, aspiram ao que vem na publicidade, nos centros comerciais e na televisão.
Gilles Lipovetsky explica isto dizendo que antes a cultura de classe fechava as pessoas no seu mundo, interiozavam a pobreza, pensavam: "Aquilo não é para mim", hoje já não se verifica isso.
Se não puderem ter o último telefone da moda sentem-se miseráveis. As pessoas são mais infelizes agora, mesmo com mais bens à sua disposição.
As pessoas têm grandes expectativas para as suas vidas e estas não se cumprem.
Há muita revolta, muito medo e também muita devoção à arte do deixa andar.
Passados que foram os tempos de irreflexão, das viagens ao México, dos patos brancos sobre a Pr. de S. Marcos, ainda no ano de 2000, recordo-me ouvir mais um relato das viagens de funcionárias administrativas após férias.
Era o tempo de tudo é possível, em que tudo fica bem e nada parece mal. Tudo vestido de igual.
Estamos diante da submissão total da revolta à globalização da banalidade, para não esfolar o cérebro, o que conta é não dizer asneiras, nem alterar o tom de voz, é preciso darmo-nos bem com todos. Está-se no tempo do absurdo, da individualização, da insipiência calejada de austeridade.
Às vezes parece que o individuo se encontra fora da sociedade.
Estou a lembrar-me da discussão ainda recente relativamente à arte, em que se queria que esta estivesse completamente fora do indivíduo, se calhar para o indivíduo estar fora da sociedade.
A globalização do inútil permite que esqueçamos o que pretendemos e nos apresentemos como aquilo que julgamos ser.
Saímos ou estamos a sair do limiar da ambicionada liberdade de não sermos fruto de nada.
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