Há ausências que se sentem, que se impõem muito mais que as presenças. Ecoam, gritam-nos aos ouvidos.
Cada um de nós tem os seus métodos para lidar com elas.
Ùltimanente criei um ritmo intimativo nesse sentido.
Tenho vindo a aumentar a acrobacia e a violência quase obstinada com que me entrego a esse ritmo como se fora quase uma vertigem só de velocidade e de equilíbrio.
Ausências temporais que se abandonam ao seu próprio movimento e atmosfera.
As ausências são uma espécie de distorções, de monstruosidades das presenças.
Vêm-me à memória as naturezas mortas e a sua ironia talvez porque ambas tomem um significado quase dialético e insuficiente.
Têm uma enorme força e por vezes sobrepoêm-se a tudo, mas tal só acontece porque lhes imprimimos um sentimento, quando não, gostos cruéis como se fora uma moral para os sentidos.
Há ausências tão egoístas que chegam a ser quase mais humanistas que a dos próprios anjos.
Há ausentes que primam pelo seu instinto de celebração pessoal, como se tratassem de cultivar uma virtude.
Fingimos sempre que os ausentes não nos constrangem e que de certa maneira nos divertem, que não nos afectam, há até anedotas e aforismos aplicados à situação.
Há ausências que fazem parte da estética de cada um e há-as tão profundas que nos fazem mudar porque nos obrigam a adaptar a novas situações.
Há ausências que nos dão tempo para ver e ouvir uma flor que morre.
domingo, 29 de julho de 2012
sábado, 28 de julho de 2012
BANALIDADES
É uma banalidade fazer anos, no entanto todas as vezes que os faço, sinto-os e sinto-me de forma diferente.
É um vício quase.
Quando era pequena a minha avó enfeitava-me a cadeira de flores e eu ficava encantada, fascinada e sentia-me mesmo uma princesa.
Fui crescendo e a linguagem festiva foi sendo outra. Reunia-se a família. reuniam-se os amigos e tudo resultava numa enorme felicidade.
Aquela doçura dos dias alegres e verdadeiramente quentes foi experimentada tantas e tantas vezes. Dias com a presença do meu pai e minha avó e do Sr. Rodrigues, referências para mim, gente que me educou e a quem devo a maior parte do que sou.
Quando fiz 40 anos, a festa foi minhota e meteu rancho folclórico na Casa da Anta. Foi maravilhoso ver-me rodeada de amigos e a alegria tomar conta do local.
Gosto de alegria, de cor, de gente boa e que goste de mim. Tudo isso tenho tido.
O conhecimento da felicidade que nos rodeia é ao mesmo tempo uma ciência e um trabalho e uma liberdade.
O ano passado fiz 60 anos e uma festa cá em casa. Foi um marco histórico, mais um na minha vida que celebrei com os meus amigos.
Gosto de vez em quando abanar a existência, de ouvir as cigarras a cantar, do ar cálido com cheiros a seiva e da terra a respirar, se calhar são os meus gostos extravagantes.
Este ano os ventos têm-me sacudido e penetrado, mas sei que me cumpre decidir sobre as minhas próprias sensações. É certo que o mundo nos invade e é difícil fazer a síntese, uma boa síntese entre ele e nós.
Os sentimentos não podem ser uma forma de agir, há na natureza humana elementos muito subtis e difíceis de controlar e ultimamente tenho frequentado alguns deles.
Desejo-me em estilo novo de idear novas formas de imaginação.
Desejo-me que a necessidade se torne desejo.
É um vício quase.
Quando era pequena a minha avó enfeitava-me a cadeira de flores e eu ficava encantada, fascinada e sentia-me mesmo uma princesa.
Fui crescendo e a linguagem festiva foi sendo outra. Reunia-se a família. reuniam-se os amigos e tudo resultava numa enorme felicidade.
Aquela doçura dos dias alegres e verdadeiramente quentes foi experimentada tantas e tantas vezes. Dias com a presença do meu pai e minha avó e do Sr. Rodrigues, referências para mim, gente que me educou e a quem devo a maior parte do que sou.
Quando fiz 40 anos, a festa foi minhota e meteu rancho folclórico na Casa da Anta. Foi maravilhoso ver-me rodeada de amigos e a alegria tomar conta do local.
Gosto de alegria, de cor, de gente boa e que goste de mim. Tudo isso tenho tido.
O conhecimento da felicidade que nos rodeia é ao mesmo tempo uma ciência e um trabalho e uma liberdade.
O ano passado fiz 60 anos e uma festa cá em casa. Foi um marco histórico, mais um na minha vida que celebrei com os meus amigos.
Gosto de vez em quando abanar a existência, de ouvir as cigarras a cantar, do ar cálido com cheiros a seiva e da terra a respirar, se calhar são os meus gostos extravagantes.
Este ano os ventos têm-me sacudido e penetrado, mas sei que me cumpre decidir sobre as minhas próprias sensações. É certo que o mundo nos invade e é difícil fazer a síntese, uma boa síntese entre ele e nós.
Os sentimentos não podem ser uma forma de agir, há na natureza humana elementos muito subtis e difíceis de controlar e ultimamente tenho frequentado alguns deles.
Desejo-me em estilo novo de idear novas formas de imaginação.
Desejo-me que a necessidade se torne desejo.
quarta-feira, 25 de julho de 2012
ABISMOS DE DÚVIDAS
Porque as pessoas nadam e sobrenadam em confusões?
Pessoas que estudaram, que deviam pensar, não deixa de ser extraordinário, que exactamente estas pessoas aflorem problemas cuja análise já foi proposta em termos irrecusáveis.
Li uma frase há muito tempo que permanece comigo, que era: "Não temos de facto liberdade, a liberdade criámo-la". Tenho dúvidas sobre ela, é um assunto demasiado subtil.
Que mania eu tenho de analisar, melhor tentar repensar, os lugares comuns. Sempre que isso acontece as dúvidas assaltam-me e lá tenho que recorrer à filosofia pois só ela nos pode valer.
Não gosto de consciências chauvinistas, mas tenho dúvidas de não possuir também uma.
E não são só as palavras que são como as cerejas, os pensamentos também e por isso me ocorre, de imediato, o que se passa hoje com os povos da Europa que se reúnem em Bruxelas mas continuam solitários observadores. Ocorre-me perguntar a cada um deles se sabe o que o seu vizinho representa - que povo, que geografia, que história, que aspiração transporta nas suas veias e pelos quais pode responder.
Mas é inútil. Ninguém ou quase ninguém parece disposto a pensar para além dos seus quadros. Ninguém tem dúvidas, todos têm certezas. Ninguém usa a perplexidade, caso contrário julgam negar o próprio ser.
Tenho dúvidas quando as pessoas que governam, que emitem opiniões, que têm poder falam sério, com aquela seriedade que parece sempre estreada no momento, assim como se estivessem a dar uma aula. Parecem-me apenas fazer parte do absurdo.
Tenho dúvidas sobre o tremendo bom senso das classes médias, a respeito da sociedade e da política e agora da crise com que enchem a boca.
Tenho dúvidas quando fazem um sorriso radioso e dizem que...
Tenho dúvidas que tudo isto vá melhorar.
Nós somos um povo sujeito à decadência e nunca fomos prósperos, os anos 80, os últimos para não falar na época de D. Manuel e não só, a prosperidade não se conjugou com uma experiência adequada às circunstâncias.
Quando nos surgem circunstâncias não somos suficientemente activos, não costumamos resistir eticamente perante a influência perniciosa do estrangeiro, no que respeita às suas condições. Assim sendo, tenho dúvidas que uma nação assim não se afunde cada vez mais.
Tenho muitas dúvidas sobre nós todos como povo.
Os criminosos verdadeiros, os que descapitalizam um país e o matam continuam impunes, porque há uma fé simulada pelas opiniões em que "todo" o mundo comunga sem esforço.
Não é fácil abordar alguém que pense pela sua própria cabeça, quase todos "pensam" as ideias mais divulgadas e consideradas fazendo parte do senso comum.
É tudo enfático.
Tenho dúvidas dos tons empolados com que falam.
Tudo começa a ser patético, começa a ser demasiado penoso continuarmos sempre, mas sempre com aquelas dúvidas que nestas manifestações "oratórias" quando se apresentam não nos estejam a esconder o principal.
Pessoas que estudaram, que deviam pensar, não deixa de ser extraordinário, que exactamente estas pessoas aflorem problemas cuja análise já foi proposta em termos irrecusáveis.
Li uma frase há muito tempo que permanece comigo, que era: "Não temos de facto liberdade, a liberdade criámo-la". Tenho dúvidas sobre ela, é um assunto demasiado subtil.
Que mania eu tenho de analisar, melhor tentar repensar, os lugares comuns. Sempre que isso acontece as dúvidas assaltam-me e lá tenho que recorrer à filosofia pois só ela nos pode valer.
Não gosto de consciências chauvinistas, mas tenho dúvidas de não possuir também uma.
E não são só as palavras que são como as cerejas, os pensamentos também e por isso me ocorre, de imediato, o que se passa hoje com os povos da Europa que se reúnem em Bruxelas mas continuam solitários observadores. Ocorre-me perguntar a cada um deles se sabe o que o seu vizinho representa - que povo, que geografia, que história, que aspiração transporta nas suas veias e pelos quais pode responder.
Mas é inútil. Ninguém ou quase ninguém parece disposto a pensar para além dos seus quadros. Ninguém tem dúvidas, todos têm certezas. Ninguém usa a perplexidade, caso contrário julgam negar o próprio ser.
Tenho dúvidas quando as pessoas que governam, que emitem opiniões, que têm poder falam sério, com aquela seriedade que parece sempre estreada no momento, assim como se estivessem a dar uma aula. Parecem-me apenas fazer parte do absurdo.
Tenho dúvidas sobre o tremendo bom senso das classes médias, a respeito da sociedade e da política e agora da crise com que enchem a boca.
Tenho dúvidas quando fazem um sorriso radioso e dizem que...
Tenho dúvidas que tudo isto vá melhorar.
Nós somos um povo sujeito à decadência e nunca fomos prósperos, os anos 80, os últimos para não falar na época de D. Manuel e não só, a prosperidade não se conjugou com uma experiência adequada às circunstâncias.
Quando nos surgem circunstâncias não somos suficientemente activos, não costumamos resistir eticamente perante a influência perniciosa do estrangeiro, no que respeita às suas condições. Assim sendo, tenho dúvidas que uma nação assim não se afunde cada vez mais.
Tenho muitas dúvidas sobre nós todos como povo.
Os criminosos verdadeiros, os que descapitalizam um país e o matam continuam impunes, porque há uma fé simulada pelas opiniões em que "todo" o mundo comunga sem esforço.
Não é fácil abordar alguém que pense pela sua própria cabeça, quase todos "pensam" as ideias mais divulgadas e consideradas fazendo parte do senso comum.
É tudo enfático.
Tenho dúvidas dos tons empolados com que falam.
Tudo começa a ser patético, começa a ser demasiado penoso continuarmos sempre, mas sempre com aquelas dúvidas que nestas manifestações "oratórias" quando se apresentam não nos estejam a esconder o principal.
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