Tenho dado dois registos de mim, um mais ligeiro, no facebook e um mais sério, mais confidente; quer uma observação quer outra, a mais estruturada ou a mais momentânea, são testemunhas do que sou como ser pensante, receptor e emissor, como vivo com a realidade que me rodeia, fruto da minha experiência, necessariamente limitada e imperfeita.
Fica ainda uma parte sempre indefinível, ainda que inventá-la seja a minha preocupação mais funda.
A parte confidente é a testemunha da nossa realidade.
No blog considero errado dirigir uma petição a quem despreza a sua reputação.
As pessoas poderosas têm alguns elementos a seu favor, como as boas relações que os ligam a outros igualmente poderosos e as suas influências misturam-se.
Nesta parte, a confidente, a do blog, há um saber maior da força que me comove a ponto de desejar saber a génese das coisas, é uma força mais espiritual, há um entusiasmo maior, gerado talvez pelo próprio momento da escrita mais aquilo que a precede que digo eu pertencer ao espírito, porque se quer compreendido.
Na outra parte, no perfil do facebook há um outro Eu, entro no mundo em que cada um actua, excluindo o confidente, o interlocutor.
O confidente é a testemunha da nossa realidade, sem ela a vida seria insuportável e limitada a uma experiência sem consequência do ser.
sábado, 4 de agosto de 2012
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
PAÍS POLÍTICO EM FÉRIAS
O país está a desaparecer.
Desaparecem as grandes Companhias Nacionais, como a TAP , que o Conselho de Ministros deixou resolvido antes de ir a banhos e, os sectores estratégicos estão a ser vendidos, em saldos últimos aos amigos dos favores e das comissões.
Portugal é actualmente um escritório de representações nacionais e estrangeiras, com o manager Borges a tratar dos contactos e das comissões a distribuir.
Desaparece com o país, a vergonha de cometer crimes.
Desaparece a sensação de ridículo, aquele ridículo que caía da cabeça aos pés quando alguém sabia que estava a fazer mal.
Desaparece a vergonha por mentir. Mentir é feio, dizia-se.
O país político foi a banhos, decrépito, rafeiro sem imaginação, medíocre mas violento no roubo, sombrio.
Para falar deste tipo de miseráveis é preciso ter engenho extremo, o que no meu caso é apenas tentativa, caso contrário passaremos a dar sentenças, tal como eles nos fazem a nós.
Esta gente fútil, cansada de ganhar dinheiro sem trabalhar, governantes que apesar de tudo chefiam um povo que não merecem, sentem-se cansados, imagine-se.
Os portugueses são um tratado de paciência para quem nos quiser estudar.
Somos feitos de paciência contida, de reserva e silêncio.
Claro que este domínio interior se transbordar, dará lugar à tragédia.
Estes últimos governos impõem-nos austeridade que traduzem pelo medo que têm dos ricos deixarem de ser ricos. Numa visão estreita a que chamarão pragmática, açambarcam tudo que podem, com medo do dia de amanhã, em que já não haverá mais nada para roubar, "atrás de mim os que vierem que fechem a porta", tem sido sempre esta a regra.
Dá calafrios até, assistir à paciência que o povo tem tido, mas esta paciência é feita de sacrifícios profundos e marca esta terrível linha de combate que é a autoridade.
O povo português está em posição de olhar firmemente e sem arrebatamento algum, sem o peso da culpa, embora sendo pecador, mas com muita fadiga dela.
Temos que enfrentar os inimigos, deixando as nossas perplexidades e penas e deixando, essencialmente de sermos figuras num quadro de Greco, à espera dum milagre.
Estala-nos a alma, é preciso abrir o peito não às recordações, mas a quem nos aniquila e fazê-los regressar de onde vieram.
É urgente voltar à alegria, a viver e esta é uma boa altura para começar.
Desaparecem as grandes Companhias Nacionais, como a TAP , que o Conselho de Ministros deixou resolvido antes de ir a banhos e, os sectores estratégicos estão a ser vendidos, em saldos últimos aos amigos dos favores e das comissões.
Portugal é actualmente um escritório de representações nacionais e estrangeiras, com o manager Borges a tratar dos contactos e das comissões a distribuir.
Desaparece com o país, a vergonha de cometer crimes.
Desaparece a sensação de ridículo, aquele ridículo que caía da cabeça aos pés quando alguém sabia que estava a fazer mal.
Desaparece a vergonha por mentir. Mentir é feio, dizia-se.
O país político foi a banhos, decrépito, rafeiro sem imaginação, medíocre mas violento no roubo, sombrio.
Para falar deste tipo de miseráveis é preciso ter engenho extremo, o que no meu caso é apenas tentativa, caso contrário passaremos a dar sentenças, tal como eles nos fazem a nós.
Esta gente fútil, cansada de ganhar dinheiro sem trabalhar, governantes que apesar de tudo chefiam um povo que não merecem, sentem-se cansados, imagine-se.
Os portugueses são um tratado de paciência para quem nos quiser estudar.
Somos feitos de paciência contida, de reserva e silêncio.
Claro que este domínio interior se transbordar, dará lugar à tragédia.
Estes últimos governos impõem-nos austeridade que traduzem pelo medo que têm dos ricos deixarem de ser ricos. Numa visão estreita a que chamarão pragmática, açambarcam tudo que podem, com medo do dia de amanhã, em que já não haverá mais nada para roubar, "atrás de mim os que vierem que fechem a porta", tem sido sempre esta a regra.
Dá calafrios até, assistir à paciência que o povo tem tido, mas esta paciência é feita de sacrifícios profundos e marca esta terrível linha de combate que é a autoridade.
O povo português está em posição de olhar firmemente e sem arrebatamento algum, sem o peso da culpa, embora sendo pecador, mas com muita fadiga dela.
Temos que enfrentar os inimigos, deixando as nossas perplexidades e penas e deixando, essencialmente de sermos figuras num quadro de Greco, à espera dum milagre.
Estala-nos a alma, é preciso abrir o peito não às recordações, mas a quem nos aniquila e fazê-los regressar de onde vieram.
É urgente voltar à alegria, a viver e esta é uma boa altura para começar.
terça-feira, 31 de julho de 2012
COLÓNIAS MENTAIS
O que faz esta gente falar toda da mesma maneira? Leram todos os mesmos livros? Não, alguns nem leram nada.
Todos estão cercados dum espírito de convicção que os proíbe de terem uma linguagem própria e um pensamento solitário.
Esta gente mantém a rotina do pensamento, vão ver o que os outros disseram sobre o tema X ou Y e de seguida, da forma mais defensiva possível, atiram as palavras dos outros para continuarem a gozar de impunidade, claro que não falo só dos jornalistas ou governantes.
É assim que se vai formando o senso comum que depois e, nem sempre muito depois, se vem a chamar de bom senso.
Gente que não chega a ser indolente mas que é refinada nesse vagar dos que esperam para pensar.
Pessoas que enfrentam todas as leis do céu e da terra e que podem ser tudo na vida, da mesma forma que são ministros poderiam ser donos dum prostíbulo.
Esta gente cria-me um sentimento próximo da infelicidade. Não sei se são impotentes intelectualmente, mas grotescos chegam a sê-lo. Não raro praticam louvaminhas.
A banalidade toca as frases que pronunciam ou escrevem. Seres vulgares e vulneráveis, não se dispõem a conhecer bem um assunto porque se o fizessem sabiam que muitas vezes tinham que se calar sobre ele.
Não ousam pensar um único pensamento incómodo.
Por vezes, aparecem-nos com sombrio aspecto, aquele aspecto de quem as verdades chegam em 1ª mão. Alguns, cada vez menos, apresentam-se com um ar levemente prevenido, um ar solene mesmo.
Há um decadência no pensamento sim. A decadência como fenómeno de observação é de muito difícil análise, mas quando um povo não consegue utilizar, aplicar a sua experiência às circunstâncias que surgem, circunstâncias intoleráveis, então o seu espírito que é a própria actividade, está em decadência.
Não é apenas um povo que entrou em decadência, a Europa também está decadente, enquanto deixar que os mercados a tutelem, enquanto com eles desviar o curso dos rios e rebentar com países para manifestar o seu poder como se de um Hércules se tratasse, é também duma Europa decadente de que falamos, presa fácil de seus próprios crimes, percepcionados como inocentes, que definha e auto se destrói.
Toda esta gente, porque contados à cabeça são pessoas, se reveste de ênfase às vezes, com tons verdadeiramente empolados porque à defesa, não querem pensar, preferem copiar as ideias radicadas em interesses de meia dúzia.
De tão patéticos que são, quer o jornalista duma grande empresa de comunicação, quer os governantes dum país, quer os poderosos duma região do Mundo que se quer civilizada, me fazem penosa a observação.
Quase todos estes seres se exprimem com petulância e testemunham uma espécie de ressentimento, no entanto continuo a assistir a que muitos se lhes juntam não deixando de se desconfiarem entre si.
Trata-se de naturezas medíocres, de várias e muitas colónias mentais disseminadas por todo o lado, para todos os lados que nos viremos.
Todos estão cercados dum espírito de convicção que os proíbe de terem uma linguagem própria e um pensamento solitário.
Esta gente mantém a rotina do pensamento, vão ver o que os outros disseram sobre o tema X ou Y e de seguida, da forma mais defensiva possível, atiram as palavras dos outros para continuarem a gozar de impunidade, claro que não falo só dos jornalistas ou governantes.
É assim que se vai formando o senso comum que depois e, nem sempre muito depois, se vem a chamar de bom senso.
Gente que não chega a ser indolente mas que é refinada nesse vagar dos que esperam para pensar.
Pessoas que enfrentam todas as leis do céu e da terra e que podem ser tudo na vida, da mesma forma que são ministros poderiam ser donos dum prostíbulo.
Esta gente cria-me um sentimento próximo da infelicidade. Não sei se são impotentes intelectualmente, mas grotescos chegam a sê-lo. Não raro praticam louvaminhas.
A banalidade toca as frases que pronunciam ou escrevem. Seres vulgares e vulneráveis, não se dispõem a conhecer bem um assunto porque se o fizessem sabiam que muitas vezes tinham que se calar sobre ele.
Não ousam pensar um único pensamento incómodo.
Por vezes, aparecem-nos com sombrio aspecto, aquele aspecto de quem as verdades chegam em 1ª mão. Alguns, cada vez menos, apresentam-se com um ar levemente prevenido, um ar solene mesmo.
Há um decadência no pensamento sim. A decadência como fenómeno de observação é de muito difícil análise, mas quando um povo não consegue utilizar, aplicar a sua experiência às circunstâncias que surgem, circunstâncias intoleráveis, então o seu espírito que é a própria actividade, está em decadência.
Não é apenas um povo que entrou em decadência, a Europa também está decadente, enquanto deixar que os mercados a tutelem, enquanto com eles desviar o curso dos rios e rebentar com países para manifestar o seu poder como se de um Hércules se tratasse, é também duma Europa decadente de que falamos, presa fácil de seus próprios crimes, percepcionados como inocentes, que definha e auto se destrói.
Toda esta gente, porque contados à cabeça são pessoas, se reveste de ênfase às vezes, com tons verdadeiramente empolados porque à defesa, não querem pensar, preferem copiar as ideias radicadas em interesses de meia dúzia.
De tão patéticos que são, quer o jornalista duma grande empresa de comunicação, quer os governantes dum país, quer os poderosos duma região do Mundo que se quer civilizada, me fazem penosa a observação.
Quase todos estes seres se exprimem com petulância e testemunham uma espécie de ressentimento, no entanto continuo a assistir a que muitos se lhes juntam não deixando de se desconfiarem entre si.
Trata-se de naturezas medíocres, de várias e muitas colónias mentais disseminadas por todo o lado, para todos os lados que nos viremos.
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