quarta-feira, 22 de agosto de 2012

FASES

Ando numa fase em que me parece que já foi tudo dito e que nada mais resta dizer.
Falar, escutar parecem-me uma vertigem.
As palavras parecem ter deixado de possuir valor. Há intenções muito diferentes para palavras iguais. Sempre houve, dizem. Mas não com com esta intensidade. Por exemplo, a palavra DEMOCRACIA, todos nós sabemos que para alguns o seu significado é usurpação de poder.
Hoje já pouca gente pode invocar argumentos morais para falar.
Tenho a sensação que se varrermos todas as frases, palavras, letras, tudo ficará na mesma.
Não é por ser Verão que esta tépida indolência grassa.
Nunca se leu tanto, suponho. Nunca se teve acesso a tamanha informação, nunca houve tantos mestres, tantos discursos.
E não são as classes governantes as culpadas de tudo isto, de se escrever tanto e de se falar tanto e de tanto se NÃO ouvir.
Se lermos o que se disse, o que se pensou e analisou nos séculos anteriores, verificamos que tudo já foi dito, que se fizeram verdadeiras sangrias das palavras, que estas serviram para tudo, para festejar inclusivamente a alma nacional, como fez Camões ou Jaime Cortesão, este a outro nível embora.
Já ninguém impressiona o seu semelhante por falar ou pensar bem.
As congeminações tornaram-se muito fáceis.
Ninguém já estilhaça vidros ou cristais com a sua voz.
Estamos num mundo sórdido e absurdo e lembro-me de Gunther Grass no "Tambor de Lata".
Tal como ele, também não me apetece tirar conclusões e se calhar apenas servir-me dum tambor de lata como o Oskar, a personagem do seu livro, para traduzir as minhas ideias e sentimentos.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

BOA NOITE

FOTAGRAFIA DO DIA



MAIS UM DIA

AS MINHAS PÉROLAS

A angústia começa a ser companheira de muitos portugueses e portuguesas.
A esperança definha.
Todos os dias somos massacrados, por muito simples que se seja, acaba-se sem entusiasmo e triste e este sentimento explica muita coisa.
Os gostos, as paixões, as predilecções começam a ser grosseiros. Há fragilidade moral.
Assiste-se cada vez mais as pessoas refugiarem-se em pequenas coisas.
Duma maneira geral, não são capazes de ir ao fundo das questões, de penetrar os acontecimentos, não vão para além das imagens que são fornecidas pelos média.
Sente-se um certo atordoamento no ar e de vez em quando trazem uma rajada do passado, afinal recente, a ilusão duma nova realidade.
Assistimos e fazemos parte duma espécie de loucura mansa. As amarguras e frustrações exprimem-se por certas poses ou cantorias descompassadas e desafinadas. Os meios quase todos, a não ser os mesmos clubes de políticos e seus acólitos, tornaram-se hostis e estranhos.
As pessoas tiveram a ilusão de pertencer algures, de ter eco. Os tempos da social-democracia à portuguesa, do Cavaquismo, do Guterrismo, forneceram essa ilusão, sentiam-se na companhia dos mais endinheirados, ausentaram-se das suas classes de pertença, foram seduzidos por quimeras duma forma mecânica identificaram-se, ficaram privados dos laços de amor-ódio do ambiente original.
Agora estão a retornar a si próprios, são restituídos.
Não se reconhecem, os laços romperam-se, não reconhecem esses lugares como seus.
Continuam com uma imprectível réstia de esperança, como se fora a compensação da crise que atravessam.
Tentar entender tudo isto é fundamental, perceber que duma maneira geral, se tentou esquecer a anterior condição, através de créditos bancários que os Bancos ofereciam a quem não tinha como pagar.
Perceber que muitos dos políticos e banqueiros que nos desgovernaram, com Cavaco Silva à cabeça, porque verdadeiro fundador desta quimera assente no neo-liberalismo, gente saída do povo e que a ele não queria voltar, fazendo tudo para esquecer as suas anteriores posições, caso contrário não passariam de quadros superiores e não se alcandorariam a ricos e muito ricos. Gente que se apoderou do 25 de Abril.
Criou-se um país abstracto, dentro duma Europa abstracta, com povos e problemas reais.
O objectivo da maioria hoje é manter a esperança, mesmo que assistam à sua morte e funeral.
Tudo isto é assim ou não é assim, mas eu sinto-me despaisada, enojada e preciso de levar este país a sério porque é o meu, PRECISAMOS.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

BOA NOITE

FOTOGRAFIA DO DIA




EN PASSANT

É TUDO POR BEM

O que tens que fazer é...
O que precisas é de...
Se fosse comigo reagiria assim...
Sê positiva, senão...
Porque sabes... o que se deve fazer é...:

Não proferem desejos, produzem sentenças.
E lembro-me da Ilíada naquele verso que dizia "Terríveis são os deuses quando nos aparecem às claras".
Tentam pessoas comuns amaciar-nos a existência. Sem temores são incansáveis a cinzelar-nos atitudes, talhando-nos as almas, burilam-nos as palavras e tentam fazer-nos nascer de luz.
Pessoas comuns que se substituem a psicólogos e fazem reaparecer um espírito adversário à liberdade de sentir.
Mais do que dizer aos outros, dizem a si próprios que são capazes de renovar a esperança e de fazer crepitar a fogueira.
Esta mentalidade racionalista em que apenas se valoriza a eficiência e a transcendência não tem lugar, em que se confunde dar sentido à vida, com gozar a vida, estas palavras que nos dizem para nos tornarem personagens  e não pessoas.
O que é preciso é apresentar-se bem, somar vitórias, andar muito a pé, fazer ginástica, dietas várias, ter uma grande actividade sexual, ser reduzido a um corpo, a carne. Lembro-me de em 2008 ou por aí, a televisão estatal apresentar reportagens sobre trocas de casais. Que sentido tem isto?
Anda tudo baralhado, parecem traças à volta da luz. Identidades e pensamentos baralhados. Falam inglês e não sabem português e pensam europês. Sonham com carros topo de gama, mas nem de burro sabem andar. Emerge uma geração espontânea que se espalha e é enxertada nas gerações mais antigas.
As classes políticas dominantes feitas desta gente que nem conjugar um verbo sabe, mas que se pretendem luminosos, dão conselhos a toda a gente.
São muitos e cercam tudo, os mais velhos ascendem a um lugar nas universidades seniores, se possível, recorrem às plásticas, endividando-se e o inglês é a porta aberta para a Felicidade e não só através do mercado de trabalho.
Pensar, ler, ter direito a estar triste, quase não é permitido. Estas traças que se julgam borboletas lindas, são uma espécie de "copy/paste" e replicam-se  e copiam comportamentos, a maioria das vezes sem saberem o que copiam.