segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O PRATO DAS MEMÓRIAS COM CHEIRINHO



venho lá de fora com uma flor e atiro para o prato e depois.... depois fica assim (sem arranjo, só com  perfume)

UMA VIDA OU A VERTIGEM DO TEMPO

Desde que começamos a viver até à morte, travamos muitas lutas e alguns até guerras.
Cada um de nós tem as nossas batalhas muito pessoais, carregando muitas dores em silêncio, muitos devolvem-nas ao mundo espalhando-as à sua volta sem duvidar o que se sente.
Todas as nossas vivências cá estão, algumas recordam-se vagas, esfumadas no tempo outras estão sempre a desabrochar nas opiniões e actos que praticamos.
Todos nós possuímos cicatrizes do quotidiano e todos nós procuramos a felicidade e nessa busca encontramos tristeza e incompletude e contamos histórias distorcidas pela impossibilidade da transparência, falamos por metáforas e em abstracto, dizemos a verdade a mentir.
Dizem que as feridas se saram com o tempo, não tenho a certeza disso. A(s) memória(s) sim, essas vão-se alterando e algumas colam-se-nos.
Buscamos sempre sentidos para tudo, como se a vida pudesse fazer sentido.
Repito-me, repetimo-nos. O mundo é feito de repetições.
A memória, em espiral, tem descontinuidades e sobreposições e guarda apenas algumas imagens.
O tempo é déspota e é preciso conhecer e utilizar alguns truques, o que mais uso é olhar o mundo como se estivesse a começar.
Mal sabemos nós do que vivemos e do que significou isso que vivemos, mas mesmo que soubéssemos tudo, há sempre uma membrana que separa o que foi  e o que sabemos ou supomos ter sido, há sempre uma fronteira entre o que sentimos e o que julgamos ter sentido ou conseguimos contar verdadeiramente no mais profundo de nós mesmo quando supomos saber tudo.
E vem-me à memória a revelação do medo e da ausência; da impossibilidade dos regressos; da inevitabilidade do adeus.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

MENTIRAS NOVAS PRECISAM-SE

Um dia li  num muro da minha terra "Mentiras Novas Precisam-se" e fiquei a pensar na frase.
Fiquei a descascar o abacaxi como dizem os que me conhecem bem. Sempre que algo me impressiona para além dos limites dizem: "está a descascar o abacaxi".
Passo  à tentativa de explicação: Sempre gostei muito de contos de fadas e igualmente de mitos.
Um dia em busca de literatura sobre Mitos, encontrei Mircea Eliade que juntava os mitos aos contos de fadas e fiquei encantada, já que eu sempre os tinha juntado, mais ou menos inconscientemente.
Mircea Eliade considerava, se bem me lembro e penso que sim porque fiquei com isso gravado, que os contos maravilhosos eram versões camufladas que mantinham os motivos míticos e iniciáticos arcaicos, embora os disfarçasse, conservando as suas verdades com outras vestes. Dizia M.E. que os deuses continuavam de certa maneira nos contos de fadas a desempenhar a sua função, mas estavam camuflados.
Sabemos da extraordinária influência que os contos infantis têm na formação da criança, se quisesse aqui chamar o Yung à colação chamar-lhe-ia, o inconsciente colectivo ou arcaico, mas não quero ir por aí.
Eu e muitos de nós, beneficiamos desta  iniciação imaginária dos contos de fadas, desta simbologia.
Sem imaginação o intelecto e o cognitivo ficam muito pobrezinhos.
Como combatemos o medo, a vingança, a agressividade se não tivermos maturidade emocional?
Tenho-me lembrado dos elementos mitológicos, dos anjos, das musas, das fadas, em suma do maravilhoso, em especial quando vejo alguns "posts" de murais que me chegam, como caminho para a saúde mental e veio-me à memória aquela frase escrita numa parede do Porto "MENTIRAS NOVAS PRECISAM-SE".
Quanta maturidade é necessária para imaginar esta verdade transcendente?
Prometo voltar ao tema que me apaixona.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

PORQUE SERÁ? MAS QUE É, É.



O Homem estará a ficar demente?
A mente humana aparece-nos corrompida, separada da realidade.
O que fere o entendimento?
Os franceses diziam que era o ruído que ensurdece, que desequilibra a língua. Há obstáculos ao pensamento.
Há quem diga que uma parte da responsabilidade se deve à tecnologia, outros oferecem outras causas.
Não sei a que se deve, já que as causas são de ordem multifactorial, mas que se verifica que a capacidade de pensar está em baixa, é um facto.
Esta indiferença que grassa pelo monstruoso, a perversão da natureza através do crime, a destruição da individualidade.
A inquietação é só apanágio de alguns, de muito poucos, cada vez menos.
A maioria das pessoas, nasce, vive e morre quase não passando pela experiência de pensar.
A maioria das pessoas repete-se, repete pensamentos que ouviu, não conseguindo construir um seu em toda a sua vida.
Hoje ao levar o cão ao jardim, um vento gelado, caótico infiltrou-se em mim e lembrei-me que quem pensa por si nunca consegue ver só a harmonia, que sente sempre que nessa harmonia há uma infiltração desse vento caótico todo o tempo.
É difícil pensar a causa do mal.


domingo, 9 de dezembro de 2012

SEM PEDIR LICENÇA


RUPTURAS

Quantas rupturas não temos nós que fazer ao longo da vida?
As perdas causam-nos medo e por vezes encaramos as rupturas enquanto perdas, embora na sua grande maioria se tratem de ganhos.
Acho que quanto mais medo temos delas, mais conservadores nos tornamos, no sentido etimológico do termo.
As rupturas levam-nos a concepções de insegurança/segurança.
As concepções não são a realidade e obstaculizam na maior parte das vezes  a realidade  e a iniciação nas novas realidades. Acontece que o sentimento de perda que não é a perda em si, mas tão só a sua percepção, é inibidora do avanço pessoal, de nos iniciarmos, para começar de novo é preciso fazer rupturas, romper com o que está para trás e é isto que é verdadeiramente difícil: ir para além, deixar de pensar no passado.
Nem todos são capazes de lavrar a terra e cuidar das sementeiras.
Falar em mudança, não é mudar e isto aplica-se a todos os parâmetros das nossas vidas, seja na vida afectiva, na política ou social.
Quando as pessoas clamam e gritam por "Acordai" têm de ter isto em linha de conta.
Se as pessoas não despertam, são levadas com a torrente, inconscientes do que se passa à sua volta.
Despertar, acordar é nascer para as novas realidades, é reconhecer o mundo em que vive e tomar conta de si, caso contrário tudo se lhe apresenta como um sonho e dessa forma não faz parte integrante, não é, não participa.
Acordar é ver e saber aquilo que somos e não aquilo que pensamos ser, daí as rupturas.
Quando tomamos posse da realidade, acordamos e rompemos com o passado, podendo  iniciar e agarrar as novas lutas que temos de travar, deixamos de estar em lua nova ou quarto minguante, em períodos de ocultação. Deixamos de ser invisíveis.