o sol brilha quando estamos abertos e receptivos à vida.
O mundo não se altera em nada, mas parece que as coisas vêm ter connosco. Não se altera, no entanto nós olhamo-lo de forma completamente diferente, sem receios, deixando que a luz nos atravesse. Temos como que a epiderme aberta.
Há dias com halos de luz, em que somos tocados por alguma coisa que vem de dentro da terra ou do canto dos pássaros.
Há dias em que as fontes de emoção vêm ter connosco, que nos apetece amar toda a gente.
Há dias em que ressuscitamos com ânimo e complacentes.
Há dias em que novo sangue circula e nos inflama.
Há dias em que a beleza nos toma os sentidos e nos trás inteiros de volta e agora neste sossego sossegado, quietamente desdobra-se o mundo em cores, cativando o meu corpo e a minha alma.
São pequenas coisas que nos constroem os sonhos e recomeçam vontades.
Há dias...
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
domingo, 27 de janeiro de 2013
O DIA
Nunca mais chegava e ao mesmo tempo foi muito rápido.
Aquela espera ouvindo as palavras dos amigos: "Estás feliz? "Ai que bom que vais ser avó", sentes-te preparada?"
Olhava para trás no caminho e a direcção era sempre a mesma, via-me a mim grávida e a alegria que tinha de andar a empurrar o mundo como dizia, aquela alegria que as mães conhecem ao mesmo tempo que a serenidade as visita, mesmo que o sol seja escaldante.
Nessa altura, não se sabia antes do bebé nascer qual era o sexo, era surpresa total e escolhiam-se os nomes quer para um caso quer para outro.A minha filha, grávida, feliz, ia ter o seu bebé.
Assim, se cumpriam os ciclos, 1º mãe, depois avó.
A preocupação do nascimento, mas antes de tudo a ideia do Futuro.
Como admito que o homem é, de algum modo, a sua circunstância orgânica a par de outras, a família, a sociedade, etc, prespassam sempre pela cabeça e pelo coração alguns receios, advindos desta concretude, da sua própria circunstância - ter um filho nestes tempos.
Para mim que nunca supus ser avó, que não vivia com ansiedade esse momento, apenas como simples possibilidade e nunca como uma inevitabilidade, converso comigo num original e único diálogo: como vai ser o Henrique, do que gostará mais?
O MEU NETO NASCEU!
Aquele dia mágico.
Naquele momento exacto em que soube fiquei impassivelmente calma; cessou em mim o meu pensamento; suspendeu-se tudo. Fiquei estranha e em silêncio.
Era o fim da espera e o começo do caminho.
O Henrique bateu à porta e entrou no nosso mundo.
Aproximei-me e vi a Terra, o Céu e o Mar.
Dentro de mim nascia uma Flor
Um hino de amor.
A vida agarrava-se ao meu dedo, intensa e firme.
Aquela espera ouvindo as palavras dos amigos: "Estás feliz? "Ai que bom que vais ser avó", sentes-te preparada?"
Olhava para trás no caminho e a direcção era sempre a mesma, via-me a mim grávida e a alegria que tinha de andar a empurrar o mundo como dizia, aquela alegria que as mães conhecem ao mesmo tempo que a serenidade as visita, mesmo que o sol seja escaldante.
Nessa altura, não se sabia antes do bebé nascer qual era o sexo, era surpresa total e escolhiam-se os nomes quer para um caso quer para outro.A minha filha, grávida, feliz, ia ter o seu bebé.
Assim, se cumpriam os ciclos, 1º mãe, depois avó.
A preocupação do nascimento, mas antes de tudo a ideia do Futuro.
Como admito que o homem é, de algum modo, a sua circunstância orgânica a par de outras, a família, a sociedade, etc, prespassam sempre pela cabeça e pelo coração alguns receios, advindos desta concretude, da sua própria circunstância - ter um filho nestes tempos.
Para mim que nunca supus ser avó, que não vivia com ansiedade esse momento, apenas como simples possibilidade e nunca como uma inevitabilidade, converso comigo num original e único diálogo: como vai ser o Henrique, do que gostará mais?
O MEU NETO NASCEU!
Aquele dia mágico.
Naquele momento exacto em que soube fiquei impassivelmente calma; cessou em mim o meu pensamento; suspendeu-se tudo. Fiquei estranha e em silêncio.
Era o fim da espera e o começo do caminho.
O Henrique bateu à porta e entrou no nosso mundo.
Aproximei-me e vi a Terra, o Céu e o Mar.
Dentro de mim nascia uma Flor
Um hino de amor.
A vida agarrava-se ao meu dedo, intensa e firme.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
INVERNIA ÁSPERA
Gente que olha cara a cara a vida, vidas simples, humildes e resignadas que não sabe o que são primeiras edições de livros, nem o que é uma natureza morta. Pessoas que vivem no país das Lágrimas, que não sonham com grandezas, tímidas e constrangidas. A maioria apenas grasna como as gaivotas, mas enquanto as gaivotas se juntam ao fim da tarde na praia para palrarem, as pessoas nem isso.
Olho para os velhinhos com olhos irónicos, vejo as balsaquianas a pavonearem-se, egoisticamente, sem dizerem palavra umas às outras.
Nesta pátria que tem o Atlântico como paredeprincipal existe uma gente à parte, uma gente que mesmo roída de miséria não luta, nem quer saber, acomoda-se pouco confortavelmente, diga-se.
Qual o balanço da aprendizagem da revolução dos cravos e mesmo das emigrações?
Quantas comissões cívicas há?, Comissões de bairro, cooperativas, eu sei lá.
Quem procura ser desintoxicado da informação oficial e informar-se devidamente?
Mas a sua desgraça é pícara. Preferem passar por tudo, por dores, desemprego e todas as catástrofes desta vida, mas manifestar-se isso não.
Antigamente chamavam Sr. Governo ao governo e agora falam da crise, como se a crise fosse sua., no entanto é uma gente profundamente espiritualista, neste mundo em que os tijolos se tornam mais importantes que as pessoas.
Muita gente já entrou numa espécie de vazio, num buraco da textura das coisas e começam muitas delas a observar-se a si mesmas.
Olho para os velhinhos com olhos irónicos, vejo as balsaquianas a pavonearem-se, egoisticamente, sem dizerem palavra umas às outras.
Nesta pátria que tem o Atlântico como paredeprincipal existe uma gente à parte, uma gente que mesmo roída de miséria não luta, nem quer saber, acomoda-se pouco confortavelmente, diga-se.
Qual o balanço da aprendizagem da revolução dos cravos e mesmo das emigrações?
Quantas comissões cívicas há?, Comissões de bairro, cooperativas, eu sei lá.
Quem procura ser desintoxicado da informação oficial e informar-se devidamente?
Mas a sua desgraça é pícara. Preferem passar por tudo, por dores, desemprego e todas as catástrofes desta vida, mas manifestar-se isso não.
Antigamente chamavam Sr. Governo ao governo e agora falam da crise, como se a crise fosse sua., no entanto é uma gente profundamente espiritualista, neste mundo em que os tijolos se tornam mais importantes que as pessoas.
Muita gente já entrou numa espécie de vazio, num buraco da textura das coisas e começam muitas delas a observar-se a si mesmas.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
ATRAVESSANDO A TARDE
Atravessar o Inverno podia se chamar este escrito, mas seria demasiado pretencioso.
Para viver é necessária muita imaginação.
O mundo está a cair em fragmentos. Fala-se muito, as pessoas dizem muito, mas às vezes com palavras puídas, cansadas como estes dias de Inverno.
Há palavras que nos impedem a visão, que não são transparentes.
As nossas vidas abrandaram muito e eu sinto-me como a tartaruga perseguida pela lebre.
Lembrei-me de ir tirar uma fotografia à neblina e perdi o rastro aos pensamentos e aos meandros para onde me tinham levado.
E agora vem-me a Síria ao pensamento, o Mali, as famílias dos militares franceses e sinto o coração apertado.
Olho a paisagem que entretanto esverdeou e me leva até à China e lembro-me daquelas cabeleiras de arvoredo, da árvore salisburia adiantifolia, das miniaturas graciosas dos detalhes, das chuvas copiosas, não sei se este pensamento me foi induzido pelas chuvas torrenciais que a Indonésia está a sofrer.
E a memória continua a entornar-se, a dar longos passeios boémios e recordo o Hiyoku - nome de uma ave fabulosa e como uma empregada do Hotel comparava a flor do crisântemo a uma cortesã.
Já estou junto ao Tamisa com um bando de pardais por companhia, atrevidos e cosmopolitas, a depenicar o meu tomate recheado.
Vou em procura de impressões, mas não raro são elas que me procuram, me afagam como seres alados.
Escuto neste momento, os pássaros residentes com manha de trovadores.
O jardim é o chamariz de uma multidão de seres que vêm imprimir vida ao cenário e relembro, de novo, aquela mulher oriental que me dizia que queria que a sua alma residisse na ponta dos seus dedos e eu não mais a esqueci, com um disvelo absoluto pela memória das viagens, bem como aqueles insectos, botânicos eméritos que sabem de cor e salteado onde as corolas lhes oferecem os manjares mais capitosos e cheguei à Primavera.
Vejo os pessegueiros a florir, depois as cerejeiras, depois as pereiras.
E voltei aqui, ao meu sítio, pela tarde, pela noite, no Verão quando chegam os grilos, os ralos, as rãs e os sapos.
Vamos deixando farrapos de alma por todo o lado.
Estou em Cuba com aquela Helena fotógrafa que me cobiçava tanto a carteira que acabei por lha dar e lhe pedir um saquito para meter as coisas que levava. Recordo-lhe o estalido de alegria, o mesmo que os meninos na Costa do Marfim faziam quando deles me aproximava e lhes entregava lápis de cores e livros para colorir.
Não, não faltam sítios onde eu passar esta tarde com árvores sem folhas e insectos mortos.
Regresso ao meu país e ouço a respiração do mar e aterro nas enormes florestas de algas do Atlântico, onde por vezes o silêncio é verde e esta luz coada ilumina fundos de poesia e de muito sonho.
Cheguei.
Para viver é necessária muita imaginação.
O mundo está a cair em fragmentos. Fala-se muito, as pessoas dizem muito, mas às vezes com palavras puídas, cansadas como estes dias de Inverno.
Há palavras que nos impedem a visão, que não são transparentes.
As nossas vidas abrandaram muito e eu sinto-me como a tartaruga perseguida pela lebre.
Lembrei-me de ir tirar uma fotografia à neblina e perdi o rastro aos pensamentos e aos meandros para onde me tinham levado.
E agora vem-me a Síria ao pensamento, o Mali, as famílias dos militares franceses e sinto o coração apertado.
Olho a paisagem que entretanto esverdeou e me leva até à China e lembro-me daquelas cabeleiras de arvoredo, da árvore salisburia adiantifolia, das miniaturas graciosas dos detalhes, das chuvas copiosas, não sei se este pensamento me foi induzido pelas chuvas torrenciais que a Indonésia está a sofrer.
E a memória continua a entornar-se, a dar longos passeios boémios e recordo o Hiyoku - nome de uma ave fabulosa e como uma empregada do Hotel comparava a flor do crisântemo a uma cortesã.
Já estou junto ao Tamisa com um bando de pardais por companhia, atrevidos e cosmopolitas, a depenicar o meu tomate recheado.
Vou em procura de impressões, mas não raro são elas que me procuram, me afagam como seres alados.
Escuto neste momento, os pássaros residentes com manha de trovadores.
O jardim é o chamariz de uma multidão de seres que vêm imprimir vida ao cenário e relembro, de novo, aquela mulher oriental que me dizia que queria que a sua alma residisse na ponta dos seus dedos e eu não mais a esqueci, com um disvelo absoluto pela memória das viagens, bem como aqueles insectos, botânicos eméritos que sabem de cor e salteado onde as corolas lhes oferecem os manjares mais capitosos e cheguei à Primavera.
Vejo os pessegueiros a florir, depois as cerejeiras, depois as pereiras.
E voltei aqui, ao meu sítio, pela tarde, pela noite, no Verão quando chegam os grilos, os ralos, as rãs e os sapos.
Vamos deixando farrapos de alma por todo o lado.
Estou em Cuba com aquela Helena fotógrafa que me cobiçava tanto a carteira que acabei por lha dar e lhe pedir um saquito para meter as coisas que levava. Recordo-lhe o estalido de alegria, o mesmo que os meninos na Costa do Marfim faziam quando deles me aproximava e lhes entregava lápis de cores e livros para colorir.
Não, não faltam sítios onde eu passar esta tarde com árvores sem folhas e insectos mortos.
Regresso ao meu país e ouço a respiração do mar e aterro nas enormes florestas de algas do Atlântico, onde por vezes o silêncio é verde e esta luz coada ilumina fundos de poesia e de muito sonho.
Cheguei.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
CHAMANDO AS PALAVRAS
Acordo. Não, o sweet acorda-me que isto de confundir o meu acordar como o do meu cão, tem que se lhe diga.
Está frio e chove, estamos no tempo dele, diz a meteorologia.
Criei hábito, mesmo não sendo metódica, e venho para o escritório, já que me é doloroso ler na cama actualmente, a coluna é quem manda, e por aqui vou ficando 1/2h, às vezes 3h, lendo os jornais que me entristecem e enraivecem, olhando para o que as pessoas dizem nas suas páginas, revelando ou ocultando suas verdadeiras preocupações e assim vou acordando e os meus olhos bruxuleantes começam a conectar-se com os meus dedos que aquecem em contacto com o teclado. E penso se vou falar da morte ou do Amor, esta dicotomia atravessa-me todos os pensamentos há muito eu sei, mas continuo a falar com amigos que não sei por quanto tempo cá andarão e eu também. Não, pronto já começa a mesma música e as palavras a empurrar-me sempre não vá eu não saber muito bem onde assentar os pezinhos.
Vá, vou decantar a respiração, esta respiração ofegante das palavras, apagar algumas memórias. Como se faz?
Esboço um mapa e traço uma latitude benigna, expiro um ai e caio nos braços da manhã, embrumada em azul e sempre cúmplice.
Ouço-me a falar então de coisas úteis e as palavras colaboram comigo: vais arrumar gavetas, sim porque não? Isso, só tu podes fazer; limpar pratas e metais, igualmente uma boa tarefa em dias chuvosos de Inverno e ver se acabas todos aqueles trabalhos manuais que começaste, quer em lã, quer em renda.
Mas a normalidade não é a minha língua materna.
Vou acabar textinho: chegou o momento em que um bando de imagens sobrevoam as palavras e com as suas asas se soltam das minhas mãos.
Está frio e chove, estamos no tempo dele, diz a meteorologia.
Criei hábito, mesmo não sendo metódica, e venho para o escritório, já que me é doloroso ler na cama actualmente, a coluna é quem manda, e por aqui vou ficando 1/2h, às vezes 3h, lendo os jornais que me entristecem e enraivecem, olhando para o que as pessoas dizem nas suas páginas, revelando ou ocultando suas verdadeiras preocupações e assim vou acordando e os meus olhos bruxuleantes começam a conectar-se com os meus dedos que aquecem em contacto com o teclado. E penso se vou falar da morte ou do Amor, esta dicotomia atravessa-me todos os pensamentos há muito eu sei, mas continuo a falar com amigos que não sei por quanto tempo cá andarão e eu também. Não, pronto já começa a mesma música e as palavras a empurrar-me sempre não vá eu não saber muito bem onde assentar os pezinhos.
Vá, vou decantar a respiração, esta respiração ofegante das palavras, apagar algumas memórias. Como se faz?
Esboço um mapa e traço uma latitude benigna, expiro um ai e caio nos braços da manhã, embrumada em azul e sempre cúmplice.
Ouço-me a falar então de coisas úteis e as palavras colaboram comigo: vais arrumar gavetas, sim porque não? Isso, só tu podes fazer; limpar pratas e metais, igualmente uma boa tarefa em dias chuvosos de Inverno e ver se acabas todos aqueles trabalhos manuais que começaste, quer em lã, quer em renda.
Mas a normalidade não é a minha língua materna.
Vou acabar textinho: chegou o momento em que um bando de imagens sobrevoam as palavras e com as suas asas se soltam das minhas mãos.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
DESTE LADO DA VIDA
Por vezes torna-se difícil escrever aqui. Começa a acontecer-me o que ainda não tinha sido experimentado que é andar a desviar-me dos obstáculos.
Cada vez mais observo as pedras do caminho enquanto caminho para não cair, mas ao mesmo tempo fico com a impressão que ao contorná-las não significa que as evite.
Caminho com as palavras mas o que gostava mesmo era de conversar com pessoas com o mesmo "inter-esse" e cada vez está mais difícil. As pessoas, duma maneira geral, não cumprem a primeira regra da conversa que é saber ouvir porque para saber ouvir é preciso estar interessado e na maior parte das vezes não se escolhe o tema para conversar e cada um fala de coisas diferentes, quiçá, contornando igualmente as pedras do caminho.
Conversar, que não falar, é algo muito difícil.
Nem tudo tem o mesmo peso nem vale a mesma coisa.
Falar é algo que nos foi dado, mas saber conversar é uma conquista e como tudo que é conquistado é mais amado do que aquilo que é dado.
Hoje só me aparece uma ideia na minha cabeça, a ideia de ser contribuinte.
Sempre gostei de ser contribuinte, porque ser contribuinte é ser cidadão e enchia-me de orgulho o facto de ter sido contribuinte muito cedo, insurgi-me sempre contra a ideia daqueles que não gostavam de pagar impostos e achavam que o não deviam fazer e hoje dou comigo a pensar que me é muito penoso pagar impostos e penso que estou a ser vítima porque estou viva.
O governo em vez de saber e querer fazer as contas em relação a quanto perde o país em impostos em relação àqueles que partem por uma morte, qualquer que ela seja, fica contente porque isso acontece.
Cada vez mais observo as pedras do caminho enquanto caminho para não cair, mas ao mesmo tempo fico com a impressão que ao contorná-las não significa que as evite.
Caminho com as palavras mas o que gostava mesmo era de conversar com pessoas com o mesmo "inter-esse" e cada vez está mais difícil. As pessoas, duma maneira geral, não cumprem a primeira regra da conversa que é saber ouvir porque para saber ouvir é preciso estar interessado e na maior parte das vezes não se escolhe o tema para conversar e cada um fala de coisas diferentes, quiçá, contornando igualmente as pedras do caminho.
Conversar, que não falar, é algo muito difícil.
Nem tudo tem o mesmo peso nem vale a mesma coisa.
Falar é algo que nos foi dado, mas saber conversar é uma conquista e como tudo que é conquistado é mais amado do que aquilo que é dado.
Hoje só me aparece uma ideia na minha cabeça, a ideia de ser contribuinte.
Sempre gostei de ser contribuinte, porque ser contribuinte é ser cidadão e enchia-me de orgulho o facto de ter sido contribuinte muito cedo, insurgi-me sempre contra a ideia daqueles que não gostavam de pagar impostos e achavam que o não deviam fazer e hoje dou comigo a pensar que me é muito penoso pagar impostos e penso que estou a ser vítima porque estou viva.
O governo em vez de saber e querer fazer as contas em relação a quanto perde o país em impostos em relação àqueles que partem por uma morte, qualquer que ela seja, fica contente porque isso acontece.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
MORTE(S)
Morreu o Outono e nasceu o Inverno.
Morreu a democracia e nasceu um híbrido sistema.
Tempos cinzentos estes, quase negros.
Às vezes não sei onde pôr as saudades e venho para aqui recolher-me.
Faz um ano, faltam dois dias, que morreu uma pessoa muito querida e no meio destes dias enevoados, cinzentos, amontoados, escrevo para me lembrar que mais que eu lembrar da sua morte, preciso de recordar a fortuna de a ter conhecido, para me dizer do bom que foi conhecê-la e dos sublimes momentos que os cometas ou estrelas nos tocaram de mansinho.
Se nós pudéssemos pairar com uma ironia alegre sobre o mundo.
Se nós pudéssemos voar e ver a terra com olhos de falcão.
Se nós pudéssemos fazer das estações da vida, estações renováveis da natureza.
Se nós pudéssemos desenhar hexágonos com a nossa própria vida.
Se nós pudéssemos caçar as diversas maravilhas por entre os arbustos da ilusão, então éramos dignos de alguma esperança que nos daria a força do touro quando enfrenta o medo.
Morreu a democracia e nasceu um híbrido sistema.
Tempos cinzentos estes, quase negros.
Às vezes não sei onde pôr as saudades e venho para aqui recolher-me.
Faz um ano, faltam dois dias, que morreu uma pessoa muito querida e no meio destes dias enevoados, cinzentos, amontoados, escrevo para me lembrar que mais que eu lembrar da sua morte, preciso de recordar a fortuna de a ter conhecido, para me dizer do bom que foi conhecê-la e dos sublimes momentos que os cometas ou estrelas nos tocaram de mansinho.
Se nós pudéssemos pairar com uma ironia alegre sobre o mundo.
Se nós pudéssemos voar e ver a terra com olhos de falcão.
Se nós pudéssemos fazer das estações da vida, estações renováveis da natureza.
Se nós pudéssemos desenhar hexágonos com a nossa própria vida.
Se nós pudéssemos caçar as diversas maravilhas por entre os arbustos da ilusão, então éramos dignos de alguma esperança que nos daria a força do touro quando enfrenta o medo.
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