sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

QUEM ÉS TU?

Misterioso amigo, quem te trouxe aqui nas asas do vento.
Quem és tu, uma imagem de alguém, um alter ego tímido? Quem és?
Tu que não trocas impressões. Tu que atiras para o espaço imagens para que gostem/porque tu gostas.
Tu que respiras e queres fazer parte.
Tu que não escreves nem poetisas mas pretendes um sistema filosófico.
A ti Manuel/Maria apetece-me dizer-te que procures a filosofia nas terras de Kant, onde, como dizia alguém, os filósofos também servem para acertar relógios.
Tu que atiras para o ar/"postas" só coisas dos outros, estrangeiras se possível.
Tu que criticas tudo e todos e querias viver em Londres ou Paris sem nunca lá teres ido.
Tu que achas que o acordo ortográfico não é perigoso para a língua.
Tu que falas de cultura e esqueces o bacalhau com batatas  e julgas que só Pessoa é matéria-prima do nosso pensar.
Tu que esqueces que a geografia nos molda a alma como a arquitectura nos pode mudar o estado de espírito.
A ti que anuncias a morte de Portugal, esqueceste-te que há o Marão, a Estrela, Sintra?
A ti também que desencantado com o país acreditas apenas na vivificação da memória que consideras a única resistência e que não acreditas em manifestações de rua com bandeiras.
A ti que és bonito/a mas que escondes a tua face quando falas.
Dizes que estás entre o científico, a inovação e a tecnologia. Tu que dizes que crias e que pretendes leituras e interpretações de leituras não estudadas.
A ti que não consegues chegar a mais ninguém, a não ser a ti próprio/a.
A ti que nada aprendes e rejeitas, fazendo que gostas.
A todos que não sabemos qual o caminho, se é este ou outro mas que acreditam em certos fundamentos que se vão desmoronando e que apesar de tudo continuam buscando.
Sim e também é para ti que falo: diz ao que vens.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

VOO RASANTE

Tanta coisa para dizer e tanto bloqueio.
Talvez este costume de guardar para mim o que me vai na alma, venha da Idade Média, época em que se estabeleceu que Cristo nunca tinha sorrido, talvez venha de Aristóteles, que achava a tragédia e a  Épica superiores à Comédia.
Porque sou assim? Este traço foi-me transmitido familiarmente eu sei, mas cultivei-o, sem sombra de dúvida.
Desta forma, não devia causar-me espanto, mas causa.
A vida humana é demasiado complexa para ser entendida.
O passado, por exemplo, é verdadeiramente imprevisível, como diz um provérbio chinês.
Vem tudo isto a propósito ou se calhar não, duma mini-entrevista  que li ontem do Kalu, baterista dos Xutos & Pontapés, quando diz que há muita coisa que acontece por acaso e que podia ser o patrão Carlos da fábrica do pai  ou quiçá viver na Suíça e dedicar-se à Hotelaria se em vez disso não tivesse respondido ao anúncio dos Xutos.
Percorro todas as variáveis do meu passado e até do meu presente e não consigo trazê-lo da forma como foi.
Falar do passado é um assunto sério, requer rigor histórico, é como falar dos Jesuítas sei lá, mas comigo não raras vezes, acontece comicidade quando nele me pouso.
Sorrio. Seriamente? Não sei, sim talvez à Gioconda, um tique dos portugueses suponho.
Agora quase rio à gargalhada. Lembro-me do Einstein e da teoria da relatividade.
Provavelmente é isso que sucede na minha mente, soa-me a Verdade mentiras construídas meticulosamente em consequência dos fragmentos dos meus próprios sentimentos.
A memória tem destas coisas, vem-me não raramente, como fogo de artifício, cujo brilho e alegria escondem o eclipse do próprio tempo.
E em voo rasante vem-me à memória o presente e o saber dos alquimistas que desde há muito sabiam que não são as mesmas ciscunstâncias que criam os mesmos fenómenos, ou seja: com as mesmas condições poder-se-ão dar fenómenos diferentes e com condições diferentes poder-se-ão dar fenómenos iguais. Eis a verdadeira relatividade.
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

SEI QUE VOU POR AÍ

o sol brilha quando estamos abertos e receptivos à vida.
O mundo não se altera em nada, mas parece que as coisas vêm ter connosco. Não se altera, no entanto nós olhamo-lo de forma completamente diferente, sem receios, deixando que a luz nos atravesse. Temos como que a epiderme aberta.
Há dias com halos de luz, em que somos tocados por alguma coisa que vem de dentro da terra ou do canto dos pássaros.
Há dias em que as fontes de emoção vêm ter connosco, que nos apetece amar toda a gente.
Há dias em que ressuscitamos com ânimo e complacentes.
Há dias em que novo sangue circula e nos inflama.
Há dias em que a beleza nos toma os sentidos e nos trás inteiros de volta e agora neste sossego sossegado, quietamente desdobra-se o mundo em cores, cativando o meu corpo e a minha alma.
São pequenas coisas que nos constroem os sonhos e recomeçam vontades.
Há dias...

domingo, 27 de janeiro de 2013

O DIA

Nunca mais chegava e ao mesmo tempo foi muito rápido.
Aquela espera ouvindo as palavras dos amigos: "Estás feliz? "Ai que bom que vais ser avó", sentes-te preparada?"
Olhava para trás no caminho e a direcção era sempre a mesma, via-me a mim grávida e a alegria que tinha de andar a empurrar o mundo como dizia, aquela alegria que as mães conhecem ao mesmo tempo que a serenidade as visita, mesmo que o sol seja escaldante.
Nessa altura, não se sabia antes do bebé nascer qual era o sexo, era surpresa total e escolhiam-se os nomes quer para um caso quer para outro.A minha filha, grávida, feliz, ia ter o seu bebé.
Assim, se cumpriam os ciclos, 1º mãe, depois avó.
A preocupação do nascimento, mas antes de tudo a ideia do Futuro.
Como admito que o homem é, de algum modo, a sua circunstância orgânica a par de outras, a família, a sociedade, etc, prespassam sempre pela cabeça e pelo coração alguns receios, advindos desta concretude, da sua própria circunstância - ter um filho nestes tempos.
Para mim que nunca supus ser avó, que não vivia com ansiedade esse momento, apenas como simples possibilidade e nunca como uma inevitabilidade, converso comigo num original e único diálogo: como vai ser o Henrique, do que gostará mais?
O MEU NETO NASCEU!
Aquele dia mágico.
Naquele momento exacto em que soube fiquei impassivelmente calma; cessou em mim o meu pensamento; suspendeu-se tudo. Fiquei estranha e em silêncio.
Era o fim da espera e o começo do caminho.
O Henrique bateu à porta e entrou no nosso mundo.
Aproximei-me e vi a Terra, o Céu e o Mar.
Dentro de mim nascia uma Flor
Um hino de amor.
A vida agarrava-se ao meu dedo, intensa e firme.