sexta-feira, 10 de maio de 2013

VELHICE


ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA...

Os fazedores de opinião (todos dias mais um) contratados para o efeito, andam há anos a formatar a cabeça dos eleitores/contribuintes.
Os canais de televisão, empresas do capital nacional e estrangeiro, convidam uns arautos, quase sempre os mesmos, do PS/PSD/CDS, para fazerem de caixa de ressonância dos poderes instituídos, não raras vezes mascarados de oposição.
Todos se repetem, são banais. Todos são ministeriáveis ou mesmo presidenciáveis. Todos fazem parte do Big Brother dos ricos à nossa custa, dos oportunistas, dos de vida fácil. Fácil foi-me sugerido também por significado antigo atribuído às mulheres que se prostituíam.
Nós experimentamos a Crise, eles julgam-na.
Voltamos à ditadura, à ditadura das circunstâncias.
Algum jornalista/entrevistador releu ou mesmo leu, o programa do governo e interroga o seu/sua entrevistado/a sobre o mesmo?
Claro que não, porque também eles fazem parte da mesma classe.
Fala-se todos os dias de refundação, reformolução e outros Re e Çãos do Estado.
Alguém sabe o que é isso? Mas à custa destas intenções vão-se aumentado todos os dias os impostos para a tal propalada sustentabilidade e despedindo trabalhadores para mais aumentar a insustentabilidade.
Os nossos governantes, i.é, os Irmãos Metralha que nos têm assaltado têm todavia uma característica bem portuguesa, possuem duas dimensões: pequeninos, muito pequeninos frente à U.E.  engrossando-se, agigantando-se em relação a nós.
Tantas vezes as pessoas ouvem que há CRISE, que NÃO PODE SER DE OUTRA MANEIRA, QUE A DÍVIDA É PARA PAGAR, que chegam a repetir que nem no final duma oração- ÁMEM, ÁMEN, ÁMEM.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

BELEZA


FACEBOOK E "AMIGOS"

Não há amigos no facebook como quase toda a gente sabe.
Também não se é obrigado a apreciar ou a entender tudo o que lá consta, mas não lhe podemos ignorar a existência.
Há no entanto várias leituras que se podem fazer sem propósitos antipáticos, lá como na vida quando apanham uma pessoa diferente dos cânones jogados em silêncio, estraçalham-na.
É normal. Este assunto é demasiado antigo e conhecido.
O facebook tornou-se um ente "eu e ele" ou "eu e tu" ou seja, algo que se confunde com um ser, com uma pessoa. Há pessoas que têm uma relação verdadeiramente pessoal com ele. Ele escuta lamentos e exaltações. Ora, se o facebook é "personificado" para uns mais que para outros embora, "diz-me em que estás a pensar", deveria comportar-se como uma pessoa, com o seu corpo, o seu coração, a sua alma (incapaz cientificamente de ser testada) bem como o seu espírito.
A questão é a da própria pessoa. O que é dado à pessoa? O que se espera dela? Por onde caminha? Qualquer dia passa a ser uma questão antropológica.
Quando vejo políticos, jornalistas, escritores, poetas, artistas a utilizá-lo como um maná, mantendo-o e retomando-o como seu alimento, mais penso nisto.
Há pessoas que se constroem lado a lado neste Outro-mundo, nesta Outra Vida.
A questão do facebook roça a utopia quando o sonho se torna tão agudo como no cimo duma montanha, mas não é utopia porque traz em si o germe da negação.
Às vezes passa suavemente para o delírio e mais estranho ainda que o delírio, uma evocação onde entra naturalmente o coração.
Aconteceu-me a mim ainda há bem pouco tempo - a certeza de que esse outro facebook/"amigos" existe.
Existe numa outra esfera. E entraria aqui no contrário da questão filosófica naquilo que pode ter de especulação  sobre o real.

terça-feira, 7 de maio de 2013

INVEJA

A inveja por vezes confundida com cobiça,é um sentimento triste.
Cessam os outros sentimentos, suspendem-se para dar aso àquele.
Sentimento estranho desejar que o outro não tenha.
Há pessoas que não desejam possuir mais do que têm ou algo que o outro tem, apenas não gostariam que o outro tivesse, nem que seja a felicidade daquele momento.
Dizia-me há dias uma "amiga" que só se inveja quem é rico não os pobres e,continuou desenvolvendo esse raciocínio, eu dizia-lhe que não, que também era possível invejar quem não usufruísse de bens materiais, mas que tivesse alegria de viver, mesmo não sendo detentor de bens  de relevo.
Convicta estou que continua a manter a mesma posição, já que para ela não se  imagina a invejar ninguém pobre.
Referia-se à cobiça, porque na cobiça existe o tal aspecto de querer o que o outro tem, mas a tragédia verdadeira da inveja é mais do que isso, muito mais, é querer que o outro não tenha. Ora, este sentimento pode ser dirigido quer a ricos quer a pobres.
Há muitos invejosos nos que mais criticam e censuram minuciosamente, suprimindo elogios ou abreviando-os.
Há gente que inveja até os anos que vivemos e experienciamos,além da pouca memória que revelam quando julgam que o mundo começou com eles e que já nasceram a saber tudo.

VIDA


quarta-feira, 1 de maio de 2013

CHEIRA A MANHÃ

Cheira a manhã fresca
A manhã maçã
A menina alegre
A manhã de liberdade
Simbolismo encantador
Manhã envolta no Cândido de Voltaire
Nos primeiros acordes do dia
Lá para a tarde indico que outro mundo em concreto seria uma possibilidade.
É ainda possível ser optimista?
Compreendo o pessimismo e eu mesma também o vivo. Mas há outras perspectivas.
Somos obrigados a ter esperança, senão a vida parece um pântano.
A humanidade tem os dois lados, o positivo e o negativo.
Jacques Attali numa entrevista disse um dia: "(...a dualidade da história: ao mesmo tempo sentido é movimento, imobilidade e repetitividade. No fundo, a única coisa imóvel na história é o medo como as formas naturais e sociais, nascem e desaparecem. Aquilo a que chamamos habitualmente a crise é, pois, o estado permanente de toda a realidade: uma forma é sempre uma tensão para um ideal, em realização ou em destruição; e a "não crise" é um momento extraordinariamente fugaz, uma utopia., volátil entre dois períodos de crise, de reescritura do texto da história do mundo".
"A história é antes do mais a procura insaciável da liberdade contra a barbárie. Utiliza sempre a desordem, o mal, como sinal anunciador da urgência da ultrapassagem de si. Ainda aí, como em todas as coisas, o mal pode ser fonte de bem".
A vida vale a pena: dá-nos a conhecer brilhantes seres humanos. Talentosos, elegantes, com conteúdos fantásticos e maravilhosos. Gente que se transcende, gente simples e transbordante.
O Humano é duma vasta complexidade, é feito duma matéria inexplicável.
E tão preciso e impredível é o seu conteúdo que eu continuo a surpreender-me e a fascinar-me com aquilo que é capaz de conseguir. O Humano é capaz de transfigura a realidade até ao melhor e ao mais alto nível.
Eu vivi essa amostra no 25 de Abril de 1974 e nesse fantástico 1º de Maio de 1974, extasiada, excitada e por mais que os anos passem, essa sensação, sempre que chega este dia, volta viva e pura e muitos/as outros/as sentem o mesmo, eu sei.
É disto mesmo que nasce uma espécie de fraternidade.