domingo, 30 de junho de 2013

domingo, 23 de junho de 2013

O MINISTRO DAS FINANÇAS

Hoje sonhei com o Ministro das Finanças. Estava em reunião com outro Ministro, ambos em trajes bastante íntimos diria eu, informais. As casaquinhas eram de seda, a dele em vermelho cardinal, a do outro, sinceramente esqueci logo que fui acordada repentinamente com um enorme foguete.
Quando me viram, levantaram-se e saíram. O Vitinho fez aquela cara de cão obediente, tipo Basset Hound  e com as olheiras até ao chão, o outro olhava para trás enquanto  os focava com  o olhar. Caminhavam à minha frente em peúgas, quando  nas meias do Vitinho reparei,  tinha uma meia de cada Nação, uma  com duas riscas fininhas, verde e vermelha a de cima, parecia-se quase com uma ligadura, a outra, bem mais comprida, também igualmente com duas riscas, a vermelha e a preta em fundo amarelo.
E lá foram muitos juntinhos à minha frente, sem sapatos, os dois do mesmo tamanho, pé ante pé, quase em silêncio. O meu olhar seguia-os como se duma objectiva se tratasse.
Acordei e antes de me sentar aqui para vos contar o meu sonho, lembrei-me o nome do companheiro que com ele estava sentado à mesa, era o Ministro Poiares Maduro.
Esquecia-me de um pormenor importante suponho, o ministro PM tinha os lábios pintados de laranja, mas que bem lhe ficava, estava bonito.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

COM UM CLIQUE

Em apenas um clique compreendemos coisas que julgávamos saber. Deixamos de saber o que já sabíamos.
Perceber o sentido da vida, nossa e a dos outros, vermos o que cada gesto nosso desenha na tela fina ou grosseiramente é muito difícil, demasiado difícil, já que temos de encontrar esse ponto de distanciamento que nos permita ver o que está desenhado.
Queremos normalmente que seja um anjo a ser desenhado, mas pode não ser se nos afastarmos nem excessivamente longe nem excessivamente perto.
Mas quando olhamos para o desenho que os outros fizeram é tudo mais fácil, porque insistimos em ver sempre o desenho acabado e de imediato  reconhecemos nesses traços um demónio ou um anjo.
No que a nós diz respeito, estamos sempre a tempo de mudar a figura toda, porque cada gesto do presente actua sobre o desenho do passado. Assim, um bandido pode transformar-se numa figura belíssima caso queira e se arrependa do desenho anterior.
Não raro, sinto-me uma galeria de paredes brancas e frias em que as pessoas vão para ver uma exposição.
Outras vezes, vejo as pessoas como candeeiros de Lalique, espelhos venezianos ou sofás com cornucópias em madeira, em pleno deserto de areias quentes porque ao sol e tudo isto apenas num clique.

terça-feira, 28 de maio de 2013

segunda-feira, 27 de maio de 2013

OS TEMPOS MUDARAM ou nem por isso

Em 1913 Basílio Teles dizia que a sociedade portuguesa era o palco do embate entre as duas forças sociais que identificara como sendo a burguesia e o povo.
Em termos esquemáticos, pode-se acrescentar que a religião era a força espiritual do povo, em contrapartida, a ciência e em especial as suas aplicações técnicas e práticas constituíram a força espiritual da burguesia, por via das quais alcançara progressivamente o poder, onde se mantinha como estado dominante.
Em 1923, a lição de Basílio Teles não ficou esquecido no meio intelectual portuense, onde sempre fora estimado e onde por sinal, a burguesia de há muito mostrara ter consciência de quanto podia e de quanto ciosa era dos seus direitos. Nisso se distinguira da lisboeta, onde, medrando à sombra da corte, ficara a dever ao Marquês de Pombal o salto decisivo que a amarrara à subalternidade relativa em que vivera até então.
Vem esta introdução a propósito do encontro havido esta semana no Porto, por iniciativa do Presidente da Câmara. "Rui Rio mobiliza notáveis contra a falta de respeito do Governo pelo Porto" pode ler-se no J. Público.
Em 1933 na "Organização da Democracia. Manifesto político do grupo "Renovação Democrática", refere-se que a mentalidade burguesa é obrigada a adoptar o liberalismo, claro que estou a resumir muito. Mas, em nome desse liberalismo a burguesia derrubou obstáculos "que lhe impediam o acesso ao comando político e ao direito de regulamentar a actividade económica", declarando nessa altura que o povo que "lhe conquistara a liberdade".
É interessante hoje os tais notáveis do Porto = burguesia, igualmente liberais se colocarem contra o "povo", representado aqui pelo despótico governo, também ele igualmente liberal e mais interessante ainda é verificar que quer nos idos anos 30 como agora, o que se pretende é conquistar o poder económico como norma de vida.
Até há dois anos atrás sensivelmente, a sociedade portuguesa viveu um processo conducente ao domínio da burguesia.
Foi até essa altura, à entrada da troica  edos troicanos que a sátira portuguesa, desde Camilo a Junqueira, de Gomes Leal a Bordalo Pinheiro, deixou de estar actual, já que hoje a burguesia é o próprio povo explorado.
Burguesia e povo lutam pelos mesmos objectivos e bem podem lado a lado lutarem contra os banqueiros e quem os apoia.