sábado, 20 de julho de 2013

GOSTAVA DE SER FELIZ

Gostava de saber que "roupa" preciso de vestir para ser feliz.
Fico assim, numa espécie de palpitação de cólera, com este sentimento denso, muito pouco claro e sem reflexão.
Não estou comprometida com nenhuma ambição e esta atmosfera louca do país a que pertenço, obriga-me a estar a assistir, colada à cadeira a uma má representação teatral.
Este caos em que vivemos, enquanto sociedade, repercute-se na nossa forma de sentir.
Pertenço a este espírito do tempo, gerador de angústias e que nos incapacita a consumar grandes aspirações.
A paixão pela liberdade tornou-se servidão.
Estamos mais vulneráveis do que nunca.
Somos tratados com desdém, envenenados com todas as pequenas e grandes injustiças. Rodeados de velhacos por todos os lados.
Há dias em que saímos para a rua e tomamos o mundo como confidente, como que a gritar "Queremos ser felizes".
Ainda pasmo como um povo inteiro resiste a tanta submissão e se verga a tanta injustiça, em especial porque conhece outros possíveis.
Não compreendo esta democracia. Não compreendo esta transitoriedade, estas desigualdades sociais.
Não compreendo estes negócios e não tenho qualquer apetência para os entender.
O dinheiro para um americano será uma expressão da sua autoridade moral, mas para mim que sou portuguesa, ter que encarar desta maneira torna-me infeliz.
Isto não é liberdade.

terça-feira, 9 de julho de 2013

domingo, 30 de junho de 2013

domingo, 23 de junho de 2013

O MINISTRO DAS FINANÇAS

Hoje sonhei com o Ministro das Finanças. Estava em reunião com outro Ministro, ambos em trajes bastante íntimos diria eu, informais. As casaquinhas eram de seda, a dele em vermelho cardinal, a do outro, sinceramente esqueci logo que fui acordada repentinamente com um enorme foguete.
Quando me viram, levantaram-se e saíram. O Vitinho fez aquela cara de cão obediente, tipo Basset Hound  e com as olheiras até ao chão, o outro olhava para trás enquanto  os focava com  o olhar. Caminhavam à minha frente em peúgas, quando  nas meias do Vitinho reparei,  tinha uma meia de cada Nação, uma  com duas riscas fininhas, verde e vermelha a de cima, parecia-se quase com uma ligadura, a outra, bem mais comprida, também igualmente com duas riscas, a vermelha e a preta em fundo amarelo.
E lá foram muitos juntinhos à minha frente, sem sapatos, os dois do mesmo tamanho, pé ante pé, quase em silêncio. O meu olhar seguia-os como se duma objectiva se tratasse.
Acordei e antes de me sentar aqui para vos contar o meu sonho, lembrei-me o nome do companheiro que com ele estava sentado à mesa, era o Ministro Poiares Maduro.
Esquecia-me de um pormenor importante suponho, o ministro PM tinha os lábios pintados de laranja, mas que bem lhe ficava, estava bonito.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

COM UM CLIQUE

Em apenas um clique compreendemos coisas que julgávamos saber. Deixamos de saber o que já sabíamos.
Perceber o sentido da vida, nossa e a dos outros, vermos o que cada gesto nosso desenha na tela fina ou grosseiramente é muito difícil, demasiado difícil, já que temos de encontrar esse ponto de distanciamento que nos permita ver o que está desenhado.
Queremos normalmente que seja um anjo a ser desenhado, mas pode não ser se nos afastarmos nem excessivamente longe nem excessivamente perto.
Mas quando olhamos para o desenho que os outros fizeram é tudo mais fácil, porque insistimos em ver sempre o desenho acabado e de imediato  reconhecemos nesses traços um demónio ou um anjo.
No que a nós diz respeito, estamos sempre a tempo de mudar a figura toda, porque cada gesto do presente actua sobre o desenho do passado. Assim, um bandido pode transformar-se numa figura belíssima caso queira e se arrependa do desenho anterior.
Não raro, sinto-me uma galeria de paredes brancas e frias em que as pessoas vão para ver uma exposição.
Outras vezes, vejo as pessoas como candeeiros de Lalique, espelhos venezianos ou sofás com cornucópias em madeira, em pleno deserto de areias quentes porque ao sol e tudo isto apenas num clique.