Não é um sentimento flutuante, iridescente, é duro e cada vez mais fixa esta sensação.
Vivo cansada. Cansada desta grande pausa branca.
Estamos todos ou quase todos, sem espaço.
Vermos o 25 de Abril dissolver-se e não é fácil, em especial para todos aqueles que o ajudaram a construir, que o viveram.
Esta sensação é de enorme impotência.
É preciso recomeçar tudo, mas há zumbidos no pensamento não obstante, não podemos desfalecer de desejos, esquecer tudo.
Há demasiada gente a dizer: não quero pensar nisso.
Precisamos de consciências iluminadas e não ligeiramente iluminadas.
As políticas a que estamos sujeitos, devoram-nos e tornam-nos impacientes.
Continuamos a aguardar os acontecimentos enquanto submergimos.
Submergimos até nas lembranças. As lembranças esfarrapam-se.
Vivemos dias grossos e sem luz.
Como gostava de ter laços na cabeça.
domingo, 15 de setembro de 2013
domingo, 18 de agosto de 2013
PASSANDO A FERRO
Duas horas de ferro quase chegam para passar a vida em revista.
As pessoas que por nós passaram, de quem gostamos, quem mais gostou de nós.
As compaixões, os diversos choros...
As grinaldas de emoções passearam-se à frente dos meus olhos.
Passo a camisa ao som do Paul Mauriat ao mesmo tempo que me perpassa no espaço a grande ronda de todas as constelações.
Despeço-me desses dias dobrando o lençol para melhor o engomar e bruno-o sem semear remorsos.
Não sei se finalmente estou a passar o lençol a ferro, se a vida a dobrar-me a mim. É um mistério.
As imagens vivas correm no meu espírito e brunem-no, que isto de memórias é como o sol a passear-se nas montanhas pela manhã ou ao fim do dia, vai incidindo ora numa ora noutra, permitindo que o nosso olhar páre ali ou aqui, consoante a preferência da estrela.
Desconheço se sou eu que dou a letra da senha e a memória me responde com outra letra e assim sucessivamente. De qualquer maneira encaixam-se essas letras e são horas extraordinárias da nossa vida.
Todos nós temos memórias selectivas e afectivas e conjugadas neste caso com a música instrumental de P.M com uma sessão de ferro em dia de calor, têm tendência a sair, ao acaso, da caixinha onde estavam guardadas, misturadas com confidências e outros apontamentos.
A música acabou e o ferro também e eu volto ao presente com vontade de o trabalhar para que um dia seja uma (in)confidência.
As pessoas que por nós passaram, de quem gostamos, quem mais gostou de nós.
As compaixões, os diversos choros...
As grinaldas de emoções passearam-se à frente dos meus olhos.
Passo a camisa ao som do Paul Mauriat ao mesmo tempo que me perpassa no espaço a grande ronda de todas as constelações.
Despeço-me desses dias dobrando o lençol para melhor o engomar e bruno-o sem semear remorsos.
Não sei se finalmente estou a passar o lençol a ferro, se a vida a dobrar-me a mim. É um mistério.
As imagens vivas correm no meu espírito e brunem-no, que isto de memórias é como o sol a passear-se nas montanhas pela manhã ou ao fim do dia, vai incidindo ora numa ora noutra, permitindo que o nosso olhar páre ali ou aqui, consoante a preferência da estrela.
Desconheço se sou eu que dou a letra da senha e a memória me responde com outra letra e assim sucessivamente. De qualquer maneira encaixam-se essas letras e são horas extraordinárias da nossa vida.
Todos nós temos memórias selectivas e afectivas e conjugadas neste caso com a música instrumental de P.M com uma sessão de ferro em dia de calor, têm tendência a sair, ao acaso, da caixinha onde estavam guardadas, misturadas com confidências e outros apontamentos.
A música acabou e o ferro também e eu volto ao presente com vontade de o trabalhar para que um dia seja uma (in)confidência.
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
O MUNDO NÃO É SÓ FEITO DE MIJONAS E MORCÕES, MAS QUE HÁ MUITOS EXEMPLARES DESTES, LÁ ISSO HÁ!
Cada vez mais gosto menos de gente que se põe em bicos de pés, que se julga superior por isto ou por aquilo, de gente que se julga simples.
Como é possível alguém julgar-se simples?
Não tenho paciência para os imbecis nem para os que espalmam uma prosa oca.
Não admiro gente que vive abstractamente nem tão pouco quem se publicita constantemente.
Não gosto de dardejar desprezo, por isso cada vez mais me remeto aos silêncios, alguns repassados de mágoa.
Como é possível alguém julgar-se simples?
Não tenho paciência para os imbecis nem para os que espalmam uma prosa oca.
Não admiro gente que vive abstractamente nem tão pouco quem se publicita constantemente.
Não gosto de dardejar desprezo, por isso cada vez mais me remeto aos silêncios, alguns repassados de mágoa.
terça-feira, 13 de agosto de 2013
sábado, 10 de agosto de 2013
CHAMA-SE ESPERANÇA
A esperança segura-nos, guia-nos, sorri-nos.
Quando a esperança se cansa de si mesma, da sua benevolência, do prazer e do aconchego, adoece.
A esperança observa-se sozinha com uma sensação de fraqueza e pusilanimidade.
A minha esperança está a dar o último suspiro. Tenho dificuldade em acreditar que novas políticas com gente honesta e patriota, regressem ao meu país.
A ESPERANÇA NÃO DEVIA MORRER
Quando a esperança se cansa de si mesma, da sua benevolência, do prazer e do aconchego, adoece.
A esperança observa-se sozinha com uma sensação de fraqueza e pusilanimidade.
A minha esperança está a dar o último suspiro. Tenho dificuldade em acreditar que novas políticas com gente honesta e patriota, regressem ao meu país.
A ESPERANÇA NÃO DEVIA MORRER
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
PERTURBAÇÃO
PERTURBAÇÃO - é quando chegamos à idade de saber que a bondade convive com a maldade no mesmo Ser.
PERTURBAÇÃO- é quando tomamos conhecimento que precisamos de uma vida secreta para poder existir, saber que se adquire na infância e que tendemos a esquecer.
PERTURBAÇÃO-é quando ligeiras fagulhas de perspicácia e surpresa se desfazem no ar.
PERTURBAÇÃO- é quando aos poucos sem palavras parece que subcompreendemos as coisas.
PERTURBAÇÃO- é fingirmo-nos concentrados quando nos ausentamos por instantes.
PERTURBAÇÃO- é deixar escorrer o medo.
PERTURBAÇÃO- é gritar sem eco.
PERTURBAÇÃO- é juntar uma procissão de coisas miúdas.
PERTURBAÇÃO- é ultrapassar a compreensão.
PERTURBAÇÃO- é aproximarmo-nos do pensamento sem o alcançarmos, embora nos pareça que estamos, mesmo, no seu começo.
PERTURBAÇÃO- é ver pessoas sérias e falsas.
PERTURBAÇÃO- é já não se ter a sensação de queda quando se dorme.
PERTURBAÇÃO- é abrir o jornal e ler "FMI aconselha Hollande a reduzir peso da austeridade para criar mais emprego".
PERTURBAÇÃO- é saber que não podemos sobreviver sem continuarmos os diálogos com as pessoas ausentes que amamos.
PERTURBAÇÃO- é ouvir os grilos como se estivessem ao altifalante num concerto com o cão da vizinha como vocalista, à meia-noite.
PERTURBAÇÃO- é não nos conseguirmos abstrair de tudo isto para vivermos e até dormirmos um pouco sem qualquer perturbação.
PERTURBAÇÃO- é quando tomamos conhecimento que precisamos de uma vida secreta para poder existir, saber que se adquire na infância e que tendemos a esquecer.
PERTURBAÇÃO-é quando ligeiras fagulhas de perspicácia e surpresa se desfazem no ar.
PERTURBAÇÃO- é quando aos poucos sem palavras parece que subcompreendemos as coisas.
PERTURBAÇÃO- é fingirmo-nos concentrados quando nos ausentamos por instantes.
PERTURBAÇÃO- é deixar escorrer o medo.
PERTURBAÇÃO- é gritar sem eco.
PERTURBAÇÃO- é juntar uma procissão de coisas miúdas.
PERTURBAÇÃO- é ultrapassar a compreensão.
PERTURBAÇÃO- é aproximarmo-nos do pensamento sem o alcançarmos, embora nos pareça que estamos, mesmo, no seu começo.
PERTURBAÇÃO- é ver pessoas sérias e falsas.
PERTURBAÇÃO- é já não se ter a sensação de queda quando se dorme.
PERTURBAÇÃO- é abrir o jornal e ler "FMI aconselha Hollande a reduzir peso da austeridade para criar mais emprego".
PERTURBAÇÃO- é saber que não podemos sobreviver sem continuarmos os diálogos com as pessoas ausentes que amamos.
PERTURBAÇÃO- é ouvir os grilos como se estivessem ao altifalante num concerto com o cão da vizinha como vocalista, à meia-noite.
PERTURBAÇÃO- é não nos conseguirmos abstrair de tudo isto para vivermos e até dormirmos um pouco sem qualquer perturbação.
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