segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Só tinha de ser com você - Elis Regina (+lista de reprodução)


A UMA ILUSTRE DESCONHECIDA (GL DE SEU NOME)

encolhida me desembrulho:

Ilustre porque ilustre.
Desembrulhei a sigla e para mim é conhecida por Gabriela. Gabriela porque sim.
Sim, GL vejo-a a sorrir neste momento, mas a verdade é que desde pequena gosto de dar nome às coisas e para mim é Gabriela desde que a vi, confesso.
A minha Gabriela, amiga invisível, é uma espécie de evocação duma Lisboa romântica/moderna que me chega numa forma de arpa, se de instrumento musical se tratasse.
Convoca-me a lugares de anamnese e faz-me perder nos séculos, servindo-me um hausto do dia
O seu coração abre-se às cinzas dos dias, o que se torna pouco vulgar nos dias de perdição que correm.
Não sei se é lisboeta de tez e olhos árabes ou não, mas sei que me oferece um sorriso da alma quase diariamente.
Com tanta degeneração da sociedade, com tanta falta de tempo para os outros que toda a gente faz gala em proclamar, a minha Gabriela aparece assim como este pássaro que ouço cantar aqui no carvalho mais próximo.
Não sei quem é, desconfio que é um pisco, mas gosto dele agora porque me alegra os amanheceres.
Não sei traçar-lhe o perfil, nem nisso estarei interessada, mas apetece-me realçar-lhe uma característica que emana desde logo, a que chamarei olfactar.
A minha Gabriela tem um à-vontade a passear-se nas margens do rio que só os cágados têm a gozarem os benefícios do sol.
A minha Gabriela é moderna numa terra em que as pessoas estão envelhecidas precocemente por desamores e interesseirices várias, dá-se ao luxo de admirar os contemporâneos.

BOM DIA, PISCO-DE-PEITO-RUIVO

ÉS TU QUE ESTÁS ALI A CANTAR PARA MIM, NÃO ÉS?

domingo, 29 de dezembro de 2013

DESEJOS ENCANTADOS

como subtítulo: SÓ OS QUE ESTÃO AO MEU ALCANCE


O ano de 2014 vai-se estrear, mas ainda há pouco se estreou o de 2013.
Não quero retrogradar, o ano de 2013 que acaba daqui a dois dias, foi um ano despiedoso.

. Quero saborear os momentos
. Quero consumir os dias sem me consumir muito neles
. Quero cavalgar nos sonhos
. Quero continuar com ilusões
. Quero ver luz, aquela luz líquida, escorrendo como mel do alto dos pinheiros
. Quero bom humor nos meus dias
. Quero que na área da minha jurisdição tudo seja a contento
. Quero não usar palavras descuidadas
. Quero que a ficção não se torne realidade
. Quero preparar-me para me preparar para estar preparada
. Quero não ter que me revoltar
. Quero saber pensar, esperar e jejuar, como li no Siddhartha, de Hermann Hess, um dia
. Quero não sofrer tanto em direcção aos objectivos
. Quero continuar a surpreender-me e as gostar de muitas coisas ao mesmo tempo: animais, árvores, flores, céu, terra, livros, exposições arte e poesia, passeios e cheiros, do velho e do novo, das pessoas e do que elas são e pensam e de todo este encantamento com as pessoas, mas também com as pedras que nem criaturas são.
. Quero querer que é todo o segredo da vida
. Quero continuar a pendurar coisas no Cabide, coisas supérfluas
. Quero cada vez mais encontrar-me com gente oriunda do país dos sonhos
. Quero acentos apaixonados de Tristão, porque no mundo dos desejos posso ter tudo e tudo pedir.

BOM DIA, CALHANDRA


cantas como uma cotovia e pareces um pardal (aquilo que parece não é, calhandrinha)

sábado, 28 de dezembro de 2013

EM JEITO DE BALANÇO

Quereria eu ser optimista, mas só o seria se criasse uma realidade superficial para a poder contactar.
Que posso dizer sobre os últimos quase 365 dias da minha vida?
Que a realidade se me tem imposto de tal maneira que se tornou uma espécie de perda da faculdade da razão. Passo a explicar melhor: quero e continuo a pedir impossíveis numa alucinação normal, mas com esta independência aparente do coração não tem sido fácil.
A Fortuna neste ano de 2013 não passou por aqui, pelo meu país, por mim.
Digamos que não foi um ano bom, mas o anterior também não o tinha sido.
Um ano cheio de pequenas contrariedades que não me distraem mesmo assim dos desgostos.
Se fosse optimista diria:
Que foi um ano bom porque continuo viva, porque não morreu ninguém da minha família, "apenas" e uma vez mais amigos e não temos guerra, embora eu saiba que estamos em guerra.
Que fui presenteada com um neto, que... que.. e fundamentalmente, um ano que me fez perceber como fui tão feliz ao longo de tantos anos, muitas das vezes sem disso ter consciência, que pertenço a uma geração  em que a classe média, era mesmo média e não  teve que emigrar.
A sociedade continua muito doente e não vejo a cura a aproximar-se e nós somos seres sociais por isso interagimos com esta doença, tornando-nos noutros.
Percebo que ainda não estou na fase de tentar esquecer, continuo com as recordações bem vivas que me enchem os dias.
E se eu apagasse isto tudo e fizesse um balanço em modo burlesco, alógico, provocador como vejo certas pessoas a fazerem, digamos, duma forma surrealista, mas se calhar não me apetece e é neste 'não me apetece' que se resume o ano de 2013.
Irónico? Talvez.
Em todos os balanços há o fomos/o éramos e o somos.
Digamos que o éramos me agradava mais do que o somos.
Fica esta capacidade que se torna talvez uma segunda natureza, de integrar sem muitos problemas de consciência o que em geral provoca noutros seres e noutros povos tragédias implacáveis e entre nós não atinge grandes culminâncias.
Parecemos ausentes de nós próprios e eu como portuguesa gozo desta característica que nunca a considerei tão dialéctica como neste momento em que coloco o 2013 ao espelho.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

BOM DIA, PINTARROCHO

SEU MACHO LINDO (QUE AS FÊMEAS ATÉ PARECEM PARDAIS, TIRANDO O BICO NEGRO)