sexta-feira, 6 de junho de 2014

ENVELHECIMENTO

Fala-se do envelhecimento suave, lento.
Considero o envelhecimento rebarbativo e violento.
Que ninguém ao envelhecer se julgue desacompanhado, a velhice acompanha e muito.
Tudo que é humano tem carácter transitório, portanto a velhice também tem, nada de desânimos.
Há uma espécie de metamorfose em nós e quando nos iluminamos, em especial por dentro, como fazia o Rembrandt nas suas pinturas, mais difícil se torna termos a noção exacta de quando se dá o clique.
Às vezes o real desafia o fantástico e eis que olhamos para o espelho e vemos coisas que no dia anterior não tínhamos visto.
O que vale é que a memória não mede o tempo com rigor matemático por isso passam-se sempre mais anos do que aqueles que imaginamos.
As cicatrizes que nos cobrem, muito feitas de incompreensões várias cobrem-nos a alma, mesmo que por vezes poupem o corpo.
Não vale a pena esconder-nos ou esconder a nossa velhice, o nosso triunfo somos nós próprios e se calhar a nossa velhice também é o genius loci, como se falasse por nós.

Luigi Rubino meets art of Vilhelm Hammershøi...


Beth Gibbons & Rustin Man - Funny Time of Year @ Paleo 2003


BOM DIA TRIGUEIRÃO

Identificação

Totalmente castanho, o trigueirão distingue-se pelo bico grosso, pelas riscas no peito, pelas patas rosadas
e, acima de tudo pelo seu canto. Esta espécie pousa frequentemente em postes e fios telefónicos,
deixando-se por isso observar relativamente bem.



Abundância e calendário

O trigueirão é uma espécie comum em todo o território nacional,
excepto no litoral norte e centro, onde é relativamente escasso. O
Alentejo é, provavelmente, a região onde o trigueirão é mais
comum, sendo mesmo abundante, em certas zonas. A norte do
Tejo é um pouco menos numeroso, mas ainda assim pode ser
considerado comum na maior parte da Beira Baixa, nos
planaltos da Beira Alta e em grande parte de Trás-os-Montes.
É especialmente numeroso em pastagens, searas, montados
abertos e paisagens em mosaico.
Em contrapartida, está geralmente ausente de zonas
densamente arborizadas ou muito urbanizadas.
Sendo uma ave essencialmente residente, o trigueirão está
presente em Portugal durante todo o ano. No entanto, é na
Primavera que a sua abundância se torna mais visível, quando
os machos repetem o seu canto vezes sem conta.
Nos meses mais frios, os trigueirões são mais discretos e
juntam-se em bandos, que patrulham os campos em busca de
alimento.