sexta-feira, 11 de julho de 2014

tempo de praia





QUANTAS ASNEIRAS SE FAZEM DURANTE A VIDA?

Não me vou pormenorizar nelas.
Muitas fiz e quantas irei fazer ainda?
Não se trata de arqueologia, nem de qualquer balanço fora de tempo, nem tão pouco de qualquer autocrítica, tenho no entanto a convicção que até morrer nunca mais terei tempo para digerir esses restos de mim.
Vale mais avaliar as pessoas pela linha das cumeadas que pela cota mediana, mas confesso ter as minhas subtilezas e os meus vieses.
Sempre fui desenquadrada e gosto de gente que se desenquadre.
Não possuo consciência angustiada sobre o passado.
Faço propositadamente happening para tentar mostrar como somos (todos) incoerentes e impotentes.
Tenho dúvidas que algum dia algum dos meus descendentes me leia, mas se isso acontecer ficará a saber que de quando em vez possuo actos de grande ironia.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

BOA NOITE




FECHAMENTO INVISÍVEL

Há pessoas que falam sobre tudo e sobre nada, que vão de questão em questão tecendo frases e argumentos como uma teia de aranha do jardim e até vão depositando imagens, as que escolhem para nos aprisionarem no seu fechamento. Não se denunciam nunca.
Armazenam emoções e pensamentos e quase instantaneamente "despejam" quase só imagens quando querem parecer que se vão abrir. Fazem lembrar, de certa forma, as Matryoshka, vão saindo umas de dentro das outras.
Comem interioridade e intimidade.
As palavras que são muitas vezes um estorvo nestes casos servem como armas para as defenderem.
Há outros que utilizam o humor como estratégia de fechamento.
Há pessoas que nunca se despem mesmo completamente nuas e se mantêm numa espécie de constante ignição interior.
Há outras que sendo igualmente insondáveis ou quase, encerram uma beleza nesse oceano de fechamento.
Há muitos tipos de fechamento, alguns são uma espécie de viver isolados dentro de si próprios, deixando que os lobos uivem famintos cá fora.
Não é fácil a prática do alpinismo interior.
Não é fácil a centrifugação de sentimentos contraditórios que nos enxaguam a alma.