sexta-feira, 18 de julho de 2014
quinta-feira, 17 de julho de 2014
quarta-feira, 16 de julho de 2014
CARTÃO DE CIDADÃ
Nasci à beira dum rio.
Vivo à beira dum rio. Um rio que está na minha casa.
Às vezes pareço um caleidoscópio, basta-me inclinar e estou em 4 sítios ao mesmo tempo.
Vivo a Ocidente da Europa, como vós. Estamos todos aqui a viver.
A falar movemos os lábios de maneiras diferentes, há uns dentes que agarram mais as vogais num movimento quase imperceptível e só depois recolhem as consoantes outros, é ao contrário .
Eu sei como falo umas vezes outras, não.
Ando a parar para visitar a minha vida e às vezes escondo as palavras e já percebi que é nessas alturas que me chamam boa pessoa.
Comparativamente sou-o. Sou uma boa pessoa, como se diz.
Quando me dispo lentamente e fico com as faces vermelhas impublicáveis, vou descobrindo que não sou assim tão boa pessoa, para o ser ainda tenho que me despir mais do que acumulei ao longo dos anos, ao longo dos lugares.
Houve um lugar onde estive onde ensinavam coisas muito feias, más coisas, ensinavam como ser má pessoa para se vencer na vida.
Por opção, fui sempre má aluna nesse lugar que se chamava Ministério da Justiça, mas poder-se-ia chamar outra coisa também.
Há 63 anos, vai fazer neste próximo 28, que me vejo ao espelho e ainda não me habituei à minha cara. Continua a ser um mistério.
Às vezes as palavras cansam-me, sinto-me a correr atrás delas e não as apanho. É-me mais fácil encontra-las sentadas ou mesmo deitadas numa folha.
Gosto de palavras como água, limpas.
O mundo aproxima-se do meu rosto, na maioria das vezes aparece-me o silêncio primeiro e só depois sinto o medo.
Vivo à beira dum rio. Um rio que está na minha casa.
Às vezes pareço um caleidoscópio, basta-me inclinar e estou em 4 sítios ao mesmo tempo.
Vivo a Ocidente da Europa, como vós. Estamos todos aqui a viver.
A falar movemos os lábios de maneiras diferentes, há uns dentes que agarram mais as vogais num movimento quase imperceptível e só depois recolhem as consoantes outros, é ao contrário .
Eu sei como falo umas vezes outras, não.
Ando a parar para visitar a minha vida e às vezes escondo as palavras e já percebi que é nessas alturas que me chamam boa pessoa.
Comparativamente sou-o. Sou uma boa pessoa, como se diz.
Quando me dispo lentamente e fico com as faces vermelhas impublicáveis, vou descobrindo que não sou assim tão boa pessoa, para o ser ainda tenho que me despir mais do que acumulei ao longo dos anos, ao longo dos lugares.
Houve um lugar onde estive onde ensinavam coisas muito feias, más coisas, ensinavam como ser má pessoa para se vencer na vida.
Por opção, fui sempre má aluna nesse lugar que se chamava Ministério da Justiça, mas poder-se-ia chamar outra coisa também.
Há 63 anos, vai fazer neste próximo 28, que me vejo ao espelho e ainda não me habituei à minha cara. Continua a ser um mistério.
Às vezes as palavras cansam-me, sinto-me a correr atrás delas e não as apanho. É-me mais fácil encontra-las sentadas ou mesmo deitadas numa folha.
Gosto de palavras como água, limpas.
O mundo aproxima-se do meu rosto, na maioria das vezes aparece-me o silêncio primeiro e só depois sinto o medo.
PARTILHA
chamar-se-á assim a nova rubrica e consistirá em colocar aqui algumas coisas que gosto ou vi na NET e me interessaram, pode ser que interessem a alguém e poupam em tempo de busca
http://www.brasilcult.pro.br/recordacao/paineis/painel27.htm
http://www.brasilcult.pro.br/recordacao/paineis/painel27.htm
domingo, 13 de julho de 2014
REFLEXÃO
Há pouco tempo para reflectir e nesta frase mais do que sempre ligo o tempo ao espaço. Demasiados acontecimentos a atravessar-nos as preocupações, os sentires.
Recordo com a ajuda duma ficha que se atravessou no meu "caminho", um parágrafo que li no "É Proibido Apontar" de José Rodrigues Miguéis, pelo ano de 1974/75:
"... e nisto menina aponta para fora, para a estátua da Liberdade, para o sol distante, as pombas da praça, talvez para uma janela onde qualquer coisa lhe atraiu a atenção e a mão lívida, burocrática, pergaminácea do cidadão - papá estende-se num jeito de polvo a abaixar severamente o dedinho indiscreto. É proibido apontar!"
Para se reflectir é preciso tempo e espaço e disciplina, digo eu.
É preciso mastigar o que vemos e ouvimos, o que nos acontece e acontece aos outros. Parece que tudo é para ontem, não há tempo.
Ninguém tem tempo para ouvir o outro até ao fim.
Andamos há 400/500 anos a comer depressa, sem deglutir, antes que tudo acabe.
À medida que envelhecemos, as nossas reflexões transformam-se, hoje não reflicto da mesma maneira e as mesmas coisas que reflectia há anos.
A literatura tem-me ensinado a reflectir, se calhar mais que a filosofia ou até mesmo a psicologia.
Nenhum de nós tem absoluta liberdade nem para pensar, isso não existe.
Acumulamos ao longo da vida experiência e materiais e ao meditar, depuramo-los interiormente, retiramos a maior parte do osso das questões.
Reflectir é absolutamente necessário para nos tentarmos libertar de tudo o que nos infecta.
A nossa impotência advém também de muita ausência de reflexão, a maioria de nós enquanto povo, é empírico, videirinho, prático, escravo das pequenez ou porque lhe falta o dinheiro ou porque o tem demais.
Reflectir faz-nos perceber que se adoramos a perfeição nunca alcançamos nada.
Convicta estou que reflectir ajuda a acontecência a não passar de imediato a acontecimento, em especial com a nossa anuência.
Reflectir põe-nos em guarda e mostra-nos sempre que estamos em construção. Por muito que cavalguemos, não somos definitivos para sempre.
Recordo com a ajuda duma ficha que se atravessou no meu "caminho", um parágrafo que li no "É Proibido Apontar" de José Rodrigues Miguéis, pelo ano de 1974/75:
"... e nisto menina aponta para fora, para a estátua da Liberdade, para o sol distante, as pombas da praça, talvez para uma janela onde qualquer coisa lhe atraiu a atenção e a mão lívida, burocrática, pergaminácea do cidadão - papá estende-se num jeito de polvo a abaixar severamente o dedinho indiscreto. É proibido apontar!"
Para se reflectir é preciso tempo e espaço e disciplina, digo eu.
É preciso mastigar o que vemos e ouvimos, o que nos acontece e acontece aos outros. Parece que tudo é para ontem, não há tempo.
Ninguém tem tempo para ouvir o outro até ao fim.
Andamos há 400/500 anos a comer depressa, sem deglutir, antes que tudo acabe.
À medida que envelhecemos, as nossas reflexões transformam-se, hoje não reflicto da mesma maneira e as mesmas coisas que reflectia há anos.
A literatura tem-me ensinado a reflectir, se calhar mais que a filosofia ou até mesmo a psicologia.
Nenhum de nós tem absoluta liberdade nem para pensar, isso não existe.
Acumulamos ao longo da vida experiência e materiais e ao meditar, depuramo-los interiormente, retiramos a maior parte do osso das questões.
Reflectir é absolutamente necessário para nos tentarmos libertar de tudo o que nos infecta.
A nossa impotência advém também de muita ausência de reflexão, a maioria de nós enquanto povo, é empírico, videirinho, prático, escravo das pequenez ou porque lhe falta o dinheiro ou porque o tem demais.
Reflectir faz-nos perceber que se adoramos a perfeição nunca alcançamos nada.
Convicta estou que reflectir ajuda a acontecência a não passar de imediato a acontecimento, em especial com a nossa anuência.
Reflectir põe-nos em guarda e mostra-nos sempre que estamos em construção. Por muito que cavalguemos, não somos definitivos para sempre.
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