segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

AS DIRECÇÕES DOS HOSPITAIS E O MINISTÉRIO DA SAÚDE

Uma mulher debilitada, com cancro, teve alta do Hospital Joaquim Urbano, no Porto, mesmo sem ter uma casa para onde ir. Passou uma tarde nas escadas de uma igreja, onde não viu o céu, até a Segurança Social lhe arranjar um quarto. O inferno em que vive está agora escondido numa pensão.

7/5/2014 - Jornal Público

Dulce Pontes, Júlio Pereira - Os Índios da Meia-Praia


Fatoumata Diawara - Clandestin (Official) - não sei o que diz mas gosto muito


Chico César - Mama África


PERGUNTA

Dizem que o povo não é tolo e então por que é que vai votar nos imbecis?

ANTES DE NÓS - RICARDO REIS

Antes de nós nos mesmos arvoredos
Passou o vento, quando havia vento,
E as folhas não falavam
De outro modo do que hoje.
 
Passamos e agitamo-nos debalde.
Não fazemos mais ruído no que existe
Do que as folhas das árvores
Ou os passos do vento.
 
Tentemos pois com abandono assíduo
Entregar nosso esforço à Natureza
E não querer mais vida
Que a das árvores verdes.
 
Inutilmente parecemos grandes.
Salvo nós nada pelo mundo fora
Nos saúda a grandeza
Nem sem querer nos serve.
 
Se aqui, à beira-mar, o meu indício
Na areia o mar com ondas três o apaga,
Que fará na alta praia
 

Acer griseum


E com o Ácer papeleiro dou início a uma árvore por dia



O tronco acobreado deste ácer parece desfazer-se em rolos de papel: dá vontade de recolher as películas e espalmá-las num caderninho, para usar em cartões de boas festas e noutras ocasiões de cerimónia. Só não sei se o frágil material resistiria sem se romper ao contacto rude de uma esferográfica. Preferível regressar às canetas de tinta permanente - ou, melhor ainda, às aladas penas que, depois de mergulhadas em tinteiros, roçavam levíssimas pelas superfícies onde largavam letras e símbolos. Quem tivesse uma só árvore destas e um bando de gansos de nada mais precisaria para se lançar como comerciante tradicional (ou artesanal) no ramo dos artigos de escritório.

Mas o investimento inicial seria pesado, além de exigir uma paciência incompatível com a vida acelerada dos tempos modernos. De origem chinesa e introduzido na Europa no início do século XX, o Acer griseum é raro de encontrar à venda, pois tem o hábito de dar sementes estéreis e é de difícil propagação. Além disso, cresce devagar - o que, assegurando-lhe embora vida mais longa do que aquela de que gozam árvores mais apressadas, significa que não produzirá, durante muitos anos, material de escrita suficiente para dar vazão às encomendas. Pensando bem, o melhor é desistir do negócio, e ficar com a árvore só por ela ser bonita. Bonita e arrumadinha: com uma copa redonda e compacta, raramente excede os nove metros de altura.

O exemplar no jardim botânico de Oxford pode contemplar-se de graça, uma vez que o roseiral onde lhe coube morar fica do lado de cá da entrada. As folhas, visíveis na foto acima, são trifoliadas, com folíolos lobados semelhantes às folhas dos carvalhos. Clicando na mesma foto, distinguem-se, num tom verde mais claro, as sâmaras características dos áceres, com as duas asas que, nesta espécie, formam um ângulo distintamente agudo.

(retirado do blog Dias com árvores como as que se seguirão)