Um dos insultos que me fizeram ou julgaram fazer foi:
'Tu tens muita dificuldade no abstracto, não chegas lá, agarras-te ao concreto' ou qualquer coisa parecida com isto.
Na altura, achei um insulto. O tempo passou, tenho analisado o dito e quem o proferiu e acho alguma piada ao que aconteceu ao insulto.
Sabem o que aconteceu?
Virou piropo. Não porque quem o proferiu tivesse essa intenção, convencida estou que não teve embora o dissesse a sorrir como convém quando se convém diminuir alguém, mas porque me situo no concreto muitas vezes, segundo J. Piaget, o período das operações abstractas só é possível após os 12 anos de idade, já que até aí mantemo-nos no período das operações concretas, melhor dizendo o abstracto só a partir desta idade ou por volta dela, é quando os meninos podem estudar geometria espacial, até aí torna-se difícil obter estes conceitos.
Posto isto, fiquei a saber que tenho ainda uma infância bem arreigada e depois quando 'estou no abstracto' é uma alegria (rio-me) consigo ser adulta e "inteligente".
Viva o concreto e já agora o abstracto, já que não há hipóteses de ficarmos toda a vida com menos de doze anos, como a pessoa que julgou insultar-me vaticinava porque se calhar quer o melhor para mim, quem sabe, melhor do que conseguiu para si ao sair do concreto tão cedo e manter-se no abstracto.
quarta-feira, 11 de março de 2015
terça-feira, 10 de março de 2015
segunda-feira, 9 de março de 2015
NO MEIO DA NOITE
Não tenho unhas para enterrar na terra.
As sombras mudam-se consoante o candeeiro.
Precisava retirar-me de dentro de mim.
Transpôr fielmente aquilo que sinto como Raul Brandão fazia, é um objectivo.
As ideias não arrancam, colam-se cada vez mais.
Encolho-me sem me desembrulhar.
O tempo não nos civiliza.
Dizem que não se chama insónia quando não se readormece. Se calhar não, se calhar é apenas beijar o patamar dos sentimentos neste átrio da vida.
Estas sombras da noite ajudam-me a perceber o meu pensamento. Por muito que olhe nunca vejo o que quero ver, começa a depender do foco a minha visão.
Nem já os pensamentos transpiram de transparência.
Vejo gente caiada e outra azul e o Inverno lá em baixo.
Preciso compreensão de compreender.
Este Portugal esmaga-me.
A doença de memória da minha mãe coloca-me junto à Boca do Inferno. Os pescadores na Boca do Inferno andam à sardinha durante a noite e dormem durante o dia, eu nem isso.
Tudo me impressiona, estou demasiada aberta às sensibilidades.
Cada vez sei menos falar em português para portugueses. Nunca se chega ao âmago das coisas.
Mais uma vez só entre escolhas e escolhos.
Investi em mim própria como se de uma obra de fomento se tratasse, se calhar investi mal.
A certa altura não temos com quem falar, as pessoas apenas querem respirar para sobreviver, ficam felizes por nada saber, saber incomoda, faz insónias.
Precisava retirar-me de dentro de mim.
Transpôr fielmente aquilo que sinto como Raul Brandão fazia, é um objectivo.
As ideias não arrancam, colam-se cada vez mais.
Encolho-me sem me desembrulhar.
O tempo não nos civiliza.
Dizem que não se chama insónia quando não se readormece. Se calhar não, se calhar é apenas beijar o patamar dos sentimentos neste átrio da vida.
Estas sombras da noite ajudam-me a perceber o meu pensamento. Por muito que olhe nunca vejo o que quero ver, começa a depender do foco a minha visão.
Nem já os pensamentos transpiram de transparência.
Vejo gente caiada e outra azul e o Inverno lá em baixo.
Preciso compreensão de compreender.
Este Portugal esmaga-me.
A doença de memória da minha mãe coloca-me junto à Boca do Inferno. Os pescadores na Boca do Inferno andam à sardinha durante a noite e dormem durante o dia, eu nem isso.
Tudo me impressiona, estou demasiada aberta às sensibilidades.
Cada vez sei menos falar em português para portugueses. Nunca se chega ao âmago das coisas.
Mais uma vez só entre escolhas e escolhos.
Investi em mim própria como se de uma obra de fomento se tratasse, se calhar investi mal.
A certa altura não temos com quem falar, as pessoas apenas querem respirar para sobreviver, ficam felizes por nada saber, saber incomoda, faz insónias.
domingo, 8 de março de 2015
sábado, 7 de março de 2015
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