sexta-feira, 15 de maio de 2015

TREINO

Treino a condescendência.
Treino o escrutínio do estranho.
Treino no assistir à ascensão da ignorância por todo o lado.
Treino com as hecatombes familiares.
Treino para considerar  a moderação não um sentimento mesquinho  nem desprezível mas razoável.
Treino para a aceitação da mavíssima mediocridade da província.
Treino para não comparar tragédias.
Treino para ser velha e...
entretanto continuo  com este suplemento de peripécias na luta por ser uma botânica amadora.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

e

abra-se a porta

AGORA ILUMINADA


COM TODA A BONDADE

Com toda a bondade de que sou capaz comigo própria, penso escorar todos os dias o meu edifício narrativo.
Tento, mas nem pegada deixo.
Não sei se o problema está nas armaduras que uso ou  nos idiotas que encontro pelo caminho que me fazem rasgar essas armaduras 'in'voluntariamente.
Quando reflicto sobre esta questão, penso sempre em Hades e no reino dos mortos que há em nós mas também penso naqueles momentos pouco tratáveis, para não dizer intratáveis, que nos assistem.
Sim, sou consciente dos catafalcos que há em nós, e na bondade que há em mim num país em que nada interessa a ninguém.
Fica mal dizer isto? Não sei. Talvez, mas é assim.

terça-feira, 12 de maio de 2015

OUTRO MUNDO

Diz-se que o aconchego dos intelectuais é a intimidade de um mundo onde raros penetram, mas de facto, os mundos de todas as pessoas são impenetráveis, quer se trate do artista X ou Y ou do simples Zé da esquina.