terça-feira, 9 de junho de 2015
segunda-feira, 8 de junho de 2015
UM PASSARINHO DISTRAÍU-ME A ATENÇÃO
E vou-me despistando
Que a água não acabe, entretanto.
Regresso sempre às parvas verdades
Continua aquela paixão do fim da tarde
Aquela paixão que finge viver.
Os dias sucedem-se
Absolutamente dispensáveis
Quase ninguém repara
Nestes enganos que nos oferecem.
Estou no silêncio
Naquele silêncio onde mora a dignidade.
Um passarinho entra pela janela
Tenho que o devolver à liberdade.
Que a água não acabe, entretanto.
Regresso sempre às parvas verdades
Continua aquela paixão do fim da tarde
Aquela paixão que finge viver.
Os dias sucedem-se
Absolutamente dispensáveis
Quase ninguém repara
Nestes enganos que nos oferecem.
Estou no silêncio
Naquele silêncio onde mora a dignidade.
Um passarinho entra pela janela
Tenho que o devolver à liberdade.
Herberto Helder
[...]
É o chamado rio tejo
pelo amor dentro.
Vejo as pontes escorrendo.
Ouço os sinos da treva.
As cordas esticadas dos peixes que violinam a água.
É nas barcas que se atravessa o mundo.
As barcas batem, gritam.
Minha vida atravessa a cegueira,
chega a qualquer lado.
Barca alta, noite demente, amor ao meio.
Amor absolutamente ao meio.
Eu respiro nas quilhas. É forte
o cheiro do rio tejo.
[...]
É o chamado rio tejo
pelo amor dentro.
Vejo as pontes escorrendo.
Ouço os sinos da treva.
As cordas esticadas dos peixes que violinam a água.
É nas barcas que se atravessa o mundo.
As barcas batem, gritam.
Minha vida atravessa a cegueira,
chega a qualquer lado.
Barca alta, noite demente, amor ao meio.
Amor absolutamente ao meio.
Eu respiro nas quilhas. É forte
o cheiro do rio tejo.
[...]
in Ofício Cantante, Lisboa: Assírio & Alvim, 2009
Subscrever:
Mensagens (Atom)