segunda-feira, 29 de junho de 2015

AO POETA AMADEU BAPTISTA (que me conste não se passeia por aqui) E A TODOS OS OUTROS QUE COMO ELE PENSAM

Nas eras lendárias do Cristianismo - nem talvez o nome de Portucale existisse ainda - houve um bispo que lamentou ter sido "desterrado" para esta selva do cabo-do-mundo, inçada de pagãos. Muitos séculos depois, o cronista Azurara queixava-se de vivermos entalados entra " a muralha das Espanhas" e as profundezas do Atlântico. Chorava-se, quem sabe, de não continuarmos integrados nas "Espanhas". Eu creio que vivemos antes entalados em nós próprios: porque, lá de muralhas, o remédio é derrubá-las!



José Rodrigues Miguéis, Diário Popular, 24 Fevereiro e 31 de Março, 1977

domingo, 28 de junho de 2015

PRESENTE E FUTURO

Estive a reler Luís de Camões esta tarde, à sombra da minha magnólia.
Gosto tanto deste rapaz poeta, mas tanto.
Camões como todos os que o leram sabem, não é do passado, é do presente e do futuro. Camões amoroso, arrebatado, inteligente representa-nos duma forma fabulosa, vai desde  a volúpia até ao fatalismo, está lá tudo. 
Os Lusíadas deveriam ser lidos por todos os portugueses, todos se reveriam nele, é a própria 'alma' portuguesa que aí está representada.
Que pena termos mandantes analfabetos e anti-patriotas. Camões disse em verso o que muitos ensaístas não conseguiram, sobre o que são, como sentem e o que pensam os portugueses, numa palavra, a sua personalidade.

o porto aqui tão perto sérgio godinho


QUEIXAS

Todos nós nos queixamos, todos aqueles que aspiram a viver numa sociedade melhor e mais justa.
Só os políticos se justificam. Quando foi da Grande Guerra de 1914, os políticos afirmavam que seria a última.

SAÚDO-TE DOMINGO


sábado, 27 de junho de 2015

Com um belo crepúsculo


HORA DA VERDADE
Numa comunicação ao país feita ontem por volta das onze da noite, em Atenas, Tsipras anunciou a realização de um referendo no próximo dia 5 de Julho. O eleitorado terá de dizer se aceita, ou não, as condições impostas pela troika. O Syriza irá bater-se pelo NÃO, o que significa estar preparado para romper com a moeda única. Horas antes do statement, o primeiro-ministro grego havia rejeitado as exigências dos credores e um pacote de “auxílio” proposto pelas instituições: dezasseis mil milhões de euros para pagar dívidas e extensão do programa de ajuda até Novembro. Não, disse ele. O povo fará o desempate. Seja qual for o resultado, a situação deixa o Governo grego numa situação complicada. Se o NÃO ganhar, Tsipras terá legitimidade para regressar à dracma, com tudo o que isso implica. Se a vitória for do SIM (e há quem diga que essa possibilidade é quase certa), o Syriza terá de fazer uma de duas coisas: ou abandona o Governo, provocando novas eleições; ou aplica o pacote dos “chantagistas”. A ver vamos.
 
do blog do Eduardo Pitta