Nem o avanço intrépido nem a vitória
À conquista das planícies desabrigadas
do Norte e do Centro lançaram-se os exércitos.
Do lado inimigo faltou a ousadia e a convicção;
e finalmente os invasores atingiram
as colinas extremas,
e puderam sentir nas suas faces
os ventos frios dos mares interiores.
Voltaram com o desânimo no coração.
"Para que serve", diziam os chefes,
"para que serve o sacrifício de tantas vidas
a uma paisagem estéril,
a uma terra deserta e varrida pelos temporais?"
Mas a imagem daquele mar
não se lhes apagou da alma,
e enquanto dormiam
um barco sulcava os seus sonhos.
"Que haverá do outro lado da Terra?"
Era a pergunta que os soldados traziam,
junto aos despojos sangrentos das vítimas.
E durante o inverno
muita gente partiu, sem destino certo,
em frente
- com se houvesse algo a procurar".
in Crítica Doméstica de Paralelepípedos, Dom Quixote, 1973,
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
domingo, 13 de setembro de 2015
terça-feira, 8 de setembro de 2015
DEBATES
Não aos debates malévolos dos canais de televisão perdidos, afugentados pelos diabos e fosforescando os espíritos mais tenros e amedrontados.
Como gostava de me impregnar dum desprendimento monástico, dum não sofrimento, de me sentir fofa neste vivido não sofrido.
Não seria credulidade, apenas aninhar-me numa sinceridade imaculada.
Mas não é assim, parece que estou sempre a desenvolver o novelo da enorme tragédia em que este mundo se tornou, tombo umas vezes outras, luto até à última gota de sangue, pela simples razão que a doença do foro ortopédico que me ataca não me deixa concretizar a minha ideia-mater, síntese de todas as outras, tem que se lutar sempre, até para conquistarmos uma caixa de fósforos, dizia-me o meu pai, é preciso ir à luta.
Sempre que vejo uma vítima, uma injustiça, não tenho tão pouco, tempo para apalpar os pulsos, apetece-me ir à luta.
Não, não fugi ao meu juramento, não porque goste da frase francesa "tenir son serment" como dizia o meu avô, hoje estão todos presentes, mas porque gosto de cumprir a minha palavra e essa foi dada de mim para mim.
Como gostava de me impregnar dum desprendimento monástico, dum não sofrimento, de me sentir fofa neste vivido não sofrido.
Não seria credulidade, apenas aninhar-me numa sinceridade imaculada.
Mas não é assim, parece que estou sempre a desenvolver o novelo da enorme tragédia em que este mundo se tornou, tombo umas vezes outras, luto até à última gota de sangue, pela simples razão que a doença do foro ortopédico que me ataca não me deixa concretizar a minha ideia-mater, síntese de todas as outras, tem que se lutar sempre, até para conquistarmos uma caixa de fósforos, dizia-me o meu pai, é preciso ir à luta.
Sempre que vejo uma vítima, uma injustiça, não tenho tão pouco, tempo para apalpar os pulsos, apetece-me ir à luta.
Não, não fugi ao meu juramento, não porque goste da frase francesa "tenir son serment" como dizia o meu avô, hoje estão todos presentes, mas porque gosto de cumprir a minha palavra e essa foi dada de mim para mim.
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
SAÍU DA PRISÃO O EX-PM JOSÉ SÓCRATES
e agora o psdêzinho já pode dizer que o banqueiro e o ex-PM estão em igualdade de circunstâncias mas NUNCA, NUNQUINHA A JUSTIÇA FOI SEMELHANTE PARA UM E PARA OUTRO.
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
CURTOS RACIOCÍNIOS
Assiste-se dia a dia ao retrocesso esmagador do Homem no seu valor real. É uma besta livre à solta.
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