Para mim, ser pobre hoje em dia, não é comer metade duma sardinha num pão, é algo bem mais abrangente.
Ser pobre é deixar-se endividar, é andar a trabalhar para o Banco, é gastar mais do que tem e pode, é colocar uma Nossa Senhora no quintal, é sonhar com Salazar, é o não ter palavras para se exprimir, por desconhecimento.
Ser pobre é querer tudo, não é não ter tudo; é não conseguir percorrer um livro porque tem muitas letras e muitas folhas.
Ser pobre é também não saber estar consigo próprio, é não conseguir ouvir, é não saber apreciar as pequenas coisas.
Ser pobre é dizer SIM ou NÃO a tudo.
Ser pobre é não ter comida para dar aos filhos, é não ter emprego querendo trabalhar.
Ser pobre é julgar-se superior aos outros no que quer que seja, é ser um tipo Trump, dizer tudo o que lhe apetece sem respeitar nada nem ninguém.
domingo, 13 de dezembro de 2015
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
FAVORES
Esta vida em democracia é feita de favores e negaças.
Hoje mais de 40 anos volvidos sobre a chamada Revolução dos Cravos, nem a celeuma é lembrada. Assiste-se ao trágico desastre da corrupção com impressionante claridade, a céu aberto diria desta lixeira nacional que nos infecta todos os dias.
Esta corrupção, que é de crime que se trata, tem origem nos favores, ora agora me fazes tu a mim ora agora eu te pago assim, o que é imperioso é que a carteira dos favores esteja sempre preenchida e em bom andamento.
O nosso sistema social e económico estava fundado na cunha, no conhecimento privilegiado desde que me conheço e suponho porque a história do país assim me faz supor, que aconteceu desde sempre cá na terrinha, mas agora a coisa fia mais fino com os Partidos, todos altamente democráticos, não se pretende o emprego, mas a região, o país e, se possível, as 'antenas= posições estratégicas' noutros locais da Terra.
Ainda há aqui e ali restos de dignidade e quem não esteja completamente com este status quo, mas cada vez mais são residuais. A sociedade está impregnada deste caldo "cultural".
Poucos são já os que estranham os comportamentos sociais, leia-se antissociais, que lesam todo um País. Os mais novos viram as costas, os mais velhos estão cansados.
As pessoas não fazem o que lhes dá na real gana, pura e simplesmente porque estão cobertas de dependências, o autarca do empresário local que o subsidia nas eleições, o empresário local do autarca que lhe entrega as obras, o banqueiro do político que legisla a favor, o político do banqueiro que o elege, a CEE das Regiões e dos países, caso contrário não existia e por aí fora.
Chama-se a tudo isto democracia.
O povo, que paga tudo, costuma a ir a jogo de 4 em 4 anos, duma forma naif e sincera, meter um papelzinho dobrado em quatro, numa caixinha, agora de plástico na sua maioria, de latão seriam bem mais apetecíveis já que fariam lembrar os bolos na praia, dizer que prefere este político em detrimento daquele, porque o acha mais simpático e quiçá até mais amigo da mulher e dos filhos que aparecem sempre nestas circunstâncias nem que trate duns estafermos durante o ano, porque até a televisão disse e se a televisão disse é porque é verdade. A televisão é muito boazinha, costuma apresentar estes quadros rosa à hora de jantar porque sabe que as pessoas jantam com a televisão, coitadinhas.
O Estado Novo era feito de obediência, obediências inimagináveis, medos sem fim.
A censura existia nas almas muito antes do lápis lazúli, uma cor bonita por sinal. Ela fazia parte das pessoa como do fígado ou dos rins se tratasse.
Poucos ousavam sequer pensar que podiam viver bem sem ela.
Hoje, em Democracia, são poucos os que creem que se possa viver só do mérito.
Antes as cidades eram negras, escurecidas da fome e do luto, hoje os brilhos são de pechisbeques chineses e os fleumáticos, os indiferentes, são-no apenas porque se vestem de favores e isso gera-lhes tranquilidade.
Há alguns, poucos, sempre os houve, que são diferentes, que precisam de pensar com o coração e por isso mesmo são olhados com curiosidade e suspeição e então a diferença entre a democracia e os outros regimes faz-se notar em toda a sua plenitude porque os desiguais neste regime, mantêm-se em liberdade.
Hoje mais de 40 anos volvidos sobre a chamada Revolução dos Cravos, nem a celeuma é lembrada. Assiste-se ao trágico desastre da corrupção com impressionante claridade, a céu aberto diria desta lixeira nacional que nos infecta todos os dias.
Esta corrupção, que é de crime que se trata, tem origem nos favores, ora agora me fazes tu a mim ora agora eu te pago assim, o que é imperioso é que a carteira dos favores esteja sempre preenchida e em bom andamento.
O nosso sistema social e económico estava fundado na cunha, no conhecimento privilegiado desde que me conheço e suponho porque a história do país assim me faz supor, que aconteceu desde sempre cá na terrinha, mas agora a coisa fia mais fino com os Partidos, todos altamente democráticos, não se pretende o emprego, mas a região, o país e, se possível, as 'antenas= posições estratégicas' noutros locais da Terra.
Ainda há aqui e ali restos de dignidade e quem não esteja completamente com este status quo, mas cada vez mais são residuais. A sociedade está impregnada deste caldo "cultural".
Poucos são já os que estranham os comportamentos sociais, leia-se antissociais, que lesam todo um País. Os mais novos viram as costas, os mais velhos estão cansados.
As pessoas não fazem o que lhes dá na real gana, pura e simplesmente porque estão cobertas de dependências, o autarca do empresário local que o subsidia nas eleições, o empresário local do autarca que lhe entrega as obras, o banqueiro do político que legisla a favor, o político do banqueiro que o elege, a CEE das Regiões e dos países, caso contrário não existia e por aí fora.
Chama-se a tudo isto democracia.
O povo, que paga tudo, costuma a ir a jogo de 4 em 4 anos, duma forma naif e sincera, meter um papelzinho dobrado em quatro, numa caixinha, agora de plástico na sua maioria, de latão seriam bem mais apetecíveis já que fariam lembrar os bolos na praia, dizer que prefere este político em detrimento daquele, porque o acha mais simpático e quiçá até mais amigo da mulher e dos filhos que aparecem sempre nestas circunstâncias nem que trate duns estafermos durante o ano, porque até a televisão disse e se a televisão disse é porque é verdade. A televisão é muito boazinha, costuma apresentar estes quadros rosa à hora de jantar porque sabe que as pessoas jantam com a televisão, coitadinhas.
O Estado Novo era feito de obediência, obediências inimagináveis, medos sem fim.
A censura existia nas almas muito antes do lápis lazúli, uma cor bonita por sinal. Ela fazia parte das pessoa como do fígado ou dos rins se tratasse.
Poucos ousavam sequer pensar que podiam viver bem sem ela.
Hoje, em Democracia, são poucos os que creem que se possa viver só do mérito.
Antes as cidades eram negras, escurecidas da fome e do luto, hoje os brilhos são de pechisbeques chineses e os fleumáticos, os indiferentes, são-no apenas porque se vestem de favores e isso gera-lhes tranquilidade.
Há alguns, poucos, sempre os houve, que são diferentes, que precisam de pensar com o coração e por isso mesmo são olhados com curiosidade e suspeição e então a diferença entre a democracia e os outros regimes faz-se notar em toda a sua plenitude porque os desiguais neste regime, mantêm-se em liberdade.
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
COMECEMOS ENTÃO PELO PRINCÍPIO
Nasci em casa, era moda naquela altura, imagine-se! No rádio passava o folhetim Tide.
E nessa altura tenho memória (risos) que não seria grande dádiva para a Humanidade.
Pertenci desde logo à Invicta Cidade e ela de seguida pertenceu-me completamente.
Com o tempo lá fui perdendo o saber que julgava possuir.
Alturas há em que a realidade me anda a parecer ficção, sendo que a ficção começa a pagar-se na mesma moeda.
Sou uma reprodução dos meus pais e de muitas outras coisas. Coisas antigas, coisas a que já ninguém liga.
À pergunta se fosse hoje tinhas mudado muito coisa na tua vida? Tinha, mesmo muita.
Reconfiguremos os factos em função das circunstâncias (risos).
Se nascesse hoje não vinha com estas doenças hereditárias, pediria logo o cardápio das doenças.
Nasci virada para o Rio Douro, aí não mexia.
Não vou narrar ordenadamente estes acontecimentos.
A entrada na escola primária é algo de que me não esqueço por se ter dado o infeliz acontecimento da morte do meu avô materno. Tingiram de preto o meu casaco vermelho, de godés, cortado na cintura, o tal que me fazia uma princesa.
Foi uma maldade materna muito grande.
Depois fui para a adolescência aos pulos. Dancei, ouvi música, li muitos livros que a censura proibia e sonhava, sonhava muito. Todo o dinheiro que arranjava era para o meu bem amado cinema e teatro e livros.
Trabalhei cedo, estudei, tive dúvidas, muitas e cursei dois cursos.
Um dia dei comigo quase adulta, sem quase nada entender da vida e casei.
Sou portuguesa dos quatro costados, burguesa do Porto, oriunda da fidalguia rural pelo lado paterno, o mais vincado em mim e da pequeno burguesia urbana por parte materna.
Podia aqui fazer variadíssimas elucubrações filosóficas e teóricas sobre o que foi a época em que vivi os anos da minha infância e juventude, mas se bem que fossem os negros anos do fascismo e o meu pai perseguido pela PIDE, vivi alegre e feliz numa família alargada e sempre tive o amor e brinquedos que me acalentavam.
O meu pai, artista e publicitário, ensinava-me a ler os jornais e fazer resumos de tudo o que lia, o meu avô, empresário, contas, porque dizia que as contas eram muito importantes, a minha mãe levava-me às compras, era uma especialista nesta matéria, começávamos sempre pelo Mercado do Bolhão com a Srª Glória a dar as suas doutas opiniões, perfeitamente cúmplice comigo, a minha avó o amor à família, as rendas, as malhas, etc.
Era bom ter nascido e havia muita magia.
Em adulta descobri países e gentes.
Agora envelheci, envelheci mal com as perdas que se tornaram uma espécie de pastiche na minha pele sensível.
Sou pessimista por natureza e crême de la crême para esta forma de estar na vida, vem a crise política, social, de valores e princípios no nosso país e no mundo que a todos afecta.
E nessa altura tenho memória (risos) que não seria grande dádiva para a Humanidade.
Pertenci desde logo à Invicta Cidade e ela de seguida pertenceu-me completamente.
Com o tempo lá fui perdendo o saber que julgava possuir.
Alturas há em que a realidade me anda a parecer ficção, sendo que a ficção começa a pagar-se na mesma moeda.
Sou uma reprodução dos meus pais e de muitas outras coisas. Coisas antigas, coisas a que já ninguém liga.
À pergunta se fosse hoje tinhas mudado muito coisa na tua vida? Tinha, mesmo muita.
Reconfiguremos os factos em função das circunstâncias (risos).
Se nascesse hoje não vinha com estas doenças hereditárias, pediria logo o cardápio das doenças.
Nasci virada para o Rio Douro, aí não mexia.
Não vou narrar ordenadamente estes acontecimentos.
A entrada na escola primária é algo de que me não esqueço por se ter dado o infeliz acontecimento da morte do meu avô materno. Tingiram de preto o meu casaco vermelho, de godés, cortado na cintura, o tal que me fazia uma princesa.
Foi uma maldade materna muito grande.
Depois fui para a adolescência aos pulos. Dancei, ouvi música, li muitos livros que a censura proibia e sonhava, sonhava muito. Todo o dinheiro que arranjava era para o meu bem amado cinema e teatro e livros.
Trabalhei cedo, estudei, tive dúvidas, muitas e cursei dois cursos.
Um dia dei comigo quase adulta, sem quase nada entender da vida e casei.
Sou portuguesa dos quatro costados, burguesa do Porto, oriunda da fidalguia rural pelo lado paterno, o mais vincado em mim e da pequeno burguesia urbana por parte materna.
Podia aqui fazer variadíssimas elucubrações filosóficas e teóricas sobre o que foi a época em que vivi os anos da minha infância e juventude, mas se bem que fossem os negros anos do fascismo e o meu pai perseguido pela PIDE, vivi alegre e feliz numa família alargada e sempre tive o amor e brinquedos que me acalentavam.
O meu pai, artista e publicitário, ensinava-me a ler os jornais e fazer resumos de tudo o que lia, o meu avô, empresário, contas, porque dizia que as contas eram muito importantes, a minha mãe levava-me às compras, era uma especialista nesta matéria, começávamos sempre pelo Mercado do Bolhão com a Srª Glória a dar as suas doutas opiniões, perfeitamente cúmplice comigo, a minha avó o amor à família, as rendas, as malhas, etc.
Era bom ter nascido e havia muita magia.
Em adulta descobri países e gentes.
Agora envelheci, envelheci mal com as perdas que se tornaram uma espécie de pastiche na minha pele sensível.
Sou pessimista por natureza e crême de la crême para esta forma de estar na vida, vem a crise política, social, de valores e princípios no nosso país e no mundo que a todos afecta.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
PERDOAR
Perdoar é também uma insuficiência lusitana.
É uma palavra muito antiga e que se confunde com conceitos religiosos.
As pessoas hoje pouco perdoam e nem querem compreender, prefere-se ser contendor logo no 1º momento. Algumas chegam a ser insidiosas e grosseiras.
Vive-se uma enorme inquietação, uns por uns motivos outros, por outros.
Parcelas de nós próprios, de dores fundidas se assenhoreiam de nós.
A vida tem diversas fases e para as vivermos e superarmos a todas, muitas vezes temos que nos superar igualmente.
Precisamos de sentir o outro de forma radical.
Fala-se muito de caridade nesta época natalícia, prefiro falar de compaixão durante os 365 dias do ano.
As pessoas, duma forma geral, andam distraídas no seu quotidiano de sobrevivências difíceis, deste sentimento, desta ética em relação aos outros.
Os governos não praticam esta materialidade, não favorecem a comida, a saúde, a habitação aos seus concidadãos.
Negam a dignidade de viver, o direito ao mais elementar. Já não falo em crises de ansiedade ou angústia mas sim do essencial para viver.
Vemos os outros a sofrer e temos, quando temos, piedade, apiedamo-nos das situações que os outros vivem, mas é preciso mais, muito mais do que isso.
É necessário passar da inquietude à prática, à materialização, ser radical no sentir do outro.
É uma palavra muito antiga e que se confunde com conceitos religiosos.
As pessoas hoje pouco perdoam e nem querem compreender, prefere-se ser contendor logo no 1º momento. Algumas chegam a ser insidiosas e grosseiras.
Vive-se uma enorme inquietação, uns por uns motivos outros, por outros.
Parcelas de nós próprios, de dores fundidas se assenhoreiam de nós.
A vida tem diversas fases e para as vivermos e superarmos a todas, muitas vezes temos que nos superar igualmente.
Precisamos de sentir o outro de forma radical.
Fala-se muito de caridade nesta época natalícia, prefiro falar de compaixão durante os 365 dias do ano.
As pessoas, duma forma geral, andam distraídas no seu quotidiano de sobrevivências difíceis, deste sentimento, desta ética em relação aos outros.
Os governos não praticam esta materialidade, não favorecem a comida, a saúde, a habitação aos seus concidadãos.
Negam a dignidade de viver, o direito ao mais elementar. Já não falo em crises de ansiedade ou angústia mas sim do essencial para viver.
Vemos os outros a sofrer e temos, quando temos, piedade, apiedamo-nos das situações que os outros vivem, mas é preciso mais, muito mais do que isso.
É necessário passar da inquietude à prática, à materialização, ser radical no sentir do outro.
domingo, 6 de dezembro de 2015
Subscrever:
Mensagens (Atom)