quinta-feira, 17 de março de 2016

PEDRA ROLADA COM ARESTAS

Mediam-me/meço-me.
Vento com ossos relutantes e músculos endurecidos.
Momentos de silêncio são-me preciosos.
A tarde dilui-se em vários tons entre o nostálgico e o sonho.
O mundo eriça-se.
Envelhece-se depressa.
Há dias em que decido não ser fada.
O que mais há são idiotas e alturas em que me sinto aparentada.
Os objectos tornam-se familiares quando estamos gastos ou é ao contrário?
Em noites de insónia folheia-se o passado, o presente e o futuro.
Desaparece tudo o que mexe e  o que está parado como a tampa da caneta também desaparece.
Encontro-me no vértice das escadas e é um sítio esquisito este.
O tempo não existe eu sei, mas não me parece prestável esse conhecimento.
Contemplo a noite que se faz dia nos estremeções da vida.

pensamentos soltos nesta madrugada que aqui te deixo
beijo-te

NATÁLIA CORREIA SEMPRE

QUEIXA DAS ALMAS JOVENS CENSURADAS
...
Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola

Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade

Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência

Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro

Penteiam-nos os crânios ermos
com as cabeleiras dos avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós

Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo

Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro

Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco

Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura

Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante

Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino

Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte.

quarta-feira, 16 de março de 2016

ANDAVA TRISTE - disseram

MORREU NICOLAU BREYNER NA PASSADA SEGUNDA FEIRA DE ENFARTE DE MIOCÁRDIO


Os amores
Foi também um homem de muitos amores. Casou quatro vezes e garantia que de todos os enlaces sobrou sempre a amizade. No fim da vida, há um mês, em tom de brincadeira garantiu que agora vivia “em união de facto com Movie”, o seu cão.
“Aprendi a divertir-me com pequenas coisas, como passear o meu cão, com quem habito”, confessava, divertido.
Rádio Renascença



UM HOMEM SÓ, DIGO EU.
A TRISTEZA VAI MATANDO