quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

CONVULSÕES

Mais uma convulsão na minha atitude para com a Pátria.
Sinto-me de novo revoltada, se é que algum dia deixei de estar.
Já estive conformada como cidadã eleitora, mas vejo que só como dissidente me encontro bem.
Sinto-me enojada com a política e a corrupção e por outro lado, sempre que ouço  os deputados fico indignada.
Não sei se uma mente adulta é aquela que se conforma com o menos mau, ou seja com este tipo de democracia.
O que é que um cidadão estranho, um cidadão comum pode fazer pela democracia? Votar?!
Votar oferece poucas alternativas.
Tornamo-nos estranhos impotentes.
Possuo um cérebro despovoado de tendências para lugares-comuns e estereótipos.
Esta democracia débil ilumina-me pouco.
Todos os chefes locais que os partidos colocam nas autarquias, tomam o poder com as suas comitivas e inicia-se aí o processo corruptor e nós apenas assistimos a estes espectáculos pouco edificantes.
Muito mais poderia ser dito, mas o essencial ficou explícito.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Mozart - Clarinet Concerto [Sharon Kam]

MORTE DE MÁRIO SOARES

O Mário Soares morreu. Foram decretados três dias de luto nacional e a realização dum funeral de Estado.
O primeiro em Democracia. O último funeral de Estado pertencia ao Oliveira Salazar, homem que ele combateu desde jovem. A vida tem destas coisas e a morte também. Veio  Temer, o actual Presidente fascista não eleito, do Brasil.
Estava pouca gente nas ruas. Assim que o PS tomou conta dessa ocorrência, mandou que o Partido, a nível nacional, se mobilizasse e comparecesse no funeral, foram de camioneta  paga. Distribuíram rosas amarelas, a flor querida da mulher, Maria Barroso, falecida há um ano e seis meses.
Não compareceram muitos chefes de Estado estrangeiros, nem mesmo o Governo Espanhol se fez representar ao mais alto nível, o que não deixa de ser paradoxal, embora o Rei estivesse presente.
Convencida estou que se o Cristiano Ronaldo morresse, salvo seja, muito mais gente iria para as ruas.
Claro, que houve um conjunto de circunstâncias que se conjugaram para se ter realizado um funeral de Estado, a primeira e desde já, é o PS estar no Governo e Mário Soares ter sido um dos fundadores do PS em 1973, as outras não foram explicadas, bem como esta.
A História foi branqueada em todos os Canais televisivos, chegando-se ao ponto de se passar a mentira inacreditável que Mário Soares foi o pai da Democracia e os partidos, todos, que lá estavam representados, anuírem  nisso.
O PCP de hoje nada tem a ver com o PCP de antigamente, daqueles que prepararam  o regime democrático, este PCP, dirigido por Jerónimo de Sousa, é um partido servil e não se confunda simpatia com servilismo.
Muito teria a dizer do que se passou neste país com as cerimónias fúnebres de Mário Soares, filmada em directo pelos canais televisivos, mas não me apetece narrar mais, a não ser que o CINISMO E A HIPOCRISIA  foram as grandes bandeiras presentes.
Salvaram-se os discursos dos filhos, em especial o da filha, verdadeiros e emotivos.