A vida é uma espécie de estágio.
Estamos todos metidos pela idade adentro.
A certa altura temos saudades de nós próprios, são alturas recolhidas, aquelas alturas egoístas, sempre a olhar para trás para termos a certeza que ninguém nos está a espreitar como quando estamos a comer chocolates sozinhas.
terça-feira, 1 de agosto de 2017
sexta-feira, 28 de julho de 2017
HÁ PESSOAS QUE FALAM SEMPRE DUAS LÍNGUAS
Tantos sons guardados na garganta.
A clareza das coisas tenta escurecer.
Não sabemos nada do futuro, nunca sabemos nada do futuro mesmo que nos preparemos para ele com alma.
Cansa-me cada vez mais esta forma de não me deixar padronizar, de não baixar a guarda.
Hoje temos um mundo transfronteiriço e criativo mas querem-nos à procura de nada, a não ser a sucessão de pequenas coisas.
Ou nos rimos iguais ao diabo ou sorrimos levemente como anjos papudos.
Vivo num país de alcoviteiros, com gente que adora futilidades. A receita de Salazar foi o cultivo da ignorância com vista à felicidade.
Hoje podemos ver, no entanto quem Vê?
As pessoas calam-se para comer, revisita-se o fascismo em quase todos os actos da vida.
Há apenas duas fábricas de envergadura em Portugal: a do futebol e a da corrupção, embora só uma obtenha resultados compatíveis.
A maioria das pessoas fala duas línguas mas não consegue pensar em nenhuma.
O regime está luzidio.
A clareza das coisas tenta escurecer.
Não sabemos nada do futuro, nunca sabemos nada do futuro mesmo que nos preparemos para ele com alma.
Cansa-me cada vez mais esta forma de não me deixar padronizar, de não baixar a guarda.
Hoje temos um mundo transfronteiriço e criativo mas querem-nos à procura de nada, a não ser a sucessão de pequenas coisas.
Ou nos rimos iguais ao diabo ou sorrimos levemente como anjos papudos.
Vivo num país de alcoviteiros, com gente que adora futilidades. A receita de Salazar foi o cultivo da ignorância com vista à felicidade.
Hoje podemos ver, no entanto quem Vê?
As pessoas calam-se para comer, revisita-se o fascismo em quase todos os actos da vida.
Há apenas duas fábricas de envergadura em Portugal: a do futebol e a da corrupção, embora só uma obtenha resultados compatíveis.
A maioria das pessoas fala duas línguas mas não consegue pensar em nenhuma.
O regime está luzidio.
sexta-feira, 21 de julho de 2017
quarta-feira, 19 de julho de 2017
quinta-feira, 15 de junho de 2017
quarta-feira, 14 de junho de 2017
quinta-feira, 1 de junho de 2017
ARMANDO SILVA CARVALHO
Varanda de Pilatos
Não há tempo. Há o espaço. O sol e as nossas voltas.
Os bocejos da lua, o clã dos astros.
Os buracos negros.
Ó mãe! Para onde foram os seres vivos de ainda
Há pouco em todo o seu esplendor?
Mortos como tu, a natureza recebe-os.
A Terra, essa criança atroz, destrói os seus brinquedos
Numa rotina mecânica.
Quantas noites me faltam? Quantos beijos no escuro?
Quanta luz me cabe ainda nas pupilas?
Os anos não me matam, não me ferem os meses,
As horas não me guilhotinam.
As células vão ardendo nos seus mapas
De nervos, o sangue demora sempre mais um pouco
A chegar ao seu destino orgânico.
Devagar, devagar, a cabeça amolece.
Devagar no colo do sono.
Ó mãe. Um ninho. Uma cama macia no teu ventre.
Uma exposição de sinais. Uma geometria
Que me liga ao saber acumulado.
Armando Silva Carvalho, in 'Sol a Sol'
Alguém lendo versos de Jorge de Sena
Era um poema feito.
Mas tu tecias
novas linhas
com a palavra
aranha sedutora
visando paciente
a mosca
do ouvido.
Era um poema célere.
Molhado pela água
turva
das lembranças.
Mas com ele regavas
as raízes vivas
que te cresciam
na boca.
Figura frágil
onde o poema subia
para os ombros
a medo
como uma criança.
A tua língua
clara
de pedreiro cansado
unia
lentamente
os versos que todos habitamos.
Poeta vencera recentemente importantes prémios literários nacionais com o último livro, "A Sombra do Mar"
O poeta e tradutor Armando Silva Carvalho morreu ontem de manhã, nas instalações da Santa Casa da Misericórdia das Caldas da Rainha, vítima de doença prolongada, anunciou, em comunicado, a Porto Editora.
Armando Silva Carvalho nasceu em 1938, em Olho Marinho, Óbidos, e era um dos mais importantes poetas portugueses da atualidade, tendo ainda recentemente vencido os mais importantes prémios literários nacionais, com o seu último livro "A Sombra do Mar", publicado pela Assírio & Alvim, acrescenta o grupo editorial.
Com esta obra, venceu em fevereiro o prémio literário Casino da Póvoa, do Correntes de Escrita, bem como o Prémio PEN de Poesia e o Grande Prémio de Poesia António Feijó, da Associação Portuguesa de Escritores, em 2016.
Os bocejos da lua, o clã dos astros.
Os buracos negros.
Ó mãe! Para onde foram os seres vivos de ainda
Há pouco em todo o seu esplendor?
Mortos como tu, a natureza recebe-os.
A Terra, essa criança atroz, destrói os seus brinquedos
Numa rotina mecânica.
Quantas noites me faltam? Quantos beijos no escuro?
Quanta luz me cabe ainda nas pupilas?
Os anos não me matam, não me ferem os meses,
As horas não me guilhotinam.
As células vão ardendo nos seus mapas
De nervos, o sangue demora sempre mais um pouco
A chegar ao seu destino orgânico.
Devagar, devagar, a cabeça amolece.
Devagar no colo do sono.
Ó mãe. Um ninho. Uma cama macia no teu ventre.
Uma exposição de sinais. Uma geometria
Que me liga ao saber acumulado.
Armando Silva Carvalho, in 'Sol a Sol'
Alguém lendo versos de Jorge de Sena
Era um poema feito.
Mas tu tecias
novas linhas
com a palavra
aranha sedutora
visando paciente
a mosca
do ouvido.
Mas tu tecias
novas linhas
com a palavra
aranha sedutora
visando paciente
a mosca
do ouvido.
Era um poema célere.
Molhado pela água
turva
das lembranças.
Mas com ele regavas
as raízes vivas
que te cresciam
na boca.
Molhado pela água
turva
das lembranças.
Mas com ele regavas
as raízes vivas
que te cresciam
na boca.
Figura frágil
onde o poema subia
para os ombros
a medo
como uma criança.
onde o poema subia
para os ombros
a medo
como uma criança.
A tua língua
clara
de pedreiro cansado
unia
lentamente
os versos que todos habitamos.
clara
de pedreiro cansado
unia
lentamente
os versos que todos habitamos.
Poeta vencera recentemente importantes prémios literários nacionais com o último livro, "A Sombra do Mar"
O poeta e tradutor Armando Silva Carvalho morreu ontem de manhã, nas instalações da Santa Casa da Misericórdia das Caldas da Rainha, vítima de doença prolongada, anunciou, em comunicado, a Porto Editora.
Armando Silva Carvalho nasceu em 1938, em Olho Marinho, Óbidos, e era um dos mais importantes poetas portugueses da atualidade, tendo ainda recentemente vencido os mais importantes prémios literários nacionais, com o seu último livro "A Sombra do Mar", publicado pela Assírio & Alvim, acrescenta o grupo editorial.
Com esta obra, venceu em fevereiro o prémio literário Casino da Póvoa, do Correntes de Escrita, bem como o Prémio PEN de Poesia e o Grande Prémio de Poesia António Feijó, da Associação Portuguesa de Escritores, em 2016.
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