sábado, 17 de abril de 2010

NOTÍCIAS QUE LI E ME CHAMARAM A ATENÇÃO HÁ DOIS DIAS







. "João Cotrim Figueiredo, antigo administrador da Privado Holding, proprietária do agora extinto Banco Privado Português, é o novo director-geral da TVI".



. "A Parpública, que representa o Estado no capital da EDP, votou contra a proposta de remunerações da comissão de vencimentos da empresa. O governo pretendia uma redução de 5% no salário-base dos membros do conselho de gestão, bem como o não pagamento de prémios, mas, por decisão dos accionistas maioritários, a proposta nem sequer vai ser discutida.
Afinal, a EDP é uma empresa privada em que o Estado detém uma quota de 20,49%.".


. "Presidente Václav Klaus disse na abertura do fórum económico que juntou empresários checos e portugueses "Fico muito surpreendido por Portugal não estar nervoso por ter um défice de 8% e para terminar Klaus disse: "e não serão os governos a fazer essa recuperação, mas sim vocês, dirigindo-se aos empresários."

e acerca do nosso Estalo laico:

. "Constituição portuguesa proclama a não confessionalidade do Estado (artº 41º, que trata da liberdade de religião e culto).
A Lei da Liberdade Religiosa diz que "O Estado não adopta qualquer religião", por isso as escolas vão fechar e o Estado decretou tolerância de ponto para os seus funcionários e a central sindical UGT pediu aos patrões privados para seguirem o exemplo do Estado."

. "Hoje os colonizadores elegem-se democraticamente" - frase retirada dum blog.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

VAMOS ARRENDAR O PAÍS POR 40 ANOS?





Lembrei-me de contribuir com ideias para o governo governar.
Esta questão veio-me à lembrança quando ouvi o Ministro das Obras Públicas admitir vir a alienar a posição maioritária da ANA - Aeroportos de Portugal, empresa que gere os aeroportos nacionais e ter afirmado que "todas as hipóteses estão em aberto", disse ainda que "neste momento não há nada definido relativamente ao modo como se vai proceder à privatização".
Já vimos isto acontecer noutros países como o Brasil e a Espanha, salvo erro, em 2008. Nesse ano tinha sido sugerida a entrada de capital privado na administração da infra-estrutura aeronáutica. Os aeroportos começaram a ser considerados como centros de negócios.
Ora, o país está endividadíssimo e com problemas de défice. Na U.E. começam a não confiar em nós e o Banco Europeu a não querer emprestar-nos mais dinheiro (mentira, eles só querem emprestar dinheiro, é dos juros altos que vivem), o que seria uma grande coisa para ver se endireitávamos as continhas.
Por isto tudo pensei em dar uma dica ao governo do nosso país para melhor fazer face às despesas correntes e urgentes e calar um pouco as agências internacionais, deputados, pseudo investigadores e outros que tais, ao serviço dos interesses deste Banco. Pensei então que o governo podia arrendar Portugal a um país que o quisesse para qualquer coisinha ou uma joint de países, sei lá, por um período de 40 anos, tal como com os aeroportos, só depois de ter tido esta brilhante ideia é que pensei:
"parece impossível como a Drª Manuela Ferreira Leite, uma mulher que enquanto Ministra das Finanças vendia tudo a retalho, até o edifício, lindíssimo aliás, da GNR, meu vizinho no Porto queria vender, como ainda não tivera esta ideia, ou mesmo o actual Primeiro Ministro, um homem com enorme produção ideativa, não lhe tenha ocorrido a ideia salvadora, como seria possível?
Ora se pensaram em alienar a ANA porque não arrendar o país inteiro? Dá muito mais dinheiro.
Não entendam estas palavras como uma espécie de rapsódia porque não são.
Não podemos nem devemos deixar o governo apenas à mercê dos líderes dos partidos da oposição numa situação de crise como estas. Governar é difícil e os nossos governantes andam esgotados, precisam de quem os ajude a pensar e essa tarefa espinhosa cabe a cada um de nós. Cada um tem a obrigação de dar um contributo. Não nos podemos dar ao luxo de nos sentar, encostar e não mexer uma palha.
A ideia é muito simples: se arrendássemos o país, receberíamos uma renda. Com essa renda poderíamos pagar os juros das dívidas e assim contraíamos mais empréstimos,estão a ver? Continuaríamos a fazer mais uns milhares de casas, já existem 40 milhões, parecem-me poucas, afinal somos 10 milhões. Construiríamos mais auto-estradas, dizem que estamos bem servidos com estas, mas há aldeias que ainda não possuem auto-estradas, se tiverem dúvidas, perguntem à Brisa.
Ao fim de 40 anos, poderíamos ter uma dívida maior, lá isso podíamos, mas até lá não nos tínhamos aborrecido com o problema dos juros e com Bruxelas e as suas exigências.
Porém, exigiríamos uma condição ao nosso futuro senhorio - a manutenção das aparências, nós Portugal continuaríamos a dizer ao mundo que éramos uma Nação soberana, mais ou menos como já agora fazemos. Também teríamos que acordar com o novo senhorio(s) a questão das eleições. Far-se-íam na mesma eleições, o povo ia às urnas, tudo a fazer de conta claro está, como se fôssemos um país livre, porque no final mesmo, o(s) gestor(es) seria(m) nomeado(s) pelo senhorio e mais nada, seria muito, muito, mas muito diferente de agora, em que os gestores, i.é, os governantes podem fazer o que querem porque estão no seu país endividado.
Seria tudo diferente, sim mesmo muito diferente, mas descansávamos, podíamos adormecer durante 40 anos e depois via-se. O que acham?
Portanto, à semelhança do que se está a passar com os aeroportos poder-se-ia, numa outra escala, passar com o país e, assim, toda a carga de amargura, daqueles insuspeitos fardos que os nossos governantes fecham a cadeado, toda essa carga era transferida para os governantes daqui a 40 anos, quando o contrato de arrendamento cessasse, mas nessa altura os novos governantes poderiam renovar o contrato.
Há sempre coisas para fazer na construção civil, até mesmo e porque não, fazerem um bombardeamento, uma espécie de ataque aéreo, uma guerra, eu sei lá (outra ideia para fornecer agora ao loby da construção civil, embora esteja certa que esses até já estão a trabalhar nisso conjuntamente com os bancos que os financiam) para destruírem milhares e milhares de casas devolutas e que se deterioram por esse país fora por falta de comprador e assim, poderiam construir de novo quiça.
Voltaríamos de novo à felicidade, se não conseguíssemos esse estadio, pelo menos à paz, ao deixa-andar em que gostamos de construir o quotidiano, sem agências de "rating" a anunciar-nos castátrofes ou a colarem-nos à Grécia e à sua falência.
E como diziam em 1914: "Quem tiver alguma coisa a dizer avance e fique calado".












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quinta-feira, 8 de abril de 2010

COMISSÕES DE INQUÉRITO NA A.R.

O que acham destas Comissões?
Há quem ache muito bem, eu sei.
Sabem o que eu acho?
Que dão muito trabalho, que são muito caras e que se tornaram uma moda muito moda.

REFORMAS ANTECIPADAS




Combinações de desejos mal saciados.
Voltam a surgir as imaginações e às vezes as ilusões. Há imaginações e impressões que ficam prontas a procriar nesta fase.
Preocupam-se, acima de tudo, com interrogações que relevam mais da ordem filosófica que do domínio propriamente político ou social.
As vidas das pessoas são profundas mentiras. Ninguém faz inteiramente o que quer, diz tudo o que pensa, ou pensa exactamente como procede.
"Em termos absolutos, todo o trabalho que não é feito para as nossas próprias necessidades, leve as voltas que levar, é uma servidão", dizia Miguel Torga.
O medo da originalidade matou toda a criação.
Agora procuram não sabem o quê, verdadeiramente.
Nalguns casos houve morte civil, por isso pode ser que a ilusão os salve a não cumprir os seus deveres habituais, assistir a milagres com olhos interiores para ver.
Há muita coisa que foi amontoada na consciência ao longo dos anos agora é o tempo de a pôr cá fora.
Vivemos emparedados, a liberdade interior é a última ilusão.
É a época da não resignação.
A vida a passar, a sumir-se irremediavelmente, é preciso pois aproveitar, aproveitar para agora desdobrar a alma.
Utilizemos agora o nosso duplo.
É tempo de recomeçarmos mil vezes. Embrutecemos à medida que os dias passam.
Chegamos a esta altura, quase desidratados do pensamento, exauridos, é pois necessário, recuperar.
Cortemos as amarras e guardemos as redes, naveguemos.

domingo, 4 de abril de 2010

SALVAR OS DIAS




Confiamos a salvação a escrita como Maurice Blanchot.
Com todo o tempo livre à nossa frente como ocupar o tempo?
Pensamos e lutamos para que o futuro não se transforme em passado antes de se tornar presente e sentimo-nos ricos mesmo assim - dispomos do tempo.
Lembramo-nos de sair pela janela, porém não nos esquecemos de colocar as asas previamente, agora visitamos países, terras e gente.
Aterramos onde há carne de palavras. Pertencemos ao género humano por isso temos dificuldade em suportar a realidade. Somos portugueses por isso contraditórios no nosso modo de ser.
Andamos sempre a dizer adeus aos sentimentos felizes, dispomo-nos a redimir do tudo e do nada e restituir ao real.
O confronto com a realidade quase sempre subtraída à quotidianeidade perturbadora da experiência humana sobretudo se nos reportarmos à nossa época, invadida pela vulgaridade.
Mesmo assim sendo, predispomo-nos a fazer da vida um género insubstituível e ainda somos capazes de nos questionar nas motivações, anseios, criação de ambientes, conquistas e frustrações a que a complexidade das relações humanas nos expõe.
E continuamos a dizer o nada que tudo diz umas vezes, a desmascarar outras, a romper outras tantas, renovando, aprofundando o sentido, aperfeiçoando as noções de completude e visão do mundo.
A responsabilidade de viver sem sermos cientistas, empresários ou escritores não pode ficar entregue ao desmazelo mental.
Para não praguejarmos, para não nos rirmos de ingenuidade, nem com as baterias do sarcasmo, para não estarmos à beira do stress, temos que inventar para tornarmos a vida menos aborrecida.

sábado, 3 de abril de 2010

SOBREVIVERMOS A NÓS PRÓPRIOS

Como travar a vertigem de desaparição sem desvirtuar a nossa autenticidade ou sequer submeter a focalização das partes a uma finalidade pré-concebida, dominada por uma sucessão temporal forçada dos acontecimentos.
Não nos podemos atar ao cadáver da juventude e ficarmos marcados por este estigma.
Nesta sociedade do detergente, como já alguém disse, capaz de abortar todos os dias, incapaz de sobreviver a si própria, cabe a cada um de nós, aprender a conviver com as vivências passadas, presentes e futuras.
Há que continuar a luta, estar vivo e como dizia a outra "estar vivo é o contrário de estar morto".
Recebemos muitas ondas de choque na vida e o envelhecimento, as partes de nós que já não se alinham como antes, fazem parte dessas ondas impactantes, acontece porém que ao mesmo tempo que isso sucede podemos também fazer um esforço de contemporaneidade e aproveitar o ecletismo, a nossa tendência natural para sermos livres, para mais livres sermos ainda nas nossas escolhas.
Deixarmo-nos de vidas concêntricas, tangenciais e aproveitarmos para lhes passar uma tinta invisível.
É difícil? Claro que é.
Viver a vida é difícil. Só a acham fácil os idiotas ou quem não a vive.
É não ter medo de ser piroso.
É achar que as nossas melhores qualidades são quase sempre os nossos piores defeitos.
É repudiar o discurso pedagógico.
É despertar a obrigação de viver.
É não nos desinteressarmos de nós e abandonarmos moralismos.
É sermos corteses com o coração.
É partir do princípio de que o costume é uma segunda natureza que destrói a primeira.
É tornarmo-nos passageiros efectivos da viagem que temos pela frente.
É lembrar Roland Barthes em "A Câmara Clara", "seja o que for que ela dê a ver e qualquer que seja o modo, uma foto é sempre invisível: não é ela que nós vemos".
É portanto desapropriarmo-nos de nós próprios e parecermo-nos com todas as pessoas, excepto no facto de nos parecermos com elas.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

COMO ME ENVERGONHO E RECONHEÇO

Frequento estações de comboio e comboios porque gosto muito deste meio de transporte, o meu preferido.
O que eu não gosto é ver nos bancos das estações, gente excluída e que se exclui, sinto-me envergonhada. Fico aflita e interrogada.
Custa-me aguentar a ideia que gente da minha terra, do meu mundo se precipite nos buracos do tempo, seja engolido por sociedades tão silenciosas e distraídas às vezes. Tenho a tendência quase impulsiva de entabular conversa com essa gente, como para dizer estou aqui, sou igual, podia ser eu, é tão fácil estar desse lado.
Por muito que se queira ignorar, não é possível ignorar em absoluto.
Penso na grande ideologia actual - o silêncio.
Os sinais são bem visíveis. Atravessam-nos, mas ninguém ou quase ninguém mexe uma palha é como que não compreendêssemos o que vemos.
O retrato está ali, a fotografia nossa impôe-se, não engana, mas parece que metemos entre parêntesis o que vemos, que fechamos à chave os nossos olhos, coração e cabeça.
Engolimos os discursos do poder e deixamos intermitente esta comunicação da vida, das comunidade onde vivemos.
Todos somos sobreviventes, todos tentamos esquecer.
Ficamos uns perante os outros. Uns com o desemprego, o filho drogado, a dívida da casa e do seu recheio, outros com o céu como tecto e a incerteza do amanhã, do minuto a seguir como companheira.
Olho em redor, vejo mais gente sentada, à espera do comboio, sou capaz de imaginar todos os pontos de vista de quem está ali sentado e de lhes atribuir papéis correspondentes.
Ponho-me à escuta, mesmo quando estão calados, eu os ouço, ouço-os mais perto do excesso, da insensatez, da insignificância, da murmuração, do pedido de perdão.
Fica difícil pensar, concatenar ideias.
Sinto que todos estamos abandonados no mesmo local, embora simulem alguns altivez outros, humildade.
Gente que se anula numa banalidade sem apetite.
Dou comigo a coleccionar pormenores, para evitar ser tragada pelos sentimentos, fixo-me na revista que aquela folheia, o jornal gratuito que aquele senhor tão empenhadamente lê, o teclar rápido do telemóvel daquele rapaz, os segredinhos que a adolescente diz a amiga, o debicar, o comer às migalhinhas do pão da mendiga que se encontra em frente a mim e o seu jeito de quem quer tudo no seu sítio, nos olhos e sapatilhas de marca e sujas do toxicodependente ao meu lado e por fim olho o relógio e vejo a hora do comboio e recordo a arte de fingir que cada um de nós carrega.
O fingir faz parte do tornar-se verdade sabem-no os educadores.
O erro e o horror -começa quando o movimento se bloqueia, já não fazem mais nada a não ser fingir, e não o sabem os pasmados, ou sabendo, insistem os cínicos. Ou então sabem, sofrem, matam-se ou procuram um psiquiatra os pacientes.
Acabo por pensar sempre o mesmo quando me confronto com estas realidades que me provocam esta tristeza profunda, é um pensamento antigo e recorrente e que julgo ser a única forma que vale a pena, é AGIR para deslocar o lugar do poder.
É urgente aproximar a autoridade da base.
Sinto uma espécie de dilatação cósmica à escala individual.