segunda-feira, 19 de novembro de 2012

domingo, 18 de novembro de 2012

SER ENGANADO E QUERER SER ENGANADO

Sonhamo-nos.
Sonhamos que estamos perto uns dos outros e enganamo-nos e às vezes quando acordamos encontramo-nos.
Provocamos enganos que nos conduzem gradualmente, de facto, ao verdadeiro encontro.
O engano tem sempre um início e até um propósito. Por vezes surge da oposição a outros pontos de vista e tem intenções mais ou menos veladas de os atacar.
De início os outros são mistérios indecifráveis, são máscaras. confusões de imagens.
Um dia de tanto olhar, de tanta chuva misturada com sol, um dia vemos o arco-íris e nesse instante é a actualização da actualização. É o momento da revelação. E nesse instante a proibição faz-se convite e eis o paradoxo de chover e fazer sol, de o tempo não o ser, do engano e de querermos ser enganados.
A natureza gosta de se esconder, dizia Heraclito.
Lembrei-me desta frase porque reflicto sobre a natureza humana, quando verifico que a Pessoa  se fecha no pequenino mundo das suas fantasias, num mundo que não é senão uma criação duma criação, um sonho dum sonho, é assim que as coisas acontecem.
É por isso que somos enganados e nos queremos enganar.

E paro por aqui, senão entro no campo da imaginação e aí reflicto sobre as culturas (a celta, a persa, a indiana), pela imaginação pura, sem tecnologias a tolher-nos os movimentos, mas fá-lo-ei numa outra ocasião.

Agora deixo aos poucos leitores que tenho, a possibilidade de reescreverem o "texto" do engano e do ser enganado.
                 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

E NISTO LEMBREI-ME DA REVOLUÇÃO DE 1383

A revolução de 1383 teve como objectivo directo evitar a  usurpação estrangeira.
Esta revolução foi obra da maioria da nação e não duma pequena parte. Foi uma revolução social, característicamente urbana e  popular.
Na consequência das Cortes de Coimbra de 1385, o rei D.João II rodeado de legistas, começa a grande obra da unificação social, cerceando passo a passo privilégios do clero e da nobreza e sujeitando-os aos ditames da lei comum.
Uma revolução leva tempo a fazer, a não ser que seja "eleita democraticamente", como foi a nossa, a actual. O que se está a passar é uma "revolução"  só que não é popular, é antes anti-popular e não é para cercear os privilégios dos mais ricos, mas antes pelo contrário, é para empobrecer ainda mais os que menos têm.
O magnífico sistema que nos rege, fez com que uma minoria elegesse uma "maioria".
As promessas da campanha eleitoral foram completamente esquecidas. Hoje, estamos reduzidos a números. Houve como que um "apagão" da memória.
Todos se esqueceram, de repente, quem somos, o que prometeram, donde viemos e para onde vamos.
Esqueceram o que  realmente é importante face ao que nos ameaça e aniquila.
Estamos no meio desta catástrofe nesta mesma barca e não temos nenhum Noé para nos levar até à sua Ilha do Amor, por isso temos que ser nós e só nós, com as nossas acções a conduzir-nos.
Esta gente a quem o poder foi confiado não é gente séria nem possui uma única ideia sua, um único pensamento.
Os "seus"  pensamentos e opiniões são dos outros. A própria chancelarina só conhece uma palavra que quer aplicar a toda a Europa -AUSTERIDADE.
As suas vidas não passam de imitações, citam outros. Hoje há uma indústria montada à escala mundial para a transmissão de modelos, a tal globalização. "Toda" a gente pensa e diz o mesmo.
O totalitarismo do séc. XX, impôs-se sob outras formas mas com os mesmos efeitos.
Portugal, precisa de ser ele próprio, com a sua identidade e características próprias. Precisamos de ser nós, "de realizar a  nossa alma" como dizia Óscar Wilde. Precisamos de exercer uma filosofia de rebeldia.
Já vimos que não é quem nos governa que nos salva.
Já vimos que não podemos esperar milagres, portanto não nos resta outra alternativa senão deitarmos mãos à obra e mobilizar braços e almas para refundarmos Portugal, para tornarmos esta pedaço de terra um lugar bom para viver.

domingo, 11 de novembro de 2012

O VALOR DO ESTUDO

Saber pensar. Saber falar. Saber compreender. Saber reflectir.
Para haver mais compreensão no Mundo é importante tudo isto.
Sem pensarmos, sem compreendermos somos escravos de opiniões alheias.
Se não houver interrogação sobre os fenómenos, se não houver diálogo, se não conversarmos sobre as coisas não descobriremos nada de novo.
Mas como perceber o significado do que nos rodeia se não estudarmos?
Saber de onde vimos, dá mais garantia de saber onde e como estamos e, com base no caminho feito, especular com alguma margem de verdade para onde as coisas poderão ir.
O processo da comunicação é um processo complicado como sabemos, que dá lugar aos maiores erros de interpretação.
Para comunicar tem que haver  um emissor que transmite e um receptor. Entre a matéria  emitida e a recebida existem perdas,  por variadíssimos factores, entre os quais os vividos e experienciados de ambos os lados. Casos há, em que as perturbações são de tal ordem que nos deixam perplexos.
Não sei se para obviar a esta perplexidade ou não, encontramos por todo o lado a sensação do "dèjá lu e vu". Claro que ironizo, já que este fenómeno é de outra ordem de factores, mas por vezes vontade tenho de assim pensar, quando encontro por todo o lado, no falado ou no escrito, as mesmas opiniões, os mesmos livros escritos muitas vezes.
Para se ser verdadeiramente firme e objectivo, necessário é reflectir primeiro, só dessa maneira somos conduzidos até indagações fecundas pelas regiões espirituais.
Como poderemos ser solidários sem primeiro sermos solitários?

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O PAÍS DO TONY CARREIRA

Os emigrantes voltaram, os retornados também. Coliseus sempre cheios, mulheres em histeria, como se de um Deus se tratasse.
A visão do Portugal de há 40/30 anos permanece na cabeça destas pessoas. Foram-se com o Salazar e Caetano e nada ou pouco aprenderam, viveram em guetos e continuam.
Refundar o país, pois bem, refundemo-lo.
Refundar igual a partir do  zero. Refundemos os campos verdes do golfe  para voltarem a ter as culturas autóctonas.
Refundemos o país com menos auto-estradas que desaguam em lugares nenhuns e onde a circulação automóvel não se faz.
Refundemos o país de quilos de imagens que nos fornecem todos os dias, em especial, às crianças, para não mais conseguirem ler uma linha.
É tudo fast-food. O ensino é fast-food, ninguém lê, porque são muitas letras sem imagens, a musica é fast-food; já há muitos anos que o Quim Barreiros é convidado de honra em festas universitárias.
As paisagens começam a ser fast-food também com as suas casas tipo cubo ou os seus cubos tipo casas.
Refundemos patrões analfabetos, chefes incompetentes, políticos de aviário.
Refundemos os clubes de futebol e os ordenados dos jogadores e treinadores acrescidos de impostos zero.
Refundemos prémios literários para as damas e cavalheiros simpáticos do regime.
Refundemos canais televisivos com mais publicidade que programas.
Refundemos jornalistas analfabetos.
Refundemos telejornais do crime.
Refundemos os ordenados de miséria.
Refundemos bancos e capitalistas, queremo-los de gabarito.
Refundemos a tristeza e a depressão.
Refundemos o MEDO. 
Refundemos o Governo e o Presidente da República
e  antes de tudo isto façamos desintegrar-se a troika que  tanto se parece com os cobradores  coercitivos de dívidas.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

BOA NOITE


NASCER DO SOL

A NUVEM NEGRA DE MORCEGOS

Hoje vou  contar uma história a meninos pequeninos.


Era uma vez um País que vivia quase sem luz, embora houvesse muito sol cortejos imensos de morcegos negros se colocavam à frente do  precioso Astro.
Um dia, as pessoas que viviam naquele pedaço do Planeta Terra, tristes e incomodadas com as nuvens espessas de morcegos durante mais de 4 décadas, resolveram voltar a ver o sol e enxotar os pestilentos animais.
Reuniram e decidiram, duma vez por todas, ver-se livres deles já que eram causadores de toda a sua tristeza e, assim, foram falar com o chefe do bando,  exigindo que ordenasse  aos seus amigos  a retirada imediata da frente do sol, caso contrário teriam que sair à força.
E assim aconteceu: os morcegos maus fugiram para outras paragens.
Ouvia-se foguetes por todo o lado de tanta alegria.
Passados alguns anos, os morcegos maus voltaram, já as pessoas estavam  esquecidas da sua existência. Trouxeram os filhos desta vez e, alguns, até netos. Eram muitos.
Tinham feito amigos lá por onde andaram e conheceram outros morcegos,  cuja única actividade que tinham era tapar o sol a quem gostava e precisava dele. Eram morcegos diferentes e maus que viviam de dia ao contrário dos outros morcegos bons, que só aparecem à noite.
Organizaram-se e decidiram os  locais onde se esconder para que ninguém soubesse onde  estavam e quantos eram.
Algum tempo depois, já  escondiam o Rei Sol de novo e o país  voltou a ficar às escuras e as pessoas ficaram  outra vez muito tristes e deixaram de brincar, de saltar e pular e como tinham pouca luz para apreciarem todas as coisas belas e coloridas desta vida, vieram para a rua gritar bem alto que queriam luz e que para isso  aqueles bichos  tinham que se ir embora já, pois precisavam de Sol para viverem e serem felizes.
O resto da história contarei se se mantiverem acordados.
Fica combinado.