sábado, 8 de dezembro de 2012
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
A VIDA
Na maior parte do tempo a vida é rotina, não querendo com isto dizer que apenas tenha uma dimensão no dia a dia, que não tenha profundidades complexas em níveis de entendimento.
Há alturas em que a morte vem ter connosco ou através de doença nossa ou dos outros ou mesmo através da morte propriamente dita, mas também há outras mortes com que nos debatemos e acontece, não raro, renascermos a todas elas e desdobramo-nos em múltiplos sentidos e o mundo que é composto de mudança, como disse Camões, é sentido por nós como poesia, porque a Vida está cheia de poesia.
O Mundo e a sucessão das coisas que acontecem assemelha-se a um caleidoscópio, tal como ele, está sempre a girar, às vezes sentimo-nos engenheiros(as) florestais ao engate nas clareiras de pinheiros e de carvalhos seculares, outras o perfume do tédio amedronta-nos.
Há no entanto quotidianos que deixam cicatrizes, talvez a procura da felicidade implique o prévio reconhecimento da inevitabilidade da tristeza e da incompletude.
Mas acontece que a vida faz sentido no riso das crianças, no barulho das ondas do mar, no vento e quando o calor da terra começa a levantar-se.
O mundo está sempre a nascer. Morrem uns e nascem outros e tudo continua.
O passado é só memória, permanece lá, não há trasfega, como se nos esperasse desde o fundo dos tempos.
O mundo mudou, muda sempre, à medida que as nossas vidas mudam o mundo em que vivemos.
É difícil seguir o caminho, porque há muito imprevisto no caminho e por muitos resumos que se façam ou fios que se cruzem ele está sempre à nossa espera, do nosso olhar, do nosso sentir, nós é que às vezes chegamos a um impasse de passos ou então outros os dão por nós e contra nossa vontade.
Não raro concluímos que a história podia começar no preciso momento em que finda.
Há alturas em que a morte vem ter connosco ou através de doença nossa ou dos outros ou mesmo através da morte propriamente dita, mas também há outras mortes com que nos debatemos e acontece, não raro, renascermos a todas elas e desdobramo-nos em múltiplos sentidos e o mundo que é composto de mudança, como disse Camões, é sentido por nós como poesia, porque a Vida está cheia de poesia.
O Mundo e a sucessão das coisas que acontecem assemelha-se a um caleidoscópio, tal como ele, está sempre a girar, às vezes sentimo-nos engenheiros(as) florestais ao engate nas clareiras de pinheiros e de carvalhos seculares, outras o perfume do tédio amedronta-nos.
Há no entanto quotidianos que deixam cicatrizes, talvez a procura da felicidade implique o prévio reconhecimento da inevitabilidade da tristeza e da incompletude.
Mas acontece que a vida faz sentido no riso das crianças, no barulho das ondas do mar, no vento e quando o calor da terra começa a levantar-se.
O mundo está sempre a nascer. Morrem uns e nascem outros e tudo continua.
O passado é só memória, permanece lá, não há trasfega, como se nos esperasse desde o fundo dos tempos.
O mundo mudou, muda sempre, à medida que as nossas vidas mudam o mundo em que vivemos.
É difícil seguir o caminho, porque há muito imprevisto no caminho e por muitos resumos que se façam ou fios que se cruzem ele está sempre à nossa espera, do nosso olhar, do nosso sentir, nós é que às vezes chegamos a um impasse de passos ou então outros os dão por nós e contra nossa vontade.
Não raro concluímos que a história podia começar no preciso momento em que finda.
sábado, 1 de dezembro de 2012
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
SONHO OU REALIDADE
Podemos sempre dar uma boa imagem ou uma má imagem sobre a mesma coisa. Tomo como exemplo uma cidade, mas podia tomar uma pessoa ou até um objecto.
Temos uma cidade, por exemplo, Lisboa. Se quisermos ver a luz lisboeta, a cor, a bela Lisboa, fotografamos e observamos isso, mas se quisermos ver uma Lisboa pobre e quase sinistra, também o podemos fazer e não nos faltarão igualmente motivos, como aconteceu no "O Filme do Desassossego".
Podemos retratar tudo em função do nosso estado de espírito.
E onde fica a realidade? Está na "ficção" vista por cada um de nós?
Subjugamos a realidade à nossa vontade e ao nosso "sonho", mas a realidade está para além da nossa vontade.
A racionalidade tem mais de irreal que o próprio sonho.
Não irei entrar por estes caminhos de interpretação do sonho, do inconsciente e do consciente por óbvias razões no que a mim me diz respeito, direi apenas que quanto a esta matéria, me lembro sempre dos sinais da matemática, quando aprendi que mais com mais dá menos e menos com mais dá mais. A lógica do real e do imaginário eram o contrário da lógica e tudo isto para dizer o quê?
Que não há democracia na realidade, mas apenas na ficção. Que ainda há liberdade de expressão, mas apenas para fazer de conta que a democracia existe.
Tudo se importou dos E.U., até as sondagens. Nos E.U., alguém se lembrou de aplicar os métodos da publicidade ao campo da política, para se poder prever o comportamento dos "clientes" ou "consumidores", vistos como massas, números simples.
Um dia sonhei com aranhas, aranhas que cobriram uma cidade inteira, acordei e quis verificar se era verdade, mas já não consegui entrar outra vez no sonho.
Hoje estou metida num país com governantes que ascenderam político/financeiramente, gente imprestável, lumpens sociais, que vieram das profundezas de um qualquer lugar. Esta gente espalhou-se por todos os quadrantes, deixaram de andar de minis para andar em carros topo de gama em 15/20 anos e até em menos.
Chego a pensar que estou a sonhar, dentro dum terror nocturno.
Fala-se das oligarquias russas e angolanas, fala-se bem por que existem, ascenderam a todos os poderes, e então aqui, no nosso país? Não acederam ao petróleo e às minas, mas a todos os cargos-chave e prioritários do país, através da política (PSD/PS), os mesmos que agora os põem à venda.
É esta a realidade ou será sonho mau?
Aguardo o dia em que a realidade entre pelo meu país adentro, assim como na matemática, vivo no terror nocturno, irei entrar na realidade que sonhei.
Este escrito esteve para se chamar "O Lado Certo".
Temos uma cidade, por exemplo, Lisboa. Se quisermos ver a luz lisboeta, a cor, a bela Lisboa, fotografamos e observamos isso, mas se quisermos ver uma Lisboa pobre e quase sinistra, também o podemos fazer e não nos faltarão igualmente motivos, como aconteceu no "O Filme do Desassossego".
Podemos retratar tudo em função do nosso estado de espírito.
E onde fica a realidade? Está na "ficção" vista por cada um de nós?
Subjugamos a realidade à nossa vontade e ao nosso "sonho", mas a realidade está para além da nossa vontade.
A racionalidade tem mais de irreal que o próprio sonho.
Não irei entrar por estes caminhos de interpretação do sonho, do inconsciente e do consciente por óbvias razões no que a mim me diz respeito, direi apenas que quanto a esta matéria, me lembro sempre dos sinais da matemática, quando aprendi que mais com mais dá menos e menos com mais dá mais. A lógica do real e do imaginário eram o contrário da lógica e tudo isto para dizer o quê?
Que não há democracia na realidade, mas apenas na ficção. Que ainda há liberdade de expressão, mas apenas para fazer de conta que a democracia existe.
Tudo se importou dos E.U., até as sondagens. Nos E.U., alguém se lembrou de aplicar os métodos da publicidade ao campo da política, para se poder prever o comportamento dos "clientes" ou "consumidores", vistos como massas, números simples.
Um dia sonhei com aranhas, aranhas que cobriram uma cidade inteira, acordei e quis verificar se era verdade, mas já não consegui entrar outra vez no sonho.
Hoje estou metida num país com governantes que ascenderam político/financeiramente, gente imprestável, lumpens sociais, que vieram das profundezas de um qualquer lugar. Esta gente espalhou-se por todos os quadrantes, deixaram de andar de minis para andar em carros topo de gama em 15/20 anos e até em menos.
Chego a pensar que estou a sonhar, dentro dum terror nocturno.
Fala-se das oligarquias russas e angolanas, fala-se bem por que existem, ascenderam a todos os poderes, e então aqui, no nosso país? Não acederam ao petróleo e às minas, mas a todos os cargos-chave e prioritários do país, através da política (PSD/PS), os mesmos que agora os põem à venda.
É esta a realidade ou será sonho mau?
Aguardo o dia em que a realidade entre pelo meu país adentro, assim como na matemática, vivo no terror nocturno, irei entrar na realidade que sonhei.
Este escrito esteve para se chamar "O Lado Certo".
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
O ERRO DE DESCARTES
E hoje és tu Descartes o responsável pelo meu escrito. Lembrei-me de ti.
Quantos já não escreveram sobre o Erro de Descartes?
Há seres humanos chamados de "ponta" que descobrem constantemente erros nos que os precederam, normalmente as actividades presentes deixam-se para trás, embora haja sempre quem consiga vislumbrar os seus erros.
O erro a que a Europa está a ser sujeita em geral e Portugal em particular já muita gente o viu e ainda nem sequer é futuro, embora a soberbia e o fanatismo sempre de mãos dadas em Portugal não deixe inverter a marcha, para que os desenhadores de tal projecto maquiavélico e de morte económica/financeira dêem o braço a torcer.
Quando vejo e ouço os deputados da maioria serem eco destas políticas monstruosas com a sua pretensão da gravidade hierática a encobrir o rigor duma falta de ideais extreme, lembro-me de ti e não só.
Dir-se-ia que a cabeça lhes foi amputada, ao negarem tudo quanto é evidência. Nestas alturas lembro-me de Sampaio Bruno, homem da minha terra que se definia a ele próprio como um "jacobino" na "Ideia de Deus", onde se diz que as ideias, ao invés dos sentimentos não mudam.
E lembro-me dos homens da Renascença, Pascoaes, Leonardo, Cortesão, Pessoa, que se opuseram ao Estado Novo, defenderam os pedreiros livres e a democracia, sofreram a prisão, partiram para o exílio, tudo em nome do povo.
Como gostava de ver estes deputados e os seus quase gémeos do PS defenderem as suas ideias com entusiasmo, em permanente compromisso com o voto com que foram eleitos, mas antes pelo contrário, a título de exemplo, lembro-me da última do PSD que recusou poupar 24 milhões nas autárquicas e já agora o caso de Angola, em que os partidos políticos, à excepção do BE se mantiveram em silêncio durante 5 longos dias e etc, etc.
Quantos já não escreveram sobre o Erro de Descartes?
Há seres humanos chamados de "ponta" que descobrem constantemente erros nos que os precederam, normalmente as actividades presentes deixam-se para trás, embora haja sempre quem consiga vislumbrar os seus erros.
O erro a que a Europa está a ser sujeita em geral e Portugal em particular já muita gente o viu e ainda nem sequer é futuro, embora a soberbia e o fanatismo sempre de mãos dadas em Portugal não deixe inverter a marcha, para que os desenhadores de tal projecto maquiavélico e de morte económica/financeira dêem o braço a torcer.
Quando vejo e ouço os deputados da maioria serem eco destas políticas monstruosas com a sua pretensão da gravidade hierática a encobrir o rigor duma falta de ideais extreme, lembro-me de ti e não só.
Dir-se-ia que a cabeça lhes foi amputada, ao negarem tudo quanto é evidência. Nestas alturas lembro-me de Sampaio Bruno, homem da minha terra que se definia a ele próprio como um "jacobino" na "Ideia de Deus", onde se diz que as ideias, ao invés dos sentimentos não mudam.
E lembro-me dos homens da Renascença, Pascoaes, Leonardo, Cortesão, Pessoa, que se opuseram ao Estado Novo, defenderam os pedreiros livres e a democracia, sofreram a prisão, partiram para o exílio, tudo em nome do povo.
Como gostava de ver estes deputados e os seus quase gémeos do PS defenderem as suas ideias com entusiasmo, em permanente compromisso com o voto com que foram eleitos, mas antes pelo contrário, a título de exemplo, lembro-me da última do PSD que recusou poupar 24 milhões nas autárquicas e já agora o caso de Angola, em que os partidos políticos, à excepção do BE se mantiveram em silêncio durante 5 longos dias e etc, etc.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
NUMA TARDE CINZENTA O PENSAMENTO CORRE
Há um ano atrás, há 2, há 3 andava às compras por esta altura e como eu outras pessoas. Levava um carrinho com rodinhas e ia aos livros. Tinha recebido o subsídio de Natal e gastava-o inteirinho em prendas.
Comprava livros para toda a gente e para mim também, claro está. Alguns grandeS com imagens, livros de fotografia e pintura. Deliciava-me a ver aquelas imagens.
As bocas rosadas de Botticelli, as mulheres de Modgliani, os regimentos mortíferos de Goya e Picasso, os azuis de Chagall.
Tantos universos que trazia para casa, tantos inconformismos feitos arte. Aquelas pinceladas dadas na cara da modelo para rematar a obra.
Esses livros eram caros antigamente, por isso eram prenda de Natal e estes mundos novos transbordavam para mim.
Há instantes difíceis de definir. Não sei se é um instante ou um intervalo entre todos os instantes, sem medida de tempo possível.
É um sentimento mais que um tempo.
Levantei-me. Fui ao jardim, levei com uma teia de aranha na cara. Antes e enquanto tentava removê-la senti o meu país revoltado, emaranhado, apanhado numa teia.
Foram linhas invisíveis que nos lançaram, quem as emitiu, sabia o que estava a fazer.
Os fios indizíveis lançados pelos todos poderosos e, quase retiraram logo de seguida.
Quanto tempo vamos levar para nos desemaranharmos da teia?
E vem-me à memória Fernando Pessoa e a Mensagem, para muitos obra menor, não sei se se menor ou maior, mas sei que Fernando Pessoa a pôs à venda no dia 1 De Dezembro de 1934 ainda estive com o livro na mão, de manhã, quando fui procurar um outro.
Foi um gesto simbólico que ele teve para realçar o seu desejo de que Portugal retomasse o seu destino nas mãos. A Restauração da Independência do País, em 1640 e como ontem ouvi todo o dia na rádio, que ligo logo pela manhã, falar-se na restauração e restauração aqui é o conjunto de pastelarias, restaurantes, cafés e afins, pensei que agora os Restauradores são as pessoas que trabalham na restauração e que a Rainha Austeridade levou a melhor sobre o feriado do dia 1 de Dezembro e podemos comemorar o dia a meter para a barriga, restaurando forças com "fulgor baço da terra/ que é Portugal a entristecer", versos da Mensagem.
Comprava livros para toda a gente e para mim também, claro está. Alguns grandeS com imagens, livros de fotografia e pintura. Deliciava-me a ver aquelas imagens.
As bocas rosadas de Botticelli, as mulheres de Modgliani, os regimentos mortíferos de Goya e Picasso, os azuis de Chagall.
Tantos universos que trazia para casa, tantos inconformismos feitos arte. Aquelas pinceladas dadas na cara da modelo para rematar a obra.
Esses livros eram caros antigamente, por isso eram prenda de Natal e estes mundos novos transbordavam para mim.
Há instantes difíceis de definir. Não sei se é um instante ou um intervalo entre todos os instantes, sem medida de tempo possível.
É um sentimento mais que um tempo.
Levantei-me. Fui ao jardim, levei com uma teia de aranha na cara. Antes e enquanto tentava removê-la senti o meu país revoltado, emaranhado, apanhado numa teia.
Foram linhas invisíveis que nos lançaram, quem as emitiu, sabia o que estava a fazer.
Os fios indizíveis lançados pelos todos poderosos e, quase retiraram logo de seguida.
Quanto tempo vamos levar para nos desemaranharmos da teia?
E vem-me à memória Fernando Pessoa e a Mensagem, para muitos obra menor, não sei se se menor ou maior, mas sei que Fernando Pessoa a pôs à venda no dia 1 De Dezembro de 1934 ainda estive com o livro na mão, de manhã, quando fui procurar um outro.
Foi um gesto simbólico que ele teve para realçar o seu desejo de que Portugal retomasse o seu destino nas mãos. A Restauração da Independência do País, em 1640 e como ontem ouvi todo o dia na rádio, que ligo logo pela manhã, falar-se na restauração e restauração aqui é o conjunto de pastelarias, restaurantes, cafés e afins, pensei que agora os Restauradores são as pessoas que trabalham na restauração e que a Rainha Austeridade levou a melhor sobre o feriado do dia 1 de Dezembro e podemos comemorar o dia a meter para a barriga, restaurando forças com "fulgor baço da terra/ que é Portugal a entristecer", versos da Mensagem.
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