quarta-feira, 30 de março de 2016

SÓ DESGRAÇAS!

apenas dois pensamentos:



São tantas as desgraças que se falarmos das nacionais até parecemos egocêntricos, mas não, não somos, a escala é que é diferente.


O que tem de interessante matar? No entanto tem, senão não se matava tanto e tão premeditadamente.


J.S. Bach: Partitas for Solo Violin - Gidon Kremer (New Upload, Full HD ...

segunda-feira, 28 de março de 2016

TAMBÉM SÃO PESSOAS

Numa leitura humilde e activa deste mundo, acho-o tenebroso, horrível, incompreensível.
Não sei se o mundo antigo por  mim não ter sido vivido, foi menos mau que este, duvido que assim tenha sido.
Há pessoas que parecem esgotos a bolsar.
Esta gente é distraída de gente e distraída de si própria.
Esta gente com vidas a meio, com almas sempre a meio mata dezenas, centenas com toda a infância na cara.
Esta gente tem medo do medo.
Esta gente também é gente, nasceu, teve pai e mãe, foi alimentada por mama ou biberão.
Esta gente onde fervem ódios ignorando os porquês, até são pessoas e é isso que dói.
Dói muito.

domingo, 27 de março de 2016

PÁSCOA

Mamã estamos todos juntos, só faltas tu.
Agora falas com o pai e a avó.

Beijos para todos.

sábado, 26 de março de 2016

GUARDAREI MEMÓRIAS EM LATAS DE GRÃO-DE-BICO

Estendem a sua cultura geral pelas hostes analfabetas ou quase.
Quando me saem os óculos tortos do bolso e se me desbota a memória, fica-me pouco, muito pouco do que soube porque nem saber que soube às vezes sei.
Ao longo das nossas existências, eliminamos muita gente e degolamos memórias também.
Os saberes diminuem à medida que os centímetros encurtam.
No meu caso, a memória selectiva recorda-me uma infância querida e alguns anos de vida adulta com vespas incomodativas que tento sacudir.
Vasculho a memória e em certas alturas nada encontro, momentos há que salto muitas, desorganizadamente e das  arrumações faço queimadas irreparáveis.
Conheço gente que continua a colocar enchumaços naquilo que diz para as curvas serem mais perfeitas.
E vou calando dentro de mim  com juízos baixinhos e gasta-se a vida a andar ao acaso.
Começo com remoinhos no pensamento e acabo com remoinhos, como de areia se tratasse, mas o que se torna curioso é como episódios internos que julgamos perdidos vêm à tona.
Incomodam-me exibicionistas no côncavo do silêncio, memória que me regressa, bufo-lhes mas não lhes faço frente enquanto piam.
Vou começar a guardar memórias em caixas de grão-de-bico já que a minha idade continua a oscilar.


quinta-feira, 24 de março de 2016


NA ASA DO SER

Todos temos reservas quase inesgotáveis e desconhecidas.
Quando as nossas paixões abrem falência tudo se complica e aí sim, há que recear.
São tantas as aspirações, tanta a luta que quase dão a volta ao mundo.


Este era o tempo dos mantos roxos a tapar os santos da minha infância.
O mundo voltou a estar em ruínas e não são as ruínas dos velhos as maiores, mas as dos jovens a quem lhes mataram o futuro.
Os poderes vários perverteram muitos jovens.
O desemprego a que estão votados cria-lhes modos de vida de verdadeiro desinteresse e hostis a si próprios.
Há ressentimentos vários que revolucionam os espíritos.

E os mantos roxos e os Cristos com 4 espadas de um lado e três do outro, assaltam-me o espírito

As pessoas deixam-se absorver pelo estado de ânimo do mundo, das multidões que fazem o mundo que são um organismo vivo.
Todos nós temos causas in(justificáveis) para cristalizarmos, basta vivermos num país que há muito não é soberano, que é um feudo.
Enquanto portugueses fomos livrados de sermos anexados a Castela, vendidos a Fez, deportados para Amesterdão, mas vencemos em Aljubarrota.
Pertencemos ao grupo das sociedades em ruínas.
Actualmente, somos um povo que apenas defende  as normas de autoconservação e mal.
Falta-nos a unidade entre a teoria e a prática.
Persiste-se na mentira com vista a legitimá-la.
No que a mim diz respeito e ao contrário do país, detesto rodear-me de satélites, de inferior inteligência, a exibir o seu ofício de lisonja.

Estandartes roxos nas ruas a tilintar ao vento.

APITA O COMBOIO.

quarta-feira, 23 de março de 2016

NÃO ENTENDO

Não entendo esta cultura de morte por jovens europeus que são recrutados pelo DAESH para matarem inocentes, fazendo-se explodir.
Muitos começam por ser delinquentes e acabam por mudar de nome e matar indiscriminadamente  pessoas. Por ódio ao mundo em que vivem? Pelo mito do herói?
Porquê? Porquê?
O mal pelo mal.

segunda-feira, 21 de março de 2016

JOSÉ RÉGIO NO DIA DA POESIA

Cântico Negro

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!

José Régio, in 'Poemas de Deus e do Diabo' 

quinta-feira, 17 de março de 2016

PEDRA ROLADA COM ARESTAS

Mediam-me/meço-me.
Vento com ossos relutantes e músculos endurecidos.
Momentos de silêncio são-me preciosos.
A tarde dilui-se em vários tons entre o nostálgico e o sonho.
O mundo eriça-se.
Envelhece-se depressa.
Há dias em que decido não ser fada.
O que mais há são idiotas e alturas em que me sinto aparentada.
Os objectos tornam-se familiares quando estamos gastos ou é ao contrário?
Em noites de insónia folheia-se o passado, o presente e o futuro.
Desaparece tudo o que mexe e  o que está parado como a tampa da caneta também desaparece.
Encontro-me no vértice das escadas e é um sítio esquisito este.
O tempo não existe eu sei, mas não me parece prestável esse conhecimento.
Contemplo a noite que se faz dia nos estremeções da vida.

pensamentos soltos nesta madrugada que aqui te deixo
beijo-te

NATÁLIA CORREIA SEMPRE

QUEIXA DAS ALMAS JOVENS CENSURADAS
...
Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola

Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade

Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência

Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro

Penteiam-nos os crânios ermos
com as cabeleiras dos avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós

Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo

Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro

Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco

Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura

Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante

Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino

Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte.

quarta-feira, 16 de março de 2016

ANDAVA TRISTE - disseram

MORREU NICOLAU BREYNER NA PASSADA SEGUNDA FEIRA DE ENFARTE DE MIOCÁRDIO


Os amores
Foi também um homem de muitos amores. Casou quatro vezes e garantia que de todos os enlaces sobrou sempre a amizade. No fim da vida, há um mês, em tom de brincadeira garantiu que agora vivia “em união de facto com Movie”, o seu cão.
“Aprendi a divertir-me com pequenas coisas, como passear o meu cão, com quem habito”, confessava, divertido.
Rádio Renascença



UM HOMEM SÓ, DIGO EU.
A TRISTEZA VAI MATANDO




Herminia Silva Fado da Sina

Amalia Rodrigues Tiro Liro Liro

AMÁLIA RODRIGUES - Ó MALHÃO, MALHÃO.

sexta-feira, 4 de março de 2016

SOCIEDADES PODRES

Tornou-se normal o anormal, evidentemente que dito assim até parece que o normal é para levar a sério?
A democracia portuguesa tem 40 anos, é bastante nova, novíssima, não obstante está em ruínas.
Tanta gente hostil aos interesses do povo! A ditadura fascista criou ditadores.
Não se mudaram as estruturas, apenas houve preocupação numa sociedade mais justa e foi o que se vê.
O povo desconfia dos que o governam, com todo o direito, diga-se.
É a única vantagem que nos resta.
A  sociedade tornou-se agressiva, onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão.
Antes o país era um feudo e agora o que é?
O jardim de alguns?
O Estado está hipotecado e continua a assumir dívidas de privados como porta-estandarte da justiça de classe.
Autoridades  subornáveis.  Presidente  protecionista das obras de ruína.
Qualquer ambicioso que desponta pode chegar a banqueiro ou a ministro, lugares de aquecimento para carreiras internacionais, que a máfia globalizou-se.
A sensibilidade nacional parece ser regida por normas de autoconservação e as aspirações estão ao nível de terem dinheiro para as prestações a pagar e para a comida.
Falta a este povo a unidade entre a teoria e a prática,  queixa-se e muito mas a sua prática não é consentânea com aquilo que apregoa.

Chopin - Nocturne op.9 No.2

Se le burlaban.. Pero les tapo la boca cuando empezo a cantar.

quarta-feira, 2 de março de 2016

PAPAGUEIAM-SE AS MESMAS COISAS TODA A VIDA

Agora aparecem uma nova espécie de musas, que se entusiasmam, exaltam-se com os mercados e com os números.
Antigamente estas senhoras estariam  em casa a fazer bordados, hoje aparecem nas mesas redondas e até rectangulares a fazer análises ou como administradoras do Banco de Portugal como é o caso da Srª Teodora Cardoso.
Antigamente, muito antigamente,  era aos poetas que se permitia irresponsabilidade, mas hoje essa permissão foi transferida para os economistas, presidentes de todas as repúblicas e ministros vários, incluindo os primeiros.
Cansa-me tanta estupidez acumulada.
Papagueiam as mesmas inépcias que nada têm a ver com felicidade.
Será impostura, penso.
Será desleixo?
Desleixo da própria dignidade pode ser, suponho.
Não distinguem o acessório do essencial, pergunto-me mas depois ouço a frase assassina duma amiga que me dizia quando queria insultar a sério alguém: sabes,  eles também são pessoas.

Tango - Piazzolla - Boda Real, Maxima Zorreguieta.mpg

"O Barco e o Sonho" - "Teodoro não vás ao Sonoro"