domingo, 31 de maio de 2015

ESCRITORES EM SÉRIAS DIFICULDADES

extracto de carta enviada por Jaime Cortesão de Paris em 17/5/35 a João de Barros

"Sei pelo nosso comum amigo M. Mendes da fraterna solicitude com que V. tem buscado e busca encontrar editos para os meus trabalhos. Agradeço-lho de todo o coração.
Excelente foi o que já conseguiu. Excelente porque eu necessito de ganhar a vida; mas é trabalho que não tem para mim o interesse moral daqueles que proponho. E perdoe-me a imodéstia: o interesse nacional, até que qualquer das duas obras propostas representa..."


AQUILINO RIBEIRO

TEIXEIRA DE PASCOAES

CAMILO CASTELO BRANCO

EUGENIO DE ANDRADE 

são tantos, tantos, tantos alguns até fome passaram, eles e as respectivas famílias, só lembrando os artistas da escrita porque se nos viramos para outros artistas e outras artes é igual ou pior.


...e hoje não foi assim


Tema de Lara


La vida es bella ,Banda sonora


The Grand Budapest Hotel Soundtrack | Complete OST


The Sound Of Music


GOSTEI DE VER


pinheiros saudáveis dando resina

sábado, 30 de maio de 2015

e foi assim ...


UM BOM FIM-DE-SEMANA PARA QUEM POR AQUI PASSAR


E UM BEIJO

DIFICULDADES

Acho piada às pessoas da minha idade ou aparentada que não são capazes de dizer: sabe, não sabia, julgava que sabia, mas enganei-me.
Esta frase para estas pessoas é tão difícil,  tão difícil ou mais do que dizer: amo-te
Como julgam que já aprenderam muito e que os novos nada sabem, julgam viver todos os dias da melhor maneira, mas uma coisa é certa, já não aprendem mais do que aprenderam nem rectificam os erros que aprenderam e aprenderam-se muitos.
Normalmente são professores/as que têm esta atitude. Esquisito não é?! O que a idade faz...
Temos que nos manter vigilantes todos os dias, senão estupidificamos ainda mais.

Caminante no hay Camino Juan Manuel Serrat


sexta-feira, 29 de maio de 2015

SERÁ?

Estar doente é uma forma de resistir à dor, segundo alguns pensam e dizem.
Será? Se calhar é.
Aproximação a Deus não me parece que seja, será?
Já nada sei.

e por cá andamos


Silvio Rodríguez - Te doy una canción


New York, New York - Frank Sinatra - in Full HD


GRUPO DOS HUMORISTAS PORTUGUESES

Este Grupo teve na sociedade lisboeta a apertada repercussão que uma vida mental asfixiada permitia. Organizando palestras, exposições e outros actos na primeira fase. Em 1945 nasceria o Grupo Rafael Bordalo Pinheiro - tinha a colaboração de alguns lápis notáveis de pintores e de algumas não menos notáveis penas de escritores. Numa época em que a caricatura e o humor, afinal, eram considerados artes menores, o Grupo dos Humoristas Portugueses "Por Bem" como a pega de Sintra...) tomava esta legenda que era a conhecida quadra de Garrett, sobre a pega negra e palreira"...

A pega é negra e palreira
o que sabe vai cantando:
Meu Deus quer que os chocalheiros
guardem segredo, falando.

Garrett

Mário Viegas - "Os ais"


quinta-feira, 28 de maio de 2015

rosa


GRAXA

COMO SE ENGRAXAVA NOS ANOS 30:

Manuel Teixeira Gomes no dia 29/7/1930 escreve a João de Barros , dizendo assim:

...tudo é inútil quando o vinho é licoroso e perfumado como a sua prosa. Mil vezes obrigado.




Nos anos 2000 no facebook alguém dizendo para um poeta

-"A luminosidade da juventude, que se perpétua no tempo através da atitude; da personalidade; do carácter, da firmeza e do seu bem estar psicológico! "

-"Perfeito"

-"Perdeu-se um pintor, ganhamos um grande escritor"


etc., etc. etc.

ANTÓNIO CARNEIRO poeta (1872-1930)

Poeta quando pintava e quando versejava. Publicou Solilóquios, um volume de sonetos mais ou menos anterianos

A MINHA AMADA TERRA


terça-feira, 26 de maio de 2015

Mozart - A Flauta Mágica - Abertura


DELACROIX



Para o poeta Charles Baudelaire, Delacroix era o mais sugestivo de todos os pintores, o que mais fazia pensar e mais trazia à memória sentimentos e pensamentos poéticos. Isso se deve, explicava o autor de As flores do mal, à "leitura dos poetas que deixava em Delacroix imagens grandiosas". Para os dois artistas, a imaginação era a rainha das faculdades e o dom mais precios de um homem. Delacroix pintou a obra A Morte de Sardanapalo, em 1827, inspirando-se no trabalho do poeta romântico inglês Lord Byron, que conta a história do cerco e da queda do rei da segunda dinastia assíria, cercado no seu palácio, no final do século IX. Sobre um publico ofendido, Delacroix apresentava com esta tela uma avalanche de cor e movimento. O impacto da obra era forte demais para o público e a crítica acostumados ao neoclassicismo, que não demorou a condená-la. O que era inspiração, imaginação livre e referência na pintura de Rubens foi considerado como irresponsabilidade; as incertezas do espaço, amplo e não matemático, visto como confusão. Na verdade A Morte de Sardanapalo destruía as três unidades sagradas do estilo acadêmico. Transcendendo as leis da perspectiva, a tela demonstra uma coerência estilística absoluta no seu jogo livre de volumes sinuosos, enquanto todos os componentes do quadro (vestuário, corpos e objetos), testemunham as virtualidades de Delacroix. Em A Morte de Sardanapalo, o artista mergulha o espectador no interior da representação do horror. Ele pinta uma apoteose da crueldade. A composição, de vermelhos e dourados, retrata o holocausto do legendário rei assírio, destruindo suas posses antes de se suicidar. Atacado pelos rebeldes, o seu castelo, suas riquezas, está tudo perdido; reclinado sobre uma suntuosa cama, Sardanapalo ordena, então, que os eunucos e oficiais do palácio cortem a garganta de suas mulheres, pagens e mesmo de seus cavalos e cães favoritos. Nenhum dos objetos que lhe proporcionaram prazer deveriam sobreviver para além dele. As suas mulheres são colocadas no mesmo nível que os seus cavalos e cães. Os ritmos diagonais, a fluidez das linhas, o brilho das cores e a sua profunda sensualidade fazem de A Morte de Sardanapalo uma das maiores obras-primas do século XIX. Baudelaire perceberá o grande pintor que nasce ali, resumindo o sentido de sua obra no célebre texto "A vida e a obra de Eugène Delacroix", onde diz: "Sua imaginação ardente brilha com todas as chamas e com todas as úrpuras. Tudo o que há de dor na paixão o apaixona; tudo que há de explendor o ilumina; verte sobre suas telas inspiradas o sangue, a luz e as trevas". Mas para o público o quadro era no mínimo escandaloso. A mulher contorcendo-se aos pés da cama real ao mesmo tempo que uma adaga se levanta em direção à sua garganta tem uma expressão de sofrimento demasiado voluptuosa para o gosto da época. Erotismo e morte se fundiam num mesmo corpo representado. Delacroix desenvolvera a capacidade de observar na natureza todas as suas sinuosidades e delas extrair a mais sublime voluptuosidade. Os críticos riram e um pintor como Ingres já havia falado a respeito da arte de Delacroix como o "massacre da pintura". As mulheres pintadas por Delacroix tinham cabelos selvagens e costas arqueadas. São de carne e osso, conscientes de sua carnalidade, de sua sensualidade, de seu apelo erótico. São vítimas do terror, sabendo que a morte estava perto; perante seus olhos, os seus assassinos, os carrascos de Sardanapalo, estão a trabalhar, e vibram como se o fizessem sob as carícias do olhar do rei. É um holocausto de orgasmo e morte. Através dessa massa de cadáveres com espasmos de angústia e êxtase, Delacroix transmitiu uma vitalidade frenética. As mulheres, os assassinos, os animais, contorcem-se como se fossem chamas que rodeiam a cama-cadafalso do principesco Sardanapalo. Há algo do que seria a música de Richard Wagner, onde a adoração da morte atinge o plano da consciência poética. A decisão fundamental da opção pela morte no mundo prestes a ser regido pela dissolução das formas e dos seres amados se concretiza tanto em Tristão e Isolda quanto em Sardanapalo. A tela representa um espetáculo digno de assustar o próprio Sade: eis um homem com um poder suficiente para espalhar o terror e a morte por onde quer que passe, cujo máximo prazer é a destruição total de sua montanha de carne, os gritos, os cadáveres que respiram pela última vez, as bestas orgulhosas e os esplendores desconhecidos, no topo dos quais ele permanece impassível. No seu Diários, Delacroix concorda com o que Baudelaire chamava de ideal em sua pintura: "o terrível". Segundo Mario Praz, em A carne, a morte e o diabo na literatura romântica, "é sintomático que Baudelaire devesse ouvir especialmente os pintores e os músicos que estavam mais impregnados de literatura, um Delacroix, um Wagner, cerebrais da sensualidade perturbada". Sardanapalo representa a máxima autodestruição, um príncipe cujo suicídio adquire a forma pretendida pelo seu estatuto e crenças, na pompa e circunstância assassinas do massacre. O sangue mistura-se com pedras preciosas numa cascata tumultuosa. Os cavalos relincham, as mulheres recuam numa sinfonia veemente de ancas e nádegas. O êxtase orgiástico que se pode ler da mesma forma nos olhos das mulheres e dos cavalos não permite fazer distinção entre prazer e pânico. Ao centro da tela encontra-se Sardanapalo, central e estupendo, como quem controla, como quem tem o poder sobre a vida e a morte. É notável a gama de cores, do ouro ao vermelho sangue e à púrpura que são a potência e a glória, anunciando o sangue e as chamas, ou seja, a morte. Também notável as linhas, nos primeiros planos dos contornos. Não se trata de caos, embora estejamos falando de horror. Tudo pede o olhar: a crina dos cavalos, os cabelos das mulheres, as dobras dos tecidos, e pode-se imaginar o som, os gritos, as ordens aos berros, os relinchos dos cavalos, os cascos no mármore, o metal contra o metal e os perfumes; pois é possível imaginar e sentir a fragrância do Oriente, o mirto, o ópio, o suor, o cheiro do sangue, o cheiro do terror. Todos os sentidos são chamados num desespero controlado dos ritmos lineares. Isso é a potência de Delacroix. Isso é o que se chama "o poder da arte". Sardanapalo no topo da pirâmide, indecifrável, alucinado, mas calmo. Todos os seus sentidos estão saturados. E ele foi além do paroxismo e se instalou num patamar que só pertence ao iniciados, aos mártires, aos loucos, aos drogados. É esta a quintessência do romantismo. Todas as grandes filosofias se interessaram pela morte. O romantismo é agitado, não é prudente. Ele não espera a morte, ele se antecipa a ela, e a celebra ou retrata, para melhor apreciar suas fases. O romantismo erotiza a morte como já falava Baudelaire. A estética romântica capta o desvairado poder da morte, como uma droga que, dentro das veias, vai dilatar a capacidade de sentir, de gozar e até de contemplar. Foi o que fez Sardanapalo. Ele contempla com prazer nostálgico os corpos e as coisas que está tomando do inimigo. Ele goza duas vezes mais numa perfeição absoluta e última. Uma última orgia do olhar. Esse gozar sublime na ação. Em A Morte de Sardanapalo, Delacroix chamou a atenção para os delírios místicos-eróticos do submundo como um bacanal, uma imagem satânica construindo o suporte imposto ao universo transcendental. As massas sempre apreciam os sacrifícios humanos a deuses, reis ou causas. Se o romantismo está em conformidade com a definição de tragédia dada por Racine, ao exigir como tema "uma princesa suportando a desgraça", Delacroix é sem dúvida o romantismo par excellence. Sua obra, resume as palavras de Baudelaire, "é um hino terrível composto em honra da fatalidade e da dor irremediável". Mais ainda, dizia o poeta: "Delacroix era ardorosamente amoroso da paixão, e friamente determinado a procurar os meios de exprimi-la de maneira mais visível". 


RETIRADO DA NET                       

Beethoven - Sonate au Clair de Lune


Pinceladas de Arte - JEAN-ANTOINE WATTEAU: Embarque Para Cítera


HÁ SEMPRE UMA LUZ


BELEZAS AMIGAS


SOMBRAS


segunda-feira, 25 de maio de 2015

Música Portuguesa del XVI - CIRCA 1500 & Gerard LESNE.wmv


alegra-almas


Manuel Freire - "Pequenos Deuses Caseiros" poema de Sidónio Muralha (19...


de JOSÉ GOMES FERREIRA

VIVER SEMPRE TAMBÉM CANSA!




Viver sempre também cansa!


O sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora é azul, nitidamente azul,
ora é cinza, negro, quase-verde...
Mas nunca tem a cor inesperada.


O mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.


As paisagens também não se transformam.
Não cai neve vermelha,
não há flores que voem,
a lua não tem olhos
e ninguém vai pintar olhos à lua.


Tudo é igual, mecânico e exacto.


Ainda por cima, os homens são os homens.
Soluçam, bebem, riem e digerem
sem imaginação.


E há bairros miseráveis, sempre os mesmos,
discursos de Mussolini,
guerras, orgulhos em transe, automóveis de corrida...


E obrigam-me a viver até à Morte!


Pois não era mais humano
morrer por um bocadinho,
de vez em quando,
e recomeçar depois,
achando tudo mais novo?


Ah! se eu pudesse suicidar-me por seis meses,
morrer em cima de um divã
com a cabeça sobre uma almofada,
confiante e sereno por saber
que tu velavas por mim, meu amor do Norte.


Quando viessem perguntar por mim,
havias de dizer com o teu sorriso
onde arde um coração em melodia:
"Matou-se esta manhã.
Agora não o vou ressuscitar
por uma bagatela."


E virias depois, suavemente,
velar por mim, subtil e cuidadosa,
pé ante pé, não fosses acordar
a Morte ainda menina no meu colo...



José Gomes Ferreira

RESULTADO DA REUNIÃO

Imediatamente se entrou a fundo no assunto da ordem do dia, e tudo visto e considerado..., foi toda a matéria dos autos mordida democraticamente, à unha, em plena confraternização entre mim e eu própria foi decidido que este tempo de incapacidade materna rouba-me a vida e a tudo vai pondo fim.

domingo, 24 de maio de 2015

sábado, 23 de maio de 2015

linda noite


Woody Allen - Songs from Woody Allen's Films


...e sempre as flores



ERA UMA VEZ UM PAÍS

Nos idos 500 lá íamos nós à descoberta e fomos bons na marinhagem e em muitas artes que com ela se relacionavam nalgumas fomos até os primeiros, os inventores.
Hoje, diluimo-nos, desfazemo-nos nos grandes.
Dum momento para o outro descubro que afinal o futuro não é sermos todos pretos ou mestiços, o que não me desagradaria de todo, mas que afinal iremos ter os olhos em bico.
Sempre fomos pequenos, mas hoje somos mais pequenos do que nunca porque a alma mingou. A acrescentar a tudo isto, temos uma imprensa esmagadora que como de um rolo se tratasse nos passa por cima.
Deixamos de ter Pátria, apenas temos os criminosos de colarinho branco de elevado grau, banqueiros e políticos das governações, oportunistas vários em todas as classes sociais, jovens a cargo das famílias, crianças pobres com pais pobres e famílias pobres, videirinhos de todos os coturnos e os honestos, a minoria silenciosa ou será a maioria? É tão silenciosa que não se sabe quantos são. Maioria por certo são os que sofrem sem mexerem uma palha, à espera que o destino resolva e faça justiça ou quem sabe a Santa Madre Igreja, a toda poderosa sempre de bem com Deus e o Diabo.
Os que sustentam tudo isto e não são donos de nada sei eu bem, são 11% nas minhas contas feitas e refeitas.
Vivemos juntos como se tivéssemos acordado ser bem comportados, mas não há noção de pátria. A esquerda convencional odeia esta palavra, aliás esta esquerda não tem qualquer sucesso, apenas existe para se conservar, não para alterar coisa nenhuma ou governar, faz parte do sistema, o sistema dito democrático, precisa de ter direita forte, muito forte a comer espinafres todos os dias e uma esquerda miudinha e certinha, a criticar o que está mal, o sistema capitalista moderno alimenta-se disto. Não mobilizam, não lideram as massas populares insatisfeitas, queixam-se muito e dividem-se muito mais.
A Pátria é um mercado como na Bélgica e não só.
A maioria dos portugueses são escravos do euro ou porque lhes falta o pão ou porque o têm em demasia.
Só exigimos dos outros mas cada um de nós realizar aquilo que exige que normalmente é sempre o óptimo, isso não, obrigada.
De facto, somos um povo inquietante!
Criticamos mas na hora da verdade, baralhamos para ficar tudo na mesma.
O conservadorismo acompanha-nos sem tão pouco sabermos o que isso é.
Um povo cheio de manias de grandeza nem que para isso tenha que ser injuriado, vilipendiado, comprado, um povo pequeno com alma pequena.
Não tenhamos ilusões vãs, essas são boas para as letras do fado ou nem isso.

O MEU PRINCIPAL DESEJO

DIZER:

Caramba, estou hoje mesmo em forma.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

UM EM CADA CINCO TRABALHADORES NÃO PAGA IMPOSTOS





CLARO QUE EU SOU A UMA

DO BLOG DO EDUARDO PITTA

Abre hoje o novo Museu dos Coches. Por aquilo que a televisão ontem mostrou, o interior é um hangar branco e árido. Não me impressiono com o facto de ter sido desenhado por um laureado com o Prémio Pritzker, o arquitecto brasileiro Paulo Mendes da Rocha (em colaboração com o português Ricardo Bak Gordon). É deprimente, ponto. Todos sabemos que o actual Governo o manteve fechado dois anos, vazio, com o argumento de que não havia dinheiro para os remates finais, nos quais se incluem a museografia, que talvez fique pronta dentro de sete meses. E dou de barato que não tenha sido construída a ponte pedonal que ligaria o museu à zona ribeirinha, junto à estação fluvial de Belém. A obra custou mais de 40 milhões de euros, mas o dinheiro veio das receitas do Casino de Lisboa.

The very best of Sidney Bechet - 1 hour of JAZZ


ALEXANDRE O'NEILL

Eu estava bom p’ra morrer
nesse dia.
Não tinha fome nem sede,
nem alarme ou agonia.

Eu estava tal como está
esse que perdeu a amiga,
o homem que sofreu já
tanto (nem se imagina!)

que ficou bem atestado
de fadiga
e copiou-se em alegre,
mas de uma torpe alegria,

que não era mesmo alegre,
mas alegre se fingia
só para enganar o morto
que dentro de si trazia.

Este é um modo de dizer
em que ninguém acredita,
mas não sei melhor dizer:
era assim que eu me sentia!

A solidão o que era?
O amor o que seria?
Já ninguém à minha espera,
para nenhures é que eu ia.

Eu estava bom p’ra morrer
— e ainda hoje morria…
Assim me quisesses dar
e tirar — só tu! — a vida.


Alexandre O'Neill

há coisas boas

Como é bom estarmos afastados dos diletantes do pensamento curto como diria Stephan Zweig

quinta-feira, 21 de maio de 2015

PRECISO DE RESPIRAR

Preciso de respirar sem austeridade, sem crise, sem tristeza.
Precisava de sair deste manicómio de País, da Europa.
Esta actualidade é esquizofrénica e faz demasiado mal, ataca toda a gente.

Benjamin Clementine - Live Deezer Session (Cornerstone)


Benjamin Clementine - Live Deezer Session (Cornerstone)


olha o que eu encontrei dentro dum livro teu m eu querido Pai

Mischa Maisky: Rachmaninoff & Shostakovich. Concert in Moscow


DEPOIS DE VER A ZAZ, FICA-SE BEM

Olho à volta, a terra está enfeitada, só falto eu.
As árvores gementes com o vento, afiguram-se harpas para a gata Nini e dança, dança.
O que mais há a fazer?
Acabar de fazer a sopa e tornar-me bela para enfrentar este dia.

Zaz à Montmartre : Les passants


Zaz - Je Veux - PARA ACORDAR :)


quarta-feira, 20 de maio de 2015

um caderno meu que a minha mãe guardou

As pombinhas da Catrina cantando / Educacionais para crianças


OS BAGOS

retirado de SANGUE PLEBEU, PINA DE MORAIS, 1942


. bagos túmidos de sangue à Touriga

. torna verde-claro de esmeralda o bago unido e redondo da D. Branca.

. O Diagalves tem bagos de cristal, e o mês de Agosto aquece-lhe a folhagem pontiaguda dum claro dourado que encanta.

. O Rabisgato, de cepa valiosa, vara larga e comprida, dá vinho de valentia e tem os bagos dum verde-claro de certos licores.

. O Malvasia, cor-de-rosa, trazido do levante, é toda cor-de-rosa, como a romã aberta, e guarda misteriosamente o aroma e os sonhos orientais.


. O Verdelho, de folha cordiforme, é amarelo esverdeado como as lagunas ensombradas.

. O Bastardo, de bagos fechados e tão unidos que torna o cacho cilíndrico, cor de abrunho, de pele translúcida, doce e de aroma tão penetrante que incomoda.

. O Mourisco, o bago mais perfeito de todos, de pedúnculos de púrpura, cacho escadeado e solto para os bagos ficarem livres vertendo sangue sarraceno. Perfumou-o a última moira o que leva muitos a chamar à qualidade, padeira.

. O Donzelinho, de folha terminada em coração

. O Dedo de Dama, bago galante, como lindas falanges de princesa, pele fina e carne transparente.

. A Uva Salsa, a folha mais recortada de todo o Douro.

. A Tinta Amarela, tão doce e linda, de cor e aroma tão vivos, que as abelhas a procuram e a sorvem.

. O Alicante, de bago enorme, oblongo, cor de coral.

. O Chancelar, cor de oiro desmaiado, temporão e suave.

. A Tinta Cão, vinho austero, bago preto lavado de azul.

. O Sousão, que tinge e pinta tudo da sua tinta de escrever escura, inesgotável. Um nunca acabar.

. Labrusca - videira selvagem

.

.

UM DOS MEUS MORANGOS





ESTE ANO TÊM MUITOS CORAÇÕES

ESTAMOS VIVOS, NÃO É?

terça-feira, 19 de maio de 2015

Henry Mancini - The Pink Panther Theme (From The Pink Panther) (Audio)


POIS É...

“Naufragar é preciso?”




texto de João Pereira Coutinho




PUBLICADO NA FOLHA DE SÃO PAULO

(10 JANEIRO 2012)


Começa a ser penoso para mim ler a imprensa portuguesa. Não falo da qualidade dos textos. Falo da ortografia deles. Que português é esse?

Quem tomou de assalto a língua portuguesa (de Portugal) e a transformou numa versão abastardada da língua portuguesa (do Brasil)?

A sensação que tenho é que estive em coma profundo durante meses, ou anos. E, quando acordei, habitava já um planeta novo, onde as regras

ortográficas que aprendi na escola foram destroçadas por vândalos extraterrestres que decidiram unilateralmente como devem escrever os

portugueses.

Eis o Acordo Ortográfico, plenamente em vigor. Não aderi a ele: nesta Folha, entendo que a ortografia deve obedecer aos critérios do Brasil.

Sou um convidado da casa e nenhum convidado começa a dar ordens aos seus anfitriões sobre o lugar das pratas e a moldura dos quadros.

Questão de educação.

Em Portugal é outra história. E não deixa de ser hilariante a quantidade de articulistas que, no final dos seus textos, fazem uma declaração de princípios: “Por decisão do autor, o texto está escrito de acordo com a antiga ortografia”.

A esquizofrenia é total, e os jornais são hoje mantas de retalhos. Há notícias, entrevistas ou reportagens escritas de acordo com as novas regras. As crônicas e os textos de opinião, na sua maioria, seguem as regras antigas. E depois existem zonas cinzentas, onde já ninguém sabe como escrever e mistura tudo: a nova ortografia com a velha e até, em certos casos, uma ortografia imaginária.

A intenção dos pais do Acordo Ortográfico era unificar a língua.

Resultado: é o desacordo total com todo mundo a disparar para todos os lados. Como foi isso possível?

Foi possível por uma mistura de arrogância e analfabetismo. O Acordo Ortográfico começa como um típico produto da mentalidade racionalista,

que sempre acreditou no poder de um decreto para alterar uma experiência histórica particular.

Acontece que a língua não se muda por decreto; ela é a decorrência de uma evolução cultural que confere aos seus falantes uma identidade própria e, mais importante, reconhecível para terceiros.

Respeito a grafia brasileira e a forma como o Brasil apagou as consoantes mudas de certas palavras (“ação”, “ótimo” etc.). E respeito porque gosto de as ler assim: quando encontro essas palavras, sinto o prazer cosmopolita de saber que a língua portuguesa navegou pelo Atlântico até chegar ao outro lado do mundo, onde vestiu bermuda e se apaixonou pela garota de Ipanema.

Não respeito quem me obriga a apagar essas consoantes porque acredita que a ortografia deve ser uma mera transcrição fonética. Isso não é apenas teoricamente discutível; é, sobretudo, uma aberração prática.

Tal como escrevi várias vezes, citando o poeta português Vasco Graça Moura, que tem estudado atentamente o problema, as consoantes mudas, para os portugueses, são uma pegada etimológica importante. Mas elas transportam também informação fonética, abrindo as vogais que as antecedem. O “c” de “acção” e o “p” de “óptimo” sinalizam uma correta pronúncia.

A unidade da língua não se faz por imposição de acordos ortográficos;

faz-se, como muito bem perceberam os hispânicos e os anglo-saxônicos, pela partilha da sua diversidade. E a melhor forma de partilhar uma língua passa pela sua literatura.

Não conheço nenhum brasileiro alfabetizado que sinta “desconforto” ao ler Fernando Pessoa na ortografia portuguesa. E também não conheço nenhum português alfabetizado que sinta “desconforto” ao ler Nelson Rodrigues na ortografia brasileira.

Infelizmente, conheço vários brasileiros e vários portugueses alfabetizados que sentem “desconforto” por não poderem comprar, em São Paulo ou em Lisboa, as edições correntes da literatura dos dois países a preços civilizados.

Aliás, se dúvidas houvesse sobre a falta de inteligência estratégica que persiste dos dois lados do Atlântico, onde não existe um mercado livreiro comum, bastaria citar o encerramento anunciado da livraria Camões, no Rio, que durante anos vendeu livros portugueses a leitores brasileiros.

De que servem acordos ortográficos delirantes e autoritários quando a língua naufraga sempre no meio do oceano?

ESTADO DE ESPÍRITO

ABRINDO LIVROS

E LENDO AO ACASO:

Diego Gelmirez - responsável pela construção da catedral de Santiago de Compostela e sóbrio e astuto conselheiro de Afonso III - Nélida Piñon - "A República dos Sonhos"



Tinha um ar divertido e um jeito de piscar os olhos como se estivessem a tentar ler um letreiro ao longe e se tivesse esquecido dos óculos - Arundhati Roy - "O Deus das Pequenas Coisas"


Os escravos perdem tudo quando perdem as suas correntes, apercebo-me agora, até mesmo a alegria de se libertarem delas. J.M. Cotzee- "No Coração desta Terra"


É quase insuportável a melancolia dos sentimentos antecipados, do existir em esboço - Fernando Dacosta - "Os Infiéis"








segunda-feira, 18 de maio de 2015

O MEU QUERIDO NETO

O MEU PORTO E OS MEUS VAZIOS

ALBERTO PIMENTA

A CADÊNCIA DOS BICHINHOS DE CONTA


os bichinhos do ouvido
fazem de conta que escutam
o que os bichinhos de conta
fazem de conta que contam

assim tudo corre bem
para uns e para outros
nem uns dizem que são mudos
nem os outros que são moucos


Bestiário lusitano, 2.ª edição, Momo, Lisboa, 2014.

CZESLAW MILOSZ - EL DÍA DEL FIN DEL MUNDO

El día del fin del mundo
una abeja vuela sobre una capuchina,
el pescador remienda una red brillante,
en el mar saltan alegres delfines,
jóvenes gorriones se agarran a un canalón
y la serpiente tiene una piel dorada.

El día del fin del mundo
las mujeres van por el campo con parasoles,
un borracho se duerme en la hierba,
los vendedores de verduras gritan en la calle,
y una barca con una vela amarilla llega a una isla,
el sonido de un violín dura en el aire
y abre una noche estrellada.

Y los que esperaban rayos y truenos
están decepcionados.
Y los que esperaban signos y trompetas de arcángeles
no creen que se esté cumpliendo.
Mientras el sol y la luna estén allá arriba,
mientras el abejorro visite la rosa,
mientras los niños nazcan rosados,
nadie creerá que ya se está cumpliendo.

Sólo un viejito canoso que podría ser un profeta,
pero que no es profeta alguno porque tiene otras ocupaciones,
dirá mientras vaya atando las tomateras:
No habrá otro fin del mundo,
no habrá otro fin del mundo.

domingo, 17 de maio de 2015

NO PRINCÍPIO ERA ASSIM


VONTADE

Que enorme vontade de me aproximar das pessoas inteligentes e nobres. Só inteligentes não me chega.
Sim, conheço algumas pessoas inteligentes, poucas, mas com nobreza de espírito conto-as pelos dedos das mãos.
Tenho dias que são uma enorme pausa branca, que pergunto ao fim: valeu a pena? e  o meu coração diz que não e logo vem a segunda pergunta: e a tua mãe com quem ficava?
Vivi tanto cada dia, às vezes, e agora assisto  à memória dela a dissolver-se na sombra. A minha irá a seguir.
Pergunto-me se quando estou no meio dum pensamento de cujo início já não me lembro se já não é um sinal.
Há coisas que é preciso esquecer e até apagar e até ficamos agradecidos por assim ser, sem dúvida.
Não vou entrar por este registo da memória, vou antes terminar este pensamento com rapidez para prosseguir noutros que se cruzam ou talvez este tivesse sido mais rápido e se sobrepusesse ao anterior.
Desfito os olhos e vejo o rio lá em baixo, o vento leste a rugir nas árvores, ouço o canto dos passarinhos e os foguetes, sabe-se lá por que santo tocam e, em vez de me assaltar esta mornidão, a inquietação persiste.
Hoje há almoço em família, vou ver o meu querido neto, devia estar feliz, mas nunca estou.
Sorrio. Por muito menos, muita gente é feliz.
Confesso que esta mãe indefesa  me reforça  os meus sentires.
Faz-me falta a conversa sã, inteligente e despretensiosa de gente boa, gente nobre e generosa.
Tive a sorte de em épocas da minha vida estar rodeada  de pessoas assim.
Saudades muitas, muitas.

sábado, 16 de maio de 2015


CÉU AZUL


OPINIÃO

Cansei de opiniões.
Toda a gente com ligeireza máxima opina o máximo.
Não passam ao acto, apenas se ficam pelo que pensam, pelo que dizem pensar, deixam o FAZER para os outros.
Prefiro faunos percorrendo os bosques, mas até agora só me tenho encontrado a mim a tentar prender o silêncio.

NEM VONTADE DE RIR ME DÁ

AO SEGURO DEVE DAR
O POVO CONTINUA A PENSAR QUE NÃO HÁ ALTERNATIVA
O GOVERNO NÃO TEM UM MINISTÉRIO DA PROPAGANDA TEM A COMUNICAÇÃO TODA
O POVO MERECE?
 
 
EU NÃO!
 
SONDAGEM DO EXPRESSO -15/05/2015

ZONA LIBRE RADIO URUGUAY: Refugiados de Guantánamo alcanzan acuerdo para est...

ZONA LIBRE RADIO URUGUAY: Refugiados de Guantánamo alcanzan acuerdo para est...: El acuerdo está siendo traducido al árabe y será firmado por los exreclusos en los primeros días de la semana próxima Los exrecluso...

sexta-feira, 15 de maio de 2015

UMA BOA NOTÍCIA

Sociedade Portuguesa de Autores não vai adoptar Acordo Ortográfico

E TERMINOU O DIA



Mischa Maisky plays Bach Cello Suite No.1 in G (full)


TREINO

Treino a condescendência.
Treino o escrutínio do estranho.
Treino no assistir à ascensão da ignorância por todo o lado.
Treino com as hecatombes familiares.
Treino para considerar  a moderação não um sentimento mesquinho  nem desprezível mas razoável.
Treino para a aceitação da mavíssima mediocridade da província.
Treino para não comparar tragédias.
Treino para ser velha e...
entretanto continuo  com este suplemento de peripécias na luta por ser uma botânica amadora.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

e

abra-se a porta

AGORA ILUMINADA


COM TODA A BONDADE

Com toda a bondade de que sou capaz comigo própria, penso escorar todos os dias o meu edifício narrativo.
Tento, mas nem pegada deixo.
Não sei se o problema está nas armaduras que uso ou  nos idiotas que encontro pelo caminho que me fazem rasgar essas armaduras 'in'voluntariamente.
Quando reflicto sobre esta questão, penso sempre em Hades e no reino dos mortos que há em nós mas também penso naqueles momentos pouco tratáveis, para não dizer intratáveis, que nos assistem.
Sim, sou consciente dos catafalcos que há em nós, e na bondade que há em mim num país em que nada interessa a ninguém.
Fica mal dizer isto? Não sei. Talvez, mas é assim.

terça-feira, 12 de maio de 2015

OUTRO MUNDO

Diz-se que o aconchego dos intelectuais é a intimidade de um mundo onde raros penetram, mas de facto, os mundos de todas as pessoas são impenetráveis, quer se trate do artista X ou Y ou do simples Zé da esquina.

TARJETAS



pois é...


A SÓS COM OS MEUS PENSAMENTOS

Desconheço se a partir dos 70 anos passo a sofrer menos inquietações ou,  antes pelo contrário, os pequeno nadas se acumularão.
Continuo a espantar-me e, comigo, todos os dias, por isso o mais certo é nessa altura ainda ter cordas por tocar.
Todos queremos ser felizes. No meu caso apenas queria que o ontem se fizesse hoje de repente.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

TRISTEZA

ESTE PAÍS TODO À VENDA DÁ COMIGO EM LOUCA

NO MACIÇO DA GRALHEIRA



..". simultaneamente, porém, procurava Berlim eximir-se ao pagamento da enorme factura (132 de marcos - ouro) que lhe foi apresentada pelos aliados, após longo debate e vários passos em falso, em 1921. Como o demonstrou Nail Ferguson, no seu livro "The Pity of War", havia excelentes contactos entre a delegação alemã a Versalhes e uma das figuras mais influentes da sua congénere britânica, o economista John Maynard Keynes. Este, em "The Economic Consequences of the Peace" (1919), popularizou o argumento, sobretudo no mundo de língua inglesa, de que a Alemanha não estava em condições de arcar com uma pesada indemnização. Juntos, a campanha alemã, os argumentos de Keynes, a interpretação leninista da guerra, o crescente isolacionismo norte-americano e o desejo generalizado de impedir um novo conflito mundial conduziram a um consenso que se instalou nos anos Vinte: todas as grandes potências europeias tinham sido, em parte,  responsáveis pela guerra (o que significava, na prática, que nenhuma era responsável)."

extracto dum artigo do Historiador Filipe Ribeiro de Menezes no Expresso deste fim de semana

CONSTATAÇÃO

Quase todos os licenciados que se encontravam desempregados foram 'apanhados', literalmente falando, pela Remax, uma empresa imobiliária internacional, com métodos nojentos de funcionamento.  Uma droga para quem lá entra. Não possuem qualquer regalia e trabalham que se desunham. São capazes de vender a casa-de-banho do vizinho dizendo que se trata dum T0.

domingo, 10 de maio de 2015

PEDRAS COM HISTÓRIA


SE NASCESSE OUTRA VEZ GOSTAVA DE SER PEDRA

ANDA AQUI UMA PESSOA NESTE MUNDO...

... e não deixa rasto, afasta-se duma vez e não deixa qualquer rasto, chega a ser menos que a baba dum caracol que ainda permanece por algum tempo, com a excepção de alguns génios da literatura e até da ciência e das artes.
Chega-se  a uma idade que nem planos para o futuro se fazem.
Anda aqui uma pessoa neste mundo para chegar à idade de perceber que só os muito pobres se podem dar ao luxo de ser honestos ou aqueles que estão impossibilitados por défice de nascença de serem camaleões.
O  que se aprende com a idade, afinal de contas?
Que o amor nunca desiste.
Aprendemos tardiamente que a vida é como é.
Ouço o ruído das recordações.
É certo que há muitas emoções extraordinárias que nos são quase oferecidas, pela música, pela paisagem, por aquilo que fazemos com sucesso e pelo reconhecimento, mas a Felicidade é o amor que nos dá, foi o que me ensinou a vida até hoje.

Insensatez - Tom Jobim


A SERRA CHEIRA BEM