quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

ENTÃO COMO ESTÁS?


Bem obrigado respondi e silenciei.
"Já não nos víamos há tempos e pareces com bom aspecto", continuou.
Mas e, como se nada se tivesse passado entretanto, esclareci:

Revoltada, estou revoltada. Cheia dos bons costumes dos explorados, dos sacrificados, cheia de sermos este povo que só fala, fala, mas não actua.
Gostava de ver, ouvir e sentir apenas acção, acção nas ruas: Montras partidas sim, pneus queimados sim, bancos assaltados, conselhos de Ministros, embaixadas europeias e americana arrasadas, bem como sedes de partidos pois claro. Gostava que o governo caísse e não mais se levantasse, que o PSD perdesse as eleições, gostava que os partidos de esquerda se juntassem e governassem, gostava que os criminosos que nos assaltam - os bancos, os loucos e gananciosos capitalistas com os seus acólitos governantes - fossem presos, que os jovens gritassem bem alto: "ACABOU: OS FILHOS DOS BANQUEIROS QUE GANHEM 500 EUROS, NÓS QUEREMOS VIVER!"

Acabaste? É assim mesmo que te sentes? Retorquiu o interlocutor. Nas mesas ao lado, olhavam de soslaio para aquela criatura, Eu, que assim expunha o seu estado de alma, como se tivesse vindo do outro Mundo, dum mundo onde só o diabo pontificasse.
E naquelas mesas onde os burgueses se sentam e as senhoras para tomar chã com as amigas para esclarecem que os seus netos têm belos sorrisos e começaram com os primeiros dentinhos, tudo ficou na mesma, nada se alterou. Amanhã vão continuar a encontrar-se a dizer que a vida está má, que isto e que aquilo e mais aqueloutro e tudo, mas tudo continua ordeiro, bem apessoado, com muitas bolinhas de Natal, iluminações dos chineses e muitos olhares de cima para baixo e de baixo para cima como este e aquele e mais aquela se vestem bem, se penteiam, se arranjam afinal para que tudo, mas tudo se mantenha como está - colorido, em paz, bonitinho e quentinho sempre como nos Centros Comerciais onde nem pobres há a pedir, nem caixas de cartão, nem cobertores, nem crianças ranhosas ou cães que também caíram na mendicidade.
Lindo país o meu, cheio de sol, de mar, de gente boa que se une por uma causa, a de Timor e que acima de tudo até perdoa aos banqueiros que abrem falência porque roubam, aos políticos que nos roubam porque não obrigam os banqueiros a pagar os impostos que nós pagamos e porque governam mal, que deixam que o dinheiro fuja, que mendigam lá fora mais dinheiro para nós pagarmos e eles continuarem todos na sua vidinha de sempre, a fazer de conta que se insultam e que não dividem o bolo.
Viva os Centros Comerciais que nos aquecem!
Viva os capitalistas gananciosos que vestem bem, têm yates bonitos, casas de sonho e tudo de sonho e dentes brancos, branquinhos.
Viva os políticos que se esforçam por remediar tudo o que está mal, aumentando os impostos e não mexendo nos lucros dos banqueiros para que tudo, mas tudo continue em PAZ, EM ORDEM, COM SOL, COM MAR, COLORIDO. VIVA! VIVAM!
Bom Natal para todos os que deixam que tudo continue na mesma incluindo eu, pois então!

Da próxima vez que me perguntarem como estou, juro que vou dizer: MAIS OU MENOS; BEM OBRIGADA ou simplesmente MUITO BEM, É COMO VÊS! (assim já não me vejo obrigada a fazer este escrito).

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

AGORA TAMBÉM NA RÚSSIA







FOGOS NA RÚSSIA

Para as autoridades russas aceitarem ajuda internacional no combate a incêndios florestais, diz bem da dimensão dos mesmos.
Se há coisa que me incomode são os incêndios e tanto faz ser aqui na aldeia ao lado como lá longe na Rússia. Há criminosos a ateá-los. Gente doente e gente má, mas também há muitas autarquias com mãos criminosas, já que não mandam limpar as matas em devido tempo.
Aqui continuam os aviões Canadair a retirar água do rio para ajudar a combater as chamas. Há dias que parece que estamos em guerra, e não raro, trata-se de fogo posto, pelos motivos mais fúteis possíveis, de queimadas, de cigarros atirados pelas janelas de carros, de inveja aos vizinhos.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

DESPEÇAM ESTES SENHORES




Os Srs. procuradores Vítor Magalhães e Paes Faria não puderam fazer 24 perguntas, relacionadas com o caso Freeport, ao Sr. Ministro da Presidência Pedro da Silva Pereira, por falta de tempo anunciaram no seu despacho e encerraram o inquérito assim mesmo.
Em 6 anos falta de tempo?
Que andaram estes dois senhores a fazer?
Se algum trabalhador deste país não realizasse a tarefa para a qual foi contratado em seis anos, o que lhe acontecia? Era despedido. Pois então, porque não despedem estes dois senhores?

sexta-feira, 23 de julho de 2010

CONSTATAÇÃO


Hoje conduz-se pior ainda do que há uns anos atrás.
Porquê?
Muita gente conduz sem carta, é verdade. Muita gente conduz sob o efeito de drogas lícitas ou ilícitas, é verdade. Muita gente conduz com uma mão e pensamento agarrados ao telemóvel, é verdade, mas fundamentalmente há muita gente que não se respeita e que por consequência, não respeita o semelhante. Todos ou quase todos se julgam mais espertos que os demais. Assim, quando vêem um traço contínuo, fazem dele tracejado porque consideram que não devia estar ali; quando encontram uma curva, não reduzem a velocidade porque acham que a sabem contornar guiando como se duma recta se tratasse e por aí adiante.
Por isso eu penso: diz-me como conduzes na estrada, dir-te-ei quem és.
Toda a gente sabe disto, toda a gente está de acordo com o Sr. Lapalisse. Então porque na semana passada se contaram 27 mortos nas estradas portugueses e não sei quantos feridos, alguns deles morrerão ainda ou ficarão deficientes para toda a vida.
Ocorre-me perguntar quanto mortos se contabilizaram no Afeganistão no mesmo período de tempo.
Somos um país em guerra civil há muitos anos.

CONVICÇÃO



Tenho para mim que as pessoas mais "fracas" acabam por se revelar as mais fortes.
E porquê?
Porque com frequência sugam, parasitam, as mais "fortes". Uma pessoa à partida considerada mais frágil, não raramente, coloca-se no raio de actuação doutra que considera mais forte, que escolhe como sua protectora e tal como o que acontece com as plantas ou animais parasitas e árvores predadoras, os fracos sobrevivem aos chamados fortes.
É apenas uma convicção dum conhecimento empírico.
Há ainda os epífitas que apenas se utilizam dos outros para se manterem de pé. Destes alguns são igualmente parasitas porque vão retirando os meios para a sua subsistência àqueles com quem se associam.

LONDRES É GOVERNADA POR UMA CÂMARA



A cidade de Londres tem quase 10 milhões de habitantes e é governada por uma Câmara.

Portugal quantas Câmaras tem? Quantas Juntas e Freguesia? Sabe-se que só o Sr. Primeiro Ministro tem 12 motoristas ao seu serviço. Quantos carros nós pagamos aos autarcas deste país e vencimentos e reformas?

Hoje é o que me vem ao pensamento

sexta-feira, 18 de junho de 2010

JOSÉ SARAMAGO




Um homem que encontrei no Porto e me encantou.
Um homem apaixonado.
Um homem generoso e afectivo.
Um homem que defendia as suas ideias até ao fim, sem medos ou sentidos de oportunidade de qualquer espécie, duma forma precisa, concisa e correcta.
Este homem também foi um grande escritor e como tal reconhecido.
Um homem BOM.
Homens assim também têm funeral. Hoje é o dele.
Não estarei lá fisicamente, mas a homenagem aqui fica.
Obrigada Saramago por nos vires lembrar que a Terra também é habitada por Homens destes.
Um beijinho grande

segunda-feira, 14 de junho de 2010

FENÓMENO ESTRANHO





Tenho conhecimento através duma amiga que o computador, além de cansar os músculos e isso sei-o por mim, também faz mal aos olhos, o que não desconhecia, mas que cria uma dependência grande e ataca a cabeça e o coração. Soube através dela que uma sua amiga, arranjou um conhecimento "colorido" através desses chats de conversação e o o que aconteceu? Contou-me a minha amiga A que frequenta com frequência a casa da sua amiga L, que esta já não conseguia sair da frente do computador, chegando ao ponto de faltar ao trabalho, que já não saíam tanto, costumavam fazê-lo com regularidade, em especial irem ao cinema juntas e jantar com amigos uma vez por semana. L, ultimamente recusava-se a fazê-lo, já que aguardava que o tal conhecimento virtual lhe aparecesse no ecrã do PC e entrava em ansiedade quando isso não acontecia. A minha amiga contou-me que uma vez, encontrando-se em casa de L, aguardando por uma ida ao cinema conforme o combinado , esta continuava sem se arranjar para sair de casa e num corropio da cozinha para a sala, onde se encontrava o PC, irritada, ansiosa, desesperada quase.
Quando A lhe referiu que já tinham comprado os bilhetes para o cinema e estava na hora de irem, esta respondeu: não posso, desculpa vai tu, porque ainda não falei com ele hoje, pode-lhe ter acontecido alguma coisa, sabe-se lá, estou preocupada, a luz verde não acende. A. tentando perceber o que se passava, argumentava com L para a tirar daquela angûstia e da aflição em que esta mergulhara, sem perceber muito bem o que se passava. Foi este o diálogo entre elas:
A- Porque estás tão nervosa, nunca te vi assim.
L- Não sei o que está a acontecer, desconheço o que se passa. Ele não me dá sinal.
A- Ele quem? Não percebo nada (refira-se que A tinha sido pela primeira vez confrontada com este fenómeno poderoso, embora já tivesse ouvido falar que havia pessoas que se divorciavam inclusivamente, por terem arranjado novos relacionamentos pela NET e que lhe tinham dito que alguns até tinham relações sexuais por este meio, o que para ela era de todo em todo impraticável e transcendente).
L- Uma pessoa que conheci e com a qual falo através da NET
A- Ah! E isso resulta? Andas satisfeita com esse novo conhecimento, que tal é ele?
L- Não o conheço pessoalmente, só por fotografia.
A- Há quanto tempo dura isso, não me tinhas dito nada.
L- Há 6 meses.
A- Bolas, e ainda não se conhecem, não marcaram um encontro. Sabes se ele fala verdade. Ouvi dizer que esses conhecimentos podem revelar-me muito perigosos e que normalmente as pessoas não são aquilo que dizem, até pode ser algum ex-presidiário, um vigarista, um assassino, sei lá. Não tens medo?
L- Não. Conheço-o bem, sei quem ele é, ele conta-me tudo. Estou apaixonada por ele, não é fácil acabar assim. Tenho a certeza que um dia vamos acabar por viver juntos, casar, sei lá.
A- Ter filhos. Onde isso já vai. E entretanto, não era melhor vires ao cinema comigo, conforme o combinado e desligares o computador.
L- Nem penses. Eu amo este homem e ele ama-me também, tenho a certeza disso. É com este que quero viver o resto dos meus dias.

A minha amiga preocupada com a sua amiga procurou-me para me pedir ajuda na compreensão do fenómeno e tentar explicar-lhe esta nova dependência, tão poderosa e como podia ela ajudar a sua amiga A, que tinha começado a deixar de sair de casa e a preferir o computador, a NET e tudo relacionado com aquele aparelho, vivendo uma vida virtual.
Falamos, dissertamos sobre esta nova dependência, dos seus perigos, da ansiedade que causava. Ela estava preocupada com A porque lhe parecia uma pessoa mais nervosa agora que antes e, não a via mais alegre agora que antes. Parecia-lhe que L procurava transformar este relacionamento virtual em autêntico, real, mas mesmo depois de todos os encontros aprazados para que tal acontecesse, tal ainda não se tinha verificado ao longo destes meses, o que a levava a desconfiar ainda mais.
Quanto a mim, que já tinha ouvido falar do fenómeno embora nunca me tivesse detido nele, fiquei a pensar no que tinha escutado e prometi-me reflectir sobre ele.
Logo que a minha amiga se despediu, pensei: Que mundo é este, onde as pessoas, já preferem ter relações pelo PC, em vez de as terem ao vivo, que sofrem e se alegram pelo computador. Fiquei a pensar, mas à partida achei muito triste.
Fiquei a pensar até reflexão mais profunda. Que poder é este para uma "máquina" ter poder sobre as pessoas, a sua saúde/doença; afinal já não são só os filhos a mandar nos pais, os bancos a fazerem com que os países entrem em falência para lhes poderem emprestar dinheiro a juros elevados e ficarem senhorios agora também de países inteiros e não só de prédios; agora também os computadores com a ajuda da NET são responsáveis por paixões.
O MUNDO MUDOU MESMO e quase não demos fé.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

ÓDIO E LOUCURA




HOJE SOU PALESTITIANA

19 mortos e mais de 4 dezenas de feridos todos activistas pacifistas da frota que transportava ajuda humanitária para Gaza em navio turco.
Foram atacados e mortos por um raid israelita. Para se defenderem dos criminosos sionistas de Israel, tinham barras de ferro e punhais.
Benjamim Netanyahu disse que o comando que assaltou o navio da frota humanitária para Gaza estava sob ataque. O ministro da defesa israelita Ehud Barak diz que os soldados que mataram hoje os activistas foi em legítima defesa e que os organizadores da expedição e seus participantes eram os únicos responsáveis pelo que aconteceu e disse mais, disse: "viram-se obrigados a utilizar métodos antidistúrbio e armas de fogo (chamou-lhe assim ao raid), ao sentirem as suas vidas em perigo quando um membro da tripulação roubou uma arma.
E está tudo dito sobre o que é a mentira, a loucura e o ódio.
Um dos exércitos mais poderosos do mundo que ataca os palestinianos que se defendem com pedras, o navio turco que se defende com barras de ferro e punhais e o que possa ter à mão, o que lhe pode acontecer mesmo com a Comunidade Internacional toda contra, se tem os E.U. a continuar a proteger o seu sionismo, a esconder as suas bombas nucleares, a continuar a falar do Irão e do seu Nuclear, para desviar as atenções destes seus capachos, destes criminosos que continuam a matar inocentes em nome da sua loucura. Estes fanáticos terroristas, este radical terrorismo de estado continua a ser apoiado pelas grandes potências, em especial pelos E.U. e obviamente pelos seus lacaios.
Pedras, punhais, barras de ferro contra o 2º melhor exército do mundo. O que é isto, de que se trata?
TRATA-SE DE ÓDIO, LOUCURA E DESPROPORÇÃO.
Se não for hoje, amanhã será, os E.U. irão continuar a falar do Irão e do seu nuclear e a LAMENTAR as vítimas da Frota da Liberdade que transportava ajuda humanitária para a faixa de Gaza.
Hoje e amanhã sou palestiniana, estou com esse povo martirizado porque Israel passou há muito de povo oprimido para povo opressor.
Assim, só me apetece juntar a esta criança da fotografia que em Londres grita contra esta loucura e injustiça tamanha e convido-vos a fazer o mesmo.

OS NOSSOS ORGULHOS




Primeiro uma declaração de interesses: declaro que não me interesso nada por futebol e até me aborrece bastante abrir a televisão ou a rádio a falarem de meia em meia hora, outra meia hora de futebol. Abrirem telejornais com notícias de futebol, mesas redondas, quadradas e de arquitectura duvidosa discutirem futebol, mas confesso que fico satisfeita pelo José Mourinho ser quem é, e porquê? Porque lhe admiro a personalidade, o carácter e a capacidade de liderança. Gostei como ele se impôs com os ingleses, a forma como se comportou em Itália e a maneira como se apresenta nas entrevistas, conhecedor das suas mais valias, gerindo bem a imagem e a sua marca, já que José Mourinho hoje é uma marca mundial.
Este homem orgulha-nos e não é por ser do futebol, mas por ser um português que se sabe impor no estrangeiro, que não se atraiçoa e que por isso e pela sua força de trabalho e inteligência, vence.
Fico orgulhosa com este meu compatriota.
Há muitos portugueses a brilhar lá fora, em diversas áreas e orgulho-me com todos e todas, em especial, com os jovens investigadores que tão bem se têm portado nas diversas Universidades por onde passam. Refiro aqui o Mourinho e o meu orgulho, apenas por ser mais mediático e, fundamentalmente, pelo tipo de personalidade - ele fez de si um campeão e mais do que isso, consegue manter e gerir esse topo onde chegou.
PARABÉNS JOSÉ MOURINHO!

sábado, 22 de maio de 2010

A TODOS OS QUE AINDA NÃO ENSANDECERAM

Vivemos uma espécie de concursos de pesadelos. Todos os dias é-nos anunciado maldades novas, impostas velhacarias sem fim. Entramos todos, todos não, mas quase todos, sem saber nesta guerra. Agora vamos ver os nossos impostos ser aumentados de novo, i.é, ficamos com menos ordenado, os que ficam, porque muitos há que nem ordenado têm, dizem que é para nosso bem e o que vemos é que apenas se trata de não beliscarem, nem um milímetro, as fortunas arrecadadas nos offshores dos criminosos que nos combatem neste terrorismo estatal económico da Europa e da América, essencialmente.
Ontem, convocaram-nos para umas eleições e mandaram-nos escolher programas eleitorais, não nos disseram que era para se divertirem, porque só havia um programa, o de nos roubarem, para eles e para os seus patrôes nada perderem nunca.
Já nem as greves surtem efeito, a não ser que sejam gerais, eventualmente, e que peguem umas nas outras, paralisando todos os negócios de quem coloca o dinheiro roubado nos offshores, mas os trabalhadores ao fazerem grave perdem mais salário e tudo se complica. Nem a coragem resulta, a coragem de sair daqui e ir trabalhar para um país estrangeiro, onde conseguir?
Foi-nos negado o princípio do prazer nestes novos tempos sombrios. Qualquer dia todos nos podemos considerar veteranos de guerra, desta guerra que nos declararam, do desemprego, dos impostos, da depressão colectiva e do mais que por aí virá. Parece um tsunami. Um tsunami que inunda as sociedades na Europa e na América, principalmente. Não há estadistas com talento, todos navegam à bolina.
O que se diz hoje, amanhã ou daqui a bocado, não tem valor nenhum. Bruxelas e os seus tecnocratas prostituídos mandam nos países e empobrecem os povos, mirram-nos para continuarem o seu caminho de lacaios dos obscenos ricos, seus patrões.
Vivemos tempos muito pequenos onde se avalia o que menos vale, feitos de números, que só servem para se contar dinheiro.
Neste mundo onde esses prostitutos do capital praticam a eutanásia diariamente afirmando que são contra ela, declaro que amo cada vez mais os distraídos, aqueles que não pactuam, os que colocam entre os seus olhos e o mundo um muro de distracção, os desinteressados dos bens materiais, os que possuem um quotidiano limpo desses interesses loucos e, com um instinto certo se desviam do injusto, do falso e do inútil.
Amo todos que querem o tempo para os que não o gostam de perder, para os que não se distraem do que lhes interessa.
Quando os encontro parecemos crianças a falar do que nos interessa e explicamos que não precisamos nem de dinheiro nem de fama para sermos felizes.
Há nobreza naquilo que nos une.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

À MINHA AMIGA C



Nunca foi de humildade exagerada. Disfarça a falsa altivez com aquele belo sorriso sempre pronto.
Entrámos na Nave e logo me disse: já tinhas estado com um call-center quase em cima de ti? Sempre lúcida a todos os pormenores, embora se detenha nos insignificantes, porque lhe dá jeito, vai atribuindo papéis a quem cruza consigo: este ser insignificante, aquela mesquinha, horrível e aqueloutro malfeito, sem interesse, nem cabelo tem. Tens a certeza que compraste o bilhete para o filme que escolhemos, perguntou-me. Ri-me, ela sempre me surpreendeu com as suas análises e frases a titulá-las.
É capaz de imaginar todos os pontos de vista, até mesmo que está ali a representar um papel, mas é um excesso, uma insensatez o papel que lhe foi atribuído. Ao princípio rejeitou esse papel, rasgou-o, agora como grande executiva e boa profissional que é, diz que o vai representar porque os bons são aqueles que representam até a lista dos telefones com pose de estrela. Rio-me, mas tenho a certeza absoluta que a vamos aplaudir de pé.
Agora imagina um nome novo para o guião daquele filme,em que ela é uma da actrizes convidadas, isso ela vai mudar e pergunta-me "ISTO NÃO É ENGANO?", que achas do novo título?
A sua racionalidade acorda-a e ouve-se gritar "cuidado", pensa: que chatice, vai haver intermitências do sexo e do espírito.
Nunca pensou tanto em literatura como agora e pensava mesmo enquanto estávamos na fila para o café, que se queria soltar depressa do parêntesis em que a mantinha solenemente fechada e segredou-me, a mim que estava ali: sabes, há duas coisas que abomino, a submissão e a técnica. Arregalei os sentidos, a minha amiga estava a querer dizer-me que todos somos sobreviventes e que estávamos ali, as duas a fazer parte dessa sobrevivência.
Rimos a bandeiras despregadas, e toda a gente olhava, não sei, se calhar. Compensávamos a nossa ausência de conversas, com uma espécie de diário intimo.
Apetecia-nos algo e a nossa fome era cósmica à escala individual.
Bela, a minha amiga, na vanguarda sempre, saiu daquele lugar/palco e declarou: não posso perder a pose, não achas? Dá-me essa carteira, escolhi-a para este papel.
Achei-a fantástica, melhor do que nunca a minha amiga C.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

A MORTE TEM PESO






Esta morte pesou-me toneladas. Há outras que pesam tanto como uma pena.

Que soco no estômago levei esta manhã.

Sem as suas análises e denúncias o país fica mais pobre sim e isto não é slogan publicitário ou frase de político em funeral de figura pública, é a mais pura das verdades.

Morreu um homem bom e corajoso, paz à sua alma

sexta-feira, 30 de abril de 2010

ORIGINALIDADES





Fiquei a saber que o Sr. Nicolau Santos, o homem do lacinho, director-adjunto do J. Expresso, economista, teve uma ideia original, apresentou 5 medidas para solucionar a crise e numa delas apontou substituir o 13º mês dos funcionários públicos por títulos de tesouro não transaccionáveis antes de 3/5 anos.
Não há dúvida que o Sr. do laço deve gostar do Opus 131, já que a 6ª sinfonia de Beethoven ou mesmo a nona não serão as suas preferidas por certo, com essas se sentiria bem e nós também.
É verdade que estes senhores economistas caseiros, porque ainda proliferam cá dentro as vozes dos de fora, dos estrangeiros, que não são melhores, têm grande capacidade de improviso.
Assumem o papel de mensageiros vocacionados para uma missão, a de baralhar, confundir e deprimir o povo português.
São os Srs. fala de tudo, conseguem falar do que não sabem, também é verdade que se falassem do que sabem, nunca mais falariam.
Ouvem-se a eles próprios e chegam a ser orgásticos neste prazer.
Estes senhores precisavam de ficar sem "as cadernetas de senhas de abastecimento", que quer dizer, ficar sem os vetustos rendimentos que auferem aqui, ali e acolá, por mandarem estas bojardas para os jornais, canais televisivos ou outros, seria giro.
Chamar-lhe-ia a esta "solução" para calar estes economistas da nossa praça (sempre os mesmos, Silvas Lopes, Joões Salgueiros, Medinas Carreiras, etecetera. e agora este senhor do laço), medida para "controlar a saúde mercantil do negócio" (entenda-se por negócio, os vários ordenados e reformas que auferem em simultâneo).
Fazem-me lembrar, de certa maneira e não sei explicar porquê, o gotejar de uma torneira sem conserto, graças à qual alguns encontram uma solução transitória.
Estes senhores não têm receio do ridículo, não têm consciência das suas limitações, Projectam-se e figuram nos epicentros da grande comunicação e empresas, bancos e outros.
Porque será que chegam a lugares altamente cobiçados aqueles que juram uma coisa e fazem outra, por serem cínicos?
Estes economistas deprimentes que apenas granjearam nome à força de se encostarem a partidos políticos, que foram ministros e secretários de estado, jornalistas como é o caso ora em apreço, andam sempre a rasgar a goela em terríveis soluções para o país, apresentam-se ao país como salvadores da Pátria, fazendo crer que 10 milhões de portugueses excluindo as suas sábias pessoas são ignorantes, burras mesmo.
Possuidores dum grande desdém pelos seus concidadãos e, em especial, pelos funcionários públicos, estes pequenos imperadores da opinião, julgam-se os novos profetas das soluções.
Continuamos a consumir quantidades perigosas, possivelmente até letais deste veneno ministrado a conta-gotas, intitulado eufemisticamente soluções para a crise em que o país mergulhou.
Demos meia volta, já que pouco mais podemos fazer e avancemos para os não ouvirmos, os não lermos com vista a um futuro novo e mais confiante, alicerçado em todos nós, povo trabalhador e sem opinião muitas das vezes ou com fraca opinião outras tantas, mas que sabe aquilo que estas sumidades ainda não alcançaram, sabe uma coisa bem simples - "SEMPRE OS MESMOS A PAGAR A CRISE, ISSO NÃO"

segunda-feira, 26 de abril de 2010

KRISIS



Estão aí o sol, a Primavera, as cores da vida.
O sol nasce todos os dias, nós levantamo-nos todos os dias, se nada nos acontecer de mal. Então comemoremos a vida, a liberdade de cada dia do ano em cada gesto, o sentido de muitos dias do nosso existir.
Sejamos extravagantes e escolhamos este dia, amanhã é outro que temos de decidir, como perdulários, como se não houvesse mais, com esplendor.
Krisis em grego queria dizer escolha, decisão. Decidamos SER neste dia, ser para que tudo seja.
Distingamos este dia pois. Façamos dele algo que o caracterize, humanizemo-lo.
Sejamos generosos com os nossos dias e se mais nada pudermos fazer, caminhemos e ouçamos música.
Andamos a atravessar oceanos todos os dias. Cansa muito. Passamos o tempo dentro do barco a olhar, à espera que o tempo passe, a olhar a subida e a descida das ondas e a ver reflectida aí a imagem da nossa vida e a do nosso país.
Não esperemos por melhores dias, por melhores condições, limitemo-nos a viver o dia, este dia, de forma mais alegre e feliz do mundo.
Trata-se duma causa magnânime, viver cada dia como se fosse o último, da melhor forma.
Há uma frase, não sei agora de quem é, mas digo-a de memória que é: "Deseja tudo o que tens e terás tudo o que desejas". Esta frase que decorei quando estudei filosofia, suponho, sempre me remeteu para o divino, para o cósmico. Faz-me transcender na minha condição de humana.
Mas nós só desejamos o que não temos, por isso não podemos ser o que desejamos.
O papel da razão não pode ser subestimado, mas o contrário também é verdade.
A razão só nos deve servir para nos ajudar a pensar e nada mais.
Se assim não fosse onde ficava o Amor? O Amor é feito de razão?
vem isto a propósito de vivermos o nosso dia, duma forma única não apenas como uma coisa que se tem, mais um dia.
Temos um dia, transformemo-lo em algo que é e não só numa coisa que se tem, é este o meu pensamento e reflexão do dia.
Este dia é este e não outro que podia ser mas não é.

domingo, 25 de abril de 2010

ADMIRAÇÃO


A PROPÓSITO DO COMENTÁRIO DE UM AMIGO


Sempre admirei as pessoas que aos 70/80 anos, continuam com os ideais em alta.
Nunca percebi se era por sofrerem de optimismo crónico ou simplesmente por serem crentes e terem fé.
Se calhar revejo-me mais em Paul Celan por exemplo, um judeu que se mostrou inconformado com o destino de uma humanidade devastada.
Mas continuo a admirar as pessoas que têm a coragem de acreditar duma forma quase épica, no género humano, que depois de lhes (nos) ter sido ensinado o manual da cobardia continuam de alma escancarada, continuando com um maravilhoso senso restaurador.
Não cedem a qualquer tipo de falências emocionais, não relevam a infindável crosta de mentiras a que assistimos no intuito de continuarem a estabelecer algum vínculo com a esperança.
Continuam sempre na viagem que nunca terminam e da qual se não cansam, mantendo seus olhos e coração maravilhados.
Felizes destes que dispensam a presença de algumas realidades. Têm a dose certa do sonho e o sonho comanda a vida.
Para eles não se trata de traição, de trair os factos e os sentimentos.
A sua linha de rumo é resistente e orgulhosa também. Admiro-os e com eles gostava de me parecer.
Não deixo de pensar que a minha ignorância é de tal magnitude que me torna vulnerável e inoperante.
Nestas alturas em que presto tributo aos que não desistem do optimismo, penso também que não passo dum ser exposto em busca do sol e do jogo de sombras.

sábado, 24 de abril de 2010

25 DE ABRIL




Já é 25 de Abril. 36 anos volvidos.
Estamos todos contaminados, mas não esqueçamos, nascemos todos aqueles que a ele assistiram, 2 vezes que é como quem diz, só tarde tomamos consciência dum certo número de coisas.
Foi o dia das descobertas. Da descoberta primeira - afinal, éramos um povo feliz, solidário e também alegre.
Éramos todos belos e sábios porque a sabedoria consiste em contentarmo-nos e nós estávamos contentes pelo espectáculo do nosso mundo, do nosso Portugal.
Tínhamos os sentidos satisfeitos. Cumprimentávamo-nos todos como cidadãos.
Comprometíamo-nos.
Tinha-nos saído a sorte grande.
Antes fugiamos ao mundo.
....
Veio depois com o Cavaquismo a época das falsidades. Toda a gente passou a ter tudo. Dinheiro, casas, carros, viagens.
Todos adquiriam tudo com dinheiro emprestado, penhoravam anéis e dedos para a vida toda. Tudo adquiriam a preço de ouro.
Era feio dizer-se que não se vivia bem, viver remediadamente não era cool.
As coisas humildes não estavam na moda. Os portugueses tinham evolucionado para este estadio, viviam teatralmente.
Era um estranho mundo, o mundo do faz de conta.
Toda a gente se julgava superior.
Todos começaram a falar avulso. Éramos assalariados mas julgavamo-nos livres, eis o 1º erro.
As palavras não correspondiam às coisas.
...
Vieram as lojas de chineses, lojas do falsíssimo.
Todos éramos inocentes, puros, não sabíamos que o ser humano segrega o mal como as abelhas o mel e poucos de nós tinham lido o "Deus das Moscas", fábula de William Golding sobre a maldade intrínseca do homem.
Onde havia cravos vermelhos, instalaram-se mentiras.
Este mundo tornou-se Kafkiano, está para além do entendimento.
Todos, porém, colaboramos com o que nos indigna.
Faz-se o jogo repugnante dos ódios ou das amizades pessoais e não se hesita em denunciar os erros ou os desmandos da administração. Ninguém lê livros, mas todos escrevem àcerca deles.
Porém, muitas coisas foram repensadas e postas em questão, como o estatuto do saber intocável.
Todos sofrem de indiferentismo, embora não pareça.
Na frente ocidental nada de novo, como diria Miguel Torga.
O povo sem ninguém que lhe valha está mascarado, cumpre pena de vida, já que a pena de morte foi abolida há muito.
Voltamos ao tempo das invasões, com a substituição de bárbaros por corruptos de falas mansas e bem cheirosos.
Não toleremos tudo porque há tamanhos absolutos e tamanhos relativos.
Punhamos pé no presente e não nos escravizemos ao futuro.
Não tenhamos saudade do porvir que não sabemos se o vamos viver, revelemo-nos na forma como defendemos as nossas ideias.
Revelemo-nos pois. Comecemos a limpar o lodo que tudo cobre.
Celebremos o 25 de Abril AGORA.

terça-feira, 20 de abril de 2010

A PROPÓSITO DUMA OBSERVAÇÃO DUM GRUPO DE ESTUDANTES EM VISITA DE ESTUDO A UMA BIBLIOTECA




Estava na esplanada da biblioteca Florbela Espanca em Matosinhos e observava o comportamento de estudantes do ensino secundário sem professores por perto, escrevi isto enquanto assistia a tudo aquilo, sempre com vontade de intervir, não saí da minha cadeira, irritada e a pensar que se dissesse alguma coisa talvez...


Estamos condenados de antemão ao fracasso.
Vivemos um larguíssimo período de fraqueza tolerante, também na educação das crianças e jovens.
O futuro está a ser penhorado. Inicialmente foi negociado com a "amizade/companheirismo" dos educadores (como se fosse possível atribui-se-lhes outros papéis que não os deles e para quê, a não ser baralhar?), agora estes, pais e família nuclear inclusive, desistiram de educar, de exercer a autoridade, quer através do exemplo, quer através do amor.
As nossas crianças não adquirem conhecimentos de civilidade, de bom trato, assim podemos abdicar da esperança no futuro.
Os adultos, mesmo autoridades, que passam num jardim, vêm crianças a destruir as flores e viram a cara para o lado, não se querem incomodar.
Os miúdos andam carregados de ira, não são humildes uns com os outros, muito menos com os mais velhos, não acatam qualquer tipo de conselhos. Estão agressivos porque vivem numa sociedade agressiva. Nas suas brincadeiras entre pares, não é raro vê-los a tentar vingar-se de alguma tragédia pessoal (qual? talvez a de falta de atenção dos progenitores seja a primeira). Os pais já só tocam os filhos por aquilo que lhes compram e o dinheiro que lhes dão. Sapatilhas e "jeans" de marca, todas as novas tecnologias que saltam para o mercado, meios de afirmação das novas identidades, ao fim e ao resto.
Não há desejos proibidos, todos são consentidos, não há interditos de qualquer espécie e assim, não raro, a depressão toma conta destas jovens vidas.
Que fazer para mudar de rumo?
Os Estados e quem os governa, ocupam a família em mais e mais horas, desprotegendo o espaço familiar, retirando o já de si enfraquecido sentido de família, há muito substituído pelo computador ou televisão pelos seus membros.
Cada um se isola no seu pequeno mundo, desconhecendo o que se passa na divisão ao lado. Horários diferentes que levam à impossibilidade do convívio e do diálogo.
Os espaços de comunicação são cada vez mais inexistentes, é o caos. As pessoas dentro da mesma casa, ligadas por laços de sangue, falam linguagens diferentes e desconhecem-se mutuamente.
Salvam-se apenas os primeiros anos da 1ª infância, quando os progenitores ou quem eles incumbem, têm ainda como obrigação levar os filhos à escola e ir buscá-los.
Hoje perdeu-se a ideia de quem é o chefe da família, porque seria uma ideia ultrapassada. Defender isso seria uma ideia "descabida", seria colocar de parte o jovem, a criança, supõe-se. Retomá-la não passaria dum anacronismo arrogante.
Já não há por hábito demonstrar o afecto que sentem uns pelos outros, a não ser através do dinheiro que é dado para comprar, comprar algo e comprar almas também.
Os filhos, os pais, todos os membros da família, quando se ausentam de casa já não se cumprimentam uns aos outros, momentos denunciadores de afecto e respeito.
A loucura/irracinalidade dos sistemas económicos selvagens, leva a uma maior despesa com a saúde mental e delinquência, perdendo-se assim todo o efeito das horas extras não remuneradas para mães e pais deste mundo.
A liberdade não é pêra doce. A liberdade é uma guerra e todos fazem a guerra para a ganhar, mas da pior maneira e com armas proibidas.
A distância é cada vez maior entre gerações, se bem que a aparência seja a contrária.
Os mais velhos querem imitar os mais novos, porque ser jovem é o que está a dar.
Ser velho não vende, ser maduro é estar a caminho de ser velho e isso é uma idade (25ª) que é desvalorizada, vilipendiada, injuriada.
Os velhos são humilhados, perdem todo o valor, são grotescos, por isso também se querem apresentar como novos.
Assiste-se à fealdade das atitudes, à tirania da juventude, à falta de confiança de quem a devia possuir, à retirada de valor a quem o tem por esta sociedade guilhotinadora.
Para ascender na hierarquia, mandam as regras vigentes, que cada um engrandeça desmedidamente o seu pequenino feito, que o mostre, que minta sobre ele, que o invente. São estas a moral e a ética actuais. Inexiste o policiamento interior.
As pessoas preferem ser símbolos em detrimento de ser pessoas.
As únicas causas que movem as sociedades actuais são os lucros desmedidos mas acima deles a burrice e a estupidez supremas.
Os poucos que insistem na abertura à racionalidade, que investem no amor são apenas aceites enquanto falhados, intrusos, corridos a adjectivos.
Voltamos à barbárie dos comportamentos, mas agora doutrinários e arrogantes, estridentemente ruidosos.
Para quando o entendimento, a aprendizagem de que o bem maior, a liberdade, é feita de simplicidades, amor e respeito pelos outros?
HOJE JÁ É TARDE. AMANHÃ MUITO MAIS AINDA.

sábado, 17 de abril de 2010

NOTÍCIAS QUE LI E ME CHAMARAM A ATENÇÃO HÁ DOIS DIAS







. "João Cotrim Figueiredo, antigo administrador da Privado Holding, proprietária do agora extinto Banco Privado Português, é o novo director-geral da TVI".



. "A Parpública, que representa o Estado no capital da EDP, votou contra a proposta de remunerações da comissão de vencimentos da empresa. O governo pretendia uma redução de 5% no salário-base dos membros do conselho de gestão, bem como o não pagamento de prémios, mas, por decisão dos accionistas maioritários, a proposta nem sequer vai ser discutida.
Afinal, a EDP é uma empresa privada em que o Estado detém uma quota de 20,49%.".


. "Presidente Václav Klaus disse na abertura do fórum económico que juntou empresários checos e portugueses "Fico muito surpreendido por Portugal não estar nervoso por ter um défice de 8% e para terminar Klaus disse: "e não serão os governos a fazer essa recuperação, mas sim vocês, dirigindo-se aos empresários."

e acerca do nosso Estalo laico:

. "Constituição portuguesa proclama a não confessionalidade do Estado (artº 41º, que trata da liberdade de religião e culto).
A Lei da Liberdade Religiosa diz que "O Estado não adopta qualquer religião", por isso as escolas vão fechar e o Estado decretou tolerância de ponto para os seus funcionários e a central sindical UGT pediu aos patrões privados para seguirem o exemplo do Estado."

. "Hoje os colonizadores elegem-se democraticamente" - frase retirada dum blog.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

VAMOS ARRENDAR O PAÍS POR 40 ANOS?





Lembrei-me de contribuir com ideias para o governo governar.
Esta questão veio-me à lembrança quando ouvi o Ministro das Obras Públicas admitir vir a alienar a posição maioritária da ANA - Aeroportos de Portugal, empresa que gere os aeroportos nacionais e ter afirmado que "todas as hipóteses estão em aberto", disse ainda que "neste momento não há nada definido relativamente ao modo como se vai proceder à privatização".
Já vimos isto acontecer noutros países como o Brasil e a Espanha, salvo erro, em 2008. Nesse ano tinha sido sugerida a entrada de capital privado na administração da infra-estrutura aeronáutica. Os aeroportos começaram a ser considerados como centros de negócios.
Ora, o país está endividadíssimo e com problemas de défice. Na U.E. começam a não confiar em nós e o Banco Europeu a não querer emprestar-nos mais dinheiro (mentira, eles só querem emprestar dinheiro, é dos juros altos que vivem), o que seria uma grande coisa para ver se endireitávamos as continhas.
Por isto tudo pensei em dar uma dica ao governo do nosso país para melhor fazer face às despesas correntes e urgentes e calar um pouco as agências internacionais, deputados, pseudo investigadores e outros que tais, ao serviço dos interesses deste Banco. Pensei então que o governo podia arrendar Portugal a um país que o quisesse para qualquer coisinha ou uma joint de países, sei lá, por um período de 40 anos, tal como com os aeroportos, só depois de ter tido esta brilhante ideia é que pensei:
"parece impossível como a Drª Manuela Ferreira Leite, uma mulher que enquanto Ministra das Finanças vendia tudo a retalho, até o edifício, lindíssimo aliás, da GNR, meu vizinho no Porto queria vender, como ainda não tivera esta ideia, ou mesmo o actual Primeiro Ministro, um homem com enorme produção ideativa, não lhe tenha ocorrido a ideia salvadora, como seria possível?
Ora se pensaram em alienar a ANA porque não arrendar o país inteiro? Dá muito mais dinheiro.
Não entendam estas palavras como uma espécie de rapsódia porque não são.
Não podemos nem devemos deixar o governo apenas à mercê dos líderes dos partidos da oposição numa situação de crise como estas. Governar é difícil e os nossos governantes andam esgotados, precisam de quem os ajude a pensar e essa tarefa espinhosa cabe a cada um de nós. Cada um tem a obrigação de dar um contributo. Não nos podemos dar ao luxo de nos sentar, encostar e não mexer uma palha.
A ideia é muito simples: se arrendássemos o país, receberíamos uma renda. Com essa renda poderíamos pagar os juros das dívidas e assim contraíamos mais empréstimos,estão a ver? Continuaríamos a fazer mais uns milhares de casas, já existem 40 milhões, parecem-me poucas, afinal somos 10 milhões. Construiríamos mais auto-estradas, dizem que estamos bem servidos com estas, mas há aldeias que ainda não possuem auto-estradas, se tiverem dúvidas, perguntem à Brisa.
Ao fim de 40 anos, poderíamos ter uma dívida maior, lá isso podíamos, mas até lá não nos tínhamos aborrecido com o problema dos juros e com Bruxelas e as suas exigências.
Porém, exigiríamos uma condição ao nosso futuro senhorio - a manutenção das aparências, nós Portugal continuaríamos a dizer ao mundo que éramos uma Nação soberana, mais ou menos como já agora fazemos. Também teríamos que acordar com o novo senhorio(s) a questão das eleições. Far-se-íam na mesma eleições, o povo ia às urnas, tudo a fazer de conta claro está, como se fôssemos um país livre, porque no final mesmo, o(s) gestor(es) seria(m) nomeado(s) pelo senhorio e mais nada, seria muito, muito, mas muito diferente de agora, em que os gestores, i.é, os governantes podem fazer o que querem porque estão no seu país endividado.
Seria tudo diferente, sim mesmo muito diferente, mas descansávamos, podíamos adormecer durante 40 anos e depois via-se. O que acham?
Portanto, à semelhança do que se está a passar com os aeroportos poder-se-ia, numa outra escala, passar com o país e, assim, toda a carga de amargura, daqueles insuspeitos fardos que os nossos governantes fecham a cadeado, toda essa carga era transferida para os governantes daqui a 40 anos, quando o contrato de arrendamento cessasse, mas nessa altura os novos governantes poderiam renovar o contrato.
Há sempre coisas para fazer na construção civil, até mesmo e porque não, fazerem um bombardeamento, uma espécie de ataque aéreo, uma guerra, eu sei lá (outra ideia para fornecer agora ao loby da construção civil, embora esteja certa que esses até já estão a trabalhar nisso conjuntamente com os bancos que os financiam) para destruírem milhares e milhares de casas devolutas e que se deterioram por esse país fora por falta de comprador e assim, poderiam construir de novo quiça.
Voltaríamos de novo à felicidade, se não conseguíssemos esse estadio, pelo menos à paz, ao deixa-andar em que gostamos de construir o quotidiano, sem agências de "rating" a anunciar-nos castátrofes ou a colarem-nos à Grécia e à sua falência.
E como diziam em 1914: "Quem tiver alguma coisa a dizer avance e fique calado".












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quinta-feira, 8 de abril de 2010

COMISSÕES DE INQUÉRITO NA A.R.

O que acham destas Comissões?
Há quem ache muito bem, eu sei.
Sabem o que eu acho?
Que dão muito trabalho, que são muito caras e que se tornaram uma moda muito moda.

REFORMAS ANTECIPADAS




Combinações de desejos mal saciados.
Voltam a surgir as imaginações e às vezes as ilusões. Há imaginações e impressões que ficam prontas a procriar nesta fase.
Preocupam-se, acima de tudo, com interrogações que relevam mais da ordem filosófica que do domínio propriamente político ou social.
As vidas das pessoas são profundas mentiras. Ninguém faz inteiramente o que quer, diz tudo o que pensa, ou pensa exactamente como procede.
"Em termos absolutos, todo o trabalho que não é feito para as nossas próprias necessidades, leve as voltas que levar, é uma servidão", dizia Miguel Torga.
O medo da originalidade matou toda a criação.
Agora procuram não sabem o quê, verdadeiramente.
Nalguns casos houve morte civil, por isso pode ser que a ilusão os salve a não cumprir os seus deveres habituais, assistir a milagres com olhos interiores para ver.
Há muita coisa que foi amontoada na consciência ao longo dos anos agora é o tempo de a pôr cá fora.
Vivemos emparedados, a liberdade interior é a última ilusão.
É a época da não resignação.
A vida a passar, a sumir-se irremediavelmente, é preciso pois aproveitar, aproveitar para agora desdobrar a alma.
Utilizemos agora o nosso duplo.
É tempo de recomeçarmos mil vezes. Embrutecemos à medida que os dias passam.
Chegamos a esta altura, quase desidratados do pensamento, exauridos, é pois necessário, recuperar.
Cortemos as amarras e guardemos as redes, naveguemos.

domingo, 4 de abril de 2010

SALVAR OS DIAS




Confiamos a salvação a escrita como Maurice Blanchot.
Com todo o tempo livre à nossa frente como ocupar o tempo?
Pensamos e lutamos para que o futuro não se transforme em passado antes de se tornar presente e sentimo-nos ricos mesmo assim - dispomos do tempo.
Lembramo-nos de sair pela janela, porém não nos esquecemos de colocar as asas previamente, agora visitamos países, terras e gente.
Aterramos onde há carne de palavras. Pertencemos ao género humano por isso temos dificuldade em suportar a realidade. Somos portugueses por isso contraditórios no nosso modo de ser.
Andamos sempre a dizer adeus aos sentimentos felizes, dispomo-nos a redimir do tudo e do nada e restituir ao real.
O confronto com a realidade quase sempre subtraída à quotidianeidade perturbadora da experiência humana sobretudo se nos reportarmos à nossa época, invadida pela vulgaridade.
Mesmo assim sendo, predispomo-nos a fazer da vida um género insubstituível e ainda somos capazes de nos questionar nas motivações, anseios, criação de ambientes, conquistas e frustrações a que a complexidade das relações humanas nos expõe.
E continuamos a dizer o nada que tudo diz umas vezes, a desmascarar outras, a romper outras tantas, renovando, aprofundando o sentido, aperfeiçoando as noções de completude e visão do mundo.
A responsabilidade de viver sem sermos cientistas, empresários ou escritores não pode ficar entregue ao desmazelo mental.
Para não praguejarmos, para não nos rirmos de ingenuidade, nem com as baterias do sarcasmo, para não estarmos à beira do stress, temos que inventar para tornarmos a vida menos aborrecida.

sábado, 3 de abril de 2010

SOBREVIVERMOS A NÓS PRÓPRIOS

Como travar a vertigem de desaparição sem desvirtuar a nossa autenticidade ou sequer submeter a focalização das partes a uma finalidade pré-concebida, dominada por uma sucessão temporal forçada dos acontecimentos.
Não nos podemos atar ao cadáver da juventude e ficarmos marcados por este estigma.
Nesta sociedade do detergente, como já alguém disse, capaz de abortar todos os dias, incapaz de sobreviver a si própria, cabe a cada um de nós, aprender a conviver com as vivências passadas, presentes e futuras.
Há que continuar a luta, estar vivo e como dizia a outra "estar vivo é o contrário de estar morto".
Recebemos muitas ondas de choque na vida e o envelhecimento, as partes de nós que já não se alinham como antes, fazem parte dessas ondas impactantes, acontece porém que ao mesmo tempo que isso sucede podemos também fazer um esforço de contemporaneidade e aproveitar o ecletismo, a nossa tendência natural para sermos livres, para mais livres sermos ainda nas nossas escolhas.
Deixarmo-nos de vidas concêntricas, tangenciais e aproveitarmos para lhes passar uma tinta invisível.
É difícil? Claro que é.
Viver a vida é difícil. Só a acham fácil os idiotas ou quem não a vive.
É não ter medo de ser piroso.
É achar que as nossas melhores qualidades são quase sempre os nossos piores defeitos.
É repudiar o discurso pedagógico.
É despertar a obrigação de viver.
É não nos desinteressarmos de nós e abandonarmos moralismos.
É sermos corteses com o coração.
É partir do princípio de que o costume é uma segunda natureza que destrói a primeira.
É tornarmo-nos passageiros efectivos da viagem que temos pela frente.
É lembrar Roland Barthes em "A Câmara Clara", "seja o que for que ela dê a ver e qualquer que seja o modo, uma foto é sempre invisível: não é ela que nós vemos".
É portanto desapropriarmo-nos de nós próprios e parecermo-nos com todas as pessoas, excepto no facto de nos parecermos com elas.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

COMO ME ENVERGONHO E RECONHEÇO

Frequento estações de comboio e comboios porque gosto muito deste meio de transporte, o meu preferido.
O que eu não gosto é ver nos bancos das estações, gente excluída e que se exclui, sinto-me envergonhada. Fico aflita e interrogada.
Custa-me aguentar a ideia que gente da minha terra, do meu mundo se precipite nos buracos do tempo, seja engolido por sociedades tão silenciosas e distraídas às vezes. Tenho a tendência quase impulsiva de entabular conversa com essa gente, como para dizer estou aqui, sou igual, podia ser eu, é tão fácil estar desse lado.
Por muito que se queira ignorar, não é possível ignorar em absoluto.
Penso na grande ideologia actual - o silêncio.
Os sinais são bem visíveis. Atravessam-nos, mas ninguém ou quase ninguém mexe uma palha é como que não compreendêssemos o que vemos.
O retrato está ali, a fotografia nossa impôe-se, não engana, mas parece que metemos entre parêntesis o que vemos, que fechamos à chave os nossos olhos, coração e cabeça.
Engolimos os discursos do poder e deixamos intermitente esta comunicação da vida, das comunidade onde vivemos.
Todos somos sobreviventes, todos tentamos esquecer.
Ficamos uns perante os outros. Uns com o desemprego, o filho drogado, a dívida da casa e do seu recheio, outros com o céu como tecto e a incerteza do amanhã, do minuto a seguir como companheira.
Olho em redor, vejo mais gente sentada, à espera do comboio, sou capaz de imaginar todos os pontos de vista de quem está ali sentado e de lhes atribuir papéis correspondentes.
Ponho-me à escuta, mesmo quando estão calados, eu os ouço, ouço-os mais perto do excesso, da insensatez, da insignificância, da murmuração, do pedido de perdão.
Fica difícil pensar, concatenar ideias.
Sinto que todos estamos abandonados no mesmo local, embora simulem alguns altivez outros, humildade.
Gente que se anula numa banalidade sem apetite.
Dou comigo a coleccionar pormenores, para evitar ser tragada pelos sentimentos, fixo-me na revista que aquela folheia, o jornal gratuito que aquele senhor tão empenhadamente lê, o teclar rápido do telemóvel daquele rapaz, os segredinhos que a adolescente diz a amiga, o debicar, o comer às migalhinhas do pão da mendiga que se encontra em frente a mim e o seu jeito de quem quer tudo no seu sítio, nos olhos e sapatilhas de marca e sujas do toxicodependente ao meu lado e por fim olho o relógio e vejo a hora do comboio e recordo a arte de fingir que cada um de nós carrega.
O fingir faz parte do tornar-se verdade sabem-no os educadores.
O erro e o horror -começa quando o movimento se bloqueia, já não fazem mais nada a não ser fingir, e não o sabem os pasmados, ou sabendo, insistem os cínicos. Ou então sabem, sofrem, matam-se ou procuram um psiquiatra os pacientes.
Acabo por pensar sempre o mesmo quando me confronto com estas realidades que me provocam esta tristeza profunda, é um pensamento antigo e recorrente e que julgo ser a única forma que vale a pena, é AGIR para deslocar o lugar do poder.
É urgente aproximar a autoridade da base.
Sinto uma espécie de dilatação cósmica à escala individual.

segunda-feira, 29 de março de 2010

PASSOS COELHO VAI TOMAR CONTA DO PAÍS DAQUI A DOIS ANOS?






Como agora se fazem Primeiros-Ministros: fazem-se à semelhança de jogadores de futebol.
Há as escolinhas e um dia o menino quer ser jogador de futebol e os paizinhos com muito amor pelo filhinho e sonhando que possa ter o seu e deles, futuro garantido, metem o menino na escolinha, para um dia mais tarde, quiça, vir a ser um Ronaldinho. No caso das escolinhas de políticas jotas, há secções para políticos, deputados, chefes de partido, gestores públicos, governantes na pior das hipóteses. Os jotinhas vão em pequeninos aprender as artes da malandragem para depois quando forem crescidos e chegar o dia, serem chefes de partido e primeiros-ministros de um paízinho pequenino, coitadinho e assim terem o problema do emprego resolvido para si e para os seus, porque nesse país pequenino há muito desemprego e uma pessoa tem que se prevenir.
Ao princípio, os jotitas são pequeninos e engraçados, alegres, com cor e bandeiras que agitam ao vento conjuntamente com cervejas super-bock. Depois, quando grandes, vestem bem e parecem manequins.
Casam, têm rebentos da mesma cor e fazem os ninhos com mil cuidados os ex-jotinhas.
Olho para o Pedrocas, o Pedro Passos Coelho e não sei porquê, lembro-me do Afonso Lopes Vieira "os passarinhos tão engraçados", é muito apresentável, digamos que até é um passarinho a caminho de passarão e como vaticinou o poeta Afonso L.Vieira "nos bicos trazem coisas pequenas, e os ninhos fazem de musgo e penas (PPC quer diminuir o papel do Estado e aumentar a participação dos "privados" na saúde, na educação e na segurança social, estas são apenas algumas das penitas com que o passarinho está a fazer o ninho, mas os ninhos ficam todos iguais, como sabem, ou muito parecidos).
"Depois lá têm/os seus meninos/ tão pequeninos/ao pé da mãe".
São muitos os filhotes, há-os para todos os gostos, com mais ou menos penas, com mais ou menos graça. E lembrando Marco António (autarca de Gaia) que se não citava Afonso Lopes Vieira na noite da vitória de Pedro Passos Coelho, tinha-o na mente, "nunca se faça/mal a um ninho/ à linda graça/ de um passarinho!" e ía lembrando que aqueles votos todos, senão metade muitos mesmo, se deviam a ele, Marquito, e à sua campanha pelo candidato agora eleito.
"Que nos lembremos/sempre também/ do pai que temos/ da nossa mãe" e mais uma vez A. Lopes Vieira na pessoa da Paula Teixeira da Cruz, militante do PSD e desenhadora do programa de candidatura do PPC, vinha lembrar que um governo sombra seria muito interessante...
Mas porque será que estou a confundir este passarinho que faz o ninho com mil cuidados, com todos os passarões conhecidos, velhos e novos.
O Pedrinho bonito já entrou na conjuntura penso, e vai ser solenemente igual a todos os outros, (até fazer cara triste no dia de eleição), ao Sócrates que também é transmontano e elegante e veste Armani, ao Cavaco que comia alcagoitas e com uma alcagoita se parece.
Porque será que perante um exemplar tão jeitoso eu só me salte aos olhos e ao pensamento, os vícios e as manhas dos transmomtanos? E porque será também que agora me esteja a recordar daquela modinha que diz assim: "Ora agora viro eu, ora agora viras tu, mas nunca ora tu mais eu".
E neste eu, estou eu, tu e mais eles, que somos povo, portugueses e que nos vemos virados à força e forçosamente, mesmo que nunca nos viremos.

domingo, 28 de março de 2010

AMOLGADELAS NOS DIAS

Nem sempre temos muitos instrumentos para interpretar aquilo que vemos, aquilo que nos acontece.
Há irracionalidades que não entendemos.
Há pessoas que ao absterem-se de tomar atitudes são indecorosas, actuam pela surdina.
Há pessoas que se parecem com animais perdidos à sombra do que podia ser e não será. Nunca sabem onde mora o pecado.
Há pessoas que suspendem a vida ou a razão dela, arredondam a voz, ocupam-se de nos adoecer, são violentas porque não falam, têm intuitos deliberados, vêem a água arder e nada fazem.
Não gosto de resignados, de asténicos morais.
Há pessoas que cujas ambições os destacam dos demais e que por isso mesmo não são de leitura fácil. Apresentam-se pacientes sem idade. Perturbam-me. Parecem irreais.
Não sei até se se assemelham a artistas em que falar ou não falar acaba por ser tudo arte.
Há pessoas que têm a arte e a distinta lata de serem os ausentes sempre presentes e costumam pôr ordem na desordem das vidas que os rodeiam.
Falta-me saber se confundem fantasia com realidade. Para mim, actuam como uma espécie de bailarinos, com exercícios de equilíbrio, em cima das camas, das mesas que por sua vez estão pejadas de objectos que enchem tudo e me obnibulam o pensamento.
Os encontros com estas personagens limitam-me, fazem-me parecer um livro em branco, embora saiba que para elas o efeito é o contrário, é desta forma que ilustram a sua história.

(tal como) ALEXANDRE HERCULANO





Ele escolheu o retiro de Vale de Lobos, eu Entre-os-Rios, trata-se duma imagem recorrente dos desiludidos da política e da governação dos homens, incluindo autarcas.
Alexandre Herculano nasceu há 200 anos (28/3/1810) faz hoje.
O meu pai chamava-se Eurico, devido ao título da sua obra mais conhecida "Eurico o Presbítero".
Herculano passava férias em Penafiel, na quinta duns amigos e eu gosto muito desta terra, do meu pai e da minha avó, em que os meus antepassados se cruzaram com o escritor.
Mudamos muito enquanto nação desde essa época?
Se calhar não.
Cá estamos a repetir falhanços e falsas esperanças de há dois séculos, a nossa tragédia mantém-se. O país continua um altar de gula e cobiça.
Alexandre Herculano era um pensador e historiador importante.
D. Pedro IV nomeou-o bibliotecário da Biblioteca do Porto.
Foi sócio da Academia das Ciências de Lisboa (1852).
Recusou honrarias e condecorações, recusou fazer parte do primeiro Governo da Regeneração, chefiado pelo duque de Saldanha.
Numa carta a Almeida Garrett confessou ser seu desejo ver-se entre quatro serras, dispondo de algumas leiras , umas botas grosseiras e um chapéu de Braga.
Homem frágil e de carácter inquebrantável, dizia: "isto dá vontade de morrer", decepcionado pelo espectáculo da vida pública portuguesa.
Lembro-o hoje aqui como sua grande admiradora. Herança que herdei de minha família paterna que também o admirava.

quinta-feira, 25 de março de 2010

EXCEPÇÃO PRECISA-SE





Desobriguem-nos do comum, do vulgar.
Precisamos todos de uma sabática.
Fintas da História já chegam.
Conhecemos todas as combinações de todas as modelações de todas as hipóteses de governação, legitimadas por eleições. É absolutamente verdade.
Vemos demasiadas pessoas sem nada que fazer ou perder. Demasiadas pessoas sem sonhos, sem esperanças e vemos os predadores profissionais.
Somos muitos e encontramo-nos mutilados de crenças e descrenças com cansaços históricos, com gritos de angústia e fome de excepções.
Assistimos à entronização dos novos bandidos. Bandidos transformados em respeitáveis políticos, outros menos respeitáveis, banqueiros e gestores públicos, esta nova profissão de liquidatários, colocados no epicentro de todos os projectos.
Assistimos durante todos estes anos a estes cínicos todos, jurarem uma coisa e a acreditarem noutra, o último foi o Ministro das Finanças acerca dos impostos. Não aumentava impostos e o que fez?
Afinal por mais de 1,5 milhões de reformados, dos quais 900 mil de titulares de pensões mínimas haverá "actualizações anuais".
Afinal os aumentos no IRS afectarão 4,6 milhões de contribuintes e não só 1,1 milhões de portugueses.
Estão sempre a ver onde podem roubar aqueles que não podem furtar-se ao roubo. Ameaçam, inventam mentiras novas, colocam a culpa na crise mundial, em Bruxelas e nos "ratings".
Pagamos muito caro, muito caro pela liberdade de expressão. A liberdade tem o custo da guerra.
Os nossos ideais esboroam-se.
Queremos excepções, pelo menos uma, uma excepçãozinha por favor.
Que carentes estamos de excepções!

domingo, 21 de março de 2010

TODOS OS BURACOS

É exactamente isso o que estás a pensar.

Há mais buracos neste país, refiro-me aos diversos desaparecimentos de processos que se verificam, por exemplo, aquele em que falava da isenção do IVA do prédio em que Sócrates comprou o andar, o desaparecimento das fotografias dos violadores de casapianos, o desaparecimento da carta da família pedindo à Direcção da escola em que aquele professor que se atirou da ponte 25 de Abril por não poder suportar os maus tratos de que era sistematicamente e impunemente vítima, trabalhava. Vem isto a propósito duma crónica do jornalista Manuel Pina no JN em que diz que já ninguém reage a mais uma notícia que anuncie estranhos desaparecimentos de documentos.
Políticos, figuras públicas, banqueiros, autarcas, políticos e todos os seus acólitos desfiguram a realidade, munem-se de uma sensibilidade nervosa.
Vivemos anos de delinquência.
Os documentos, as provas são sugados. Há como que uma espécie de assalto à nossa memória futura que ruma ao arquivo morto. Se um dia for descoberta será maior que a Torre do Tombo e muito falará do povo que somos. Há uma espécie de palco em que todos reconhecem no outro uma necessidade que complementa a sua.
Há interesses mútuos nestes silêncios que são garantias para o estabelecimento duradouro destes desaparecimentos.
Todos dependem uns dos outros, hoje silencio eu, amanhã silencias tu, temos que ser uns para os outros.
Afinal, verificamos atónitos que o segredo não é desprezado, em certos casos, aqueles e tão só que convenha calar.
A lista de dependências e de dependentes alastra e mesmo aqueles que gritam de protesto, apenas fazem que gritam. Gritam sem protestar.
A arte do fingimento e da subtiliza campeia, claro que tudo isto leva à aspiração de viver no mundo, e ao mesmo tempo, não viver nele, e desapegar- mo-nos totalmente, como forma de encontrar técnicas de sobrevivência.
Quase todos são parecidos com quase todos.

sábado, 20 de março de 2010

PORQUE HOJE É DIA DO PAI

Querido paizinho,

Como estás?
Quero-te oferecer um livro que comprei para ti. É um novo, descobri-o agora, é pequeno e tem as letras grandes.
Vais gostar, vais ver, só espero que a Paula não compre o mesmo.
E depois, depois podes lê-lo na cama e também não pesa muito. Tem tudo o que é necessário.
Estás a rir-te?
Pois claro! Mas aí onde estás também te apetece ler, não é verdade?
Não podes estar sempre a ouvir música celestial, que diacho!
Também te envio um CD da Mafalda Arnaut porque tu gostas.
Olha, vê lá se vamos dar um passeio qualquer dia, pira-te daí, ao menos por um dia paizinho, é que o tempo vai melhorar e podíamos ir atè à Foz ao domingo de manhã ou outro dia qualquer. Agora temos todo o tempo do mundo e eu apetece-me falar contigo, tenho muitas coisas para te contar. Podemos discutir se quiseres também um bocadinho, não é? Claro, é sempre mais divertido.
Telefona-me a combinar.
Até logo, meu querido.

sexta-feira, 19 de março de 2010

LIBERTEMOS ENDORFINAS




Apetece-m rir,mas apetece-me também que riam comigo.
Rio agora mais do que antes, porque antes sorria mais do que ria.
O riso liberta e que bom é dar uma boa gargalhada. Não nos fiquemos pelo sorriso apenas.
Um riso puro, de criança ou de adulto que o imita é fantástico!
Rio-me de alegria e felicidade, de prazer e satisfação mas também me rio com vontade com o que vejo na televisão, ainda ontem me ri às gargalhadas com a má disposição e atitude duma parte da bancada do PS, fechando os computadores e do empenhamento do Sr. Presidente da A.R., Jaime Gama, ao ter mandado por três vezes um Secretário de Estado levantar-se e dirigir-se à A.R. e ao seu Presidente em termos formais, para falar.
É maravilhosa a comunicação através do riso, estabelece logo à partida, uma outra interacção e ainda por cima é contagioso.
Há sessões terapêuticas só centradas no riso, já para não falar dos diversos músculos faciais que movimentamos numa boa risada. Por isso, a minha sugestão de hoje é: riam-se, riam-se por tudo e por nada, porque rir faz bem e acumulem o riso à leitura das situações sociais e políticas do país. É também uma forma de sobrevivência.
Quando rimos para alguém, estamos a dizer-lhe que nos estamos a ligar a elas, ficamos felizes e fazê-mo-las felizes.
Quero rir, rir como quando o meu pai me colocava nos seus joelhos, quando eu era criança, me elevava e me fazia cócegas.
O nosso riso activa o sistema cardiovascular e não só, aumenta a pressão arterial, por exemplo.
A raiva e a frustração diminuem a imunidade do nosso sistema, aumentam o colesterol e a frequência dos ataques cardíacos. O riso, pelo contrário, pode promover mudanças hormonais benéficas e libertar transmissores neuroquímicos chamados endorfinas que reduzem a sensibilidade à dor a promovem sensações de prazer e de bem estar.
Mas o que eu gosto mesmo é que me digam que gostam muito de me ouvir rir, em especial, quando se trata de pessoas que eu também gosto muito de ouvir rir.

PEC OU FUTURO QUE AINDA NÃO É PASSADO


A imagem representa a Alegoria do Tempo Governado pela Prudência (Ticiano - 1565)
Passado, presente e futuro entrelaçados no tronco comum dos tempos, simbolizados pelo lobo, leão e o cão



Sinto-me no futuro governado pelo passado.
Os governantes de hoje, a soldo de Bruxelas, imprudentes, projectam-nos, duma forma catastrófica para um futuro que ainda não é passado, logo impossível (porque não tem memória) mas passível de ser analisado.
Governantes da FAST governação. Irresponsáveis do presente, seguidistas duma União Europeia dos ricos, amantes dos poderosos, enterram-nos o futuro num passado miserável.
A responsabilidade do presente ausentou-se. Fazem com que o presente aborte.Trabalham incessantemente, sem pensar, para a desagregação do estado. Desmantelam-no rapidamente (prevê-se privatizações a preços de saldo das principais empresas públicas e estatais (EDP, GALP,REN CTT e pior ainda as ÁGUAS de Portugal, entre 32 previstas) à custa de alguns milhões, prevê-se 6 milhões de euros, para segurarem más governações sucessivas, incluindo a actual.
Estes governantes e políticos só se interessam por eles e também por o louvor de Bruxelas que aplaude as medidas portuguesas do agora apresentado Programa de Estabelecimento e Crescimento- PEC.
Vivemos a liberdade sim, a única que nos distingue do fascismo, mas esta é sem objectivo e para nosso desamparo cada vez mais se parece uma outra forma de condenação.
Estamos todos presos e quando isso acontece cultiva-se a sensação de não estar em sítio nenhum como os fantasmas, o povo tornou-se especialista em silêncios, silêncios profundos, tão profundos que se encontram escondidos. Onde? à superfície.
Os governantes, estes e os anteriores e os futuros, quais predigitadores à maneira de Xerezade, que duma história è outra iludia o tempo, são imprudentes e encerram-nos no futuro que só será prudente quando já for passado.
Estamos desamparados, aqui, refiro-me à classe média, à qual pertenço, estamos encerrados pelo lado de fora.
Não vamos ter regresso, não conseguimos achar o modo do regresso ( e tantos modos há no modo de não haver regresso).
Somos matéria da memória, da memória activa, da futura quando passado formos.
Não temos a palavra, não no-la dão, só nos fazem falar para pagar impostos e aquando de eleições.
Os governantes exalam um cheiro suicida. Dizem adeus ao país pobre mas nosso e entregam-no à morte, dando-lhe apenas pouco tempo para viver.
Tenho medo de perder o meu país antes de o ter encontrado.
Estamos no fio da espada (somos um protectorado de Bruxelas para evitar falências), quem nos governa quer fazer deste país um género substituível. Pacificam e desconflituam os dias presentes, esforçam-se por libertar-se do que os oprime, a falência imediata e ficam contentes como animais.
Deixaram de imaginar. Deixaram-se reduzir e reduzem-nos.
Há uma deriva cartográfica do corpo nacional.
Contribuem duma forma acelerada para destruir "territórios" em tempos conquistados, com finalidades obviamente controversas.
Estes governantes para defender os interesses da minoria, a fracção dos políticos, gestores públicos e empresários com ou sem milhões nos off-shores, aproveitam para desenvolver uma guerra contra o povo em geral e a classe média em particular, aumentando-lhes os impostos, congelando salários, alterando as regras do jogo no final duma carreira contributiva, adiando as reformas, etc., etc.
Estão a atar Portugal, vamos ter que combater de novo, os novos que se preparem para virar o futuro e torná-lo um passado digno, somos o presente e este, tal como na Alegoria do Tempo, de Ticiano, deve ser governado pela Prudência.

domingo, 14 de março de 2010

PRIMAVERA



A minha proposta:



O Inverno quase nos faz desaparecer em vidas lamentosas e anódinas.
Deixemos todas aquelas coisas horríveis que se nos metem pelos olhos dentro e nos fazem mal, todas as formas que nos mostram e nos reafirmam impotentes para mudar o mundo.
Não nos acomodemos à banalidade do viver doméstico. Chegamos a esta fase, todos contaminados, quer o queiramos quer não.
Não continuemos de prevenção, escondendo os sentimentos.
Queimam-nos vivos, crucificam-nos, mas continuemos a saber bem para onde cair e como cair. Suportemos os elogios, não procuremos dissolver os seus efeitos.
Toquemos o tecto, nesta Primavera. A beleza da Natureza chegou em estado puro.
Azul esmeralda, com o universo paralelo da fantasia, da magia, da invenção dos dias.
A Primavera dispõe de todas as cores e usa todos os ingredientes.
Despreocupem-se do aplauso, desprezem completamente a galeria. Deixem governar a arte e como dizia Ramalho Ortigão nas Farpas Escolhidas "a galeria aplaude ou reprova, é o seu direito... mas não manda nada".
Ter tempo para viver devagar é um grande luxo.
Vamos até à Primavera, descansemos e escutêmo-la. Está a cantar! Ouçam a canção. A canção usa palavras como namorar e sonhar, beijar e flores, céu e azul, paixão e ilusão. Ouvi também beijos na alma.
Seremos sábios se nos contentarmos com o espectáculo que ela nos apresenta.
Deixemo-nos ficar. Sintamos o belo. Deixemos que a perfeição passe por nós, bem perto e por favor não a temamos.
Vejam como ela nos atira para a eternidade, por isso, vivamo-la.
Revivamos delicadamente o tempo que nos é oferecido pela Natureza.
Para o conseguir é muito simples, basta afinar os sentidos e depois...

... Amar, amar perdidamente
Amar só por amar, aqui ...além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém...

....

como tão bem nos dizia Florbela Espanca

segunda-feira, 8 de março de 2010

HÁ ALTURAS EM QUE NÃO NOS APETECE DIZER NADA

O que me apetece mesmo é ficar em silêncio. Escutá-lo para memória futura.
Guardá-lo dentro duma caixinha para quando me fizer falta.
Há alturas em que vogamos pelos espaços siderais.
Momentos há que mesmo sem asas, voamos em céus azuis.
Hoje, decidi que quero permanecer em silêncio. As dores de cabeça são muitas.
Voar sem asas, para sul.

A TODAS AS MULHERES DO MUNDO

(ÀS MULHERES DE TODAS AS GERAÇÕES, DE TODOS OS CREDOS E DE TODAS AS RAÇAS)



Às mulheres, senhoras das suas vontades e humores.
A todas as que choram.
A todas as mães.
A todas as que consolam.
Às que têm bom coração para gatos e para cães.
Às que pecam.
Às que sofrem baixinho.
Às que se indignam
Às mulheres fracas e que são vítimas.
Às mulheres fortes.
Às mulheres loucas.
Às que se justificam e às que se explicam.
Às que compreendem.
Às que se perturbam.
Às que têm humor.
Às que trabalham para pagar as dívidas.
Às que não fazem dívidas.
Às que são livres.
Às que se camuflam.
Às que são sapientes e às que nem por isso.
Às que têm ideias e às que não têm.
Às que são medianas e têm deuses medianos.
Às que sonham e às que já não têm sonhos.
Às que têm rugas e pele seca.
Às que têm pernas altas e são elegantes.
Às que são fracas.
Às que se erguem, se levantam e vão em frente.
Às dóceis e às menos docéis.
Às domésticas e às que laboram para patrões.
Às rebeldes.
Às vencedoras mas também às vencidas.
Às que pintam o cabelo com henné e às que não pintam o cabelo.
Às que influenciam e às que são influenciadas.
Às bonitas e às feias.
Às medrosas e às charmosas.
Às normais (mitológicas) e às chanfradas.
Às que falam muito e às que sabem escutar.
Às independentes.
Às que apenas sobrevivem.
Às que protestam e gritam.

A todas eu lhes canto bem alto o hino da minha ternura e compreensão, lhes ergo a taça da SAÚDE E DA VITÓRIA.
A UM PRESENTE COM FUTURO!

sábado, 6 de março de 2010

SE FOSSE OUTRA COR... COMO EU GOSTAVA



Como gostava que os dias de Portugal fossem coloridos.
Como gostava que a sujidade dos dias do meu país fosse toda varrida.
Como gostava que o meu rectângulo amado fosse um simbolismo em vez de um realismo.
Como gostava que as elites do meu país estivessem munidas de uma bibliografia antes de entrarem numa biblioteca, porque quem não sabe escolher as leituras perderá muito tempo.
Como gostava que a palavra, que é de todos os símbolos, o mais verdadeiro, fosse usada com parcimónia e verdade, que através dela fosse possível a educação e a evolução da sociedade.
Como gostava que Portugal saísse do Hospital rapidamente, do sofrimento em que tem vivido e tivesse saúde.
Como eu gostava que Portugal se conhecesse a si mesmo, olhasse para dentro de si e que resolvesse os seus problemas em face de si próprio antes de procurar resolver o problema em face da Europa.
Como eu gostava que o meu país regressasse. Temos água, temos vento, temos velas e barcos. Regressa querido país, volta para ti, vem para dentro e depois voltas, mas antes aproxima-te de ti, já chegam tantos anos de ausência.
Como gostava que Portugal ouvisse o seu canto e não fizesse ruído para o ouvir. Não falo do canto do cisne, duma sociedade a dar o último estertor, a última convulsão.
Falo do canto do silêncio, do canto do olhar intenso do pensamento, do trabalho e do descanso merecido.
Como eu gostava que o meu querido país gostasse de si e não vivesse maritalmente com o rectângulo sem dele gostar.

Eu quero um Portugal mais silencioso, mais sólido, menos indiferente, falo daquela indiferença que cerra os ouvidos do povo; que erga a voz de forma clara contra o exterior dos "ratings" ou do que for, que se erga e se deixe de andar de cócoras e aos gritos contra tudo e contra todos, que se erga das brumas, que deixe de mentir.

Como eu gostava que o meu Portugal diga não e resista a todos os FMI deste mundo, que saísse do passo em que se encontra e que se deixasse de ser vinho adamado para ter outro sabor, outro corpo, outro aroma, numa palavra, outra condição.

Em nome da estética e de tudo o resto convém que Portugal, o meu país, regresse a si próprio, que abandone o estilo da barricada.

Como eu gostava que o meu país se especializasse em justiça económica, justiça política, equilíbrio social, ascensão à cultura, que abandonasse interesses e "offshores", que abandonasse o reino do Mal e construísse o reino do Bem.

SONHAR EU POSSO E IMAGINAR TAMBÉM.

sexta-feira, 5 de março de 2010

AS SOCIEDADES ESTÃO VIOLENTAS





Suicidou-se um rapazinho de 12 anos, em Mirandela, Trás-os-Montes, para fugir às agressões e humilhações dos colegas.

Os inquéritos vêm depois. A escola não deu por nada, mesmo tendo sido o menino hospitalizado há um ano por agressões que os colegas lhe tinham feito (mas fora do estabelecimento).
Inquéritos realizados a 3891 crianças revelaram que 11% das crianças do 1º ao 6º ano foram vítimas de agressão por parte dos colegas 3 ou mais vezes.
A escola nem luto decretou nem falou sobre o assunto, que raio de conceito de educação tem esta escola? Ignorou em absoluto o facto, procedeu no depois como no antes, não ajudou, não prestou cuidados, não educou.
A escola, neste caso a escola Luciano Cordeiro em Mirandela, não presta, tem culpa no suicídio dum aluno seu.
Este rapaz estava desamparado quer pela família quer pela escola.
Há violência social, não só na agressão física mas naquela que não presta cuidados, na que vira a cara para o lado fazendo de conta que está tudo bem para não ter problemas e continuar na carunchosa vidinha.
Para estes conselhos executivos o silêncio é a sua ideologia.
Coleccionam-se estes casos de violência, quer na escola quer na família.
As escolas engolem os discursos do poder. Não se passa nada, nunca se passa nada.
Os conselhos executivos e a população docente nada querem arriscar. Não arriscam sequer a pegar num facto e fazer dele um acto exemplar, para educar ou tentar, pelo menos, conversar com os alunos sobre o assunto e para perceber o que se passa naquela comunidade.
Abriu um inquérito e depois? Depois fecha o inquérito e vem dizer que o miúdo sofria de depressão infantil, ou então limita-se a constatar que o "bullying" como agora lhe chamam para dizer que é internacional, é um fenómeno social e actual.
Os agressores, mesquinhos e horríveis, porque o são? Seres insignificantes que fazem os outros aparecer a si mesmos insignificantes.
Escolas, alunos, pais tragados pela linha de montagem.
Esta escola tem de agir para deslocar o lugar do poder. O poder não pode estar nos agressores.
Esta escola, associação de pais e tudo o mais estão escleróticos.
Estes adolescentes fanfarrões, idiotas, querem tudo até maltratar até à morte colegas mais novos e frágeis. Esta realidade actual está a recrudesceder e torna-se preocupante.
Há falta de amor nas sociedades, falta de amor consigo próprios em primeiro lugar e depois com os outros. Muitos destes jovens adolescentes reproduzem comportamentos vistos e vividos em família. As famílias tornam-se cada vez mais violentas e muitas delas com os progenitores desempregados entram em desespero e este propicia muitas vezes a agressão.
Há uma enorme ausência de compaixão que se manifesta também nos mais pequenos.
Há muita indeferença e o pior de tudo é que cada vez mais há gente a apreciá-la.
A sociedade de espectáculo em que vivemos gera estas situações, dá lugar à solidão, à tristeza.
Estamos todos, porque todos fazemos parte da sociedade, a assassinar as almas, mais que não seja, através da indeferença. A indiferença mata.
A indeferença destes professores e se calhar destas famílias (refiro-me também à dos agressores), matou este aluno.
As lágrimas estão a secar e os portugueses também estão a fazer o culto e a concentrarem-se na indisponibilidade.
Sociedades hedonistas sim, já sabemos, mas não se pode cruzar os braços, virar a cara para o lado.
Estes agressores também estão a chamar as atenções sobre si, é preciso escutá-los. São fruto do que paira na sociedade, a falta de atenção sobre o outro.
É urgente falar sobre o conceito de felicidade/infelicidade.
Acabar com as atitudes do deixa andar que aqui, neste caso, se verificou e verifica na comunidade escolar, fechada a cadeado.
Há gente a estoirar de amargura.
Ninguém se interessa com o indivíduo, mas toda a gente, sem excepção sobe à boca de cena em casos de catástrofes, o resto, os indivíduos, as suas tristezas, mágoas e aflições, é com os especialistas.
Cada um de nós tornou-se semelhante à assistência pública interessa-se tanto a sério e nada de nada ao mesmo tempo.
O mundo, o nosso que é composto por nós, torna-se uma aberração.
As pessoas não querem estar frente a frente, acham duro demais e por isso ou não telefonam-se muito, prometem, ouvem ou não ouvem, flutuam, enviam mensagens e a coisa passa ou volta.

quarta-feira, 3 de março de 2010

HÁ PESSOAS QUE SOFREM PARA ALÉM DO QUE É DEVIDO





A dor chegada ao paroxismo.

Para esta gente que após um terremoto ou um maremoto ou as duas coisas se vê privada de tudo, comida, casa, bens, segurança, lutos que não podem fazer, tudo mesmo.
Esta gente que tem de sobreviver, mas nem comida tem, que nem tão pouco consegue chorar, a toda esta gente venho pedir perdão por ter momentos de queixume e venho agradecer por me darem lições de vida.
Tenho de me proibir de me contorcer, de falar de dores.
Venho pedir desculpa pelo meu país que desbarata o tempo em insignificâncias, fingindo dor onde não há realmente.
Dores a sério são estas que as pessoas sofrem com as catástrofes e tragédias, sentindo-se completamente impotentes.
Partilho em silêncio o seu sofrimento.
Para esta gente que tem que recorrer a todos os mecanismos de esquecimento em simultâneo e pô-los a funcionar em pleno e não tem o direito de se deixar amodorrar nem que seja numa cadeira, vai a minha homenagem e o meu reconhecido agradecimento.
Todos eles me situam, me relativizam.
No Chile o terremoto, mais manifesto na cidade de Concepción, não atingiu só os pobres, todos ficaram sem nada. Ouvimos pessoas que viviam bem, a procurar responder às perguntas jornalísticas, a solicitarem ajuda, comida, protecção, entregues completamente à luta pela sobrevivência, perdidas, ausentes de si e de tudo. Dói, dói muito. Há, inclusive, pessoas desesperadas que se tornam de delinquentes de ocasião e há aquelas que mesmo nestas alturas continuam intransigentes na sua decência. Todos eles deixaram de ter a sua reserva de segurança.
Claro que nenhuma pessoa é fundamentalmente oposta a outra pessoa, qualquer que sejam as aparências contrárias.
Como dormirá esta gente, deitada sobre a saudade de tudo o que perdeu para sempre?
Não há ninguém que lhes/nos possa responder, penso.
Tudo se subverteu.
A cidade morreu. Procuram um outro caminho o da salvação.
É evidente, que mais tarde, no moer dos dias, as recordações virão, ora em cachão, ora espaçadas e escondidas.

Que desespero, que solidão brutal!

No meu cérebro a ideia de fronteira, já tão apagada, deixou mesmo de existir. Este Inverno inclemente, deu-lhe a machadada final.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

DO DIA QUE PASSA E ME LEVA





Fui à janela olhar o rio. Estava cheio das chuvas e possivelmente da abertura das barragens em Espanha. Nós e os espanhóis, sempre eles, pensei.
As águas do Douro têm estado castanhas, pardas, pesadas e quanto mais as olho mais sobressaltos tristes me fitam.
Que vou fazer hoje, pergunto-me.
Olho para o céu, plúmbeo, ameaçador. A lua já se tinha recolhido e o sol continuava aquartelado nos meus sonhos.
Estive dois dias a ouvir palavras, palavras que falam de mim. Os escritores(as) são pessoas iguais às outras. Vão à casa de banho, pintam os lábios, tomam café, querem saber quem são os leitores, como os leitores querem saber quem são os escritores, olham os abismos, comem e dormem, têm angústias muitas e incertezas várias e como por milagre, rodam para o outro lado, tornam-se para lá do palco.
Vi-me então à distância, de costas, na imaginação que tenho de mim.
Vi-me como se me olhasse naquela solidão que encontra a folha branca com a agitação da ideia, o encontro do dia com a vida.
E como tudo se funde no nosso ver, regressei a olhar o rio, esqueci-me do tempo, esqueci-me de mim.
Esqueci-me de todas as vozes que me gritam, de tudo o que tenho para esquecer, esqueci os gestos, esqueci a jornada e de novo regressei ao interior do meu quarto e logo todo o meu dia se perfilou à minha frente, olhamos um para o outro e ele ditou-me, como sempre deu-me ordens: "Vais fazer massa com carne, talvez seja bom para aumentar a energia e não engordar. Vais ter de passar a ferro, hoje é o dia da roupa e nisso gastas a tua manhã. Quanto à tarde, bem tu é que sabes, queres sair? Ir ao cinema? Não te esqueças que tens de falar, senão desabituas-te da palavra falada, da palavra exposta ao contraditório, da palavra que te puxa, que se move, que se apressa, corre até, te olha e te penetra. Tens de falar, partilhar o pensamento. Tens de a juntar a mim, não te esqueças! Não deves continuar só a falar contigo(podes pôr a vírgula no só, se quiseres, talvez seja mesmo isso).
Neste dia chuvoso, com vento suão, a olhar para o rio, reparei no arco-íris que se levantou do monte e veio cair aqui ao meio do leito e li, ao olhar para o céu que por momentos tinha clareado, li uma alma a mais, um corpo para juntar ao meu nos restantes dias.
Sabia que depois de ver o céu, ouvir poesia, pensar na rotina, convinha adiar o meu caminho para a clausura, para a existência tão espantosamente objectiva e precisa que me falava do abstracto, do geral como uma lei.
Entrou, por escassos momentos, um raio de sol. Iluminou-me de repente. Foi apenas um instante, desassosseguei. Queria perguntar a esse risco de luz, a esse raio de sol, por palavras que correm para o mar, imaginá-las noutros portos onde há descobertas e surpresas. Viajar, correr, dançar, amar, amar aqui,ali e a toda a gente como dizia a poetisa que tanto amei na adolescência, Florbela Espanca.
Sento-me na cadeira mais próxima, estonteada com tanta volta. A cabeça tinha rodízios. E se houvesse uma maneira de tudo ser e não ser ao mesmo tempo.
Não, não era uma boa ideia, se assim fosse onde ficaria a arte, a literatura?
E porque já o raio de luz se tinha ido, todo o pensado o vivido o experienciado naqueles minutos, se tinham fundido em mim, toda a proximidade e toda a distância.
A agitação tinha passado, mas permaneceu um brilhozinho nos olhos, reparo agora no espelho que se me dirigiu.
Vi-me. Vi o quarto e porque o sol já tinha regressado à sua condição de fantasma, regressei também eu à minha espantosa subjectividade existencial.
Deixei de olhar para olhar de novo.

NÃO QUERO RESPONDER PARA PERGUNTAR, NÃO QUERO NEGAR PARA AFIRMAR, NÃO QUERO MENTIR PARA DIZER A VERDADE, mas quero que os meus dias se tornem outra coisa.

Tudo à minha volta se tornou insuportável, a rádio, a televisão, os jornais, tudo se tornou um cansaço, tudo o que fala do mundo, tudo menos a VIDA da Vida.
O que faz um raio de sol?
O raio de sol que entrou de repente para mim e que de repente o vi...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

VAMOS PREGAR PARTIDAS AOS DOGMAS







Podemos ter dogmas?
Claro que sim.
Olha quem fala! Tenho muitos e alguns são mesmo de estimação e para que conste, algumas frases até as começo por "convicta estou..."
Mas então porquê pregar partidas às nossas convicções, aos nossos dogmazinhos?
Para não nos colocarmos apenas a favor duma versão em detrimento de outra.
Devemos sempre que ouvimos uma versão ir em busca da outra para formular opinião. A questão do contraditório, hoje tão enunciado e tão pouco assimilado.
Esta questão vem ainda a propósito do Sr. Mário Crespo e da sua crónica não publicada no JN.
Ontem, falou o director do JN, e explicou muito direitinho que a crónica do Sr. Mário Crespo não tinha sido publicada pela simples razão que era alcoviteira, traduzido: eclipsava os factos reais e não tinha honestidade intelectual, que é um princípio moral.
O jornalista em questão pauta-se por este tipo de conduta, moralista, dogmática.
Nem todos nós somos capazes de introduzir aspas ou perturbações nos dogmas jornalísticos, políticos ou outros e o Sr. Mário Crespo devia saber disso, por isso é falta de moral (ele que tanto fala dela) proceder daquela maneira, e nem sequer me refiro ao Shaw e insultos a tudo e a todos, a quem o ouve e a quem ainda persiste em estar atento aos meios de comunicação social, mas ao facto, de confundir coragem com incompetência. Para ser bom jornalista é preciso apresentar ou pelo menos ter provas concretas do que refere como notícia; é preciso distinguir notícia do que não é; mais básico ainda, é preciso distinguir o que é da esfera do público e do privado.
O Sr. Mário Crespo que se mostra tão piedoso, que carrega sobre aqueles ombros o carácter de tudo o que é moralmente condenável, desprezível, este senhor viu-se ontem retratado pelo Sr. José Leite Pereira, director do JN, na Comissão de Ética Sociedade e Cultura da AR e não sei se percebeu, penso que não, que não se pode ter lido Shopenhauer duma forma leviana.
Convido-o pois a reler este filósofo e a ler Hegel e já agora Platão, porque Platão situá-lo-ia duma vez por todas.
Foi dramático vê-lo a ler pelo teleponto umas frases sobre o tema "generalidades democráticas e sua imprensa", leia-se: "como eu posso sair desta sem dar mais o flanco", no telejornal das 21h na SIC notícias, anunciando a notícia que ele próprio criou e seu desfecho.
Como também tenho dogmas e alguns são mesmo de estimação, tenho para mim que o Sr. Mário Crespo anda mal amado, ouve pouca música boa e se sente muito infeliz.
SR. Mário Crespo faça o favor de ser feliz, para ver se nos dá tréguas e não nos gasta tanto dinheiro na AR. Uma comissão só para si, durante duas tardes, custa dinheiro e, como diria o Rei de Espanha "Por qué no te callas?"