quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

VIVO NUM PAÍS CASTRADO

"Os patifes ganham a simpatia do público não tanto porque triunfam, mas porque têm uma boa razão para agir; essa razão é a vida mesmo."
Agustina Bessa-Luís em Embaixada  A Calígula, 2009


Para todos estes vermes nós somos paisagem invísivel,  números quando fazem contas à extorsão do nosso dinheiro por impostos ou qualquer outra via.
Não governam, roubam. São uma espécie de comissão liquidatária de país(es).
Não têm uma única ideia de governação, mas são invadidos, povoados por perturbações sérias.
Nunca nas nossas vidas assistimos a tanta maluquice junta em tantos poderosos, fora e dentro do país, mas também há muito morto que julga estar vivo  e nem sequer é poderoso.
Muita gente que nos governa, quer na Europa, quer aqui dentro do rectângulo tem enorme capacidade para as batalhas, refiro-me ao grande gosto manifesto em que as pessoas se revoltem. São uma espécie de incendiários tontos. Por outro lado, são seres incomovíveis, facinorosos, possuidores dum certo instinto de se celebrar a si mesmos. As suas linguagens chegam a causar alucinações.
Com caras de veludo têm punhos de ferro, esmagam os povos. Usam uma língua acrónima, impronunciável provinda dum interesse mútuo que lhes garante um acordo enquanto eleitos (agora elegendo-se uns aos outros).
São selvagens vestidos de roupagens da civilização.
São predadores adaptados a metabolizar diferentes tipos de povos.
São uma espécie de omnívoras democratas. Uns artistas nas artes de dissimulação e fingimento.
E os povos são tolerantes e confiam. O povo português é o mais confiante e tolerante não sei se por ter descoberto a Nª Srª de Fátima ou ter tido um Salazar  de província, bolorento e, depois acham que o tempo, sempre o tempo vai resolver. Quando os loucos poderosos nos aplaudem no seu castelo, podemos ter a certeza de que estamos tão loucos como eles, é um mau presságio.
Povo meu, torna-te réptil e emerge dos teus redutos subterrâneos.
Não há dúvida que estamos a habitar um longo período de fraqueza tolerante.
A Europa que já era velha, agora mais parece um asilo de loucos à moda antiga.

SER FELIZ PRECISA-SE

Resido actualmente numa aldeia e quando está bom tempo vejo ou via,espero voltar a ver, magotes de mulheres à noite a fazerem caminhadas de Kms. Todas contentes lá vão estrada acima (nas aldeias nunca há ruas). Um dia perguntei-lhes onde iam ao que me responderam que estavam a trabalhar contra o colesterol, a diabetes, os enfartes de miocárdio e por aí fora. Iam felizes, aquele "trabalho" agradava-lhes.
Vem isto a propósito do que eu considero ser hoje um enorme problema, um dos maiores, a juntar a todo aquele rosário com que os telejornais sadomasoquistas nos brindam todos os dias, que é a AUSÊNCIA DE FELICIDADE.
E penso que a maioria de nós acredita que não se pode ser feliz no meio de tantos acidentes, de tantas maldades, de tantos factores bloqueadores à felicidade, mas pode. É mais difícil, muito mais difícil, mas pode.
Vimos gente feliz mesmo em tempo de guerra, muito menos gente claro, muito menos feliz, claro, mas temos que continuar a lutar. Precisamos tanto de Felicidade como de pão para a boca, e muito mais de felicidade do que de  anti-depressivos, como mecanismo de "fé" no dia de amanhã. Os amigos comunistas dão-nos belos exemplos disso.
É preciso investir em actividades profissionais ligadas à felicidade, na cultura que ninguém fala, nem Ministério lhe deram; na luta organizada e mais intensa (não é preciso arremessar pedras, mas é urgente a força, a força das atitudes, das palavras e da não desistência. O grito em uníssono cria uma enorme felicidade. Já experimentaram? Pois experimentem.
A participação activa e cívica, dá-nos prazer, o sentido de utilidade em construir o amanhã dá-nos felicidade.
Estamos na vida transitoriamente, todos sabemos disso e adiamos o mais importanete da vida, porquê?
O país está em crise, a Europa está em crise, o Mundo está em crise, as vanguardas estão em crise. Pois sim, mas se essas crises todas só se resolverem quando nós morrermos, como é? Vamos abandonar a aspiração primeira e última da vida que é ser Feliz, nem que seja  por momentos, porque a Felicidade são momentos como todos nós sabemos.
Esta sociedade em que vivemos é criminosa e tem um cheiro suicida, temos que afastar-nos dela ou melhor afastá-la de nós. Por isso temos que ser felizes e fazer com que os outros o sejam também.
Ser afáveis, educados, cívicos, pensar em nós, mas pensar nos outros também.
Por exemplo, uma coisa que me incomoda, que me entristece, que me torna infeliz é ver gente a fazer queimadas (nas aldeias, todos os dias se fazem) e por descuido deixarem que o fogo consuma a floresta. Não falo de fogos postos que isso é outra coisa, falo dos eternos descuidos, da estupidez, esta estupidez insulta-me, torna-me infeliz. Portanto cada um de nós deve cuidar do seu quintal, não fazendo infeliz o outro, cuidadando não só da sua felicidade mas da do outro também, é disto que falo.
É desta felicidade dos pequenos gestos, das atitudes que estão ao nosso alcance que invoco hoje aqui.
Não, não pertenço a nenhuma religião nem estou a encomendar Felicidade, nem este meu escrito é alguma espécie de cosmogonia, que em regra não tem princípio nem fim, penso no entanto que se sexo já não é palavra tabú, nem dinheiro, nem crise nem economia, então esta também o não deve ser.
Andamos todos tresmalhados. Não podemos todos os dias ser massacrados, temos que conseguir não entregar a alma ao demo, mesmo nesta lixeira quase cósmica em que o Mundo se tornou. Entregamos aos vampiros tudo, mas não a alma, não a Felicidade.
Pagamos uma crise sem fim à vista, que não criamos, apenas fomos aproveitados como os soldados na guerra para as classes dominantes dos novos oportunistas, dos netos dos outros e ainda filhos também, dos Filhos que a gente conhece
desenvolverem os seus negócios e reforçar a sua dominação.
Não lhes entreguemos a nossa Felicidade, pelo menos de mão beijada, entregamos o corpo, não lhes ofereçamos o espírito, salvemo-lo.
À luta pois vos exorto e se formos muitos e unidos, mais ganhámos a guerra, pelos  menos ganhamos em saúde mental e poupamos em depressões e suicídios.
Vamos como as mulheres da minha aldeia e aldeias vizinhas matar-lhes a alegria de nos verem infelizes e sobreviver a estes criminosos que matam tudo que veêm, até a felicidade de ser FELIZ de vez em quando.
Tal como na cantiga, a Felicidade é uma arma.

FOTOGRAFIA DO DIA


ESTE É O NOSSO PAÍS. POBRE, POBRE.

Aqui é a Torreira, mas podia ser noutro lado qualquer. A riqueza foi para os senhores do Cavaquismo e dos fundos Europeus, os xuxialistas todos e toda essa gangrena que se governou até hoje.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O CAVALO DA SUA DONA


O cavalo foi ao Mercado  vender os produtos da horta com a sua dona que se escondeu para não ficar na fotografia     - PÓVOA DO VARZIM

(e quem comprou aqueles produtos comprou-os frescos e não importados, por isso os mercados não deviam desaparecer como o Presidente da C.M. do Porto quer e está a fazer)

FOTOGRAFIA DO DIA


PENAFIEL EM DIA DE S. MARTINHO

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

DIZEM QUE OS ANOS AMOLECEM AS PESSOAS

Apetecia-me dizer: "Não respondo a isso" que tem sido a forma mais usada para muita gente responder a alguma coisa com a qual não concorda.
Mas neste caso sou eu que coloco a questão e quem coloca a questão tem a obrigação de saber alguma coisa mais. Só que não é verdade.
Eu pensava quando não tinha os tais anos que fazem amolecer as pessoas que havia de haver uma época em que isso iria acontecer.
Eu pensava até ser grande tanta coisa, julgava como já vos disse aqui neste banco de jardim que toda a gente era inteligente e que se podia falar de tudo, que todos entendiam. Pensava também que o querer era quase tudo. A acção executava-se, assim houvesse o querer. Como era bom pensar assim. Era essencialmente prático, bastante prático.
Os anos amolecem as pessoas. Que pessoas? Que partes das pessoas ficam amolecidas? Todas as pessoas são amolecidas pelos anos?
As contrariedades com os anos não diminuem, apenas se transformam.
O amadurecimento é um caminho difícil.
Despedir-se dos outros encontros com a vida, das outras fases de bem-estar não é uma coisa muito fácil. As medicações engordam e as zangas também.
Sim, com os anos chega um cansaço de se acreditar em tudo que é colocado à frente, mas amolecimento?
Amolecimento como sinónimo de conhecimento? Não creio que o conhecimento amoleça.
Amolecimento como sinónimo de doçura? Se considerarmos que a maior parte da doçura é uma estratégia para a velhice, sem dúvida.
Os anos amolecem como forma de corrupção das pessoas? Se calhar.
Toda a intoxicação a que estamos sujeitos durante a vida criam um certo torpor, talvez semelhante ao da bebida.
Esta frase arrojada que sempre ouvi desde pequena veio-me à cabeça, como me poderia vir a tal outra frase criminosa "velhos são os trapos" ou ainda aquela outra mais assassina "o que é preciso é  juventude de espírito, essa é que conta".
É uma evidência que os anos fazem más convivências com os impulsos e gostam bem menos das grandes urgências, mas amolecer, amolecer mesmo?
Se calhar quando assim se fala referem-se às partes rijas, essas amolecem mesmo, ninguém duvide.
Os exercício de respiração faz-se a um outro ritmo, também é verdade. Respiramos primeiro o que nos ajuda a pensar e a elevar e, falamos depois. Demoramo-nos mais no pensamento, não em busca do termo ou da pronúncia mas para melhor conseguirmos suportar o que ouvimos.
O silêncio e o isolamento não são sinónimos de amolecimento, embora possam ser vistos como tal.
Mas fundamentalmente o amolecimento dos anos deve-se àqueles que são feitos para vencer indiferenças.
Quem não consegue tornar-se indiferente mesmo com mais e mais anos, não amolece, desenrijesse e pode calar-se mais por saber que as suas palavras nunca produziam o efeito que esperava ao dizê-las.
O corpo amolece mas também se engana e julga dores falsas.

Há sessenta e mais maneiras do mundo nos chegar a casa sem nós chegarmos até ele. O mundo que não nos conhece, que não quer saber de nós para nada, que nos despreza, impõe-se-nos esse mundo que nem sequer nos deixa amolecer os anos e os meus anos fazem um silêncio educado, olham fixamente o mundo, como quem mostra  o prazo da sua tolerância.
Não os anos não amolecem, apenas desenrijessem.

FOTOGRAFIA DO DIA


SARGAÇO DO MAR DA AGUÇADOURA

CLASSE DO MEIO

É uma classe híbrida, uma espécie de nem carne nem peixe. Uma classe fechada e dilemática. Quanto mais a conheço mais a acho arrogante; uma classe que gosta de desenterrar nobrezas de família e que nem sempre tem dinheiro para alimentar a sua.
Hoje uma classe martirizada, subjugada por impostos, completa de dramas, mas também a abarrotar de moralizações; cheia de contradições e fraquezas; cheia de personagens intumescidas, a primeira sempre a ser roubada como nos dá conta a História dos países.
A classe média cercada devia converter-se numa espécie de família não de luto, mas de luta contra uma ameaça que bate à porta, no entanto não é isso que está a acontecer.
As privações começam a ser muitas, tudo começa a escassear, as resistências começam a baixar, no entanto a riqueza que possui em imprevistas antinomias, é enorme.
Este batalhão de invasores da classe do meio que nos desgoverna há anos, lançam bombas contra os seus e, o difícil não é impossível, conseguem ficar fora da sua classe e nem sequer mandam suspender os disparos quando pressentem que um irmão seu batalha  noutra bateria como D.Pedro (liberal) o fez junto à Torre da Marca em pleno Cerco do Porto, para a eventualidade do seu irmão se encontrar na bateria contrária.
Os nossos atacantes/governantes/média classe  sabem porém que a "família" está reunida e podem lançar balas à vontade e até aumentar o calibre das mesmas.
A classe do meio rendeu-se? Mais parece. Há focos de resistência aqui e ali, mas não vejo que algum deles se torne lendário.
A classe média perde porque não gosta de se juntar aos pobres, mas tão só aos ricos que a rejeita liminarmente.
No seu clube ninguém entra. É uma classe que gosta de ser chamada de doutor ou engenheiro e se possível as duas ao mesmo tempo e nunca de se confundir com o povo, sempre à espera dum aceno dos que lhe estão acima, aceno esse que nunca mais vem. Burguesa até aos ossos esta classe minha, com a ancestral cobardia de avestruz que nada resolve, mesmo assim  momentos há que confio na sua subversão.
Uma classe com inocência mental ou primarismo arrepiante? Actualmente muito bem representada pelo P.R.- Dr. Cavaco Silva.
As enormes discordâncias com a classe que me fez nascer de nada me servem, porque a sentença cumpre-se na mesma, no entanto faz renascer o princípio da diversidade.
Uma classe faz de conta, amorfa, cheia de flatos e devaneios que muitas vezes substituem as emoções. Oponente mas não lutadora.
Acrescentando o facto de sermos nómadas (refiro-me, em especial, às classes médias do sul incidindo na portuguesa, à qual dedico estas linhas de hoje) nesta Europa onde nunca nos trataram bem e que conhecemos mal, coniventes e sedutores, sem um rumo certo, apostados em cair com os grandes por não nos juntarmos ao grupo dos pequenos nossos irmãos.
Trata-se duma classe na sua grande maioria despovoada, solitária desde a origem e não solidária.
Pertenço-lhe mas nunca a reconheci como minha, eis a questão maior. Nunca será a minha imagem, existe fora de mim, esta classe renega-se, renegando, ou será o contrário que vale o mesmo para o caso, com os governantes à cabeça  nas horas apertadas.
É uma classe maldita e amaldiçoada, sem paz, duplamente exilada dentro da realidade que é e do acréscimo de realidade que criou. Desfigurada e opaca, igualmente fora de si e da sua imagem estampada. É estranho por outro lado morrer às mãos destes governantes/classe média que sacrificam o destino de todos a piruetas do destino.
Não somos solidários, mas solitários somos, mais pela força da dor do que da do riso.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

FOTOGRAFIA DO DIA


vista do salão de chã da Boa Nova  entre Leça da Palmeira e Cabo do Mundo

INDIVÍDUO/INDIVIDUAL

APONTAMENTOS

Um dos meus interesses é conhecer o processo do pensamento e do sentir do outro.
Não propriamente a forma de agir ou reagir, mas algo anterior a isso. Como cada um observa, pensa e sente determinada coisa.
Confesso que me interessa muito mais o indivíduo e o individual que o seu oposto, embora o colectivo também me interesse, mas numa outra dimensão. Embirro um pouco com generalizações do tipo bacoco o HOMEM é assim, a MULHER é assado.
Não sei onde li e se li mesmo assim, mas tenho a ideia que li alguma coisa como isto: "a profundidade de alguém, está escondida à superfície.
Conhecer uma pessoa, no sentido de lhe conhecer o pensamento, é algo que nunca tem fim, é um processo, requer muito tempo, muito trabalho e muito amor à causa, mais que até àquela pessoa, se bem que este  último também ajude, é bem mais fácil saber quais os seus hábitos de agir/reagir, que como disse não é o meu interesse primeiro.
Saber como aquela pessoa aprende a conviver com o silêncio e trava a vertigem da desaparição, aquela outra é conformista, e como outra ainda faz de cada dia um primeiro começo do Mundo ou mais interessante ainda, como a mesma pessoa encerra tudo isto.
Roland Barthes em "A Câmara Clara" dizia: "seja o que for que ela dê a ver e qualquer que seja o modo, uma foto é sempre invisível: não é ela que nós vemos".
Com os indivíduos também acontece um pouco isto, todos nós nos parecemos com todos, excepto no facto de nos parecermos com eles. E esta é a verdadeira maravilha, é parecermo-nos com os demais, mas sermos diferentes, sermos únicos.
É fascinante esta matéria, este verdadeiro milagre da vida. Duma forma geral aproveitamos mal este conhecimento, embora todos nós o tenhamos.
Passamos muito mais tempo ocupados com generalizações de que  com o trabalho em busca do conhecimento do indivíduo, embora todos ou quase (não me incluo nestes) achem que vão conhecendo bem ou razoavelmente bem o outro. Nada de mais errado. Nunca se conhece bem o outro. Porque o indivíduo é um mundo, um mundo inacabado e o conhecimento que dele temos, inacabado é.
Outra coisa que bem sabemos para melhor e depressa esquecermos é que nos descobrimos a nós próprios no outro. Quanto melhor conhecemos o outro, melhor nos conhecemos, é um facto.
Quanto a mim, sei bem que este desejo é irreconciliável com a realidade, no entanto tenho a vantagem de ser esclarecida acerca  da matéria e saber isso mesmo, que se trata apenas dum desejo e nada mais.
No que me diz respeito, penso que vou na 3ª fase acerca desta matéria.
Até muito tarde da minha vida, vivi numa redoma e pensava que as pessoas se entendiam umas às outras através da linguagem, e que a língua, esse instrumento fantástico, operava esse milagre do entendimento. Mais tarde e por força de alguns "life events" como dizem os americanos, percebi claramente  que a língua falada e escrita, pode servir exactamente para o contrário, para o desentendimento, para a ocultação e comecei a perceber que os sentimentos (têm tomado muito nomes na literatura científica, mas não é disso que falo aqui) eram demasiado importantes para se colocarem de lado ou em segundo plano e, sem eles não havia possibilidade de qualquer conhecimento do outro.
Sem ter abandonado esta descoberta pessoal, porque só cada um de nós o pode descobrir e não através do que lê ou ouviu dizer, encontro-me numa nova fase, chamar-lhe-ei, a fase do Espanto.
Quando consigo viajar pela profundidade do indivíduo e fazer algum trabalho arqueológico, fico espantada comigo mesma e penso que preciso duma nova gramática e que essa nova gramática não a vou conseguir nos conhecimentos científicos, mas muito mais numa vida nova de sentires.
Quero deixar aqui uma nota muito clara a quem proventura me estiver a ler:
tudo o que aqui refiro não se trata duma matéria pertencente aos porões das almas, porque se formos por aí nunca mais conhecemos a claridade.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

FOTOGRAFIA DO DIA


PORTO

VIVER - A MAIOR ARTE LITERÁRIA

A ARTE É A VIDA

Foi o que retive de um dia de Correntes d' Escritas.
Ontem havia alguém que se perguntava como é que o Auditório se mantinha repleto desde há 13 anos, mesmo com a sociedade conforme se encontra.
Eu respondo daqui:
Porque a arte, a literatura e a poesia neste caso, libertam-nos de toda a sordidez.
Iludimo-nos, seduzimo-nos com a literatura e por momentos e como por magia, iludimo-nos que não somos.

A ARTE LIBERTA-NOS

Há pessoas, milhares, milhões por esse mundo fora que têm as suas vidas paradas, que sofrem horrores, que não têm nada, nem comida para comer. Essas pessoas que inventam todos os dias viver, que confiam, que não é mais que ter fé, no dia de amanhã, produzem arte todos os dias, todos os dias acreditam que vão ter futuro.
A arte que mais admiro no momento, é sem dúvida essa arte superior que é viver.
Muitos jovens e famílias inteiras em depressão e nós ali nas Correntes e pergunto-me: PORQUÊ? PARA QUÊ?
Como local catártico sim. Numa libertação da realidade, do mundo finito em que nos encontramos, porque a literatura é um espaço onde se pode dizer tudo e viver tudo. A literatura é uma realidade que nos liberta deste sonho mau que vivemos. A literatura tira-nos as algemas que nos colocaram quando nos meteram, a todos ou quase todos, nesta cela grande.
Ir às Correntes será praticar um desporto radical, pergunto-me.
Acho que estando lá, sentimos os eflúvios da felicidade, porque vivemos e a vida dá-nos vertigens, "c'est vrai et c'est pas vrai" como se o espectáculo da vida se passasse em dois planos distintos.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

PORQUE É QUE AS NOTÍCIAS ME PARECEM TODAS DO DIA ANTERIOR?

Os Jornais trazem mais páginas  com legiões de tentadores demónios do que notícias.
O JN, por exemplo, em todas as páginas oferece ao leitor mais casos do crime do que notícias.
Antes havia o jornal do crime mesmo e, quem gostava de sangue e de casos do dia sórdidos comprava esse jornal, hoje com os jornalistas de "aviário" com que os jornais ficaram depois de despedir, despedir, despedir, publicam casos de dia e mais casos do dia travestidos de notícias.
Produzem uma espécie de notícias sem descontinuar. Lá vêm sempre os mesmos caceteiros, a sociedade que enche todas as colunas com os seus rugidos e rouquidões.
Dão a conhecer muitas pessoas que aparecem arvorados em seres eleitos e reclamam da coragem de actuar sem escrúpulos. Os meus raciocínios são brutalmente interrompidos pela existência destes seres que colocam nos píncaros, colocando a uns o sinal mais a outros o sinal menos, como faz o  jornal Expresso por exemplo.
Abro o jornal, fecho o jornal, para mim tornou-se evidente que os jornais cada vez mais se parecem com portas. Abrimos e fechamos e a distância entre as tais 24 horas para ser o dia seguinte é muito ténue.
As "notícias" ficam a pertencer aos dois dias misturados num único pensamento.
Não sei se se trata duma economia de palavras ou apenas de concentração de energia das últimas que restam aos jornalistas e às empresas jornalísticas, se se trata apenas de claros expedientes.
A única coisa que sei é que quando me disponho a passear pelas páginas noticiosas fico quase sempre com dúvidas se estou no dia de hoje ou no de ontem.

FOTOGRAFIA DO DIA



TAVIRA

COMO O AR QUE RESPIRAMOS

Todos nós sabemos muito pouco, demasiado pouco e ninguém sabe nada de ninguém, mas ainda há gente que julga conhecer tudo de uma pessoa ou de alguma coisa.
Cada um de nós inventa o seu papel e é responsável moral de todas estas corrupções e de todos os crimes a que assistimos.
Parece tudo ter sido dito, não há mais palavras para descrever as situações, no entanto, fica-me a sensação de que tudo está por dizer e por fazer.
Não quero esta Europa, não votei nessa gente.
Eles não nos entendem enquanto povo, não entendem os nossos irmãos gregos. Isto é fácil de dizer e de sentir,  já não é fácil dizer e sentir que os nossos governantes não parecem portugueses e não gostam do seu povo, nem o entendem.
É demasiado triste perceber que estamos a ser governados (estes, os anteriores e os anteriores dos anteriores) por marcianos, não por portugueses, não sentem o mesmo que nós.
Somos vítimas indefesas e tanto nos faz falar, votar, não votar como não.
Não quero viver neste tempo. Quero sair deste tempo apocalíptico.
Acredito em valores que foram postos em causa.
Porque somos assim? Porque o Humano é tão enigmático? Porque somos tão cruéis?
A maioria, consigo próprio. É infeliz das tantas às tantas, escravo de obrigações, depois das tantas às tantas, come e dorme e vai adiando a felicidade.
Para viver é preciso morrer todos os dias e para viver, quase morremos.
É preciso toda a coragem do mundo para envelhecer, para assistir a este povo moribundo, ao tsunami da corrupção.
Para viver é preciso continuarmos a iludir-nos, é absolutamente necessário, tão necessário como o ar que respiramos.
Sonhei com Filipe II de Espanha e I de Portugal? Foi acordada que sonhei com ele?
Deve ter sido a última notícia a que assisti no noticiário que me induziu esse sonho. E a última notícia foi sobre a REN (Rede Eléctrica Nacional) e a divisão da empresa pelos chineses (25%) e Árabes(15%) efectuada pelos nossos iluminados governantes.
E vi Filipe II a conquistar-nos, a receber-nos gratuitamente e de bandeja.
Sonhei, acordei e voltei a sonhar? Era um terror nocturno e gritei: "Tirem-me deste filme" e acordei definitivamente, e mais 10 milhões estavam comigo, em cima dum rectângulo, parecia mais uma jangada (lembrei-me do Saramago) mas entretanto ouvi uns tantos a discursarem, a descerrarem lápides e só não percebi se estavam a falar de futebol ou com um desprezo monumental falavam da RES(PUBLICA).

Acordei e aqui estou pronta a começar o dia para a nova ilusão, porque são elas que nos alimentam e nos fazem viver.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

BOA NOITE PARA TODOS E TODAS

FOTOGRAFIA DO DIA



PENICHE

SOMOS CORAJOSOS?


Não, não somos. Também podíamos dizer: Sim somos, temos a coragem dos lacaios e ainda há outra categoria e é para esses que deixo a minha fé e o meu louvor.
Porque até a maioria dos nossos maiores querem ficar na História como pequenos?
Tive algumas ilusões que vão caíndo uma a uma, embora ainda reste alguma esperança.
Julguei que as pessoas mais informadas, mais esclarecidas pudessem agir e reagir melhor, governar melhor numa palavra, mas este governo deu mais uma machadada nessas minhas ilusões. Alguns governantes que dele fazem parte, abriram-me mais brechas, lembro-me por exemplo do Nuno Crato que tudo o que ele dizia eu aceitava e gostava e do Francisco José Viegas que conheço pessoalmente e, nunca pensei assistir ao que assisto por parte destes dois, em especial.
Como é possível que pessoas com provas dadas de clarividência, tenham passado uma esponja sobre tudo o que observaram e diziam antes, sobre tudo pelo que pugnavam?
Que mágoa assistir a tudo isto, a toda esta falta de coragem.
O povo português apenas sabe gesticular, exclamar que não está bem, mesmo os mais sabedores?
Os bons têm ardido que nem palha, têm falhado todos. Todos sucumbem. Bem sei que a mesma pessoa actua de formas diferentes em circunstâncias diferentes. Mas o que nos resta?
Apenas mudar de sistema. De partido, não interessa.
Todos são engolidos nesta falta de coragem para se tornarem diferentes, para dizerem não.
Todos, os melhores incluídos, são trilhados por este fascismo que nos ficou na alma.
Nós não somos democratas, nem o queremos ser, nem queremos aprender a ser.
Nós somos filhos da ditadura e assim nos sentimos bem, seja ela de direita ou de esquerda.
Resignamos, não conseguimos levar a nossa posição por diante, pensar diferente, discutir a diferença e lutar por ela, num quadro democrático.
Todos os governos se tornam no mesmo charco. Ninguém quer ser diferente.
Muito pior do que o fascismo é a Herança que ele deixa, dizia Miguel Torga e eu, tu, nós, vós,  eles assistimos a isto todos os dias.
Bem abençoados todos os que acreditam que o Futuro há-de sanear todas as podridôes.
Bem aventurados todos os que acreditam no dia de amanhã.
Estes são os verdadeiros corajosos. É preciso ter coragem para acreditar no Futuro.
 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

ANTIPATIAS ANTIPÁTICAS


COMO É POSSÍVEL NÃO SE GOSTAR DUMA PESSOA QUE SE NÃO CONHECE? MAS É.

Confesso que não gosto da Srª Christine Legarde, chefe do FMI, nem um bocadinho. Acho-a simplesmente horrível.
Porquê?
Porque é horrorosa.
E porque é horrorosa?

PORQUE  SIM (a todos os níveis e de todas as formas, com cobertor aos ombros ou sem ele).

DIXIT

FOTOGRAFIA DO DIA

CARNAVAL OU A FORMA COMO SE GOVERNA ESTE PAÍS

É Carnaval ninguém leva a mal, pensou.

Um dia PPC lembrou-se que queria ser Primeiro Ministro e resolve mascarar-se de PM. Corre, corre até que chega à frente do cortejo.
Um dia o PPC resolveu seguir a Merkel porque viu que ela é que tem o dinheiro e é quem manda e resolveu mascarar-se de bom aluno e levar atrás num carrinho com quatro rodas Portugal, o seu brinquedo preferido. Abraçaram-se, sorriu muito e até foi beijado e jurou para sempre: "a partir de agora vou ser amigo dela e ela minha amiga, farei tudo, mas tudo para lhe agradar, quem sabe se posso substituir o francês, sou bem mais bonito". E foi assim que no Carnaval pensou dar um a prendinha à loura e mandou acabar com o tal feriado que nem era feriado. "Trabalhar, trabalhar é que é preciso meninos, deixem-se de pieguices disse". Lembrou-se demasiado tarde da prenda da querida e por isso teve muita dificuldade em comprar o presente nas lojas suas conhecidas. Estes "lojistas" disseram então: temos muito gosto em servi-lo a contento, mas tem que avisar com  tempo, senão não há nada para ninguém.
PPC (Pedro Passos Coelho para os amigos) falava de reputação na campanha eleitoral e com esta falta de jeito ou falta de lembrança, nem no meio dos seus semicírculos acaba. Que esbanjamento de retórica estes políticos usam.
Carregam o ar de sex-appeal e depois, basta-lhes uns meses e esvaziam a alma do povo de todas as esperanças. Mais valia proferirem menos palavras, quantas mais pronunciaram mais os estorvarão. Até os que votaram nele e não são estúpidos vêem, claramente,  a desproporção existente entre as esperanças colocadas nas novas governanças e nos seus resultados exactos.
PPC, Sócrates, Louçã,  Mário Soares, Cavaco Silva e tantos outros carnavalescos, a si podem mentir, mas não podem mentir aos outros.
Admito que o PPC seja corajoso, pois arrisca-se a parecer ingénuo, mas pode doravante atirar para o espaço fumaças sem valor, mesmo algodoando o seu discurso que nem mais os que o apoiam, confiam.
Para o PPC não ser retirado o feriado de Carnaval constituiu-se um grande drama.
Sempre assim foi e será - são considerados os grandes dramas dos pequenos.
Não chega ser apenas um rapaz educado, cheio de gentilezas resolvidas. Para se ser chefe dum governo, mesmo que seja o português, não pode, nem deve ser interrompido assim como o trânsito intestinal, porque as pessoas gostam e precisam de ser figurantes, nem que seja durante duas boas horas.
As privações dos habitantes deste rectângulo já são muitas, não lhes pode tirar mais esta, a tal que como disse o Presidente da Câmara de Torres Vedras, até lhe dava jeito senhor PM, até lhe dava jeito.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

FOTOGRAFIA DO DIA




RIO TÂMEGA, na zona de Alpendurada

O TEMPO



Está tudo baralhado.
Antes, até há bem pouco tempo atrás, as pessoas a partir duma certa idade achavam que a sua época se estava a esboroar, que  o seu tempo já tinha passado porque vinham os mais novos e começavam a viver duma maneira diferente, com novos valores e novos gostos.
Hoje porém isso não acontece, pelo menos dessa forma. Já não é preciso envelhecer-se.
O mundo tal como se conhece desaparece rapidamente.
Hoje, toda a gente tem que assistir rapidamente à mudança de valores, de princípios, muito antes de envelhecer.
As fronteiras entre gerações esbateram-se.
Ninguém, por si só, já consegue influenciar positivamente o curso dos acontecimentos da sua vida.
Actualmente as pessoas entram na melancolia muito mais cedo. A depressão ameaça tomar conta da vida das pessoas cada vez mais jovens.
Têm muito tempo para pensar, demasiado tempo para não fazer nada. As aspirações, os desejos, a esperança morrem antes do tempo.
As perguntas complicadas surgem muito mais cedo. Para quê viver? Porque os sonhos morrem?
Querem ser felizes mas parece-lhes impossível.
Hoje em dia as pessoas fazem diariamente o exercício de se libertarem da ira. Têm de se libertar de tudo e quase anular-se.
Todos ou quase todos, começam muito mais cedo a ouvir cores, a ver sons e a comer sentimentos. Os sentidos começam a mudar muito mais depressa.
Há um mundo de rejeitados da sociedade, de esperanças goradas.
Muitas pessoas, em especial, os mais jovens, têm que ter  como máxima aspiração viver no mundo, mas ao mesmo tempo não viver nele.
Têm que encontrar técnicas de sobrevivência e nem toda a gente tem capacidade para isso, em especial aqueles(as) que estão desempregados(as) há muito e não têm família para apoiar e  muitos começam a ouvir palavras por detrás das palavras.
Quando a desilusão começa a graçar e o desespero nela se dissolve e os níveis de tolerância e de esperança baixam drasticamente. Quando o tempo, velho amigo, agora transformado em inimigo dá conta do recado, já ninguém mais parece fazer o mal.
Já não são necessários os anos colocar-lhe cataratas nos olhos ou tolher-lhes as mãos, o desemprego, a dependência, o não ter direito à sua personalidade, fazem isso muito bem.
Quando as pessoas se sentem repteis, quando sentem que já não existem, quando os períodos de fraqueza tolerante deixaram de existir para passarem a ser os quotidianos, quando se sentem encurraladas num mundo escuso, dos abandonados e das esperanças goradas, então o tempo não conta para nada e deixa de existir como amigo.
 

domingo, 19 de fevereiro de 2012

MÁSCARAS


SÓ O HOMEM CONHECENDO O BEM É CAPAZ DE FAZER O MAL

SÓ O HOMEM USA MÁSCARAS.

SÓ O HOMEM É CAPAZ DE SER UMA ILUSÃO PARA SI PRÓPRIO.




Salman Rushdie


ESTA CASA COM A ASSINATURA DE JOSÉ CADILHE FICA NA PÓVOA DO VARZIM



"As siglas poveiras são uma forma de escrita antiga utilizada pelo Poveiro – nome dado aos habitantes da Póvoa do Varzim – em particular pelos membros da comunidade piscatória. São marcas de origem milenar usadas para assinalar barcos ou outros bens, geralmente cravadas a navalha na madeira ou, em alternativa, pintadas na superfície das casas ou em barracos de praia. Sendo utilizadas para identificar a propriedade familiar eram passadas de geração em geração e evoluíram em novas combinações ao longo do tempo".

(encontrei-a agora na NET, assim evitou que andasse à procura da fotografia que lhe tinha tirado no ano passado)

ALDRABÕES. NINGUÉM LAMENTA NADA, TODOS ACHARAM QUE FOI NA VEZ DELE


Igrejas Caeiro morreu aos 94 anos





19-02-12 Secretário de Estado da Cultura recebeu notícia com profundo pesar

19-02-12 Velório em Linda-a-Velha e cremação terça-feira em Lisboa

19-02-12 José Seguro lamenta morte do ator, encenador e militante socialista

19-02-12 José Jorge Letria lamenta "grande perda"

Igrejas Caeiro morreu aos 94 anos

FOTOGRAFIA DO DIA




DOURO

QUANDO É QUE TUDO ISTO ACABA?

http://youtu.be/eZGpzDWwKG8

FAÇA-SE O 26 DE ABRIL, PORQUE O 25 DE ABRIL JÁ ERA

Os sanguessugas chuparam o 25 de Abril.
MORTE AOS SANGUESSUGAS!
A única coisa em que nos devemos concentrar, política e socialmente falando, é agir para deslocar o lugar do poder.
É urgente aproximar a autoridade da base. Livrar-nos DESTA Europa.
Não nos podemos mais refugiar nem em malmequeres cor de raio de sol nem nos maravilhosos aromas das rosas de todas as cores, temos sim que fazer  a REVOLUÇÃO, aquela que é do "foro intimo" tem que ser passada ao acto. Não podemos mais descansar nem tão pouco apreciar a indiferença.
Deixemo-nos de rosnar na persistência.
Dizia ontem o presidente da Câmara de Torres Vedras: o governo até devia gostar do Carnaval e quantos mais melhor, porque assim as pessoas vêm para a rua criticar o que está mal, mas de uma forma ordeira. Acrescento eu: numa espécie de catarse folclórica para que as almas não sejam assassinadas.
Não podemos nem devemos intervalar a nossa revolta com a felicidade que nos chega da China, do comprar barato e de comodamente nos ir comprando tudo a bom preço.
Não podemos abandonar, enquanto Povo, os nossos objectivos, temos que fazer crescer a esperança, a esperança de voltar a ser uma nação, sacudida de paixões e riquezas falsas, perdendo a noção dos pontos cardeais da honestidade.
Este capital de esperança e de orgulho que ainda resta ao povo não pode nem deve ser alienado.
Não sejamos nem nos sintamos extra terrestres uns para os outros.
Consideremos que perguntar: porque estamos em crise, de quem é esta crise e as causas do que se está a passar, não nos rebaixam nem nos tornam estúpidos, mas apenas nos fazem mais residentes nesta terra, mais pessoas e menos personagens  dum romance  de que nem o título sabemos o nome, nem sabemos tampouco como vai acabar, embora desconfiemos.
Estamos a ser assassinados pela mão dos europeus e feridos pelos nossos próprios concidadãos.
O chefe do governo e  seus pares dizem-nos que não temos saída, dizem que cada vez vai ser pior, que vamos tomando os remédios que nos fazem muito mal a ver se a morte é atrasada, mas só isso.
TEMOS QUE DIZER NÃO Á ESCOLHA DA MODALIDADE DA MORTE.  Não queremos escolher entre a cadeira eléctrica e o tiro. Temos que dizer sim, mas à Vida e não à morte. Não queremos morrer, queremos viver e não ir morrendo aos  bocadinhos.
Digamos bem sonoramente e em uníssono, a todos os que nos dirigem que não têm Fé que queremos ser felizes.
Abandonemos o sofrimento. CHEGA! BASTA!
A meditação intelectual tem servido como um discurso de dor.
A todos os insensíveis sensorialmente apelo para que deixem cair essas máscaras carnavalescas e usem a sua própria.
Retirem a máscara da loucura meus senhores e coloquem a de humano, do humano que por o ser, não pode suportar muita realidade como diria T.S. Eliot.
Façamos da existência algo com uma finalidade, uma ocupação inocente.
Deixemos de ser reclusos, de nos sentirmos encerrados pelo lado de fora.
NÃO A CONTINUARMOS A SER POVO ADIADO
NÃO À OPRESSÃO (agora mascarada de crise).
LUTEMOS, cada um com as armas que possui  e TODOS PARA CONSTRUIRMOS FUTURO NO PRESENTE.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

RETIRADO DO BLOG DO EDUARDO PITTA

"Uma das exigências da Troika era o equilíbrio das contas das empresas do sector empresarial do Estado: TAP, CP, REFER, METRO, CTT, RTP e um longo etc onde cabem os Hospitais. Vítor Gaspar, sempre tão zeloso a cortar, devia vir explicar por que razão essas empresas chegaram ao fim de 2011 com 1,858 mil milhões de euros de prejuízo. A parte de leão vai para as empresas de transportes: 1,367 mil milhões. Mas a quota de prejuízo dos Hospitais também é significativa: 357,5 milhões. Tudo isto representa uma derrapagem de 38,5% face a 2010.

Estes números constam do relatório publicado ontem pela Direcção-Geral do Tesouro e Finanças. Tanta competência e tanto rigor e o resultado é este? Alguém explica?"

UMA FOTOGRAFIA POR DIA



UMA NAZARENA NA NAZARÉ

O QUE ME(NOS) APETECIA

MAS QUE BOM É PENSAR POR TODOS... como se arrumasse figuras

Tostarmo-nos ao sol como empadão no forno.
Acharmo-nos na época das crisálidas tontas no meio da luz.
Sermos corajosos para arriscarmos parecermo-nos com ingénuos.
Que os falsos messias fossem  parar todos à cadeia.
Desejos encontrados com a realização.
Que os sonhos não fugissem das molduras.
Que acabassem os dramas e finalmente entrassem as comédias.
Deixarmos de ser "piegas" (eu costumo ser com a doença, confesso) porque deixávamos de ter fardos.
Conhecermos os princípios da existência.
Acordarmos num país diferente, com um presidente diferente, este nem para alcagoita serve, só tem mesmo a casca, mas o fruto nasceu seco, encolhido, deformado.
Termos um governo que governasse o país e não só os mais ricos, e mesmo assim mal, porque a curto prazo.
E por fim, sentirmos tantas afinidades, todas aquelas que dão eternidade aos afectos.
Em suma, sentirmo-nos completos em tudo: no sonho, no amor, no desejo.
Que bom que era todos nós não sentirmos a necessidade de um dia inventarmos o destino.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O MENINO GASPAR JÁ SE PODE CANDIDATAR A PRESIDENTE DE QUALQUER CÂMARA

“não se trata de uma hipótese concreta, específica que esteja a ser considerada neste momento do tempo, mas sim um mecanismo de seguro para desenvolvimentos hoje imprevistos”.  - Vítor Gaspar respondendendo à questão da conversa havida em "privado" com o alemão ministro das finanças

Compatriotas, companheiros, amigos! Encontramo-nos aqui, convocados, reunidos ou juntos para debater, tratar ou discutir um tópico, tema ou assunto, o qual me parece transcendente, importante  ou de vida ou morte. O tópico, tema ou assunto que hoje nos convoca, reúne ou junta é a minha postulação, aspiração ou candidatura a Presidente da Câmara deste Município.- hipotética "fala" de candidato a autarca

CAMPANHA OU NÃO, É LINDO E TODA A GENTE GOSTA

http://sorisomail.com/email/94394/nova-campanha-da-t-mobile.html

DIA MUNDIAL DO SER COM O SER

Há dias para tudo, mas não há um dia em que se comemore o SER COM O SER.
Gostava eu que a humanidade marcasse encontro diário com o ser e com o ter apenas de vez em quando, mas que este acontecimento não fosse decorrente da orfandade de meios financeiros, mas antes por necessidade intrínseca.
A crise poderia ter um efeito benéfico de as pessoas se adiantarem para dentro de si próprias, mas o que verifico é ainda o contrário disto, é à lassidão humana, ao vazio às vezes febril que as ocupa.
Era importante e urgente que as pessoas se encontrassem consigo mesmas, era este o "trabalho de casa" como agora se diz, que gostava que fosse feito por cada um de nós.
Quando sentimos o impulso de tirar uma fotografia à natureza em vez de a contemplar, de a usufruir, veifica-se que nos colocamos face à natureza e não na natureza.
O que verdadeiramente importava era operar-se uma transmutação interior.
Há uma perda nos humanos para realizarem a sua relação com a natureza a partir de dentro, por isso se procura realizar a partir de fora apenas.
Falo da natureza porque a natureza é o lugar, se se souber bem olhar, mais fácil talvez para o encontro connosco mesmos.
Todos nós precisamos muito de SER e não só através do sonho e muitos vezes, dum sonho dum sonho ou ainda, dum sonho dum sonho dum sonho, chamado cultura.

A VIDA DÁ MUITA VOLTA MESMO



Nos anos 80 e 90 eram os angolanos a fazer bicha em frente da embaixada portuguesa  em Luanda e muitos dos que conseguiam chegar ao aeroporto de Lisboa, eram presos.
Em 2012 quantos  portugueses vivem e trabalham em Angola? Só de 2006 a 2009 foram 70 mil. Só no ano de 2009 emigraram para Angola 23 mil portugueses. Não sei quantos são ao certo neste momento, a não ser que a concorrência com os chineses e brasileiros é muito grande.

SER REVOLUCIONÁRIO

A forma mais revolucionária que existe no meu entender, é ser-se correcto(a) e justo(a)

DISCURSO DE JOSÉ ESTEVÃO -UMA PÉROLA DE 1837

http://www2.esec-jose-estevao.rcts.pt/DOWNLOAD/CONST.PDF



Já o ofereci a toda a gente. Porque não trazê-lo para aqui para quem estiver interessado?
Vale a pena

A OUTRA COISA QUE ME ENCANITA

É VER A MINHA AVENIDA DOS ALIADOS, A SALA DE VISITAS DA MINHA CIDADE COMO UMA FEIRA.
SR. RIO AGORA É PORQUE É CARNAVAL, AMANHÃ É PORQUE É NÃO SEI O QUÊ.
O SR. É MESMO UM PAROLO DA BOAVISTA. JÁ VIU COMO ESTÁ A BAIXA PORTUENSE? O QUE DELA FEZ? O SR. E O SEU ANTECESSOR, PORQUE JÁ VEM DE TRÁS, COM A AJUDA PRECIOSA DE SIZA VIEIRA. VEM SE VÊ QUE NENHUM DE VÓS TEM ALMA DE TRIPEIRO, COMO SE CONSTATA.
O SR. RIO TEM UMA CULTURA MUITO "VASTA", MAS MAIS NA ÁREA AUTOMOBILISTICA.

Bem sei que na História sempre houve inúmeros casos de tempos infelizes em que as pessoas se lançavam conscientemente na destruição, mas confesso que a minha capacidade de compreensão é nula perante tantas aberrações e fico sempre com dores na alma quando visito a baixa portuense.

Às vezes até parece que nasci ontem. Tinha-me esquecido desta. Pois claro, a Porto Lazer (criada por amigos para os amigos) tem que facturar, ía-me esquecendo completamente.
Chegam a ser "comoventes" estes programas destas empresinhas e são tantas...como são tantas meu Deus!
Olhem o programinha da Feira com farturinhas, carroceis e tudo:

"Carnaval na Invicta

18 a 21 de fevereiro

Durante quatro dias consecutivos, animação, magia e folia não vão faltar no palco da cidade. Junte-se à festa e partilhe connosco momentos bem divertidos!
Num programa muito diversificado, para todos os gostos, não vão faltar pinturas faciais, teatro, dança, marionetas e até um concurso da melhor fantasia de família.
Aceite este convite, venha fazer a festa connosco!

Uma organização da Câmara Municipal do Porto, através do Pelouro do Conhecimento e Coesão Social, da PortoLazer e da Fundação Porto Social, com o apoio do Inatel" .

HÁ COISAS QUE ME ENCANITAM O JUÍZO

Uma delas é esta do manifesto do Mário Soares & amigos a dizer que estão com a Grécia, apoiando o povo grego. Mas o Mário Soares, amigo do Sr. Frank Carlucci está com alguém? Não esteve com o amigo Salgado Zenha e está com o povo grego? O que Mário Soares sempre quis e quererá até morrer é dar nas vistas, estar sempre em cima do palco, dizer a si próprio e aos outros que vê longe e muito melhor que qualquer um, mas nós não temos memória curta e sabemos muito bem DO QUE A CASA GASTA

PRIMEIRO EMPOBRECEM TODA A GENTE



E DEPOIS FAZEM A VELHA E NOJENTA CARIDADE

FOTOGRAFIA DO DIA


 Pensando no Passado ou no Futuro? Eis a questão.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

SINAIS

Gostava que o Presidente da Grécia karolos Papouilas fosse o Presidente de Portugal, mas como  estou com os gregos de alma e coração, contente fico por eles terem um presidente assim.
Há homens de estatura superior e este é um deles. Como me fez sonhar...
Preside a um povo sacrificado no altar da gula e da cobiça da chamada "Europa Unida", a um povo que luta para não ser subornado, esmagado e, ontem, porque ferido para além do que lhe cabia suportar não cozinhou pensamentos, mas decidiu-se enfrentar o inimigo, de peito aberto, representado pelo alemão Ministro das Finanças Wolfang Schaeuble, dizendo-lhe que ele não se podia arvorar de intérprete da felicidade humana,  crítico das aflições do povo grego.
Falou, falou pouco, mas todos assistimos que falar é também um método de luta e foi responsável pela minha quota diária de sonho nesta vida.
Enquanto assistimos a uma multidão de mortos todos os dias, de mortos entre si, nos corredores de Bruxelas e Estrasburgo, embora ainda a convocarem-nos à obediência, consumidos pela indolência uns e cortesia mentirosa outros, veio este registo de vida, de luta, de honra da moral ferida dum povo e mostrou a todo o mundo que ainda há pessoas que não aceitam a derrota moral dum país em troca de pequenos favores de ordem pessoal e, seguro de si, não evitou a colisão necessária.
A minha esperança renasceu, porque essa é sagrada, a esperança absurda embora, de um dia vir a ter um governante português que defenda o seu povo, que não se contente apenas com sobras, com restos da véspera.
A Grécia é e será sempre uma pátria de democratas.
karolos Papouilas foi ontem o homem que transformou em ouro o latão e me fez sentir acompanhada no orgulho de ser portuguesa, logo ele que é grego, que me fez encontrar nesta crueldade que estão a praticar com um povo.
karoulos Papouilas demonstrou ontem que era um herdeiro dos velhos Atenienses e que há miséria que é tudo menos a de espírito.
VIVA O POVO GREGO!
VIVA O POVO PORTUGUÊS!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A EUROPA NÃO É O MUNDO

Estamos todos contaminados.
Os telejornais abrem com notícias da Europa sempre, apenas alguns se lembram que DEVEM abrir com NOTICIAS MAIS IMPORTANTES, como o futebol e então de quando em vez lá aparece um relvado e uma bola (só muito de vez em quando, diga-se).

Costuma-se dizer que "onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão" é logo na 1ª coisa que penso, quando assisto a algum noticiário.
Os mercados, as agências de rating que mais parecem os homens do talho a saldar as carnes e até dizem: "hoje o leitão está ao preço do coelho" e coisas deste género, os governantes e presidentes disto & daquilo e seus acólitos, parece que se desdobram em malfeitorias, nem tempo têm para fazer e desfazer as malas de tanta energia que gastam entre aviões e salas de reuniões.
Não vivem a vida, não param para pensar, não se encontram consigo próprios nem com os seus. Mergulham no mundo da hipocrisia, do faz de conta, do brincar a quem tem mais poder e já perderam a RAZÃO há muito.
Não se detêm a conhecer, em busca da verdade, mas em contrapartida tornam-se incendiários (alguns auto-intitulam-se de bombeiros) e umbiguistas. Esquecem-se que há mais Mundo para além da Europa e esse Mundo está atento , mas não venerando.
Hoje em dia a Europa parece-se mais com um campo de batalha.
Alguns destes dirigentes são da geração de 68 (1/3) e  muitos dos que não estão no poder são os desiludidos ou lambem feridas.
A ética desapareceu e sabendo nós que as fronteiras entre a mente humana civilizada e os seus instintos mais violentos e básicos são apenas linhas ténues e que os humanos são capazes de tudo, altamente imprevisíveis, fácil é perceber que corremos perigo.
Estes perigos aumentaram ainda mais quando o sistema político, já de si tão instável, deu lugar aos economicistas, aos gananciosos mais desenfreados, aos loucos de todos os matizes. Hoje assistimos ao caos que se proclama vencedor.
A Europa porque faz fé nos mercados e está ao seu serviço segrega o mal como as abelhas o mel.
Quem leu o "Deus das Moscas" de William Golding, fábula sobre a maldade humana, sabe  que a violência não nasce da necessidade sobrevivência, mas como forma de afirmação do grupo e oriunda do medo. Os governantes europeus usam a violência dos mercados, dos bancos, das formas ditas de ajuda com juros pornográficos, engolidores de economias nacionais, contra os povos sem causas razoáveis.
A Europa está a precisar de férias, de fazer auto-análise, de se procurar a si mesma, de identidade e de memória.
A Europa não É (esse est percipi) e a Europa NÃO É PERCEPCIONADA.
Agora resolveu fazer de nós o exemplo, o exemplo dos bem mandados, dos pobres agradecidinhos por nos limparem o sebo e o nosso P.M. como é um rapaz que gosta de África mas também gosta da burguesia europeia e de se sentir no grupo, de fazer parte de, dá-nos de bandeja, oferece-nos, qual irmão mais velho a levar-nos ao prostíbulo para nele ficarmos.   Enquanto isso, a imprensa escrita e falada repete até à saciedade que somos impotentes e revela as grandes formas de impotência e diz-nos que tem que ser assim porque estamos em crise, porque agora temos que sofrer, talvez um dia nos libertemos. Mais uma vez me vem à cabeça as histórias das meninas que se vão prostituir para um dia se libertarem quando mais desafogadas financeiramente estiverem. Nós sabemos que nunca mais saem e morrem ali naquela vida infernal e Portugal há muito, mas há muito tempo  está na prostituição, que se vende a velhos, a novos, a todos que nos dêem, em troca,  uma côdea de pão.
Nunca ninguém nos explicou a crise também não é verdade, a chefe do bordel, a madame Merkél explicou: disse-nos que estávamos assim porque tínhamos sol e gostávamos de pescar, de brincar, de férias, de conversar, enfim porque  julgávamos que o carnaval se gozava nos 365 dias do ano. Foi a única que explicou o porquê de tamanho castigo. Por isso quanto mais ouço a MADAME E OS SEUS ACÓLITOS, mais me lembro de Kafka e com ele acho que somos assaltados por um mundo que está para além do entendimento e no qual ninguém poderá alguma vez sentir-se em casa.
Resta-nos apenas ser originais e a originalidade consiste voltar à origem, como já alguém disse antes de mim.
Sejamos universais e tendo em conta que o universal é o local sem paredes, como diz Miguel Torga, mais fácil se torna.
Haja coragem!

NOVOS GRAFITES

Tal como os homens de todos os tempos que escreveram o nome  nas colunas dos templos, nas mesas das tascas ou nos WC públicos, também as expressões, algumas delas com mais de 100 anos, que mulheres e homens deixam nas redes sociais pouco diferem dos agradecimentos, aspirações e sobretudo, assinalam as suas presenças.


HÁ PESSOAS FANTÁSTICAS NAS SUAS IDEIAS SIMPLES MAS REVOLUCIONÁRIAS

O homem que dá flores por amor no metro fecha ciclo com “crime” colectivo


A flor que todos os dias viaja clandestinamente no metro de Lisboa vai dar o salto. O Sinal de Alarme cumpre nesta terça-feira um ano e José convocou todos os seguidores a levar com ele, à mesma hora, flores para Santa Apolónia. Uma espécie de flash mob para fechar um ciclo. Depois, vai dedicar-se ao “terrorismo cultural”. Mas o projecto não morre: internacionaliza-se

NO DIA DOS NAMORADOS

http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=2302983


uma boa/grande ideia

Parabéns ao grupo Pele

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

UMA FOTOGRAFIA POR DIA

FALAR SOZINHA COMEÇA A SER UM DESPORTO À HORA DOS TELEJORNAIS


Ninguém conhece ninguém, mas acha que conhece.
A mãe que conhece o filho, a filha que conhece a mãe, a mulher que conhece o marido e vice-versa são inverdades, mitos do conhecimento.
A natureza humana possui elementos muito subtis e difíceis de controlar. Cada palavra vem mascarada.
Exibimos um tamanho para o outro que não corresponde à realidade.
A vida dá-nos muito trabalho.
Há capelas de silêncios em todos nós. As pessoas refugiam-se em lugares comuns e por vezes fazem destes um dever.
Todos nós somos feitos de contradições, de covardias, de transigências recalcadas, em percentagens diferentes, obviamente.
Muitos de nós de digno só tem a fachada.
É desta gente que é composta esta massa amorfa, egoísta, surda, protoplásmica (aprendi esta palavra com Miguel Torga), abúlica, manhosa, mas ninguém é capaz de se conhecer inteiramente e de inteiramente se mostrar.




TANTOS INSTINTOS AMESTRADOS...

ESPELHOS SOCIAIS ou blogs, murais facebookianos & sem vergonhices, Ldª

Há pessoas, sempre houve, que escavam palavras e textos e que até os coleccionam. Outras há que não dão qualquer importância a marcar o seu território e a protegê-lo.
Soltam-se dos parêntesis em que estiveram fechadas mas apenas, porque se submetem à técnica sempre velha de copiar. Copiam tudo, roubam tudo, engolem tudo.
Dirigem-se sorrateiramente a blogs desconhecidos e de lá retiram não só as ideias, mas também palavras, frases e começam a "encarnar o espírito" de outros blogs, às vezes com um novo chapéu ou uns novos sapatos apenas. Por isso se caminharmos por essa blogosfera adiante assistimos a fingimentos vários  e a macaquices sucessivas, algumas perpetradas por "jornalistas e críticos disto e daquilo". Copiam, copiam-se e "tornam-se verdade".
A técnica de colagem está na moda neste "mundinho" e cada qual monta o seu espectáculo e inicia o seu "patchwork". Há gente que mata a solidão de não estar o seu nome na(s) rede(s) através destes trabalhinhos de embutidos, cose aqui, remenda acolá.
Conforme há o chá das 5 ou das 6 para os(as) mais conservadores(as), também há o encontro na escrita e na ideia e, se forem tomar ao outro dia outro chãzinho com outras pessoas, já repetem aquela ideia que não é dela mas da outra (o), às vezes sem qualquer maldade, nem consciência têm que assim é.
Misturam as escritas e as ideias, os chãs e as pessoas.
É sabido e consabido que as  mesmas necessidades produzem ideias  semelhantes em pessoas e locais diferentes,  mas do que falo e que vou assistindo aqui na blogosfera é uma coisinha bem diferente: é pessoas sem ideias irem roubá-las a quem as tem, mais ou menos como o furto do fio de cobre e dos metais, pois nesta história também há os receptadores.
Sempre assim foi e será, até nos grandes escritores, nas teses de doutoramento, em tudo existe a grande figura do plágio.
Há o exemplo do nosso primeiro Código Penal publicado depois do 25 de Abril , com prefácio de Eduardo Correia e que segundo se consta ficou engavetado cerca de duas décadas não podendo ver a luz do dia e, o Código Penal Alemão que foi publicado anos antes e que dizem  ter sido plagiado pelo nosso (só que depois ninguém sabe quem plagiou quem).
Num olhar positivo sobre este fenómeno tão simples de copianço descarado, vejo que se estabelece uma corrente e esta corrente eventualmente fornece uma esperança, em todos estes temas, quase sempre iguais neste espaço português.
Ter ideias é desgastante. Expô-las sem ter a certeza que outros as aceitam ou terem sido validades por alguma voz, nem de que bacoca se trate no estrangeiro, é assustador duma forma geral, então porque não as "roubar", colocar-lhes outros adereços e levá-las à Rua a passear nem que seja com trelinha?
Afinal a reciclagem está na ordem do dia, não é assim?
Em tudo o que disse não está incluído, como é óbvio, o facto de todos nós incorporarmos ideias dos outros quando concordamos com elas e tudo o que é publicado deixar de ser nosso exclusivamente, que fique bem claro como é evidente, ou ainda o ir buscar ideias aos grandes escritores e trabalhar sobre elas como faz e diz que faz Enrique Vila-Matas.
Como é evidente, este tema não me tinha surgido hoje (porque tudo o que aqui verto é escrito e pensado naquele momento e não em outro) se não  tivesse verificado que em alguns blogs mais conhecidos, dos tais que têm muitas visitas diárias e até vão à rádio dizer quem são, ver plasmadas ideias minhas, aquelas que eu sei que não tinha visto em lado nenhum, que são única e exclusivamente minhas filhas, como se de repente toda a gente visse o mesmo que eu vi e sentisse a mesma necessidade.
Desde sempre achei que faço parte da maioria, às vezes não muito bem expressa estatisticamente e, o que  sinto, penso ou digo muitas outras pessoas sentem pensam e dizem, mas não sei porquê, aqui é muito claro, é tão claro que apenas a data, às vezes (um dia depois ou dois dias ou mesmo três e até mais) distanciam os pensamentos dos outros dos meus que sei que eram, efectivamente meus e de mais ninguém.
Claro que isto das ideias e do pensamento, como já disse mas repito e esta agora toda a gente sabe mesmo, é assim, a bem dizer, como que de frutos na árvore se tratasse. Uma árvore tem vários frutos maduros ao mesmo tempo. Uns são colhidos outros ficam lá e quem os come são as avezitas ou então outra que toda a gente sabe, mas eu também, é que tal como o capital não tem fronteiras, também o pensamento não tem sangue.
Houve a época das aspas, lembram-se? Por tudo e por nada vinham as aspas, lá estavam as aspas. Agora estamos na época das não aspas e das não referências, "é tudo nosso".
Mas sendo a blogosfera uma célula social, obviamente que teria que nela se plasmar o que se passa na sociedade em geral, toda a gente a copiar toda a gente, a originalidade foi abandonada, o que é necessário é seguir a moda e ai de quem não a seguir é apenas um espírito conflituoso e irritante, aqui ou noutro sítio qualquer.
IDEIAS COPIEM-SE E COMO DIZ O OUTRO: É MELHOR COPIAR O BOM DO QUE FAZER ALGO QUE NÃO PRESTE.
E DEPOIS QUEM NÃO COPIOU UM DIA ALGUMA COISA? VÁ ATIREM A PRIMEIRA PEDRA.

não gosto de finais moralistas, pronto

domingo, 12 de fevereiro de 2012

SAUDADE

Um passeio a pé, ao sol de Inverno, uma volta pelos locais.
O encontro com os outros.


O saborear todo o bulício da cidade, despreocupadamente, sem ver lojas fechadas e mais lojas fechadas e prédios devolutos e a cairem, sem olhar para um lado e me lembrar daquele lugar que antes era... e daquele comércio de tanta qualidade que hoje é mais uma casa de chineses com artigos baratos e sem qualquer interesse a não ser o de permitir que as pessoas pensem que apesar de tudo ainda conseguem fazer algumas aquisições e de não perderem completamente os hábitos do consumo. Democráticos porque capazes da maioria com ordenados mínimos, os comprar.
Olhar para as pessoas e senti-las alegres ou tristes, distraídas ou não.
Um passeio sem pressas e sem "dores".

sábado, 11 de fevereiro de 2012

TRIBUTO A TODOS(AS) QUE USAM O HUMOR PARA ADOÇAR A VIDA

Às vezes temos a arte de tornar os outros inteligentes, mas nunca conseguimos que tenham espírito de humor. Este espírito ou se tem ou não se tem.
Sou uma entusiasta desta práxis. Quem tem este "dom" consegue tornar a sua vida e a dos  que lhe estão próximos, mais repousante.
Dizem depressa o essencial. Têm vivacidade intelectual. Conseguem insuflar oxigénio em si e nos outros.
Estas pessoas são  saudáveis, psicologicamente falando, possuem um controle perfeito dos nervos.
Para mim, as pessoas com este tipo de inteligência viva, exercem magia, provocam emoções honestas. São um antídoto para a cólera. Enfim...  fazem-me (nos) bem à alma.
Num Portugal em que voltou ao tempo em que tudo cá manda (a Europa, a China, Angola e sempre a América) como em 1918 já dizia João Chagas no seu Diário IV (de 1918 a 1921 e que vale a pena ler), sendo que as potências eram outras nessa altura (Inglaterra, Espanha, Áustria e a França) é absolutamente necessário e cada vez mais, o humor.