quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

A PIRÂMIDE DA OCIDENTAL PRAIA

O mais importante é a saúde, mas se uma pessoa tiver fome dirá que o mais importante é comer e se a alguém falta carinho, sentirá que o mais importante é o amor, mas se alguém sofrer com a guerra, a primeira coisa que precisa é de paz.
É tudo tão relativo e afinal tão simples: se tiveres prisão de ventre, não pensas noutra coisa e só queres evacuar,  mas se tens a barriga cheia, sexualidade resolvida, intestinos a funcionarem bem,   o que queres mesmo é arte, cultura, viagens.

Se tiveres isto tudo e mais dinheiro, então queres mais dinheiro e mais e mais para te satisfazer as necessidades e a pirâmide começa a fazer o pino ou então os capitalistas que procuram mais e mais capital, não passaram do nível dois ou quando muito ficaram no nível 4.

P.S: Pirâmide de Maslow -lado direito.


Maslow não previu a situação actual dos capitalistas desenfreados.
Diz-me Maslowzito, onde os metias?

 
 

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

UM BEIJO PARA QUEM CÁ VIER


 fui apanhada com a travesseira na mão
. estou na cozinha, vou-me embora.

sábado, 22 de dezembro de 2012

BOA NOITE



agora vou descansar que também preciso.
só um bocadinho no Outono deste ano ou na próxima Primavera
... ai preciso, preciso

NASCER DO SOL

Quantas vezes  realizamos o nascer do sol dentro de nós?
Abrir os olhos, despertar e estar com os sentidos todos presentes em consciência não é um trabalho fácil, antes bastante moroso mas que tem sempre de ser feito senão caímos no perigo de viver dormindo.
Ter uma percepção aguda do que nos rodeia não é para todos, políticos ou não.
Parece haver um véu em muitos olhares. Parecem míopes.
A miopia não é mais que uma metáfora, mas a realidade para a maioria dos políticos e vulgares cidadãos. O autismo social cresce.
Ontem ouvi o Pedro Passos Coelho, aquele jovem simpático, doce e tímido e ao mesmo tempo arrojado que se apresentou a  eleições, em que o povo votou. Esse PPC morreu e deu origem a um homem frio e calculista com enorme arrogância e autismo.
O tom de voz alterou-se por completo, bem como a gesticulação (estes dois elementos dizem: estou aqui por direito próprio e é assim como eu digo, porque é assim).
Tornou-se um homem ansioso, não para agradar ao seu povo, pois só quer governar um mandato, senão não diria estar-se nas tintas para as eleições, mas em relação à chanceler alemã e seus acólitos.
O que é que este homem pretende?
Pretende chegar a Ítaca, ajudado pelo resto do governo que se compõe de mais dois elementos, Vítor Gaspar e Miguel Relvas (já que este governo é composto por 3 elementos, os outros são marionetas)?
Eles desconhecerão que Ítaca, a mais alta das montanhas, é inatingível?
Pedro Passos Coelho deixou de existir, apenas existe a sua ambição. Os seus pensamentos são as opiniões dos outros. As suas paixões são uma citação.
E como estamos na Era da globalização tudo é assim: os jornais, a rádio, a televisão, a Internet e então todos, a grande maioria, imita os modelos, o que significa que existem em massa.
São estes os benefícios da globalização. Todos os lugares são palco e plateia.
Ainda ontem o P.M fazia o exercício publicitário de se colocar na posição dos extorquidos, dos que lhes foi retirado uma enorme parte dos ordenados para impostos.
Não chegou ainda a colocar-se no lado dos desempregados e dos novos pobres que esta política e modelos económicos que segue fez, mas quase por um pouco, se colocava do lado de  Nicolas Georgescu Rogen, economista romeno que na década de 70 apresentou o conceito de Decrescimento.
PPCoelho é o próprio espectáculo e entretenimento de si próprio. Quando ontem falava na AR ou ao país foi espantoso.
Há muito que deixou de ser ele, há muito que não realiza o sol em si.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

BOA NOITE



e pronto... é a vida. Trabalhei que me fartei, eu e a Sr. Maria, agora vim sentar-me aqui um  pouco, mas neste sítio não se fala  convosco. Apeteceu-me estar junto ao mar a conversar um pouquinho com quem aparecer e cá estamos.

BOM DIA



da série: coisas que eu vi

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

NATAL/NATAIS

E vem-nos à memória outros anos, outros Natais, outras reuniões familiares.
As famílias fazem-se e refazem-se.
Os rostos nem sempre permanecem ao longo dos anos.
Os divórcios e as mortes trazem-nos outros rostos e ausências.
Na minha família ainda somos fieis ao Natal e à reunião dos que sobrevivem, ainda trocamos prendas, ainda nos excitamos com o Natal, quanto mais não seja para dizer que ele não devia existir.
Habituamo-nos a festejar com os adereços que vimos usar os pais e avós. Todos eles nos fazem sentido, quanto mais não seja um sentido ao nível da imagem.
Ainda cumprimos os rituais. Enfeita-se a casa com 15 ou mais dias de antecedência, telefonamos aos amigos a desejar Boas Festas, lembramos os nossos ausentes.
Os mais novos 15 dias antes anunciam os seus desejos e no dia divertem-se tentando adivinhar o que está dentro das prendas.
A ceia tem um clima diferente de todas as outras, a um tempo plena de solenidade, alegria e transcendência.
Em todos os Natais se repete aquele mecanismo simbólico completamente desconhecido, mas absolutamente actuante e  o mundo é recriado vezes sem conta pelos nossos antepassados e pelos que nos seguirão.
Este ano espero um neto que nascerá em 2013, o tal ano péssimo para se estar vivo em Portugal, mas é no Henrique, assim se chamará, que vou ver e sonhar outros Natais.
A família é pequena e os casados dividem-se entre sogros e pais ou tios diversos, por isso umas vezes somos 13, outras onze ou até dez. Alguns já sem parceiro ou parceira começam a telefonar, quando o Natal é cá em casa, a perguntar qual é o quarto querem ficar sempre no mesmo quarto e sítio à mesa, normalmente os que se dizem não conservadoras(as).
Cada Natal é tão igual e tão diferente!
Alguns com histórias de desemprego para contar, porque esta família também já foi afectada pela maldita conjuntura. A tal  propalada crise também se senta à nossa mesa, embora ninguém a tivesse convidado, malcriadamente foi a primeira a sentar-se, sem lugar marcado, empurrou toda a gente.
Ainda não afecta os rituais porque  a vamos dominando enquanto família.
Conhecemos este Presente, não conseguimos adivinhar o Futuro e o futuro cada vez mais curto se nos apresenta. Existe uma enorme diferença qualitativa entre o presente e o futuro actualmente, mas estamos num período de reunião familiar e isso só por si constitui-se poesia que queremos continuar a preservar com todos aqueles que já existiram e existem.
BOM NATAL PARA TODOS(AS)!

BOA NOITE


e a ideia veio da Roménia

BOM DIA


NORMALIDADE NORMAL

Neste período de Natal olho para as pessoas e surpreendo-me sempre.
Parece que tudo se parece com o ano passado ou há dois anos ou há meia dúzia, mas infelizmente não é assim.
Estamos em guerra, uma guerra misteriosa, exótica, sinistra, mas com muitos feridos no campo de batalha.
Torna-se inquietante e não raro a perplexidade me invade quando as olho e ouço falar e mexerem-se.
Um dia Agostinho da Silva disse: "se não é eleito que se eleja" quando meditava sobre a batalha de Ourique e o nosso primeiro Rei se tornou cavaleiro, isto é, elegeu-se!
Os ladrões à mão armada e desarmada assaltam-nos todos os dias, os pobres grassam, o desemprego atinge níveis assustadores, o terror instala-se e a sociedade permanece numa espécie de normalidade assustadora.
É esta normalidade patológica que me deixa atónita e horrorizada ao mesmo tempo.
Uma vez vi um filme "Forest Gump", um verdadeiro filme de terror em que um atrasado mental se tornou presidente de um grande grupo empresarial, por sucessivos acasos de vida.
O filme dá-o  como inocente e tal como uma pena ao vento voara ao sabor do acaso.
Ontem, ao viajar no Metro, olhando para as pessoas que se cruzavam nas ruas comigo, no supermercado, muitas me pareceram Jesus Cristo no alto da sua cruz, abençoando todos os atrasados do Mundo, que Deus torna Presidentes, Primeiro-Ministros ou Ministros, como no filme americano em que o protagonista se tinha tornado empresário de multinacional.
A perversidade tem várias caras e é imperioso estar atento.
Caminho pelas ruas e cada vez mais penso nesta sociedade demente, e desta vez nem é preciso ir buscar um rótulo à Semiologia Psiquiátrica,  talvez com Alzheimer, uma doença em moda, aquela doença em que a pessoa se esquece de tudo, chegando a esquecer de si próprio.
A democracia só pode viver  à custa desta desmemorização colectiva. Substituiu-se uma realidade imediata por outra. Vivemos assim há décadas em que as campanhas eleitorais são verdadeiros processos de desmemorização.
Os portugueses com que me cruzei ontem são portugueses comuns.
E o que é que um português comum deve fazer?
Deve sentar-se junto à TV normalmente, lembrando a normalidade, conhecendo o Mundo através das "noticias", dizer o que os outros dizem, mesmo não sabendo o que estão a dizer, mas se alguém genial diz que há uma crise e que tudo o que está a ser feito tem que ser feito para sair da crise é porque é e, tal como no filme, começa-se a chamar génio a alguém que é apenas deficiente e os mortos tornam-se vivos e a sociedade patológica diz-se normal.
Portanto concluo que muitas das pessoas que ontem vi não estão vivas mas mortas, mas não sabem e está tudo dentro da normalidade.
Está tudo normal porque tudo lembra a normalidade e assim será. O Renascimento foi há muito tempo, lá nesse tempo é que as pessoas queriam alargar o espectro dos seus conhecimentos mais e mais, ao contrário disso hoje chama-se génio a  um doente mental e atribui-se o prémio da Paz, a quem faz a guerra.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

BOA NOITE


PARA A MANELA E HELENA DIAS COM UM BEIJO

Afinal eu já tinha os meus morangos assim. Esta fotografia não é minha,  mas  por cima da garagem já estão suspensos há muito, apenas para ornamentação, já que no meu entendimento ficavam bem assim. Agora esta forma de cultivo ganhou um prémio. Ai que desperdício que eu sou...  :)

BOM DIA



CELEBREMOS! ESTAMOS VIVOS(AS)!

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

BOA NOITE


O CREPÚSCULO TORNOU-SE AZUL

Vou emigrar para o reino do Sonho e deixar de ser presença de carne e osso para passar a ser esperança e imortalidade.
São estas visões que nos assaltam, feitas de associações e o seu contrário que nos revelam a intimidade.
Lembro-me de Rubens e do Renascimento. Quantos Rubens há em cada um de nós?
Dia cinzento, triste, húmido. Três amigos em camas de Hospitais com cancro, a tal doença prolongada que agora nem por isso.
Há um ano agonizava um muito querido amigo... e lembro-me de novo dos espelhos,  de Rubens, da morte e da sua representação.
Aproximarmo-nos dos mortos faz com que dialoguemos connosco e com o Outro que há em nós.
Tentamos desvelar o misterioso significado para além do campo imediato das aparências.
Olho a paisagem triste e cogito. O argumento da minha cogitação não é mais  do que a minha morte vista nos outros e volto a "estar" com o meu querido amigo que morreu há um ano, quando meia dúzia de meses antes assistiu ao funeral de um colega e me dizia:"Sabes, não quero morrer, quero viver, apesar de tudo, quero viver. Vi-me naquele caixão".
Há uma espécie de simetria entre a vida e a morte. Contemplamos a morte em vida, como se de um negativo se tratasse, participamos desta simetria.
Um melro que observo há cerca de 30/45m em cima dum poste, faz-me regressar de longe, de um lugar que não existe. Para onde vão os dias que passam? Que lugar os acolhe?   
Hora de crepúsculo neste dia  cinzento de Dezembro e por momentos a ideia de morte se ausentou  e o melro fez com que pouco me preocupasse o rodar de um mundo que parece ter perdido os seus eixos para sempre e o presente fez-se futuro que a cada instante me toca e invoca,

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O PRATO DAS MEMÓRIAS COM CHEIRINHO



venho lá de fora com uma flor e atiro para o prato e depois.... depois fica assim (sem arranjo, só com  perfume)

UMA VIDA OU A VERTIGEM DO TEMPO

Desde que começamos a viver até à morte, travamos muitas lutas e alguns até guerras.
Cada um de nós tem as nossas batalhas muito pessoais, carregando muitas dores em silêncio, muitos devolvem-nas ao mundo espalhando-as à sua volta sem duvidar o que se sente.
Todas as nossas vivências cá estão, algumas recordam-se vagas, esfumadas no tempo outras estão sempre a desabrochar nas opiniões e actos que praticamos.
Todos nós possuímos cicatrizes do quotidiano e todos nós procuramos a felicidade e nessa busca encontramos tristeza e incompletude e contamos histórias distorcidas pela impossibilidade da transparência, falamos por metáforas e em abstracto, dizemos a verdade a mentir.
Dizem que as feridas se saram com o tempo, não tenho a certeza disso. A(s) memória(s) sim, essas vão-se alterando e algumas colam-se-nos.
Buscamos sempre sentidos para tudo, como se a vida pudesse fazer sentido.
Repito-me, repetimo-nos. O mundo é feito de repetições.
A memória, em espiral, tem descontinuidades e sobreposições e guarda apenas algumas imagens.
O tempo é déspota e é preciso conhecer e utilizar alguns truques, o que mais uso é olhar o mundo como se estivesse a começar.
Mal sabemos nós do que vivemos e do que significou isso que vivemos, mas mesmo que soubéssemos tudo, há sempre uma membrana que separa o que foi  e o que sabemos ou supomos ter sido, há sempre uma fronteira entre o que sentimos e o que julgamos ter sentido ou conseguimos contar verdadeiramente no mais profundo de nós mesmo quando supomos saber tudo.
E vem-me à memória a revelação do medo e da ausência; da impossibilidade dos regressos; da inevitabilidade do adeus.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

MENTIRAS NOVAS PRECISAM-SE

Um dia li  num muro da minha terra "Mentiras Novas Precisam-se" e fiquei a pensar na frase.
Fiquei a descascar o abacaxi como dizem os que me conhecem bem. Sempre que algo me impressiona para além dos limites dizem: "está a descascar o abacaxi".
Passo  à tentativa de explicação: Sempre gostei muito de contos de fadas e igualmente de mitos.
Um dia em busca de literatura sobre Mitos, encontrei Mircea Eliade que juntava os mitos aos contos de fadas e fiquei encantada, já que eu sempre os tinha juntado, mais ou menos inconscientemente.
Mircea Eliade considerava, se bem me lembro e penso que sim porque fiquei com isso gravado, que os contos maravilhosos eram versões camufladas que mantinham os motivos míticos e iniciáticos arcaicos, embora os disfarçasse, conservando as suas verdades com outras vestes. Dizia M.E. que os deuses continuavam de certa maneira nos contos de fadas a desempenhar a sua função, mas estavam camuflados.
Sabemos da extraordinária influência que os contos infantis têm na formação da criança, se quisesse aqui chamar o Yung à colação chamar-lhe-ia, o inconsciente colectivo ou arcaico, mas não quero ir por aí.
Eu e muitos de nós, beneficiamos desta  iniciação imaginária dos contos de fadas, desta simbologia.
Sem imaginação o intelecto e o cognitivo ficam muito pobrezinhos.
Como combatemos o medo, a vingança, a agressividade se não tivermos maturidade emocional?
Tenho-me lembrado dos elementos mitológicos, dos anjos, das musas, das fadas, em suma do maravilhoso, em especial quando vejo alguns "posts" de murais que me chegam, como caminho para a saúde mental e veio-me à memória aquela frase escrita numa parede do Porto "MENTIRAS NOVAS PRECISAM-SE".
Quanta maturidade é necessária para imaginar esta verdade transcendente?
Prometo voltar ao tema que me apaixona.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

PORQUE SERÁ? MAS QUE É, É.



O Homem estará a ficar demente?
A mente humana aparece-nos corrompida, separada da realidade.
O que fere o entendimento?
Os franceses diziam que era o ruído que ensurdece, que desequilibra a língua. Há obstáculos ao pensamento.
Há quem diga que uma parte da responsabilidade se deve à tecnologia, outros oferecem outras causas.
Não sei a que se deve, já que as causas são de ordem multifactorial, mas que se verifica que a capacidade de pensar está em baixa, é um facto.
Esta indiferença que grassa pelo monstruoso, a perversão da natureza através do crime, a destruição da individualidade.
A inquietação é só apanágio de alguns, de muito poucos, cada vez menos.
A maioria das pessoas, nasce, vive e morre quase não passando pela experiência de pensar.
A maioria das pessoas repete-se, repete pensamentos que ouviu, não conseguindo construir um seu em toda a sua vida.
Hoje ao levar o cão ao jardim, um vento gelado, caótico infiltrou-se em mim e lembrei-me que quem pensa por si nunca consegue ver só a harmonia, que sente sempre que nessa harmonia há uma infiltração desse vento caótico todo o tempo.
É difícil pensar a causa do mal.


domingo, 9 de dezembro de 2012

SEM PEDIR LICENÇA


RUPTURAS

Quantas rupturas não temos nós que fazer ao longo da vida?
As perdas causam-nos medo e por vezes encaramos as rupturas enquanto perdas, embora na sua grande maioria se tratem de ganhos.
Acho que quanto mais medo temos delas, mais conservadores nos tornamos, no sentido etimológico do termo.
As rupturas levam-nos a concepções de insegurança/segurança.
As concepções não são a realidade e obstaculizam na maior parte das vezes  a realidade  e a iniciação nas novas realidades. Acontece que o sentimento de perda que não é a perda em si, mas tão só a sua percepção, é inibidora do avanço pessoal, de nos iniciarmos, para começar de novo é preciso fazer rupturas, romper com o que está para trás e é isto que é verdadeiramente difícil: ir para além, deixar de pensar no passado.
Nem todos são capazes de lavrar a terra e cuidar das sementeiras.
Falar em mudança, não é mudar e isto aplica-se a todos os parâmetros das nossas vidas, seja na vida afectiva, na política ou social.
Quando as pessoas clamam e gritam por "Acordai" têm de ter isto em linha de conta.
Se as pessoas não despertam, são levadas com a torrente, inconscientes do que se passa à sua volta.
Despertar, acordar é nascer para as novas realidades, é reconhecer o mundo em que vive e tomar conta de si, caso contrário tudo se lhe apresenta como um sonho e dessa forma não faz parte integrante, não é, não participa.
Acordar é ver e saber aquilo que somos e não aquilo que pensamos ser, daí as rupturas.
Quando tomamos posse da realidade, acordamos e rompemos com o passado, podendo  iniciar e agarrar as novas lutas que temos de travar, deixamos de estar em lua nova ou quarto minguante, em períodos de ocultação. Deixamos de ser invisíveis.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A VIDA

Na maior parte do tempo  a vida é rotina, não querendo com isto dizer que apenas tenha uma dimensão no dia a dia, que não tenha profundidades complexas em níveis de entendimento.
Há alturas em que a morte vem ter connosco ou através de doença nossa ou dos outros ou mesmo através da morte propriamente dita, mas também há outras mortes com que nos debatemos e  acontece, não raro, renascermos a todas elas e desdobramo-nos em múltiplos sentidos e o mundo que é composto de mudança, como disse Camões, é  sentido por nós como poesia, porque a Vida está cheia de poesia.
O Mundo e a sucessão das coisas que acontecem assemelha-se a um caleidoscópio, tal como ele, está sempre a girar, às vezes sentimo-nos engenheiros(as) florestais ao engate nas clareiras de pinheiros e de carvalhos seculares, outras o perfume do tédio amedronta-nos.
Há no entanto quotidianos que deixam cicatrizes, talvez a procura da felicidade implique o prévio reconhecimento da inevitabilidade da tristeza e da incompletude.
Mas acontece que a vida faz sentido no riso das crianças, no barulho das ondas do mar, no vento e quando o calor da terra começa a levantar-se.
O mundo está sempre a nascer. Morrem uns e nascem outros e tudo continua.
O passado é só memória, permanece lá, não há trasfega, como se nos esperasse desde o fundo dos tempos.
O mundo mudou, muda sempre, à medida que as nossas vidas mudam o mundo em que vivemos.
É difícil seguir o caminho, porque há muito imprevisto no caminho e por muitos resumos que se façam ou fios que se cruzem ele está sempre à nossa espera, do nosso olhar, do nosso sentir, nós é que às vezes chegamos a um impasse de passos ou então outros os dão por nós e contra nossa vontade.
Não raro concluímos que a história podia começar no preciso momento em que finda.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

SONHO OU REALIDADE

Podemos sempre dar uma boa imagem ou uma má imagem sobre a mesma coisa. Tomo como exemplo uma cidade, mas podia tomar uma pessoa ou até um objecto.
Temos uma cidade, por exemplo, Lisboa. Se quisermos ver a luz lisboeta, a cor, a bela Lisboa, fotografamos e observamos isso, mas se quisermos ver uma Lisboa pobre e quase sinistra, também o podemos fazer e não nos faltarão igualmente motivos, como aconteceu no "O Filme do Desassossego".
Podemos retratar tudo em função do nosso estado de espírito.
E onde fica a realidade? Está na "ficção" vista por cada um de nós?
Subjugamos a realidade à nossa vontade e ao nosso "sonho", mas a realidade está para além da nossa vontade.
A racionalidade tem mais de irreal que o próprio sonho.
Não irei entrar por estes caminhos de interpretação do sonho, do inconsciente e do consciente por óbvias razões no que a mim me diz respeito, direi apenas que quanto a esta matéria, me lembro sempre dos sinais da matemática, quando aprendi que mais com mais dá menos e menos com mais dá mais. A lógica do real e do imaginário  eram o contrário da lógica e tudo isto para dizer o quê?
Que não há democracia na realidade, mas apenas na ficção. Que ainda há liberdade de expressão, mas apenas para fazer de conta que a democracia existe.
Tudo se importou dos E.U., até as sondagens. Nos E.U., alguém se lembrou de aplicar os métodos da publicidade ao campo da política, para se poder prever o comportamento dos "clientes" ou "consumidores", vistos como massas, números simples.
Um dia sonhei com aranhas, aranhas que cobriram uma cidade inteira, acordei e quis verificar se era verdade, mas já não consegui entrar outra vez no sonho.
Hoje estou metida num país com governantes que ascenderam político/financeiramente, gente imprestável, lumpens sociais, que vieram das profundezas de um qualquer lugar. Esta gente espalhou-se por todos os quadrantes, deixaram de andar de minis para andar em carros topo de gama em 15/20 anos e até em menos.
Chego a pensar que estou a sonhar, dentro dum terror nocturno.
Fala-se das oligarquias russas e angolanas, fala-se bem por que existem, ascenderam a todos os poderes, e então aqui, no nosso país? Não acederam ao petróleo e às minas, mas a todos os cargos-chave e prioritários do país, através da política (PSD/PS), os mesmos que agora os põem à venda.
É esta a realidade ou será sonho mau?
Aguardo o dia em que a realidade entre pelo meu  país adentro, assim como na matemática, vivo no terror nocturno, irei entrar na realidade que sonhei.
Este escrito esteve para se chamar "O Lado Certo".

olá Cabide



sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O ERRO DE DESCARTES

E hoje és tu Descartes o responsável pelo meu escrito. Lembrei-me de ti.
Quantos já não escreveram sobre o Erro de Descartes?
Há seres humanos chamados de "ponta" que descobrem constantemente erros nos que os precederam, normalmente as actividades presentes deixam-se para trás, embora haja sempre quem consiga vislumbrar os seus erros.
O erro a que a Europa está a ser sujeita em geral e Portugal em particular já muita gente o viu e ainda nem sequer é futuro, embora a soberbia e o fanatismo sempre de mãos dadas em Portugal não deixe inverter a marcha, para que os desenhadores de tal projecto maquiavélico e de morte  económica/financeira dêem o braço a torcer.
Quando vejo e ouço os deputados da maioria serem eco destas políticas monstruosas com a sua pretensão da gravidade hierática a encobrir o rigor duma falta de ideais extreme, lembro-me de ti e não só.
Dir-se-ia que a cabeça lhes foi amputada, ao negarem tudo quanto é evidência. Nestas alturas lembro-me de Sampaio Bruno, homem da minha terra que se definia a ele próprio como um "jacobino" na "Ideia de Deus", onde se diz que as ideias, ao invés dos sentimentos não mudam.
E lembro-me dos homens da Renascença, Pascoaes, Leonardo, Cortesão, Pessoa, que se opuseram ao Estado Novo, defenderam os pedreiros livres e a democracia, sofreram a prisão, partiram para o exílio, tudo em nome do povo.
Como gostava de ver estes deputados e os seus quase gémeos do PS defenderem as suas ideias com entusiasmo, em permanente compromisso com o voto com que foram eleitos, mas antes pelo contrário, a título de exemplo, lembro-me da última do PSD que recusou poupar 24 milhões nas autárquicas e já agora o caso de Angola, em que os partidos políticos, à excepção do BE se mantiveram em silêncio durante 5 longos dias e etc, etc.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

NUMA TARDE CINZENTA O PENSAMENTO CORRE

Há um ano atrás, há 2, há 3 andava às compras por esta altura e como eu outras pessoas. Levava um carrinho com rodinhas e ia aos livros. Tinha recebido o subsídio de Natal e gastava-o inteirinho em  prendas.
Comprava livros para toda a gente e para mim também, claro está. Alguns grandeS com imagens,  livros de fotografia e pintura. Deliciava-me a ver aquelas imagens.
As bocas rosadas de Botticelli, as mulheres de Modgliani, os regimentos mortíferos de Goya e Picasso, os azuis de Chagall.
Tantos universos que trazia para casa, tantos inconformismos feitos arte. Aquelas pinceladas dadas na cara da  modelo para rematar a obra.
Esses livros eram caros antigamente, por isso eram prenda de Natal e estes mundos novos transbordavam para mim.
Há instantes difíceis de definir. Não sei se é um instante ou um intervalo entre todos os instantes, sem medida de tempo possível.
É um sentimento mais que um tempo.

Levantei-me. Fui ao jardim, levei com uma teia de aranha na cara. Antes e enquanto tentava removê-la senti o meu país revoltado, emaranhado, apanhado numa teia.
Foram linhas invisíveis que nos lançaram, quem as emitiu, sabia o que estava a fazer.
Os fios indizíveis lançados pelos todos poderosos e, quase retiraram logo de seguida.
Quanto tempo vamos levar para nos desemaranharmos da teia?
E vem-me à memória Fernando Pessoa e a Mensagem, para muitos obra menor, não sei se se menor ou maior, mas sei que Fernando Pessoa a pôs à venda no dia 1 De Dezembro de 1934 ainda estive com o livro na mão, de manhã, quando fui procurar um outro.
Foi um gesto simbólico que ele teve para realçar o seu desejo de que Portugal retomasse o seu destino nas mãos. A Restauração da Independência do País, em 1640 e como ontem ouvi todo o dia na rádio, que ligo logo pela manhã, falar-se na restauração e restauração aqui é o conjunto de pastelarias, restaurantes, cafés e afins, pensei que agora os Restauradores são as pessoas que trabalham na restauração e que a Rainha Austeridade levou a melhor sobre o feriado do dia 1 de Dezembro e podemos comemorar o dia a meter para a barriga, restaurando forças  com "fulgor baço da terra/ que é Portugal a entristecer", versos da Mensagem.

domingo, 18 de novembro de 2012

SER ENGANADO E QUERER SER ENGANADO

Sonhamo-nos.
Sonhamos que estamos perto uns dos outros e enganamo-nos e às vezes quando acordamos encontramo-nos.
Provocamos enganos que nos conduzem gradualmente, de facto, ao verdadeiro encontro.
O engano tem sempre um início e até um propósito. Por vezes surge da oposição a outros pontos de vista e tem intenções mais ou menos veladas de os atacar.
De início os outros são mistérios indecifráveis, são máscaras. confusões de imagens.
Um dia de tanto olhar, de tanta chuva misturada com sol, um dia vemos o arco-íris e nesse instante é a actualização da actualização. É o momento da revelação. E nesse instante a proibição faz-se convite e eis o paradoxo de chover e fazer sol, de o tempo não o ser, do engano e de querermos ser enganados.
A natureza gosta de se esconder, dizia Heraclito.
Lembrei-me desta frase porque reflicto sobre a natureza humana, quando verifico que a Pessoa  se fecha no pequenino mundo das suas fantasias, num mundo que não é senão uma criação duma criação, um sonho dum sonho, é assim que as coisas acontecem.
É por isso que somos enganados e nos queremos enganar.

E paro por aqui, senão entro no campo da imaginação e aí reflicto sobre as culturas (a celta, a persa, a indiana), pela imaginação pura, sem tecnologias a tolher-nos os movimentos, mas fá-lo-ei numa outra ocasião.

Agora deixo aos poucos leitores que tenho, a possibilidade de reescreverem o "texto" do engano e do ser enganado.
                 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

E NISTO LEMBREI-ME DA REVOLUÇÃO DE 1383

A revolução de 1383 teve como objectivo directo evitar a  usurpação estrangeira.
Esta revolução foi obra da maioria da nação e não duma pequena parte. Foi uma revolução social, característicamente urbana e  popular.
Na consequência das Cortes de Coimbra de 1385, o rei D.João II rodeado de legistas, começa a grande obra da unificação social, cerceando passo a passo privilégios do clero e da nobreza e sujeitando-os aos ditames da lei comum.
Uma revolução leva tempo a fazer, a não ser que seja "eleita democraticamente", como foi a nossa, a actual. O que se está a passar é uma "revolução"  só que não é popular, é antes anti-popular e não é para cercear os privilégios dos mais ricos, mas antes pelo contrário, é para empobrecer ainda mais os que menos têm.
O magnífico sistema que nos rege, fez com que uma minoria elegesse uma "maioria".
As promessas da campanha eleitoral foram completamente esquecidas. Hoje, estamos reduzidos a números. Houve como que um "apagão" da memória.
Todos se esqueceram, de repente, quem somos, o que prometeram, donde viemos e para onde vamos.
Esqueceram o que  realmente é importante face ao que nos ameaça e aniquila.
Estamos no meio desta catástrofe nesta mesma barca e não temos nenhum Noé para nos levar até à sua Ilha do Amor, por isso temos que ser nós e só nós, com as nossas acções a conduzir-nos.
Esta gente a quem o poder foi confiado não é gente séria nem possui uma única ideia sua, um único pensamento.
Os "seus"  pensamentos e opiniões são dos outros. A própria chancelarina só conhece uma palavra que quer aplicar a toda a Europa -AUSTERIDADE.
As suas vidas não passam de imitações, citam outros. Hoje há uma indústria montada à escala mundial para a transmissão de modelos, a tal globalização. "Toda" a gente pensa e diz o mesmo.
O totalitarismo do séc. XX, impôs-se sob outras formas mas com os mesmos efeitos.
Portugal, precisa de ser ele próprio, com a sua identidade e características próprias. Precisamos de ser nós, "de realizar a  nossa alma" como dizia Óscar Wilde. Precisamos de exercer uma filosofia de rebeldia.
Já vimos que não é quem nos governa que nos salva.
Já vimos que não podemos esperar milagres, portanto não nos resta outra alternativa senão deitarmos mãos à obra e mobilizar braços e almas para refundarmos Portugal, para tornarmos esta pedaço de terra um lugar bom para viver.

domingo, 11 de novembro de 2012

O VALOR DO ESTUDO

Saber pensar. Saber falar. Saber compreender. Saber reflectir.
Para haver mais compreensão no Mundo é importante tudo isto.
Sem pensarmos, sem compreendermos somos escravos de opiniões alheias.
Se não houver interrogação sobre os fenómenos, se não houver diálogo, se não conversarmos sobre as coisas não descobriremos nada de novo.
Mas como perceber o significado do que nos rodeia se não estudarmos?
Saber de onde vimos, dá mais garantia de saber onde e como estamos e, com base no caminho feito, especular com alguma margem de verdade para onde as coisas poderão ir.
O processo da comunicação é um processo complicado como sabemos, que dá lugar aos maiores erros de interpretação.
Para comunicar tem que haver  um emissor que transmite e um receptor. Entre a matéria  emitida e a recebida existem perdas,  por variadíssimos factores, entre os quais os vividos e experienciados de ambos os lados. Casos há, em que as perturbações são de tal ordem que nos deixam perplexos.
Não sei se para obviar a esta perplexidade ou não, encontramos por todo o lado a sensação do "dèjá lu e vu". Claro que ironizo, já que este fenómeno é de outra ordem de factores, mas por vezes vontade tenho de assim pensar, quando encontro por todo o lado, no falado ou no escrito, as mesmas opiniões, os mesmos livros escritos muitas vezes.
Para se ser verdadeiramente firme e objectivo, necessário é reflectir primeiro, só dessa maneira somos conduzidos até indagações fecundas pelas regiões espirituais.
Como poderemos ser solidários sem primeiro sermos solitários?

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O PAÍS DO TONY CARREIRA

Os emigrantes voltaram, os retornados também. Coliseus sempre cheios, mulheres em histeria, como se de um Deus se tratasse.
A visão do Portugal de há 40/30 anos permanece na cabeça destas pessoas. Foram-se com o Salazar e Caetano e nada ou pouco aprenderam, viveram em guetos e continuam.
Refundar o país, pois bem, refundemo-lo.
Refundar igual a partir do  zero. Refundemos os campos verdes do golfe  para voltarem a ter as culturas autóctonas.
Refundemos o país com menos auto-estradas que desaguam em lugares nenhuns e onde a circulação automóvel não se faz.
Refundemos o país de quilos de imagens que nos fornecem todos os dias, em especial, às crianças, para não mais conseguirem ler uma linha.
É tudo fast-food. O ensino é fast-food, ninguém lê, porque são muitas letras sem imagens, a musica é fast-food; já há muitos anos que o Quim Barreiros é convidado de honra em festas universitárias.
As paisagens começam a ser fast-food também com as suas casas tipo cubo ou os seus cubos tipo casas.
Refundemos patrões analfabetos, chefes incompetentes, políticos de aviário.
Refundemos os clubes de futebol e os ordenados dos jogadores e treinadores acrescidos de impostos zero.
Refundemos prémios literários para as damas e cavalheiros simpáticos do regime.
Refundemos canais televisivos com mais publicidade que programas.
Refundemos jornalistas analfabetos.
Refundemos telejornais do crime.
Refundemos os ordenados de miséria.
Refundemos bancos e capitalistas, queremo-los de gabarito.
Refundemos a tristeza e a depressão.
Refundemos o MEDO. 
Refundemos o Governo e o Presidente da República
e  antes de tudo isto façamos desintegrar-se a troika que  tanto se parece com os cobradores  coercitivos de dívidas.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

BOA NOITE


NASCER DO SOL

A NUVEM NEGRA DE MORCEGOS

Hoje vou  contar uma história a meninos pequeninos.


Era uma vez um País que vivia quase sem luz, embora houvesse muito sol cortejos imensos de morcegos negros se colocavam à frente do  precioso Astro.
Um dia, as pessoas que viviam naquele pedaço do Planeta Terra, tristes e incomodadas com as nuvens espessas de morcegos durante mais de 4 décadas, resolveram voltar a ver o sol e enxotar os pestilentos animais.
Reuniram e decidiram, duma vez por todas, ver-se livres deles já que eram causadores de toda a sua tristeza e, assim, foram falar com o chefe do bando,  exigindo que ordenasse  aos seus amigos  a retirada imediata da frente do sol, caso contrário teriam que sair à força.
E assim aconteceu: os morcegos maus fugiram para outras paragens.
Ouvia-se foguetes por todo o lado de tanta alegria.
Passados alguns anos, os morcegos maus voltaram, já as pessoas estavam  esquecidas da sua existência. Trouxeram os filhos desta vez e, alguns, até netos. Eram muitos.
Tinham feito amigos lá por onde andaram e conheceram outros morcegos,  cuja única actividade que tinham era tapar o sol a quem gostava e precisava dele. Eram morcegos diferentes e maus que viviam de dia ao contrário dos outros morcegos bons, que só aparecem à noite.
Organizaram-se e decidiram os  locais onde se esconder para que ninguém soubesse onde  estavam e quantos eram.
Algum tempo depois, já  escondiam o Rei Sol de novo e o país  voltou a ficar às escuras e as pessoas ficaram  outra vez muito tristes e deixaram de brincar, de saltar e pular e como tinham pouca luz para apreciarem todas as coisas belas e coloridas desta vida, vieram para a rua gritar bem alto que queriam luz e que para isso  aqueles bichos  tinham que se ir embora já, pois precisavam de Sol para viverem e serem felizes.
O resto da história contarei se se mantiverem acordados.
Fica combinado.


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

É BOM ADMIRAR E CONFIAR

Neste pleno mar de aridez e solidão, neste tempo de maldades colectivas e monstruosas, atravessar todos os círculos e admirar alguém ou algo dá-nos vida.
O coração por instantes bate ao mesmo ritmo e somos o mesmo coração naquele momento.
É uma espécie de nos exilarmos de nós mesmos, ir para além das nossas muralhas e derrubá-las.
Largo as almas cariadas, os rugidos imensos que me fazem sentir despaisada e leio um poema, leio uma notícia que me dá conta da justiça que ainda se faz; converso com uma pessoa que me eleva e as nebulosas que sobrevoam há muito a paisagem dos meus pensamentos, desaparecem como por milagre.
Em sua vez acolhem-me estes sentimentos de admiração por aquele que abdica da sua reforma por 13 anos na AR, pela poeta que conheci no facebook e me envia o seu último livro sem nada em troca, pelo amigo(a) que se interessa por mim.
Sensações boas atravessam-me, acolhem-me, escolhem-me.
Gosto de admirar e de confiar, são dois sentimentos que me fazem bem.
Todos os dias ouço as coisas felizes e boas da vida, impus a mim mesma este exercício há muitos e muitos anos é verdade - as árvores verdes de folhas nuas, o curso do rio, manso e lindo, vejo gente a rir, gente bonita, simpática, solícita. Ainda ontem quando pretendia comprar uma pequena lâmpada para candeeiro de luz de presença, admirei os modos como os comerciantes me atenderam, com o sentido único e exclusivo de me prestar um serviço. Admirei o homem que veio até ao carro perguntando-me se aquela outra lâmpada que tinha encontrado lá nos fundos da loja, me podia servir.
Admiro mulheres e homens, jovens e menos jovens que com um sorriso nos lábios, fazem o seu e o nosso dia.
Admiro o Amor que nunca nos deixa sós, que nos vigia, que nos cerca em becos sem saída, nos fala pelas pessoas, atravessando-as.
Admiro gente simples e complexa.
Admiro artistas, ai como os admiro!
Admiro velhos e velhas, essas senhoras idosas que se mantêm sozinhas em casa dependentes da sua independência.
Admiro donas de casa que fazem todos os dias o mesmo e todos os dias conseguem ter alma para voltar a fazer o necessário e precioso para  os seus materializarem outros possíveis.
Admiro políticos honestos de todos os quadrantes, que não se vendem por um prato de lentilhas.
Admiro a Literatura, a Pintura, o Teatro, a Biologia, a Mineralogia e até o simples insecto que por mim passa no seu labor diário.
E ficam os filósofos e os poetas para último, esses sonhadores, os que se apresentam a meus olhos como um caleidoscópio criativo, os que cristalizam momentos em arte, que agarram momentos de vida, possuem-nos e devolvem-nos subtilizados e nos fazem sentir que o Mundo é composto de mudança, como dizia Camões.
Como gosto de me sentir assim, admirando gente e natureza e ser borboleta e ser gente sem ser apanhada!

terça-feira, 30 de outubro de 2012

BOA NOITE


 só por aqui é que se anda bem

SABEM QUEM ESCREVEU A ÍLIADA?

O Mundo Clássico, ou seja, os gregos e os romanos.
Sabem quem escreveu a "Ilíada" ou a "Eneida?
Pois são referências literárias duma Europa culta.
A Europa da Filosofia, da História, do Direito, da Democracia.
A Europa dos artistas que fazia quase tudo em grande.
Antigamente, muito antigamente, pensávamos que dando escola, instrução e educação às pessoas, elas não se tornavam criminosas, nada mais errado.
À Europa culta devia-se pedir tudo, não que derramasse enxúndias discursivas, nem prosápias boçais, mas a grande civilização europeia tornou-se num coisismo, apenas se nivela e nivela os outros pelos seus indíces de investimento e consumo.
Chaplin nos "Tempos Modernos" deu-nos a sátira genial da Técnica, da Taylorização. A Europa actual quer fazer regressar  a esta monstruosidade, as pessoas são coisas, coisificam-se.
O nível de inteligência  e cultura europeias baixaram  de modo assustador.
A baixeza dos sentimentos e dos ideais dos governantes europeus, as chagas cada vez menos ocultas desta U.E. confrange.
Ainda há poucos anos todos os povos queriam fazer parte deste mundo, da Europa Unida. Passamos da Europa que admirávamos e procurávamos para a Europa das contradições e dos desfibramentos.
Quem hoje nela confia, no seu progresso, na sua verdade?
Não vou continuar a escrever sobre o tema, prefiro fixar-me na admiração que lhe era devida anteriormente.
Dói tanto a perda das ilusões...

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

LEMBRAM-SE DA INQUISIÇÃO?

Pois bem, ela existiu em Portugal e em Espanha também, mas interessa-me o caso de Portugal.
Dizia Jaime Cortesão que a hombridade degenera, com frequência, no individualismo feroz, na indisciplina, na soberba e no ponto de honra, na inveja e na maledicência.
Dizia ainda JC: "a hombridade pode conduzir igualmente à intolerância fanática e afirmar-se com violência e crueldade.
O carácter terrivelmente afirmativo do Ibérico  tinha que levá-lo às exarcebações humanas da Inquisição. Esse espírito permanece e permanecerá latente, como vírus endémico,..."
E se se continuar a ler a sua obra "O Humanismo Universalista dos Portugueses", mais se encontrará sobre o nosso conformismo e hipocrisia.
Vem este conhecimento a propósito do actual PM, Pedro Passos Coelho.
Quando o ouço falar,  com espírito absolutamente fanático numa forma mais ou menos doce, sim porque ele é um fanático, que se revelou tardiamente a nossos olhos, vem-me à memória Jaime Cortesão (que a minha avó materna sempre disse que era seu primo e eu sempre li, talvez devido a isso, quiçá. Nunca  se desperdiça um primo destes, mas isto é um aparte sem qualquer interesse relevante, a não ser eu conhecer razoavelmente a obra do "Primo") quando falava dos vícios Ibéricos.
PPC sempre me pareceu honesto  consigo próprio e um cultivador da hombridade (não é um estratega porque nem sequer saber para isso tem). Hombridade, a tal que "pode conduzir à intolerância fanática e afirmar-se com violência e crueldade".
PPC tem um carácter exacerbado que se reforçou com a forma de actuação e modelo económico do seu Ministro das Finanças, Vítor Gaspar, outro lunático e fanático.
PPC e Vítor Gaspar  dois fanáticos, mas ao mesmo tempo, uns líricos, quase amorais.
Na Inquisição Portuguesa o fanatismo aliado à baixeza pesaram mais ainda do que a castelhana. As almas dos portugueses saíram com muitos mais estragos do que as de Espanha.
Pedro Passos Coelho não é um homem sabedor e muito menos culto, é um antigo jotinha, apadrinhado por o Padrinho Ângelo Correia e  arrebanhado pelo seu amigo oportunista e vigarista à escala planetária se pudesse, Miguel Relvas, que exactamente por nunca ter tirado um curso superior precisava de alcandorar PPC e juntar o útil ao agradável, o fanático ambicioso que  sonhava governar Portugal e ele MR que queria o "Mundo" para comerciar influências e vigarizar - Ouro sobre azul.
PPC um retornado, filho dum pai  admirador do antigo regime de Salazar e a si muito ligado.
Os três (Ângelo Correia, Miguel Relvas e Pedro Passos Coelho) aguardavam de atalaia quando podiam dar o salto e esta  oportunidade surgiu quando um governo "socialista" moribundo  com um PM carregado de suspeitas de casos ilicítos agonizavam.
Consumado o golpe de estado, pela via democrática, porque a nossa democracia também serve para isto, é uma das suas grandes virtudes servir para tudo, instalaram-se.
De início, as coisas corriam-lhes de feição, em triunfo, ajudados pela Troika a conseguirem para Portugal aquilo que este tinha perdfido nas suas doutas opiniões e achares, quer nos governos do partido "socialista" quer mesmo nos outros.
Queriam fazer parte da epopeia, a reminiscência do retornado também aqui se fez sentir por certo, e escolheram o Ministro das Finanças ou foi-lhes sugerido, para a consumarem. Mas de repente, a epopeia por eles sonhada, agora com mais um, o executivo Vítor Gaspar, tornou-se uma tragicomédia, até mesmo uma tragédia.
Eis porque me lembrei da Inquisição e do "primo" como lhe chamam na família, o período mais negro da História de  Portugal.
Na Inquisição falava-se de hombridade  e a que  levou a essa hombridade?
À crueldade mais extrema e exarcebada e tal como dizia Jaime Cortesão, esse vírus endémico continua latente.
Revelou-se agora, voltamos ao reverso dum das maiores virtudes, a  HOMBRIDADE.
PPC quis ser possuidor de hombridade e o que é?, senão um fanático da violência e da crueldade.

domingo, 28 de outubro de 2012

EMBALANDO-ME

Assim, deixando-me ir
Sem nada mais interessar
Apenas deixar-me ir
Totalmente
Incondicionalmente
Embalada
Serena
Atravessando a Terra
como uma pluma
Batendo ao mesmo ritmo
Céu, Terra e eu
Com amor
O amor dos pequenos gestos
Aquele amor que inunda
Como pó da lua
Pairando cosmicamente
Eternidade sem possibilidades
Verdadeiro Dia
Ventre da minha mãe

sábado, 27 de outubro de 2012

HOJE, NEVOEIRO CERRADO

Gostava de ser comum.
Preocupar-me com almoços e chás e até jantares.
Falar de cueiros e fraldas ou de beringelas e coentros e ser feliz.
Embandeirar em arco e dizer que não gosto de política, que a política é para os políticos, afirmar que a vida está uma merda e marcar uma viagem para Roma, Nova Iorque ou Sidney.
Aproveitar todas as oportunidades, as que foram oferecidas e procurar novas, insuflar o Ego dos viventes que me rodeiam e rodearam e acreditar em Deus sem mais.
Aconchegar-me a uma vida caseira e porque estou a envelhecer, tornar-me uma niilista e fascinar-me com banalidades. Ó como eu gostava de me fascinar com as banalidades dos banais!
Vida fácil como a dos outros, que se nos apresenta quase sempre fácil a nossos olhos. Não rebuscar, não escolher as figuras poliédricas da vida.
Como gostava de viver sem sombras, sem ter esta atracção fatal pelo mais difícil.
Tudo isto é um sonho, aquele sonho que se sonha com muitas  percepções difusas (Bachelardianas) que se têm sobre a vida e sobre os sonhos.
Nunca tive planos ou precisando, os meus planos têm sempre a ver com o nada, são um NADA de planos.
Umas vezes estou a frigir ovos, porque a vida se me apresenta como uma frigideira, outras visto-me de pérolas e de rendas recebendo metaforicamente o mundo, mas sei sempre que as manhãs se repetem e as noites são acompanhadas.
Desprendo-me do silêncio da escrita e volto a enrolar-me no nevoeiro que hoje é azul.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

ESFORÇO

Despendo grande esforço para ouvir  telejornais.
Preciso de acertar o passo com os demais, minimiza as tensões. Não, dormir era o meu desejo, até ao fim do mundo, penso e retiro de imediato o pensamento.

Andamos por terra, a tropeçar, a balouçar, com vergonha de sermos país assim botado; esborrachados, esmurrados, empenhando a camisa para nos mantermos de pé, amedrontados.
Muitos vão embora, outros sacrificam a alma a Deus umas vezes, vendem-na a Satanás outras, outros ainda enlouquecem.
Tudo isto é um logro,  tal como os garimpeiros que escavam, escavam e não encontram a pepita mas antes terra movediça; o terreno está a ceder.
Continuando assim apenas dão vez à hidra da revolta e do descontentamento que cresce e avança.


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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

SÓ ALGUNS SÃO ARTISTAS

PENSAR É DOLOROSO ?


Pensar é doloroso muitas vezes, por isso há muitas "terapias" baseadas no truque de não pensar.
Há uns anos atrás, antes da direcção da Europa ter mudado, a vida dos povos (europeus) não tinha tantas profundidades complexas nem níveis de entendimento. Hoje, desdobra-se em múltiplos sentidos, a maioria deles muito nefastos.
O mundo é composto de mudança, como disse o nosso Camões, embora haja mudanças e mudanças e Camões quando assim falava via presenças antigas carregadas de poesia.
É sempre possível cristalizar alguns momentos em arte.
A questão que levanto é que nem toda a gente  é artista, nem toda a gente consegue do caleidoscópio que é o mundo, agarrar um momento e subtilizá-lo.
Um artista nunca é pobre como dizia a cozinheira/artista  do filme "A Festa de Babette", porque está sempre preenchido por escutas e presenças, porque consegue agarrar a borboleta e não só ver as suas cores como também as dar a conhecer aos outros, fazendo com que o mundo avance.
As pessoas no seu dia a dia são confrontadas com a realidade dura e crua, não possuem um "amigo imaginário" que as proteja da loucura desta vida; estão completamente dessacralizadas, sozinhas consigo mesmas  num mundo que teima em regredir, em andar para trás.
É muito difícil assistir, impregnarmo-nos das mudanças deste mundo e de todas as suas tensões sem ser artista, sem conseguir fazer parar o caleidoscópio na nossa imaginação, no nosso olhar, no nosso sentir.
Comecei este texto com a questão do pensamento, porque o pensamento é algo que me/nos preocupa e me/nos ocupa e, ultimamente mais ainda porque nos são impostos dogmas todos os dias, para não só aceitarmos como também decorarmos e repetirmos.
É assim porque é assim e tudo está justificado.
"Estamos em crise e este O.E. é o melhor para o país"; "este governo não pode cair, senão é o descalabro total" ; "não há outra via"; "não há alternativas".
Somos bombardeados com frases já justificadas, situações justificadas.
Nada do que é apresentado pode ser discutido, o certo é aquilo e nada mais, uma espécie de profecias do Bandarra de Trancoso, promessas de realização e revelação.
Estamos rodeados de seres não pensantes, mas falantes.
FALAM SEM PENSAR

Como é bom permanecer calado.....pensando....... e.......... falar .....pensando; como é bom pensar, mesmo sendo, por vezes, doloroso


quinta-feira, 11 de outubro de 2012


GOSTO DA BRISA NAS FOLHAS DAS ÁRVORES

A chuva volta a repicar.
O céu transforma-se e vai de plúmbeo a azul como se numa passerela estivesse.
A  água do rio mais verde do que nunca.
Olho e vejo eucaliptos, pinheiros e acácias, aqui e ali, um tufo de castanheiros carregados de ouriços.
Esta paisagem tem o seu quê de aristrocrático quando coberta de névoa.
Agora o sol aparece sobre as nuvens e corre os montes. A aldeia ao fundo sobressai.
Há uma dignidade hirta em toda a paisagem.
Não há saturação ao contemplá-la, ao admirá-la, porque a natureza e o clima encarregam-se de lhe alterar as vestes.
Cenário em contínua mudança. Gosto de ver os choupos a tremer à luz da tarde.
Há, no entanto, momentos de anárquica melancolia quando o sentimento de impotência face a todas as medidas governativas me assalta.
E penso como odeio o senso-comum, quão petrificado ele é; como odeio a corruptibilidade, as sentenças que dão; como odeio a lisonja serpenteada dos nossos PM e  MF quando vão apresentar contas a Bruxelas. Eles lançam para o Mundo o seu olhar preso, de escravos, de mil fios e cadeias.
Vulgares sim, mas não escravos penso, isso não!
Canso-me por vezes de ter coração e olhos e escuto os pássaros e chamo as árvores pelos  nomes e ouço o cair da chuva nas folhas e emigro destes severos e profundos destinos que abatem uma classe inteira, um povo inteiro, através das labaredas que continuam a sair da boca desses dragões e sonho com heróis que abatem os dragões e resgatam o povo como se fossem virgens do antigamente.
Emigro destes terríveis e sangrentos tomadores de castelos, que nos fazem feridas e  nos matam e liberto o coração de mais esta praga.
A vida também nos consente sonhar, mesmo quando nos apresenta já os espectáculos cobertos de emoções.

domingo, 7 de outubro de 2012

sem comentários


SONHO MAU

É muito difícil  vivermos este terror nocturno com esperança reduzida de acordarmos um dia e enxotá-lo.
Compreender que a morte é uma coisa real, a morte das instituições, dos direitos adquiridos, duma saúde e reforma para todos defendidas da especulação humana é importante, mas dói muito.
Assistir ao desmoronar de todo o edifício social edificado ao longo dos anos, assistir às suas ruínas que a vontade de alguns escava todos os dias, como se de um terremoto se tratasse, dá pavor, é viver tempos de morte, de vazio.
Esta morte não ganha grandeza nem sublime, não nos ilumina, apenas nos destroi.
Estamos a ficar um país de velhos postos ao sol, de casas e estabelecimentos deteriorados e apodrecidos. Um país em que todos os dias os jovens que restam têm que pensar no que vão fazer para sobreviver. Um dia pode bem acontecer que em vez de emigar que agora, ao contrário do antigamente, é acto que pertence a uma classe média esclarecida e qualificada, nesse dia, dizia eu, podem lembrar-se alguns de ir roubar ou até quem sabe, tornarem-se profissionais de manifestações.
Caminha-se entre restos, restos de casas, de comércios, de serviços públicos competentes e eficazes, de hospitais públicos credíveis, de pessoas tristes com braços  e vontade de trabalhar.
As chuvas diluvianas de privatizações feitas e a fazer varrem tudo, levam tudo na enxurrada.
Passo por ruas desertas de cidades, estradas desertas. Este dilúvio leva tudo à frente, até a vontade. O cheiro a miséria espalha-se.
As lojas estão vazias mesmo que estejam abertas 24 sobre 24 horas.
Imaginar a minha pátria assim era-me difícil, arde-me o olhar ao vê-la sucumbir.
O meu país desaba, as sanguessugas ao serviço de interesses estrangeiros sorvem-lhe o sangue, sorvem-no até à última gota.
Uma Nação construída à força de braços sucumbe com sorrisos e boas maneiras de bárbaros.
Temos  de defender o que nos resta desta Nação valente e imortal, é a única fuga.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

ESGARÇAMENTO

Às vezes na cabeça há discursos sobrepostos. Tudo se mistura, tudo se confunde, tudo se transforma.
Encontro-me aberta ao mundo, talvez por isso(?) digam que  é difícil definirem-me.
Deixo-me contagiar pelo mundo vivo, autêntica experiência multisensorial.
Sinto que devia estar calada até ao resto dos meus dias, que não é preciso dizer mais nada, que está tudo dito, que é demasiado tarde para se dizer alguma coisa, mas por outro lado acho que não devo calar-me "Quem cala consente" dizem e, eu não quero consentir, embora me apeteça calar para e por não consentir.
Fala-se demais, ao mesmo tempo que se fala de menos. Faltam frases, ideias onde são necessárias e sobram silêncios onde  não eram precisos. Há palavras a mais, abundam em certos locais e já nem são ouvidas.
O tempo é do lado de fora, a minha necessidade é a ida e permanência ao lado de dentro, mas vou cada vez mais ao lado de fora para me manter cada vez mais no lado de dentro, mas sei que o meu lado de dentro, tem um lado de dentro.
Viver é perder. As experiências das perdas são muito, demasiado dolorosas e toda a perda nos torna mais intranquilos, não mais preparados, mas mais receosos.
A memória e a fantasia misturam-se nestes sentimentos.
Coleccionamos situações, episódios, momentos, amores e desamores ao longo da vida, mas tudo nos parece escapar.
Há uma altura em que o que acontece é que não sabemos, de facto, o que aconteceu, porque o que aconteceu já foi refeito vezes sem conta por nós.
Sinto que repensar era bom, não pensar melhor ainda, mas que tal não está ao meu alcance emais uma vez há aquele esgarçamento de discursos e quereres e vontades sobrepostos e sinto-me imaterial e fugaz. Sobrevêm as lembranças de novo e continuam a querer entender sem entender ao mesmo tempo que entendo que não quero entender.
Quero e não quero ser consciente, possuir uma consciência inteira. Noutro sítio quero estar vazia, sem razão, sem compreensão.
Sou e não sou em tempos iguais.
Uma espécie de nevoeiro me encobre de mim.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

A EUROPA ESTÁ EM GUERRA

A Alemanha e seus aliados estão em guerra com os países do sul. A guerra tem tendência a alastrar-se.

Há muitas formas de viver a guerra:
o refúgio nas futilidades para não se debaterem com vícios maiores  é uma delas.
Outros assobiam para o ar como que a procurar terra firme, outros vão ao feiticeiro para saberem o que têm de fazer, outros ainda, forram a casa toda para que o diabo que ronda, não entre.
... tantos há que querem deitar os mastros abaixo.
"Está tudo maluco", bradam outros.
 Esta guerra dura há tempo demais. Há quem diga que vai no 5º ano, o que é certo é que se está a tornar um verdadeiro inferno.
É uma guerra desigual, apenas um campo de batalha tem munições.

PERCEBO MUITO POUCO

O meu entendimento nublara-se.
Não sou capaz de ver o fundo, de penetrar o Mundo, de ir muito além das cores apresentadas.
É-me difícil captar o ilógico, ver todo o desacerto.
Será uma audácia grande conhecer o nosso desconhecimento?
Há demasiada informação como estratégia de ocultação do conhecimento. As intrigas, as teias tecidas no país, na Europa e no Mundo são enormes e não é por tudo ser diariamente diferente que o meu entendimento  sobre o que se passa melhora.
Há quem se ria como Cervantes fez com o pobre cavaleiro D. Quixote, há quem morra louco e viva sábio, no  que a mim diz respeito, pareço mais uma viajante meditativa da vida.
Viver, verificar, verificar, viver, cansa.
Bebo a civilização perdida.
Colho sombras.
Parece-me que cheguei a um sítio onde o poço secou, aliás a maioria de nós chegou.
Desencanto-me.

domingo, 23 de setembro de 2012

ESSA RODA VIVA

A vida atravessa (nos) só para vir ter connosco
Possui-nos totalmente.
Acolhe-nos, mas vigia-nos
Nunca nos deixa sós
Conhece-nos, submete-nos e mata-nos
É uma surpresa:
Sonhamo-la, sonhemo-la.
Ultimamente passamos pelas ruínas dos nossos sonhos, pela morte daquilo que foi projectado, nos sonhos duma sociedade justa com emprego, baseada no mérito e no humanismo.
Nós, a Grécia e a Espanha fizemos civilização e agora não se sabe qual os nossos fins.
Não se conhece o final deste filme.
Fernando Pessoa disse que a latitude de Lisboa é sensivelmente a de Atenas; pois é, não somos os da Revolução Industrial do norte da Europa, somos do Sul.
A vida pode ser ódio ou amor.
Vive-se o tempo do racionalismo, sem grande tempo para a transcendência.
Os acontecimentos desenrolam-se para além da vontade e do desejo.
Tivemos um grande e demorado momento, o das constatações. Temos que avançar para o das intervenções.
A vida rompe, o vento sopra
O dia nasce
A vida vigia-nos e cerca-nos nos becos sem saída.
Exila-nos por vezes
Dá-nos tudo e tira-nos tudo
Ama-nos e totaliza-nos
Transborda-nos, é este o próximo forte e sereno momento.
Somos do Sul
Generosos e sensíveis
Somos examinados, por racionalistas, como animais a libertarem-se da sua condição.
Querem-nos  nos quadros arrumadinhos
Saiamos dessa moldura e energia façamos
Vivamos.
Quase descemos dos infernos em corredores escuros da existência
Fomos humilhados
A nossa alma está aturdida
E toda esta mesquinhez dos tempos
Amesquinha-nos o futuro
Sonhemos e ao mesmo tempo AJAMOS

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

VIAGEM


RUÍDO

Redemoínho de palavras.
Desenrolam-se teorias, argumentos,
Explicações por todos os lados.
Assiste-se a delírios com espasmos
Lições umas atrás das outras.
Peles se rasgam
Olhares rugem
Vísceras se expõem.
Tilintam metálicas facas/
Vozes
Cérebros presos explodem
Mentes incendeiam-se
aos sons de desabamentos.

Chegamos a esta idade
embebidos em charcos.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

BOA NOITE


TUDO SE ACABA

VIAGEM DE COMBÓIO

Muitos toques, uns com música, outros imitando telefones antigos. Digamos que não há 5 minutos sem ouvirmos um toque de telemóvel.

Muitos abanam a cabeça mesmo enquanto dormem, talvez por estarem já habituados a conciliarem-se com o mundo ouvindo música com auscultadores e dançam com os dedos e alheam-se de tudo. Estão cansados de rodopiarem pelo mundo todo das mensagens que produzem consoante a viagem mais curta ou mais longa, esmiolando as mãos.
Os dedos agitam-se: há raiva, febre, verbo a tornar-se carne. E tornaram-se génios dos dedos alguns e centuplicam de vigor, é como só um tocasse piano para só dois ouvirem.
Vejo pessoas com corações cavados, a garatujar palavras, outras com almas formadas de pedaços. Há os que lhes resta o tédio e os que se lhes adivinha a covardia, a hostilidade.
Há gente bronca e profundamente espiritualista.
Há os que riem muito e os que possuem ironia no olhar. Os esquecidos das amarguras, olham a paisagem ou perscrutam o outro, através do reflexo do vidro da janela.
Jovens garridas, de telemóvel em punho, expõem vidas como se no teatro estivessem e exclamam por outras palavras: "é ela que nos vinga!"; "Abençoada sejas tu...", entornam a alma e não dizem, adiam sempre até à última paragem uma simples frase: "Não falemos por ora nisso...Logo. Fiquemos por aqui".
E continuo a ouvir pedaços de vidas, sem esforço nenhum. As  pessoas falam alto, esquecendo-se que estão num espaço público.
Aqui, nesta esquina, uma diz: "Ó amor, se soubesses o que é andar com estes sapatos (disfarçada de estudante universitária) não dizias que cheguei tarde".
Não, não assisto a uma farsa de Molière, nua e simples, mas da mesma maneira, fico às vezes indecisa sem saber se rir ou chorar.
Tal como nas farças de Molière, a desgraça é pícara, mas a dor que afinal cavalga a farsa, incomoda.
Sinto que era preciso dar "Sonho" a esta gente e não apenas palavras, palavras, palavras, como se dá aos actores de teatro. Sim, quando viajo de comboio parece-me estar a assistir a uma peça de teatro normal, talvez por isso eu goste tanto de comboios.
Os actores são bons e representam banalidades e todos representam o papel do actor principal, nenhum se limita às rábulas ou pequenos papéis, porque exprimem sentimentos verdadeiros. Não se trata de coisas empalhadas, as que dizem têm público.  Uns são público dos outros e assim por diante.
Mesmo assim, alguns têm máscara e assim representam, mas as emoções estão lá.
Claro, que viajar no Alfa e na Linha do Douro não é exactamente igual, mas há igualmente computadores ao colo a alhearem-nos de encontrar o outro que está ali à   frente, pessoas que se riem quando estão tristes e ódios e simpatias se ouvem, e bondade e carácter e humildes e burgueses e Stºs Antónios pequeninos e rodovalhos.
A vida pulula  e a variedade também e são possíveis todas as fantasias.
Abro sempre um livro, mas a meio da viagem está fechado. A cena passa-se  fora daquelas páginas e quem me olhar deve pensar que vê um crustáceo, lembro-me de alguém  ter  dito que Deus o criou com olhos nas maxilas.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

HÁ GENTE MÁ

Toda a gente sabe disto, mas é diferente quando encontramos gente desta.
Há gente que gosta de magoar, de espezinhar o semelhante.
Aplaudem-se e deleitam-se quando vêem o outro em sofrimento.
Sentem o coração feliz pela agonia que fazem sofrer.
Não têm nem sabem o que é compaixão.
Sempre pensei estas pessoas pobres em relação ao seu mundo mental.
Usam meia dúzia de arquétipos mentais que não as deixam flexibilizar nem graduar sensibilidades.
Pessoas profundamente negativas, mesmo que riam e brinquem muito e que usam toda a sua energia para açambarcar a dos outros.
A compaixão é absolutamente necessária, mas perceber, sentir o outro e gostar que o outro não sofra é algo  que nem toda a gente possui.
Podem não ser pessoas sempre ferozes ou com as mãos ensanguentadas, mas são por certo pessoas que usam e abusam da reserva mental com os outros. Pessoas que normalmente cristalizam nas suas verdades absolutas.
Gente que não usa o benefício da dúvida com ninguém.
Normalmente não somos sujeitos a surpresas com este tipo de gente, a não ser que não desistamos de sonhar com dias melhores.
Muitas são pessoas nervosas, num estado tal  se encontram sempre que exarcebam todos os afectos, mesmo que possam apresentar-se aparentemente controladas.
Pessoas que choram pouco, com alguns, muitos, sonhos gorados; que não conseguem sair de si mesmas.
A maioria é acompanhada de pouca inteligência, mesmo que nalguns casos, verdadeiramente disfarçada. 

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

BOA NOITE

FOTOGRAFIA DO DIA



LUAR DE AGOSTO -LUA AZUL

CHIYO ON-JI

Esta palavra japonesa traduz-se pelo "verdadeiro templo da eternidade" que para nós se poderia chamar cemitério.
Lembro-me sempre ou quase sempre dela quando me fazem maldades, quando as sinto mais, costumo pronunciá-la.
Só no cemitério, quando lá chegarmos, deixaremos de ser vítimas dos pequenos punhais e a paz será eterna. Enquanto cá andarmos, estamos sujeitos às diversas facas, umas mais mansas que quase nem se sentem a espetar e, que quem as espeta fá-lo como se estivesse a orar sem lhes adivinharmos as intenções, não lhes podemos furtar, e outras mais declaradamenete, satisfazendo-se de pronto.
Nalguns casos, somos nós que nos pomos a jeito e nos metemos por ruas estreitas, escuras e mal frequentadas.
Poderia ter utilizado uma outra imagem para traduzir a mesma ideia, talvez a daquela pedra que se deixou colocada ali sobre terreno liso e que quando a retiramos abrigou uma colónia numerosa de vária bicharia, alguns que aparecem a hora certa.
Há pessoas subliminarmente sofisticadas, que chegam a dar um ar de abandono de si mesmas e dos outros, pessoas que quase se confundem com os antigos missionários cristãos que invocam não ser e pedem quase licença para existir, enfim... pessoas curiosas, que nos induzem em erro, mas que ao contrário dos canzarrões de má catadura que dormitam pelos cantos, enovelados, se ocultam em si para mais tarde  fazerem tiro ao alvo, às vezes  acompanhado de palavras doces para manterem a patine do dócil feitio.
E porque não nos encontramos no Chiyo on-ji e abrimos a alma aos esplendores, apanhamos com estas florescências paradoxais, tão características de gente esverdeada/acastanhada.
Incrédulos(as) ficamos sempre, já que nem um ruído as precede na maioria das vezes.
Parecem carpas a acordarem-nos no silêncio da noite, mas têm as suas vantagens e a principal é essa mesma, acordarem-nos, lembrarem-nos que continuamos cá em cima e que não sabemos de cor o nome das ruas por onde caminhar. Fazem-nos desabrochar de novo e crescer como uma criptoméria.
Criptoméria rima com artéria dou-me conta e o pensamento flui e diz-me que nos tornamos mais fortes para melhor podermos conduzir o sangue do coração para os pulmões e para todo o organismo.
Estas pessoas ao fim e ao resto actuam como os convólvulos, mas renovam-nos os bons-dias.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

DEAMBULANDO

...ENQUANTO A CONSCIÊNCIA ME EMOCIONA


Descubro que sei pouco da Vida e pergunto-me porquê.
Não encontro uma resposta.
Toda a gente guardou segredo até agora.
Parece que até aqui só armazenei pedacinhos do vivido, do experienciado, do intelectivo. Armar o puzzle não é fácil.
Tivemos o sonho de um dia ver o Dia, atirando as sementes à terra, geramos esperanças de lucidez.
Essa esperança está suspensa. Deixa-nos sós.
Preciso de reunir todos os sonhos. Quero ser surpreendida com essa realidade.
Havia um quadro do meu pai que significava o Outono da Vida.
Não sei se estou no Outono da Vida, se no Inverno, desconheço quando vou tomar o cálice, essa sim será a grande surpresa.
Sei que entre acasos e esquinas a Vida se vai fazendo e que há acordares lindos, os mais lindos são aqueles em que sonhamos que estamos tão próximos uns dos outros que nos encontramos por fim e acordamos quando essa aproximação se torna Encontro.
Estar na Vida requer iniciação, mas viver é um estado constante de iniciação e é este o ponto essencial.
Não sei exactamente o que é sabedoria, em contrapartida sei bem o que é imbecilidade.
Não sei se a sabedoria é uma integração de tudo que armazenamos e a sua actualização ou chegamos à conclusão que viver o dia a dia é o Voo Maior.
Os Outros são mistérios indecifráveis para nós, embora os queiramos sempre descodificar. Na superfície são máscaras, mesclados de historietas, vulgaridades, animalidades, confusões de imagens.
Às vezes nós próprios somos paradoxais, chovemos e fazemos sol ao mesmo tempo. Também nós somos indefinivéis e misturamo-nos na atmosfera como o fogo e a água.
Haverá um dia em que nos vamos contemplar e é um mistério mudo. É a nossa existência que é tocada em toda a sua potência, em toda a sua essência.
Olhamo-nos e talvez seja essa a nossa primeira morte, mas como estamos vivos é como se regressássemos em vida à Vida, pelo real olhar.
Chegamos àquele momento de nos olharmos e escutarmos, mas um olhar sobre todas as camadas que somos, todos os pensamentos, todos os sentimentos.
Não sei se esse olhar que desagua como um rio no Oceano que somos, não sei se nesse preciso momento, a sabedoria toma conta de nós.
Será essa verdadeira união, esse regresso ao Uno, esse acordar a verdadeira sabedoria?
É tudo tão silencioso: a Vida, a Morte, a Sabedoria não se fazem  anunciar.
Claro que sei que a natureza do aroma depende do modo como viveu a árvore, dos cuidados que teve...

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

BOA NOITE

FOTOGRAFIA DO DIA



VER O VERÃO A PASSAR

FASES

Ando numa fase em que me parece que já foi tudo dito e que nada mais resta dizer.
Falar, escutar parecem-me uma vertigem.
As palavras parecem ter deixado de possuir valor. Há intenções muito diferentes para palavras iguais. Sempre houve, dizem. Mas não com com esta intensidade. Por exemplo, a palavra DEMOCRACIA, todos nós sabemos que para alguns o seu significado é usurpação de poder.
Hoje já pouca gente pode invocar argumentos morais para falar.
Tenho a sensação que se varrermos todas as frases, palavras, letras, tudo ficará na mesma.
Não é por ser Verão que esta tépida indolência grassa.
Nunca se leu tanto, suponho. Nunca se teve acesso a tamanha informação, nunca houve tantos mestres, tantos discursos.
E não são as classes governantes as culpadas de tudo isto, de se escrever tanto e de se falar tanto e de tanto se NÃO ouvir.
Se lermos o que se disse, o que se pensou e analisou nos séculos anteriores, verificamos que tudo já foi dito, que se fizeram verdadeiras sangrias das palavras, que estas serviram para tudo, para festejar inclusivamente a alma nacional, como fez Camões ou Jaime Cortesão, este a outro nível embora.
Já ninguém impressiona o seu semelhante por falar ou pensar bem.
As congeminações tornaram-se muito fáceis.
Ninguém já estilhaça vidros ou cristais com a sua voz.
Estamos num mundo sórdido e absurdo e lembro-me de Gunther Grass no "Tambor de Lata".
Tal como ele, também não me apetece tirar conclusões e se calhar apenas servir-me dum tambor de lata como o Oskar, a personagem do seu livro, para traduzir as minhas ideias e sentimentos.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

BOA NOITE

FOTAGRAFIA DO DIA



MAIS UM DIA

AS MINHAS PÉROLAS

A angústia começa a ser companheira de muitos portugueses e portuguesas.
A esperança definha.
Todos os dias somos massacrados, por muito simples que se seja, acaba-se sem entusiasmo e triste e este sentimento explica muita coisa.
Os gostos, as paixões, as predilecções começam a ser grosseiros. Há fragilidade moral.
Assiste-se cada vez mais as pessoas refugiarem-se em pequenas coisas.
Duma maneira geral, não são capazes de ir ao fundo das questões, de penetrar os acontecimentos, não vão para além das imagens que são fornecidas pelos média.
Sente-se um certo atordoamento no ar e de vez em quando trazem uma rajada do passado, afinal recente, a ilusão duma nova realidade.
Assistimos e fazemos parte duma espécie de loucura mansa. As amarguras e frustrações exprimem-se por certas poses ou cantorias descompassadas e desafinadas. Os meios quase todos, a não ser os mesmos clubes de políticos e seus acólitos, tornaram-se hostis e estranhos.
As pessoas tiveram a ilusão de pertencer algures, de ter eco. Os tempos da social-democracia à portuguesa, do Cavaquismo, do Guterrismo, forneceram essa ilusão, sentiam-se na companhia dos mais endinheirados, ausentaram-se das suas classes de pertença, foram seduzidos por quimeras duma forma mecânica identificaram-se, ficaram privados dos laços de amor-ódio do ambiente original.
Agora estão a retornar a si próprios, são restituídos.
Não se reconhecem, os laços romperam-se, não reconhecem esses lugares como seus.
Continuam com uma imprectível réstia de esperança, como se fora a compensação da crise que atravessam.
Tentar entender tudo isto é fundamental, perceber que duma maneira geral, se tentou esquecer a anterior condição, através de créditos bancários que os Bancos ofereciam a quem não tinha como pagar.
Perceber que muitos dos políticos e banqueiros que nos desgovernaram, com Cavaco Silva à cabeça, porque verdadeiro fundador desta quimera assente no neo-liberalismo, gente saída do povo e que a ele não queria voltar, fazendo tudo para esquecer as suas anteriores posições, caso contrário não passariam de quadros superiores e não se alcandorariam a ricos e muito ricos. Gente que se apoderou do 25 de Abril.
Criou-se um país abstracto, dentro duma Europa abstracta, com povos e problemas reais.
O objectivo da maioria hoje é manter a esperança, mesmo que assistam à sua morte e funeral.
Tudo isto é assim ou não é assim, mas eu sinto-me despaisada, enojada e preciso de levar este país a sério porque é o meu, PRECISAMOS.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

BOA NOITE

FOTOGRAFIA DO DIA




EN PASSANT

É TUDO POR BEM

O que tens que fazer é...
O que precisas é de...
Se fosse comigo reagiria assim...
Sê positiva, senão...
Porque sabes... o que se deve fazer é...:

Não proferem desejos, produzem sentenças.
E lembro-me da Ilíada naquele verso que dizia "Terríveis são os deuses quando nos aparecem às claras".
Tentam pessoas comuns amaciar-nos a existência. Sem temores são incansáveis a cinzelar-nos atitudes, talhando-nos as almas, burilam-nos as palavras e tentam fazer-nos nascer de luz.
Pessoas comuns que se substituem a psicólogos e fazem reaparecer um espírito adversário à liberdade de sentir.
Mais do que dizer aos outros, dizem a si próprios que são capazes de renovar a esperança e de fazer crepitar a fogueira.
Esta mentalidade racionalista em que apenas se valoriza a eficiência e a transcendência não tem lugar, em que se confunde dar sentido à vida, com gozar a vida, estas palavras que nos dizem para nos tornarem personagens  e não pessoas.
O que é preciso é apresentar-se bem, somar vitórias, andar muito a pé, fazer ginástica, dietas várias, ter uma grande actividade sexual, ser reduzido a um corpo, a carne. Lembro-me de em 2008 ou por aí, a televisão estatal apresentar reportagens sobre trocas de casais. Que sentido tem isto?
Anda tudo baralhado, parecem traças à volta da luz. Identidades e pensamentos baralhados. Falam inglês e não sabem português e pensam europês. Sonham com carros topo de gama, mas nem de burro sabem andar. Emerge uma geração espontânea que se espalha e é enxertada nas gerações mais antigas.
As classes políticas dominantes feitas desta gente que nem conjugar um verbo sabe, mas que se pretendem luminosos, dão conselhos a toda a gente.
São muitos e cercam tudo, os mais velhos ascendem a um lugar nas universidades seniores, se possível, recorrem às plásticas, endividando-se e o inglês é a porta aberta para a Felicidade e não só através do mercado de trabalho.
Pensar, ler, ter direito a estar triste, quase não é permitido. Estas traças que se julgam borboletas lindas, são uma espécie de "copy/paste" e replicam-se  e copiam comportamentos, a maioria das vezes sem saberem o que copiam.


terça-feira, 7 de agosto de 2012

POR CORTESIA MINTAM

Houve tempos em que nos mentiam e nós não gostávamos.
Hoje chamam transparência a qualquer coisa muito opaca mas sem vergonha, que não anda muito longe das práticas fascistas com cenários cinematograficamente democratizados.
Vivemos numa espécie de Inferno Dantesco onde os diabos se apresentam como virgens. Parecem alegres mas são sinistros e fazem-nos reviver a Idade Média e os seus pesadelos. Não habitamos a I.M, mas conhecêmo-la também através  destes capitalistas desenfreados e seus acólitos  que fabricam novas Idades Médias e não apenas com cenários de cartão como nos filmes.
Não gosto de psicologizar a sociedade ou psiquiatrizá-la, senão diria que estes capitalistas sem adjectivo, porque todos os que conheço esbarram nesta espécie, se encontram demasiado depressivos, que caíram numa tristeza profunda e lançam as suas lanças contra os seus vassalos como novos Césares que não são.
Continuo a pensar que a vida é muito curta e a deixar marca para a posteridade, não deverá ser pela via do crime.
Estes capitalistas de agora, nem sei se é assim que se deve chamar a esta gente, não destroem empresas nem famílias que delas dependem, mas países inteiros.
Sabemos que foi a vaidade que levou Oliveira e Costa a fazer e desfazer um Banco e a ajudar o país a afundar ainda mais, este é apenas um pequeno exemplo, mas e os outros?, o que leva esta gente a querer divinizar-se desta maneira? Será para escapar das suas responsabilidades enquanto pessoas? Será por se sentirem demasiado frágeis e vulneráveis que necessitam de apunhalar tudo e todos que encontram pela frente? Será que são tocados de alguma demência genética e que necessitem de se rodear de todos os "senadores empenhados" que encontrarem? Será que se querem libertar de alguma cólera escondida, de impotências várias e insuflam os seus caracteres desvairados, tão cheios de pánico, de milhões e milhões de euros, dólares, ou outra moeda qualquer?
Estou a lembrar-me não do tio Patinhas que esse era um bocadito mais  simpático na sua banheira cheia de moedas, lembro-me  de Horta Osório no meio da sua depressão, dos seus olhos arregalados e principalmente da sua afirmação "houve precipitação  e pouca transparência no BPN".
Embora não perceba perfeitamente o que os move num período tão curto que é a vida, a quererem  tamanha riqueza  e os considere nervosos, vulneráveis, vulgares, continuo  essencialmente a achá-los gloriosos. TÊM A GLÓRIA DOS POBRES DE ESPÍRITO.
Por cortesia mintam, tornar-se-ão menos impertinentes a meus olhos, já que tenho que os considerar ainda pessoas. 

sábado, 4 de agosto de 2012

DOIS REGISTOS

Tenho dado dois registos de mim, um mais ligeiro, no facebook e um mais sério, mais confidente; quer uma observação quer outra, a mais estruturada ou a mais momentânea, são testemunhas do que sou como ser pensante, receptor e emissor, como vivo com a realidade que me rodeia, fruto da minha experiência, necessariamente limitada e imperfeita.
Fica ainda uma parte sempre indefinível, ainda que inventá-la seja a minha preocupação mais funda.
A parte confidente é a testemunha da nossa realidade.
No blog considero errado dirigir uma petição a quem despreza a sua reputação.
As pessoas poderosas têm alguns elementos a seu favor, como as boas relações que os ligam a outros igualmente poderosos e as suas influências misturam-se.
Nesta parte, a confidente, a do blog, há um saber maior da força que me comove a ponto de desejar saber a génese das coisas, é uma força mais espiritual, há um entusiasmo maior, gerado talvez pelo próprio momento da escrita mais aquilo que a precede que digo eu pertencer ao espírito, porque se quer compreendido.
Na outra parte, no perfil do facebook há um outro Eu, entro no mundo em que cada um actua, excluindo o confidente, o interlocutor.
O confidente é a testemunha da nossa realidade, sem ela a vida seria insuportável e limitada a uma experiência sem consequência do ser. 

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

BOA NOITE

FOTOGRAFIA DO DIA


O TAMBOR DA MARIA

PAÍS POLÍTICO EM FÉRIAS

O país está a desaparecer.
Desaparecem as grandes Companhias Nacionais, como a TAP , que o Conselho de Ministros deixou resolvido antes de ir a banhos e, os sectores estratégicos estão a ser vendidos, em saldos últimos aos amigos dos favores e das comissões.
Portugal é actualmente um escritório de representações nacionais e estrangeiras, com o manager Borges a tratar dos contactos e das comissões a distribuir.
Desaparece com o país, a vergonha de cometer crimes.
Desaparece a sensação de ridículo, aquele ridículo que caía da cabeça aos pés quando alguém sabia que estava a fazer mal.
Desaparece a vergonha por mentir. Mentir é feio, dizia-se.
O país político foi a banhos, decrépito, rafeiro sem imaginação, medíocre mas violento no roubo, sombrio.
Para falar deste tipo de miseráveis é preciso ter engenho extremo, o que no meu caso é apenas tentativa, caso contrário passaremos a dar sentenças, tal como eles nos fazem a nós.
Esta gente fútil, cansada de ganhar dinheiro sem trabalhar, governantes que apesar de tudo chefiam um povo que não merecem, sentem-se cansados, imagine-se.
Os portugueses são um tratado de paciência para quem nos quiser estudar.
Somos feitos de paciência contida, de reserva e silêncio.
Claro que este domínio interior se transbordar, dará lugar à tragédia.
Estes últimos governos impõem-nos austeridade que traduzem pelo medo que têm dos ricos deixarem de ser ricos. Numa visão estreita a que chamarão pragmática, açambarcam tudo que podem, com medo do dia de amanhã, em que já não haverá mais nada para roubar, "atrás de mim os que vierem que fechem a porta", tem sido sempre esta a regra.
Dá calafrios até, assistir à paciência que o povo tem tido, mas esta paciência é feita de sacrifícios profundos e marca esta terrível linha de combate que é a autoridade.
O povo português está em posição de olhar firmemente e sem arrebatamento algum, sem o peso da culpa, embora sendo pecador, mas com muita fadiga dela.
Temos que  enfrentar os inimigos, deixando as nossas perplexidades e penas e deixando, essencialmente de sermos figuras num quadro de Greco, à espera dum milagre.
Estala-nos a alma, é preciso abrir o peito não às recordações, mas a quem nos aniquila e fazê-los regressar  de onde vieram.
É urgente voltar à alegria, a viver e esta é uma boa altura para começar.

terça-feira, 31 de julho de 2012

BOA NOITE

FOTOGRAFIA DO DIA

COLÓNIAS MENTAIS

O que faz esta gente falar toda da mesma maneira? Leram todos os mesmos livros? Não, alguns nem leram nada.
Todos estão cercados dum espírito de convicção que os proíbe de terem uma linguagem própria e um pensamento solitário.
Esta gente mantém a rotina do pensamento, vão ver o que os outros disseram sobre o tema X ou Y e de seguida, da forma mais defensiva possível, atiram as palavras dos outros para continuarem a gozar de impunidade, claro que não falo só dos jornalistas ou governantes.
É assim que se vai formando o senso comum que depois e, nem sempre muito depois, se vem a chamar de bom senso.
Gente que não chega a ser indolente mas que é refinada nesse vagar dos que esperam para pensar.
Pessoas que enfrentam todas as leis do céu e da terra e que podem ser tudo na vida, da mesma forma que são ministros poderiam ser donos dum prostíbulo.
Esta gente cria-me um sentimento próximo da infelicidade. Não sei se são impotentes intelectualmente, mas grotescos chegam a sê-lo. Não raro praticam louvaminhas.
A banalidade toca as frases que pronunciam ou escrevem. Seres vulgares e vulneráveis, não se dispõem a conhecer bem um assunto porque se o fizessem sabiam que muitas vezes tinham que se calar sobre ele.
Não ousam pensar um único pensamento incómodo.
Por vezes, aparecem-nos com sombrio aspecto, aquele aspecto de quem as verdades chegam em 1ª mão. Alguns, cada vez menos, apresentam-se com um ar levemente prevenido, um ar solene mesmo.
Há um decadência no pensamento sim. A decadência como fenómeno de observação é de muito difícil análise, mas quando um povo não consegue utilizar, aplicar a sua experiência  às circunstâncias que surgem, circunstâncias intoleráveis, então o seu espírito que é a própria actividade, está em decadência.
Não é apenas um povo que entrou em decadência, a Europa  também está decadente, enquanto deixar que os mercados a tutelem, enquanto com eles desviar o curso dos rios e rebentar com países para manifestar o seu poder como se de um Hércules se tratasse, é também duma Europa decadente de que falamos, presa fácil de seus próprios crimes, percepcionados como inocentes, que definha e auto se destrói.
Toda esta gente, porque contados à cabeça são pessoas, se reveste de ênfase às vezes, com tons verdadeiramente empolados porque à defesa, não querem pensar, preferem copiar as ideias  radicadas em interesses de meia dúzia.
De tão patéticos que são, quer o jornalista duma grande empresa de comunicação, quer os governantes dum país, quer os poderosos duma região do Mundo que se  quer civilizada, me fazem penosa a observação.
Quase todos estes seres se exprimem com petulância e testemunham uma espécie de ressentimento, no entanto continuo a assistir a que muitos se lhes juntam não deixando de se desconfiarem entre si.
Trata-se de naturezas medíocres, de várias e muitas colónias mentais disseminadas por todo o lado, para todos os lados que nos viremos.