quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

A PIRÂMIDE DA OCIDENTAL PRAIA

O mais importante é a saúde, mas se uma pessoa tiver fome dirá que o mais importante é comer e se a alguém falta carinho, sentirá que o mais importante é o amor, mas se alguém sofrer com a guerra, a primeira coisa que precisa é de paz.
É tudo tão relativo e afinal tão simples: se tiveres prisão de ventre, não pensas noutra coisa e só queres evacuar,  mas se tens a barriga cheia, sexualidade resolvida, intestinos a funcionarem bem,   o que queres mesmo é arte, cultura, viagens.

Se tiveres isto tudo e mais dinheiro, então queres mais dinheiro e mais e mais para te satisfazer as necessidades e a pirâmide começa a fazer o pino ou então os capitalistas que procuram mais e mais capital, não passaram do nível dois ou quando muito ficaram no nível 4.

P.S: Pirâmide de Maslow -lado direito.


Maslow não previu a situação actual dos capitalistas desenfreados.
Diz-me Maslowzito, onde os metias?

 
 

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

UM BEIJO PARA QUEM CÁ VIER


 fui apanhada com a travesseira na mão
. estou na cozinha, vou-me embora.

sábado, 22 de dezembro de 2012

BOA NOITE



agora vou descansar que também preciso.
só um bocadinho no Outono deste ano ou na próxima Primavera
... ai preciso, preciso

NASCER DO SOL

Quantas vezes  realizamos o nascer do sol dentro de nós?
Abrir os olhos, despertar e estar com os sentidos todos presentes em consciência não é um trabalho fácil, antes bastante moroso mas que tem sempre de ser feito senão caímos no perigo de viver dormindo.
Ter uma percepção aguda do que nos rodeia não é para todos, políticos ou não.
Parece haver um véu em muitos olhares. Parecem míopes.
A miopia não é mais que uma metáfora, mas a realidade para a maioria dos políticos e vulgares cidadãos. O autismo social cresce.
Ontem ouvi o Pedro Passos Coelho, aquele jovem simpático, doce e tímido e ao mesmo tempo arrojado que se apresentou a  eleições, em que o povo votou. Esse PPC morreu e deu origem a um homem frio e calculista com enorme arrogância e autismo.
O tom de voz alterou-se por completo, bem como a gesticulação (estes dois elementos dizem: estou aqui por direito próprio e é assim como eu digo, porque é assim).
Tornou-se um homem ansioso, não para agradar ao seu povo, pois só quer governar um mandato, senão não diria estar-se nas tintas para as eleições, mas em relação à chanceler alemã e seus acólitos.
O que é que este homem pretende?
Pretende chegar a Ítaca, ajudado pelo resto do governo que se compõe de mais dois elementos, Vítor Gaspar e Miguel Relvas (já que este governo é composto por 3 elementos, os outros são marionetas)?
Eles desconhecerão que Ítaca, a mais alta das montanhas, é inatingível?
Pedro Passos Coelho deixou de existir, apenas existe a sua ambição. Os seus pensamentos são as opiniões dos outros. As suas paixões são uma citação.
E como estamos na Era da globalização tudo é assim: os jornais, a rádio, a televisão, a Internet e então todos, a grande maioria, imita os modelos, o que significa que existem em massa.
São estes os benefícios da globalização. Todos os lugares são palco e plateia.
Ainda ontem o P.M fazia o exercício publicitário de se colocar na posição dos extorquidos, dos que lhes foi retirado uma enorme parte dos ordenados para impostos.
Não chegou ainda a colocar-se no lado dos desempregados e dos novos pobres que esta política e modelos económicos que segue fez, mas quase por um pouco, se colocava do lado de  Nicolas Georgescu Rogen, economista romeno que na década de 70 apresentou o conceito de Decrescimento.
PPCoelho é o próprio espectáculo e entretenimento de si próprio. Quando ontem falava na AR ou ao país foi espantoso.
Há muito que deixou de ser ele, há muito que não realiza o sol em si.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

BOA NOITE



e pronto... é a vida. Trabalhei que me fartei, eu e a Sr. Maria, agora vim sentar-me aqui um  pouco, mas neste sítio não se fala  convosco. Apeteceu-me estar junto ao mar a conversar um pouquinho com quem aparecer e cá estamos.

BOM DIA



da série: coisas que eu vi

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

NATAL/NATAIS

E vem-nos à memória outros anos, outros Natais, outras reuniões familiares.
As famílias fazem-se e refazem-se.
Os rostos nem sempre permanecem ao longo dos anos.
Os divórcios e as mortes trazem-nos outros rostos e ausências.
Na minha família ainda somos fieis ao Natal e à reunião dos que sobrevivem, ainda trocamos prendas, ainda nos excitamos com o Natal, quanto mais não seja para dizer que ele não devia existir.
Habituamo-nos a festejar com os adereços que vimos usar os pais e avós. Todos eles nos fazem sentido, quanto mais não seja um sentido ao nível da imagem.
Ainda cumprimos os rituais. Enfeita-se a casa com 15 ou mais dias de antecedência, telefonamos aos amigos a desejar Boas Festas, lembramos os nossos ausentes.
Os mais novos 15 dias antes anunciam os seus desejos e no dia divertem-se tentando adivinhar o que está dentro das prendas.
A ceia tem um clima diferente de todas as outras, a um tempo plena de solenidade, alegria e transcendência.
Em todos os Natais se repete aquele mecanismo simbólico completamente desconhecido, mas absolutamente actuante e  o mundo é recriado vezes sem conta pelos nossos antepassados e pelos que nos seguirão.
Este ano espero um neto que nascerá em 2013, o tal ano péssimo para se estar vivo em Portugal, mas é no Henrique, assim se chamará, que vou ver e sonhar outros Natais.
A família é pequena e os casados dividem-se entre sogros e pais ou tios diversos, por isso umas vezes somos 13, outras onze ou até dez. Alguns já sem parceiro ou parceira começam a telefonar, quando o Natal é cá em casa, a perguntar qual é o quarto querem ficar sempre no mesmo quarto e sítio à mesa, normalmente os que se dizem não conservadoras(as).
Cada Natal é tão igual e tão diferente!
Alguns com histórias de desemprego para contar, porque esta família também já foi afectada pela maldita conjuntura. A tal  propalada crise também se senta à nossa mesa, embora ninguém a tivesse convidado, malcriadamente foi a primeira a sentar-se, sem lugar marcado, empurrou toda a gente.
Ainda não afecta os rituais porque  a vamos dominando enquanto família.
Conhecemos este Presente, não conseguimos adivinhar o Futuro e o futuro cada vez mais curto se nos apresenta. Existe uma enorme diferença qualitativa entre o presente e o futuro actualmente, mas estamos num período de reunião familiar e isso só por si constitui-se poesia que queremos continuar a preservar com todos aqueles que já existiram e existem.
BOM NATAL PARA TODOS(AS)!

BOA NOITE


e a ideia veio da Roménia

BOM DIA


NORMALIDADE NORMAL

Neste período de Natal olho para as pessoas e surpreendo-me sempre.
Parece que tudo se parece com o ano passado ou há dois anos ou há meia dúzia, mas infelizmente não é assim.
Estamos em guerra, uma guerra misteriosa, exótica, sinistra, mas com muitos feridos no campo de batalha.
Torna-se inquietante e não raro a perplexidade me invade quando as olho e ouço falar e mexerem-se.
Um dia Agostinho da Silva disse: "se não é eleito que se eleja" quando meditava sobre a batalha de Ourique e o nosso primeiro Rei se tornou cavaleiro, isto é, elegeu-se!
Os ladrões à mão armada e desarmada assaltam-nos todos os dias, os pobres grassam, o desemprego atinge níveis assustadores, o terror instala-se e a sociedade permanece numa espécie de normalidade assustadora.
É esta normalidade patológica que me deixa atónita e horrorizada ao mesmo tempo.
Uma vez vi um filme "Forest Gump", um verdadeiro filme de terror em que um atrasado mental se tornou presidente de um grande grupo empresarial, por sucessivos acasos de vida.
O filme dá-o  como inocente e tal como uma pena ao vento voara ao sabor do acaso.
Ontem, ao viajar no Metro, olhando para as pessoas que se cruzavam nas ruas comigo, no supermercado, muitas me pareceram Jesus Cristo no alto da sua cruz, abençoando todos os atrasados do Mundo, que Deus torna Presidentes, Primeiro-Ministros ou Ministros, como no filme americano em que o protagonista se tinha tornado empresário de multinacional.
A perversidade tem várias caras e é imperioso estar atento.
Caminho pelas ruas e cada vez mais penso nesta sociedade demente, e desta vez nem é preciso ir buscar um rótulo à Semiologia Psiquiátrica,  talvez com Alzheimer, uma doença em moda, aquela doença em que a pessoa se esquece de tudo, chegando a esquecer de si próprio.
A democracia só pode viver  à custa desta desmemorização colectiva. Substituiu-se uma realidade imediata por outra. Vivemos assim há décadas em que as campanhas eleitorais são verdadeiros processos de desmemorização.
Os portugueses com que me cruzei ontem são portugueses comuns.
E o que é que um português comum deve fazer?
Deve sentar-se junto à TV normalmente, lembrando a normalidade, conhecendo o Mundo através das "noticias", dizer o que os outros dizem, mesmo não sabendo o que estão a dizer, mas se alguém genial diz que há uma crise e que tudo o que está a ser feito tem que ser feito para sair da crise é porque é e, tal como no filme, começa-se a chamar génio a alguém que é apenas deficiente e os mortos tornam-se vivos e a sociedade patológica diz-se normal.
Portanto concluo que muitas das pessoas que ontem vi não estão vivas mas mortas, mas não sabem e está tudo dentro da normalidade.
Está tudo normal porque tudo lembra a normalidade e assim será. O Renascimento foi há muito tempo, lá nesse tempo é que as pessoas queriam alargar o espectro dos seus conhecimentos mais e mais, ao contrário disso hoje chama-se génio a  um doente mental e atribui-se o prémio da Paz, a quem faz a guerra.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

BOA NOITE


PARA A MANELA E HELENA DIAS COM UM BEIJO

Afinal eu já tinha os meus morangos assim. Esta fotografia não é minha,  mas  por cima da garagem já estão suspensos há muito, apenas para ornamentação, já que no meu entendimento ficavam bem assim. Agora esta forma de cultivo ganhou um prémio. Ai que desperdício que eu sou...  :)

BOM DIA



CELEBREMOS! ESTAMOS VIVOS(AS)!

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

BOA NOITE


O CREPÚSCULO TORNOU-SE AZUL

Vou emigrar para o reino do Sonho e deixar de ser presença de carne e osso para passar a ser esperança e imortalidade.
São estas visões que nos assaltam, feitas de associações e o seu contrário que nos revelam a intimidade.
Lembro-me de Rubens e do Renascimento. Quantos Rubens há em cada um de nós?
Dia cinzento, triste, húmido. Três amigos em camas de Hospitais com cancro, a tal doença prolongada que agora nem por isso.
Há um ano agonizava um muito querido amigo... e lembro-me de novo dos espelhos,  de Rubens, da morte e da sua representação.
Aproximarmo-nos dos mortos faz com que dialoguemos connosco e com o Outro que há em nós.
Tentamos desvelar o misterioso significado para além do campo imediato das aparências.
Olho a paisagem triste e cogito. O argumento da minha cogitação não é mais  do que a minha morte vista nos outros e volto a "estar" com o meu querido amigo que morreu há um ano, quando meia dúzia de meses antes assistiu ao funeral de um colega e me dizia:"Sabes, não quero morrer, quero viver, apesar de tudo, quero viver. Vi-me naquele caixão".
Há uma espécie de simetria entre a vida e a morte. Contemplamos a morte em vida, como se de um negativo se tratasse, participamos desta simetria.
Um melro que observo há cerca de 30/45m em cima dum poste, faz-me regressar de longe, de um lugar que não existe. Para onde vão os dias que passam? Que lugar os acolhe?   
Hora de crepúsculo neste dia  cinzento de Dezembro e por momentos a ideia de morte se ausentou  e o melro fez com que pouco me preocupasse o rodar de um mundo que parece ter perdido os seus eixos para sempre e o presente fez-se futuro que a cada instante me toca e invoca,

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O PRATO DAS MEMÓRIAS COM CHEIRINHO



venho lá de fora com uma flor e atiro para o prato e depois.... depois fica assim (sem arranjo, só com  perfume)

UMA VIDA OU A VERTIGEM DO TEMPO

Desde que começamos a viver até à morte, travamos muitas lutas e alguns até guerras.
Cada um de nós tem as nossas batalhas muito pessoais, carregando muitas dores em silêncio, muitos devolvem-nas ao mundo espalhando-as à sua volta sem duvidar o que se sente.
Todas as nossas vivências cá estão, algumas recordam-se vagas, esfumadas no tempo outras estão sempre a desabrochar nas opiniões e actos que praticamos.
Todos nós possuímos cicatrizes do quotidiano e todos nós procuramos a felicidade e nessa busca encontramos tristeza e incompletude e contamos histórias distorcidas pela impossibilidade da transparência, falamos por metáforas e em abstracto, dizemos a verdade a mentir.
Dizem que as feridas se saram com o tempo, não tenho a certeza disso. A(s) memória(s) sim, essas vão-se alterando e algumas colam-se-nos.
Buscamos sempre sentidos para tudo, como se a vida pudesse fazer sentido.
Repito-me, repetimo-nos. O mundo é feito de repetições.
A memória, em espiral, tem descontinuidades e sobreposições e guarda apenas algumas imagens.
O tempo é déspota e é preciso conhecer e utilizar alguns truques, o que mais uso é olhar o mundo como se estivesse a começar.
Mal sabemos nós do que vivemos e do que significou isso que vivemos, mas mesmo que soubéssemos tudo, há sempre uma membrana que separa o que foi  e o que sabemos ou supomos ter sido, há sempre uma fronteira entre o que sentimos e o que julgamos ter sentido ou conseguimos contar verdadeiramente no mais profundo de nós mesmo quando supomos saber tudo.
E vem-me à memória a revelação do medo e da ausência; da impossibilidade dos regressos; da inevitabilidade do adeus.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

MENTIRAS NOVAS PRECISAM-SE

Um dia li  num muro da minha terra "Mentiras Novas Precisam-se" e fiquei a pensar na frase.
Fiquei a descascar o abacaxi como dizem os que me conhecem bem. Sempre que algo me impressiona para além dos limites dizem: "está a descascar o abacaxi".
Passo  à tentativa de explicação: Sempre gostei muito de contos de fadas e igualmente de mitos.
Um dia em busca de literatura sobre Mitos, encontrei Mircea Eliade que juntava os mitos aos contos de fadas e fiquei encantada, já que eu sempre os tinha juntado, mais ou menos inconscientemente.
Mircea Eliade considerava, se bem me lembro e penso que sim porque fiquei com isso gravado, que os contos maravilhosos eram versões camufladas que mantinham os motivos míticos e iniciáticos arcaicos, embora os disfarçasse, conservando as suas verdades com outras vestes. Dizia M.E. que os deuses continuavam de certa maneira nos contos de fadas a desempenhar a sua função, mas estavam camuflados.
Sabemos da extraordinária influência que os contos infantis têm na formação da criança, se quisesse aqui chamar o Yung à colação chamar-lhe-ia, o inconsciente colectivo ou arcaico, mas não quero ir por aí.
Eu e muitos de nós, beneficiamos desta  iniciação imaginária dos contos de fadas, desta simbologia.
Sem imaginação o intelecto e o cognitivo ficam muito pobrezinhos.
Como combatemos o medo, a vingança, a agressividade se não tivermos maturidade emocional?
Tenho-me lembrado dos elementos mitológicos, dos anjos, das musas, das fadas, em suma do maravilhoso, em especial quando vejo alguns "posts" de murais que me chegam, como caminho para a saúde mental e veio-me à memória aquela frase escrita numa parede do Porto "MENTIRAS NOVAS PRECISAM-SE".
Quanta maturidade é necessária para imaginar esta verdade transcendente?
Prometo voltar ao tema que me apaixona.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

PORQUE SERÁ? MAS QUE É, É.



O Homem estará a ficar demente?
A mente humana aparece-nos corrompida, separada da realidade.
O que fere o entendimento?
Os franceses diziam que era o ruído que ensurdece, que desequilibra a língua. Há obstáculos ao pensamento.
Há quem diga que uma parte da responsabilidade se deve à tecnologia, outros oferecem outras causas.
Não sei a que se deve, já que as causas são de ordem multifactorial, mas que se verifica que a capacidade de pensar está em baixa, é um facto.
Esta indiferença que grassa pelo monstruoso, a perversão da natureza através do crime, a destruição da individualidade.
A inquietação é só apanágio de alguns, de muito poucos, cada vez menos.
A maioria das pessoas, nasce, vive e morre quase não passando pela experiência de pensar.
A maioria das pessoas repete-se, repete pensamentos que ouviu, não conseguindo construir um seu em toda a sua vida.
Hoje ao levar o cão ao jardim, um vento gelado, caótico infiltrou-se em mim e lembrei-me que quem pensa por si nunca consegue ver só a harmonia, que sente sempre que nessa harmonia há uma infiltração desse vento caótico todo o tempo.
É difícil pensar a causa do mal.


domingo, 9 de dezembro de 2012

SEM PEDIR LICENÇA


RUPTURAS

Quantas rupturas não temos nós que fazer ao longo da vida?
As perdas causam-nos medo e por vezes encaramos as rupturas enquanto perdas, embora na sua grande maioria se tratem de ganhos.
Acho que quanto mais medo temos delas, mais conservadores nos tornamos, no sentido etimológico do termo.
As rupturas levam-nos a concepções de insegurança/segurança.
As concepções não são a realidade e obstaculizam na maior parte das vezes  a realidade  e a iniciação nas novas realidades. Acontece que o sentimento de perda que não é a perda em si, mas tão só a sua percepção, é inibidora do avanço pessoal, de nos iniciarmos, para começar de novo é preciso fazer rupturas, romper com o que está para trás e é isto que é verdadeiramente difícil: ir para além, deixar de pensar no passado.
Nem todos são capazes de lavrar a terra e cuidar das sementeiras.
Falar em mudança, não é mudar e isto aplica-se a todos os parâmetros das nossas vidas, seja na vida afectiva, na política ou social.
Quando as pessoas clamam e gritam por "Acordai" têm de ter isto em linha de conta.
Se as pessoas não despertam, são levadas com a torrente, inconscientes do que se passa à sua volta.
Despertar, acordar é nascer para as novas realidades, é reconhecer o mundo em que vive e tomar conta de si, caso contrário tudo se lhe apresenta como um sonho e dessa forma não faz parte integrante, não é, não participa.
Acordar é ver e saber aquilo que somos e não aquilo que pensamos ser, daí as rupturas.
Quando tomamos posse da realidade, acordamos e rompemos com o passado, podendo  iniciar e agarrar as novas lutas que temos de travar, deixamos de estar em lua nova ou quarto minguante, em períodos de ocultação. Deixamos de ser invisíveis.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A VIDA

Na maior parte do tempo  a vida é rotina, não querendo com isto dizer que apenas tenha uma dimensão no dia a dia, que não tenha profundidades complexas em níveis de entendimento.
Há alturas em que a morte vem ter connosco ou através de doença nossa ou dos outros ou mesmo através da morte propriamente dita, mas também há outras mortes com que nos debatemos e  acontece, não raro, renascermos a todas elas e desdobramo-nos em múltiplos sentidos e o mundo que é composto de mudança, como disse Camões, é  sentido por nós como poesia, porque a Vida está cheia de poesia.
O Mundo e a sucessão das coisas que acontecem assemelha-se a um caleidoscópio, tal como ele, está sempre a girar, às vezes sentimo-nos engenheiros(as) florestais ao engate nas clareiras de pinheiros e de carvalhos seculares, outras o perfume do tédio amedronta-nos.
Há no entanto quotidianos que deixam cicatrizes, talvez a procura da felicidade implique o prévio reconhecimento da inevitabilidade da tristeza e da incompletude.
Mas acontece que a vida faz sentido no riso das crianças, no barulho das ondas do mar, no vento e quando o calor da terra começa a levantar-se.
O mundo está sempre a nascer. Morrem uns e nascem outros e tudo continua.
O passado é só memória, permanece lá, não há trasfega, como se nos esperasse desde o fundo dos tempos.
O mundo mudou, muda sempre, à medida que as nossas vidas mudam o mundo em que vivemos.
É difícil seguir o caminho, porque há muito imprevisto no caminho e por muitos resumos que se façam ou fios que se cruzem ele está sempre à nossa espera, do nosso olhar, do nosso sentir, nós é que às vezes chegamos a um impasse de passos ou então outros os dão por nós e contra nossa vontade.
Não raro concluímos que a história podia começar no preciso momento em que finda.