quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

QUEM NÃO É CAPAZ DE ADMIRAÇÃO VIVE NA VULGARIDADE

Quem não é capaz de admiração vive na vulgaridade e, acho também que os prazeres são o melhor do mundo.
Os prazeres que não baralham para tornar a dar.
Há prazeres repetidos que são imperdíveis, refiro-me neste momento exacto ao prazer de estar com amigos, mas prazeres por Vénus também não devem ser desperdiçados.
Como é bom não ter a preocupação de pôr na vida as tabuletas da normalidade.
Ocupar-nos de viver é o melhor que nos pode acontecer.
Uma existência cruzada de factos e de sensações dá-nos o suficiente descanso para a felicidade.
BOM ANO HELENA MARIA & OUTROS.

domingo, 20 de dezembro de 2015

É TEMPO DE NATAL

Todos os anos se repete. As pessoas desejam Boas Festas, umas às outras, já com muito menos convicção do que antigamente.
Deseja-se que o Novo Ano seja melhor do que o anterior, sabendo à priori, que tudo vai piorar, que os preços aumentarão que as guerras continuarão,  que o capitalismo selvagem regurgitará, que o Daesh continuará a afirmar-se como um estado nazi aproveitando o fornecimento de armas dos países que se dizem contra ele.
Os povos, duma maneira geral, aqueles que contribuem duma maneira ou de outra para este 'status quo' do mundo não sabe como são regidos, porque escutam os poderes instituídos  através da imprensa, falada e escrita, que é sua pertença e os sustenta, reproduzindo a legitimidade que os executivos não possuem.
No caso português nem uma imprensa especializada possuímos como por exemplo e, para apenas falar nos vizinhos de Espanha têm, os "Cuadernos para el Diálogo", a "Revista de Estudios Políticos" ou a  "Câmbio-16".
A minha cabeleireira vota PSD e diz-se 'revolucionária', isto é, contra este estado de coisas. Está contra o desemprego, contra os despejos efectuados pelos Bancos, a pobreza medonha, a corrupção, a emigração em massa e então por isso vota PSD, para haver uma mudança efectiva porque já que fizemos tantos esforços para isto mudar, agora continuávamos até melhorar.
Reclama novas eleições já  que o povo pensa como ela e votou da mesma maneira.
Tentei explicar-lhe que a Constituição, a lei de todas as leis, não diz isso, diz antes que os votos dos eleitores são para eleger a composição das A.R. e não o P.M. retorquindo-me com a questão que se assim fosse, não vinha tanta gente importante e esclarecida à televisão dizer o contrário.
A propósito disso, já comprei uma Constituição Portuguesa e vou-lha oferecer de prenda de Natal com o objectivo de clarificar as dúvidas que possui. É evidente que os caciques locais com o padre à cabeça, legitimam estas posições de gente em que o seu único saber provém da televisão e do que nela ouve.
As pessoas estão contra a ideia de que o Natal deve ser apenas uma vez por ano e não para toda a gente, acham que os governos devem ajudar a que não haja tanta exclusão social, tanta emigração, tanta pobreza, no entanto votam PSD/CDS como acreditam que o clube de futebol da sua preferência vá ganhar o campeonato ou que o seu familiar que está a ser corroído por um cancro não morra se forem a Fátima a pé.
Acreditam da mesma forma e pelas mesmas razões, fado e fé, fé e fado, que o Governo que lá esteve anteriormente e que anunciou empobrecer o país e ir para além da troika como foi, fizesse tudo por bem e com mais uns sacrifícios nos safássemos, caso contrário todos aqueles senhores da televisão não o afirmariam tão categoricamente.
Se eles dizem e ninguém desmente é porque têm razão, é assim mais ou menos como o calcitrin que toda a gente diz que lhe faz muito bem porque o tomaram.
Os desejos de Bom Natal é assim uma espécie de árvore de Natal com muitas embalagens de calcitrin como a Simone de Oliveira propunha.
Boas Festas então, basta acreditar.
A minha pergunta é muito simples: quem nos protege dos partidos políticos corruptos, quem nos protege dos Natais consumistas e sem qualquer valor de renovação?

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Caetano Veloso, Gilberto Gil, Ivete Sangalo - O Meu Amor


ESPERAMOS SEMPRE PEQUENOS SINAIS

Esperamos sempre pequenos sinais do que dizemos, do que fazemos, da nossa passagem pelo mundo, que não chegam nunca.
A vida é um jogo que a maioria de nós não sabe jogar.
O mundo é opaco.
Todos os dias estamos a ser enganados com imagens primeiramente, seguidas de descrições que se baseiam  em não factos, isto é, factos inventados.
Enganam-nos com verdades únicas, com certezas herméticas, distanciadas.
Ocupamos um espaço físico e somos rodeados de realidades circundantes, mas por vezes somos rodeados de realidades circundantes, somos apenas um título, uma evocação, um eco.
Muitos de nós continuam a fazer fugas em frente para não analisar o passado, dando conta dos erros cometidos que poderiam até cravar-se no corpo como se de espinhos se tratasse.
Outros praticam o método das rupturas, evitando os acontecidos.
A vida tem de ter muita poesia, não se pode evitar. A poesia encontra-se no caminho, mas muitas vezes, vezes demais, fugimos-lhe, evitamos intuições, estranhamos sentidos, tropeçamos para a evitar.
Chegamos a certa altura que mesmo que não queiramos o saldo faz-nos. É o tempo do balanço, dos saldos das perdas e dos danos.
Num poema do Rui Pires Cabral lê-se- "Entre o medo e a esperança/procuramos a nossa incerta morada", é exactamente isto que acontece, a certa altura percebemos que tudo é incerto, que afinal estivemos aqui numa pequena viagem a esperar sempre os pequenos sinais que nunca aparecem, afinal faz parte desta continuação de viagem, mas a sensação hedonista, essa fica.
Será que pedimos muito à vida e que ela não nos retribuiu, ou não?
Há  aquele resto de sensação, afinal eu quase não pedi nada mas mesmo assim tive menos ainda e a esperança aparece e desaparece, às vezes aparece ao nosso lado na mesma fotografia.
O segredo talvez consista em não a olharmos passados tempos para a não acharmos demasiado amarelecida.

domingo, 13 de dezembro de 2015

BELO ESPECTÁCULO


SER POBRE

Para mim, ser pobre hoje em dia, não é comer metade duma sardinha num pão, é algo bem mais abrangente.
Ser pobre é deixar-se endividar, é andar a trabalhar para o Banco, é gastar mais do que tem e pode, é colocar uma Nossa Senhora no quintal, é sonhar com Salazar, é o não ter palavras para se exprimir, por desconhecimento.
Ser pobre é querer tudo, não é não ter tudo; é não conseguir percorrer um livro porque tem muitas letras e muitas folhas.
Ser pobre é também não saber estar consigo próprio, é não conseguir ouvir, é não saber apreciar as pequenas coisas.
Ser pobre é dizer SIM ou NÃO a tudo.
Ser pobre é não ter comida para dar aos filhos, é não ter emprego querendo trabalhar.
Ser pobre é julgar-se  superior aos outros no que quer que seja, é ser um tipo Trump, dizer tudo o que lhe apetece sem respeitar nada nem ninguém.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Montserrat Caballé - O mio babbino caro


FAVORES

Esta vida em democracia é feita de favores e negaças.
Hoje mais de 40 anos volvidos sobre a chamada Revolução dos Cravos, nem a celeuma é lembrada. Assiste-se ao trágico desastre da corrupção com impressionante claridade, a céu aberto diria desta lixeira nacional que nos infecta todos os dias.
Esta corrupção, que é de crime que se trata, tem origem nos favores, ora agora me fazes tu a mim ora agora eu te pago assim, o que é imperioso é que a carteira dos favores esteja sempre preenchida e em bom andamento.
O nosso sistema social e económico estava fundado na cunha, no conhecimento privilegiado desde que me conheço e suponho porque a história do país assim me faz supor, que aconteceu desde sempre cá na terrinha, mas agora a coisa fia mais fino com os Partidos, todos altamente democráticos, não se pretende o emprego, mas a região, o país e, se possível, as 'antenas= posições estratégicas' noutros locais da Terra.
Ainda há aqui e ali restos de dignidade e quem não esteja completamente com este status quo, mas cada vez mais são residuais. A sociedade está impregnada deste caldo "cultural".
Poucos são já os que estranham os comportamentos sociais, leia-se antissociais, que lesam todo um País. Os mais novos viram as costas, os mais velhos estão cansados.
As pessoas não fazem o que lhes dá na real gana, pura e simplesmente porque estão cobertas de dependências, o autarca do empresário local que o subsidia nas eleições, o empresário local do autarca que lhe entrega as obras, o banqueiro do político que legisla a favor, o político do banqueiro que o elege, a CEE das Regiões e dos países, caso contrário não existia e por aí fora.
Chama-se a tudo isto democracia.
O povo, que paga tudo, costuma a ir a jogo de 4 em 4 anos, duma forma naif e sincera, meter um papelzinho dobrado em quatro, numa caixinha, agora de plástico na sua maioria,  de latão seriam bem mais apetecíveis já que fariam lembrar os bolos na praia, dizer que prefere este político em detrimento daquele, porque o acha mais simpático e quiçá até mais amigo da mulher e dos filhos que aparecem sempre nestas circunstâncias nem que trate duns estafermos durante o ano, porque até a televisão disse e se a televisão disse é porque é verdade. A televisão é muito boazinha, costuma apresentar estes quadros rosa à hora de jantar porque sabe que as pessoas jantam com a televisão, coitadinhas.
O Estado Novo era feito de obediência, obediências inimagináveis, medos sem fim.
A censura existia nas almas muito antes do lápis lazúli, uma cor bonita por sinal. Ela fazia parte das pessoa como do fígado ou dos rins se tratasse.
Poucos ousavam sequer pensar que podiam viver bem sem ela.
Hoje, em Democracia, são poucos os que creem que se possa viver só do mérito.
Antes as cidades eram negras, escurecidas da fome e do luto, hoje os brilhos são de pechisbeques chineses e os fleumáticos, os indiferentes, são-no apenas porque se vestem de  favores e isso gera-lhes tranquilidade.
Há alguns, poucos, sempre os houve, que são diferentes, que precisam de pensar com o coração e por isso mesmo são olhados com curiosidade e suspeição e então a diferença entre a democracia e os outros regimes faz-se notar em toda a sua  plenitude porque os desiguais neste regime, mantêm-se em liberdade.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

COMECEMOS ENTÃO PELO PRINCÍPIO

Nasci em casa, era moda naquela altura, imagine-se! No rádio passava o folhetim Tide.
E nessa altura tenho memória (risos) que não seria grande dádiva para a Humanidade.
Pertenci desde logo à Invicta Cidade e ela de seguida pertenceu-me completamente.
Com o tempo lá fui perdendo o saber que julgava possuir.
Alturas há em que a realidade me anda a parecer ficção, sendo que a ficção começa a pagar-se na mesma moeda.
Sou uma reprodução dos meus pais e de muitas outras coisas. Coisas antigas, coisas a que já ninguém liga.
À pergunta se fosse hoje  tinhas mudado muito coisa na tua vida? Tinha, mesmo muita.
Reconfiguremos os factos em função das circunstâncias (risos).
Se nascesse hoje não vinha com estas doenças hereditárias, pediria logo o cardápio  das doenças.
Nasci virada para o Rio Douro, aí não mexia.
Não vou narrar ordenadamente estes acontecimentos.
A entrada na escola primária é algo de que me não esqueço por se ter dado o infeliz acontecimento da morte do meu avô materno. Tingiram de preto o meu casaco  vermelho, de godés, cortado na cintura, o tal que me fazia uma princesa.
Foi uma maldade materna muito grande.
Depois fui para a adolescência aos pulos. Dancei, ouvi música, li muitos livros que a censura proibia e sonhava, sonhava muito. Todo o dinheiro que arranjava era para o meu bem amado cinema e teatro e livros.
Trabalhei cedo, estudei, tive dúvidas, muitas e cursei dois cursos.
Um dia dei comigo quase adulta, sem quase nada entender da vida e casei.
Sou portuguesa dos quatro costados, burguesa do Porto, oriunda da fidalguia rural pelo lado paterno, o mais vincado em mim e da pequeno burguesia urbana por parte materna.
Podia aqui fazer variadíssimas elucubrações filosóficas e teóricas sobre o que foi a época em que vivi os anos da minha infância e juventude, mas se bem que fossem os negros anos do fascismo e o meu pai perseguido pela PIDE, vivi alegre e feliz numa família alargada e sempre tive o amor e brinquedos que me acalentavam.
O meu pai, artista e publicitário, ensinava-me a ler os jornais e fazer resumos de tudo o que lia, o meu avô, empresário, contas, porque dizia que as contas eram muito importantes, a minha mãe levava-me às compras, era uma especialista nesta matéria, começávamos sempre pelo Mercado do Bolhão com a Srª Glória a dar as suas doutas opiniões, perfeitamente cúmplice comigo, a minha avó o amor à família, as rendas, as malhas, etc.
Era bom ter nascido e havia muita magia.
Em adulta descobri países e gentes.
Agora envelheci, envelheci mal com as perdas que se tornaram uma espécie de pastiche na minha pele sensível.
Sou pessimista por natureza e crême de la crême para esta forma de estar na vida, vem a crise política, social, de valores e princípios no nosso país e no mundo que a todos afecta.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

PERDOAR

Perdoar é também uma insuficiência lusitana.
É uma palavra muito antiga e que se confunde com conceitos religiosos.
As pessoas hoje pouco perdoam e nem querem compreender, prefere-se ser contendor logo no 1º momento. Algumas chegam a ser insidiosas e grosseiras.
Vive-se uma enorme inquietação, uns por uns motivos outros, por outros.
Parcelas de nós próprios, de dores fundidas se assenhoreiam de nós.
A vida tem diversas fases e para as vivermos e superarmos a todas, muitas vezes temos que nos superar igualmente.
Precisamos de sentir o outro de forma radical.
Fala-se muito de caridade nesta época natalícia, prefiro falar de compaixão durante os 365 dias do ano.
As pessoas, duma forma geral, andam distraídas no seu quotidiano de sobrevivências difíceis, deste sentimento, desta ética em relação aos outros.
Os governos não praticam esta materialidade, não favorecem a comida, a saúde, a habitação aos seus concidadãos.
Negam a dignidade de viver, o direito ao mais elementar. Já não falo em crises de ansiedade ou angústia mas sim do essencial para viver.
Vemos os outros a sofrer e temos, quando temos, piedade, apiedamo-nos das situações que os outros vivem, mas é preciso mais, muito mais do que isso.
É necessário passar da inquietude à prática, à materialização, ser radical no sentir do outro.


Prokofiev – Symphony No.5 Opus 100 (Mariinsky Theatre Orchestra, Valery...


segunda-feira, 30 de novembro de 2015

O QUE SE NOS APRESENTA COMO VERDADE

Há histórias vividas.
Há histórias que esquecemos.
Há histórias que lembramos.
Há histórias que se nos apresentam como verdadeiras e quase épicas.
A nossa ausência de memória de quando em vez desafia a nossa criatividade e questiona-nos..
Assim, as enormes contradições produzidas no enclave entre o conflito do vivido e da ausência da memória daquilo que vivemos.
Às vezes há mesmo criação de verdadeiros curto-circuitos ente o facto vivido e a percepção do mesmo por intecepção da memória.
Quando verbalizamos os factos vividos e como a palavra subverte as imagens que nos restam desses factos, o seu significado é transformado criando duplas vivências nalguns casos.
Que registo nos conta a verdade?
O vivido e experienciado ou a percepção que nos vai ficando dele?
Nada é linear e muito menos a memória com as suas sete fases.
Os factos vividos por sua vez, estão enquadrados em épocas das nossas vidas bem delineadas. A percepção que temos sobre eles ao longo do tempo que os vivemos vão-se quase institucionalizando" e passam a ser repetidas automaticamente.
Porque nos esquecemos de certos factos, porque a nossa memória resiste a mudar certas percepções?
Aqui fica matéria para reflexão.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

A CARIDADE

















































UMA PEQUENA HISTÓRIA VERDADEIRA


Detroit  a cidade americana que em 2008 anunciou falência pela depressão em que mergulhou, atingida pelo desemprego e penhoras imobiliárias.
Detroit era considerada a capital do automóvel. A Ford instalada na cidade e utilizando a sua mão de  obra, resolveu deslocalizar muitas fábricas, sendo uma das grandes responsáveis pela situação de pobreza da cidade, no entanto em 2012 resolveu igualmente atribuir um donativo de 10 milhões de dólares (8 milhões de euros) ao centro comunitário num bairro pobre do Sudoeste da cidade.
As grandes fortunas mobilizam-se nos Estados Unidos desde a viragem do século XX para darem uma generosa imagem de si próprios e legitimar a sua opulência. Os ricos constroem fundações, criam bibliotecas, escolas, dedicando-se a aliviar temporariamente a infelicidade dos pobres, mas já o presidente Theodore Roosevelt denuncia os "representantes da riqueza predadora" que através de donativos a universidades influenciam  no seu próprio interesse os dirigentes de certas instituições educativas". Os trabalhadores desconfiam destes filantropos generosos em relação à arte,  saúde ou ciência mas brutais nas suas empresas.
Nos Estados Unidos, o caso de Bill Gates, para falar de apenas um e mais conhecido, doou pelo menos metade da sua fortuna, em parte adquirida graças a técnicas de optimização que permite escapar aos impostos.
Também esta caridade que se revela contra o Estado já chegou a Portugal e verifica-se por exemplo, na Fundação Manuel dos Santos do Grupo Jerónimo Martins, para só falar deste milionário que deslocaliza a sede dos seus negócios de mercearia para não pagar impostos no seu país e paga mal aos empregados..





































domingo, 22 de novembro de 2015

A SITUAÇÃO

Uma enorme parte do orçamento de Estado é canalizada para a dívida pública, para o pagamento dos juros, cada vez menos os recursos disponíveis são menores. Uma grande parte dos rendimentos que se geram é para pagar aos credores externos. As taxas de juro são elevadíssimas porque a dívida é medonha e com tendência sempre a aumentar, são muito maiores que noutros países.
Esta é a realidade. As estratégias de direita e de esquerda é que são diferentes

sábado, 21 de novembro de 2015

Rachmaninoff: Pianoconcerto no.2 op.18 - Anna Fedorova - Complete Live C...


A ESPERANÇA E O TEMPO

À medida que o tempo passa a esperança vai diminuindo, a incerteza aumentando sobre se o futuro governo do PS será capaz de fazer face a tantos constrangimentos internos e  externos.
A crise é de tal maneira grande que políticos/partidos que se mantinham, cada um de costas viradas para o vizinho, refiro-me ao PCP, BE mais PS, tiveram que se unir pelos cabelos, i. é, pelos mínimos, como forma de sobrevivência política, para que a coligação PSD/CDS, que tomou o país de assalto e o pôs a pão e água, não continuasse na sua escalada criminosa.
O nó foi desfeito sem dúvida e a outra parte, a de quem ainda governa, não tem uma estratégia para defender a sustentabilidade económica. Dizem defender princípios e valores que atacam todos os dias.
As televisões e os media em geral, com os seus manipuladores de serviço invadem todo o espaço nacional.
Hoje porém, o maior factor de instabilidade é mesmo o PR. Tem como lema a mentira. Mentindo invoca tratados, como é o caso do Tratado Transatlântico, a mentira sobre os Acordos, que nem nos Mercados Internacionais colheu.
A Constituição nada impede.
Os ultraliberais do CDS/PSD vêm com a sua radicalidade político/ideológica absoluta impedem que a democracia se debata.
Repetem até à saciedade, que as desigualdades  socioeconómicas, a tão prestimosa estabilidade, a 'extrema'-esquerda vai acabar ao intervir  na governação, gritando e babando pela preciosa fluidez dos movimentos dos capitais.
 Como é que estes fascistas, neoliberais para ser politicamente correcta, que destruíram o Estado Social,  as leis laborais, os serviços públicos, o emprego, numa palavra a Democracia, os seus pilares, podem dizer isto agora?
Ser-se extremista é ser contra a austeridade?
É ser-se contra o que a austeridade fez - subtracção de rendimentos ao trabalho e às pensões, desemprego, com níveis nunca vistos nem no tempo do  primeiro fascismo.
Apoiaram-se nos constrangimentos do euro e empobreceram o país a níveis completamente pornográficos e indecorosos.
Claro que os alarmismos da extrema direita do governo e seus amigos, estará a preparar eleições antecipadas para dizer que a esquerda não conseguiu, que fracassou.
A toda a esquerda compete congregar-se e dar força ao futuro governo, com vista à reposição dos rendimentos, do reequilíbrio das relações do trabalho na defesa do Estado Social Universal, do combate ao desemprego e combatermos a moeda do Euro em simultâneo, mal arquitectada. Se não o fizermos, a regulação dos sistemas financeiro, económico, comercial não se fará e a direita virá para durar e durar e culpar a esquerda pelo fracasso.
HS 

domingo, 15 de novembro de 2015

analisemos com a cabeça

RACIOCINANDO:
A França já não dispensa um "inimigo interno", Manuel Valls associou alguns islamistas a um inimigo interno.
Qual é a política externa da França?
Que tipo de democracia é a francesa?
Quem são estes jovens radicais que se tornam máquinas de matar?
A política externa francesa está alinhada com a dos Estados Unidos, "lider do mundo livre" como bem dizia Dominique de Villepin e ao dizer isto, diz-se tudo, diz da sua hipocrisia suprema. Tem reagido sempre com intervenções armadas e lições de moral, com reacções pavlovianas. Ainda ontem o Embaixador de França em Portugal confirmava a política externa agressiva a reboque dos neoconservadores americanos em relação à Síria e ao seu Presidente, dizendo que a França queria ver Bashar al-Assad fora da Síria.
A França foi um país colonizador, não tem um passado, a esse nível, de que se possa orgulhar, antes pelo contrário.
Hoje a França está transformada pelas migrações e representa a diversidade do mundo e dos seus conflitos
A democracia francesa não tem qualidade, é a autoridade e a austeridade, medrosa.
Não tratam (eles e todos os outros povos europeus) das causas políticas A França não tem um diplomacia política, dos povos, povo a povo.
Estes jovens radicais, são jovens que vivem em guetos, sem esperança de futuro, desempregados, sem acesso aos bens culturais da bela França. São jovens que nada têm a perder.
Fazem vítimas e são vítimas.
Quem está por detrás do tal estado islâmico, quem lhes fornece armas, a quem interessa?
Quais são os grupos de interesse?
A globalização destruíu, dissolveu os Estados-nação, deixando-os expostos às histerias raciais, confessionais, etc.
Onde está a Soberania dos Estados?
A ordem ocidental (E.U./Europa) é contestada, cria conflito, desagregação.
Na verdade estamos num mundo sem regras.
Não encontremos a justificação para o que aconteceu em Paris apenas nos jovens tornados máquinas de matar. Temos obrigação de analisar globalmente, de perceber o que se está a passar, de não atirar as culpas para os primeiros que nos aparecem.
DEVEMOS TRATAR AS CAUSAS POLÍTICAS SEMPRE OU QUASE SEMPRE ESQUECIDAS
TODOS ESTAMOS NO MESMO BARCO

sábado, 14 de novembro de 2015

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

LUTO

Fazer um luto é muito difícil, duma mãe muito mais ainda.
Tentar eu tento, querida mãe, mas dói muito. O meu coração está preto e a cabeça cinzento escuro.






Adicionar legenda

BOM DIa MÃE

QUE ESTÁS NO CÉU

domingo, 25 de outubro de 2015

A RUÍNA

A maioria dos portugueses usa a lisonja como vulgar ofício.
A sociedade portuguesa continua em ruínas, todos ou quase todos quiseram ser ricos, foram arrastados para serem proprietários, assim é que é. Tornaram-se pedantes em detrimento da ambição de mais e melhores saberes.
Hoje toda a gente ou quase toda, critica toda a gente mas poucos colaboram numa sociedade melhor, mais justa a todos os níveis, nas suas células sociais, trabalho, rua, cidade, vila ou aldeia.
As pessoas, duma maneira geral, exigem dos outros tudo aquilo que não fazem nem querem fazer. São soberbas, os mais soberbos são os grandes que perseguem os pequenos e já muitos pequenos os imitam.
O proletariado deixou de existir praticamente e quando isso acontece, a luta de classes entra em crise.
Ao capitalismo interessa que deixem de haver proletários, produção, fábricas e por isso terceirizaram este país. Portugal tornou-se um país de serviços.
A globalização ao serviço do grande capital facilitou mais ainda esta situação.

sábado, 24 de outubro de 2015

ADMIRADA ESTOU POR SE ADMIRAREM

Quando veremos este povo menos resignado? Com categoria moral?
Não percebo se há algum segredo quando as pessoas se admiram com o que o PR diz e faz?
Esta artificialidade em que as pessoas se movem causa-me estranheza.
O que esperavam de Cavaco Silva? Não perceberam que é um homem colérico e odioso, que sempre esperou brandir a pena como uma serpente, urdindo intrigas, que não desperdiça a oportunidade de perseguir quem não gosta, um homem sem pudor (viu-se nas acções que comprou ao seu amigo do BPN, no Pavilhão Atlântico que transacionou para o genro por preço abaixo do custo, nas mentiras que urdiu ao PM Sócrates, etc.).Qual a utilidade que este personagem teve para o país?
O seu talento tem sido aproveitado sempre em proveito do capital. Nunca achou justo defender o povo, os mais desfavorecidos.
Enquanto PM também sempre procedeu nessa conformidade.
Como e porquê, então, aguardam dele uma atitude diferente face ao actual momento político?
Um político que sempre deu preferência aos mercados em detrimento das pessoas , que nos ajudou a afundar nos anos 80 com as suas ideias de novo riquismo.
Um político que usa a sua sinceridade para entregar as nossas riquezas ao capital estrangeiro, um político que se diz não político e que vive sempre à custa do carreirismo político, que nos deixa submergir, que não assume qualquer responsabilidade e que diz ter a certeza sobre tudo, um homem que não rompe com o seu passado salazarento pode, de algum modo, incutir respeito e confiança?
Porque há então este simulacro de muitos a esperarem o que quer que seja desta personagem?
Só pode ser bluff o que   dizem sobre o Sr. PR dizendo que devia ter  dito isto e aquilo e feito aqueloutro.
Um homem que promulga a austeridade ao seu povo, que o expõe a um sudário de adversidades para suportar, que contribui conjuntamente  com os seus amigos banqueiros, empresários e políticos para o retrocesso duma sociedade é alguma vez digno de alguma esperança que recaia sobre ele?
A austeridade é um meio hábil para culpabilizar o povo e obter dele a docilidade prevista.
Porque magia algumas pessoas esperavam/esperam dele o que quer que seja?
Um mau carácter é e será sempre um mau carácter, convencida disso estou.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

SERÁ O DESTINO?

Há dias em que nos acontecem coisas estranhas.
Ontem foi um deles, passo a explicar:
Dirigi-me a um gabinete de estética desconhecido e quem me atendeu a prestar o serviço de manicure foi uma ucraniana, sua proprietária. Enquanto me arranjava as unhas ia-me fazendo um diagnóstico clínico sem para isso ter sido solicitada.
Eu ouvi-a com atenção e perplexidade.
Dizia-me ela a certa altura: sofre de fibromialgia. Não perguntava, afirmava. Nunca perguntava nada, só afirmava.
Eu lá ia respondendo, conforme me vinham à cabeça as respostas, mais ou menos inteligentes ou distraídas. A esta respondi, sem obrigação para tal, já que não me era perguntado apenas dito, que essa maleita ainda não estava na ementa e que não gostaria de a 'comprar'.
Olhou para mim, desconfiada, e disse: pois é, mas é a sua principal doença (nesta altura já me pintava as unhas, pensando eu que seria a minha sorte, caso contrário seria diagnosticada de mais umas tantas doenças e que no momento em que me encontro  estariam de todo a mais.
No final do serviço prestado, perguntei-lhe quanto devia pela 'consulta', ao que me respondeu: Sou médica mas pelas unhas só lhe cobro 5,50E.
E foi assim.


PS: há cerca de três semanas marquei uma consulta para saber se sofria de fibromialgia. Ela desconhecia tal facto.

QUISERA EU...

Quisera eu fazer da minha dor um poema. Este é um conceito muito anterior à sublimação freudiana.
 
 
 
mas não sou poeta, apenas viajo por estados de alma e ainda consigo abraçar alguns bem amáveis

domingo, 18 de outubro de 2015

SOBREVIVÊNCIA POLÍTICA

Estamos a viver um momento surrealista na política, povoado de visões (golpes de estado à direita) e de sonhos (à esquerda).
Não acredito que o Ontem se faça Hoje de repente, mas acredito que os Homens  podem dar as mãos, se não todos os dias, seria impossível, naqueles dias que é urgente e imperioso salvar a Pátria e acredito ainda mais que as unam para se salvarem a si próprios.
Sempre considerei que a esquerda se devia unir, não foi o caso, eu sei, mas esta estratégia para não dar continuidade à lapidação do país parece-me correcta, estávamos/estamos a ficar sem Portugal e para quem é patriota como eu e, não me canso de o referir, já que nunca tive medo das palavras, é uma enorme tristeza.
O PCP deu o primeiro passo como lhe competia, abdica dos seus princípios lendários por ora, para elevar o PS a governo.
O PS nunca poderia  ser governo sem o apoio do PCP e do BE, espero que aprenda e deixe a sua habitual arrogância. Por outro lado, nunca poderia ligar-se à Coligação sob pena de se diluir naquele mar imenso de estupidez direitista submissa à C.E.E., correndo o risco de nas próximas eleições vir a ser um pequeno partido e o BE ocupar-lhe o lugar. Portanto, a única saída que o PS tem é pela esquerda e fa-lo-á por ser um partido de esquerda.
Quanto ao PCP e BE só podem dizer aso PS para formar governo e que não serão eles a obstaculizar essa opção política, caso contrário ficariam irreversivelmente reféns da ideia que deixam a direita governar, apenas para não macularem os seus princípios, não se juntando nunca ao PS, o segundo senão o primeiro partido a ser votado nas eleições, já que o PSD sozinho não se sabe quanto votos obteria nas eleições.
Dizem que o povo é sábio, não sei se é, aliás só é sábio nos aforismos, nos ditados populares,  aí verifica-se que sim, já que diz sempre uma coisa e o seu contrário.
Se fosse verdadeiramente sábio não teria dado aqueles milhões de votos à Coligação e ponto final, só o pode ter feito por analfabetismo e sadomasoquismo por se julgar patrão e potencial corrupto. A maioria não quer nem paga impostos, a não ser os que não têm qualquer outra alternativa, por isso perdoam a um PM que os não paga, dizendo que não sabia ou que se esqueceu, revê-se nestas posições fraudulentas.
Para o povo é importante que o PS forme governo? Claro que é!
Terá a fiscalizá-lo, numa outra maioria, os partidos à esquerda.
Sempre fui contra as maiorias absolutas, logo, nessa medida, fico satisfeita que nenhum partido a tivesse obtido.
A arrogância, a jactância, a estupidez gratuitas têm os dias contados. A luta pela sobrevivência fa-los-á mais criativos e 'amigos' do povo, assim o espero.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

QUERIDA MÃE

MORRESTE-NOS.
JÁ DISSERAM QUE VAIS SER O NOSSO ANJO DA GUARDA, JÁ VISTE A TUA NOVA FUNÇÃO? QUE GRANDE TRABALHEIRA VAIS TER.
PERDER UMA MÃE É DIFERENTE DE TUDO.
BEIJO-TE MÃE.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

ESTAMOS VIVAS



DIAS HÁ...

Passei dum livro do universo de Kafka para um livro de viagens, no caso a Espanha. Porquê?
Poderia dizer que foi o tamanho, o anterior tinha 589 páginas, este é bem mais pequeno.
Costumo dizer que são os livros que me escolhem e não eu a eles e é verdade, senão eu não retirava um da mesa em vez do outro. Que selecção é feita? Foram eles que me seleccionaram o momento, começo a ter a certeza. Os livros são os meus maiores amigos, aqueles com quem passo melhores momentos, a seguir ou em paralelo, as minhas queridas árvores, nunca me lançam um olhar impessoal, olham para mim de frente e dizem o que têm a dizer, sempre foi assim entre nós.
Elas sabem que eu não gosto das pessoas sem imaginação, embora não as leve muito a sério, senão o cortejo não acabaria, elas sabem da forma como eu sinto as dores, as minhas e as dos outros.
As minhas amigas árvores sabem tudo de mim, são como os meus cães, sabem tudo de mim, os livros amigos são mais para conversar, beber um copo, horas de conversa, com as amigas árvores, escutamos o silêncio, sabemos tudo umas das outras  ficamos assim quietinhas, muito quietinhas, cúmplices mesmo.
Elas sabem que há dias em que estamos tão tristes, mas tão tristes que tudo nos dói. Mesmo ouvindo o zumbido dos insectos  à nossa volta e a olhar para as formigas no chão, continuamos ali, aninhadas num silêncio, num silêncio de amor.

sábado, 19 de setembro de 2015

NUANCES

UM DIA ESQUECIDO PELO TEMPO

Daqui a 40 anos não estou cá.
Daqui a 20 anos se estiver sou velha e gagá.
É mais fácil imaginar o que existe além do universo.
Temos que aceitar os factos consumados e os factos são: estou viva e não faço o que quero. Vou sobrevivendo, apenas isso.
Ouço música e penso, se calhar em demasia e como Tolstoi disse: a felicidade é uma alegoria, a infelicidade uma saga.
Um dia de descanso transforma-se num mundo esquecido pelo tempo.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

SORTE PRECISA-SE


POSTO DE OBSERVAÇÃO

Observo os pássaros mais uma vez aqui sentada na varanda, as andorinhas, os patos, as rolas turcas, os falcões, neste momento dois, os gaios e outros.
Passo muito do meu tempo a observar e a escutar o silêncio.
Como é bom não dependermos de ninguém para nos aplaudir nem nada do género.
Ontem fui ver o último filme do Woody Allen e é o sentido da vida que é lá abordado.
É bom ter um lugar onde se possa regressar. É preciso ter um lugar nosso e...
lembro-me daquela imagem quando na praia pego numa mão-cheia de areia e deixo-a escorrer por entre os dedos. Cai e, tal como acontece com o tempo perdido, torna-se parte do que já existe.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

as pedras que eu guardei na minha caixinha





VOU-ME DEDICAR AO VENTO

Hoje está muito vento e chuva que batem nas minhas janelas. Vou-me dedicar ao vento, escutá-lo bem. O ar em movimento não tem forma, vou escutá-lo com atenção, a ver se entendo a metáfora.
Ele hoje está forte e bate nas janelas, mas sopre como soprar  vai acabar por perder força e morrer.
E lembrei-me do corvo que vi em Coimbra no jardim junto ao Hotel, parecia perdido, e lembro-me de todos quantos vi na Suécia e nos países vizinhos, onde soube que Kafka, em checo, quer dizer  corvo.
Quero arranjar força para enfrentar tudo e mais alguma coisa - injustiças, erros, equívocos, tristezas.
Vou perguntar ao vento.

Trio Arquiduque OP. 97 (Beethoven) - Trio Brasileiro


segunda-feira, 14 de setembro de 2015

de Nuno Júdice

Nem o avanço intrépido nem a vitória

À conquista das planícies desabrigadas
do Norte e do Centro lançaram-se os exércitos.
Do lado inimigo faltou a ousadia e a convicção;
e finalmente os invasores atingiram
as colinas extremas,
e puderam sentir nas suas faces
os ventos frios dos mares interiores.
Voltaram com o desânimo no coração.
"Para que serve", diziam os chefes,
"para que serve o sacrifício de tantas vidas
a uma paisagem estéril,
a uma terra deserta e varrida pelos temporais?"
Mas a imagem daquele mar
não se lhes apagou da alma,
e enquanto dormiam
um barco sulcava os seus sonhos.
"Que haverá do outro lado da Terra?"
Era a pergunta que os soldados traziam,
junto aos despojos sangrentos das vítimas.
E durante o inverno
muita gente partiu, sem destino certo,
em frente
- com se houvesse algo a procurar".

in Crítica Doméstica de Paralelepípedos, Dom Quixote, 1973,

terça-feira, 8 de setembro de 2015

DEBATES

Não aos debates malévolos dos canais de televisão perdidos, afugentados pelos diabos e fosforescando os espíritos mais tenros e amedrontados.
Como gostava de me impregnar dum desprendimento monástico, dum não sofrimento, de me sentir fofa neste vivido não sofrido.
Não seria credulidade, apenas aninhar-me numa sinceridade imaculada.
Mas não é assim, parece que estou sempre a desenvolver o novelo da enorme tragédia em que este mundo se tornou, tombo umas vezes outras, luto até à última gota de sangue, pela simples razão que a doença do foro ortopédico que me ataca não me deixa concretizar a minha ideia-mater, síntese de todas as outras, tem que se lutar sempre, até para conquistarmos uma caixa de fósforos, dizia-me o meu pai, é preciso ir à luta.
Sempre que vejo uma vítima, uma injustiça, não tenho tão pouco, tempo para apalpar os pulsos, apetece-me ir à luta.
Não, não fugi ao meu juramento, não porque goste da frase francesa "tenir son serment" como dizia o meu avô, hoje estão todos presentes, mas porque gosto de cumprir a minha palavra e essa foi dada de mim para mim.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

SAÍU DA PRISÃO O EX-PM JOSÉ SÓCRATES

e agora o psdêzinho já pode dizer que o banqueiro e o ex-PM estão em igualdade de circunstâncias mas NUNCA, NUNQUINHA A JUSTIÇA FOI SEMELHANTE PARA UM E PARA OUTRO.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

CURTOS RACIOCÍNIOS

Assiste-se dia a dia ao retrocesso esmagador do Homem no seu valor real. É uma besta livre à solta.
queria achar alguma coisa de querido e perdido nos outros e em mim mesma

sexta-feira, 28 de agosto de 2015


O ZERO

Há dias em que vemos tudo sem névoa, mesmo que a neblina seja intensa.
Vemos que envelhecemos irreversivelmente, que os sonhos não dão frutos. Vemos que todos os conflitos se agravam e as dúvidas também.
Há uma espécie de estrídulos apitos na nossa cabeça que tal como uma máquina de calcular das antigas nos vá acrescentando parcelas às perdas. Sentimo-nos um zero à esquerda da vírgula, tanta luta, tanto cansaço e apenas uma gota de melancolia, aquela melancolia nacional.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

The Best Of Verdi


COMO EU DETESTO ESTA CANALHA

Quem manda no mundo não devia mandar.
Quem manda no meu país não devia mandar.
Não são gente civilizada, são  cabotinos, incultos, desconhecedores de praticamente tudo.
O Eça de Queiroz orgulhava-se da Europa em detrimento da América, eu não me orgulho. Que valeu a Revolução Francesa, Kant, Mozart ou Shakespeare?
A experiência não ensina nada.
Os governantes de hoje não merecem nada e muito menos o passado dos povos.

domingo, 23 de agosto de 2015

1896- 2015

Um Povo Resignado e Dois Partidos sem Ideias
Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguen...tando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. [.]
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.
Guerra Junqueiro, in 'Pátria (1896)'

E A EXPERIÊNCIA EXISTE?

CITAÇÃO DE MARCO TÚLIO CÍCERO, SENADOR ROMANO...
"O orçamento deve ser equilibrado,
o Tesouro Público deve ser reposto,
a dívida pública deve ser reduzida,
a arrogância dos funcionários públicos deve ser moderada e controlada,
e a ajuda a outros países deve ser eliminada,
para que Roma não vá à falência.
As pessoas devem novamente aprender a trabalhar, em vez de viver às custas do Estado! ".
Ano 55 AC .

LÁGRIMAS CASTANHAS


sofrimento

sofrimento é:

- ver uma pessoa que amamos doente, sabendo que essa doença não tem cura

sofrimento é:

- sentirmo-nos impotentes para alterarmos o que nos faz infelizes

sofrimento é:

- esta dor profunda, esta mágoa ardente que me parece irremediável e que persiste dentro de mim.

sofrimento é:

- irmos adiando a verdade para nós próprios


sofrimento é:

- querer meter na ordem o rebanho  de sentimentos e eles sempre a tresmalhar.

GOSTO DISTO

http://www.publico.pt/economia/noticia/aqui-imposto-significa-querido-e-isso-diz-muito-sobre-a-dinamarca-1705568#

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

O DRAMA DOS HOMENS

A América com a sua indústria da guerra e a Europa capitalista e seguidista destruíram países c que hoje estão em guerra civil.
Os povos ao fugirem das guerras  encontram, muitas vezes, a morte no Mediterrâneo.
Os dirigentes europeus, ditos civilizados, o que fazem? Muros.
Os mesmos que fazem a guerra agora armam-se em servos do Senhor, fazendo uma colheita.
Milhares e milhares de migrantes em bandos procuram terra doce que os acolha e, se não morrerem, apenas encontram sombras cerradas e muros.
Uma falta de amparo completo.
Encontram o nada.
Esta gente que foge à morte deve ter dentro de si uma gritaria de palavras que não saem.
Sinto um vazio dentro de mim feito de tanta impotência.
Não são apenas estas pessoas que buscam a sobrevivência, iguaizinhas a nós, independentemente da cor,  do país em que nasceram, de tudo que precisam de ser salvas, nós todos precisamos de salvação urgente. Estamos a desintegrar-nos.
Os inimigos maiores destes dirigentes que fazem as guerras são eles próprios, enclausurados na sua pequenez e regularidade opressivas.
Tornamo-nos todos os náufragos da história, não são só os que morrem naquele mar da fuga.

Josh Groban – Stage 1 (Recording A Theater Album) [EXTRAS]


domingo, 16 de agosto de 2015

prestes a mudar de vestido


CRÓNICA SOBRE GATOS COM GENTE

Entre o que acontece nos cios e o que se conta depois, desde que o mundo é mundo, há sempre uma certa diferença, mas na vida dos gatos pouco importa se os donos dormem ou não.
Cá em casa,  esta madrugada, foi um filme com vários argumentos ou alguns argumentos para um só filme.
Romance de cavalaria também seria um bom título.
Acontece que todos no soninho do senhor, não naquele território de fronteira, quando se está a adormecer em que ainda sabemos quem somos ou julgamos saber, mas em que já não conseguimos abrir os olhos isso foi depois, a gata miava, gemia melhor dizendo, gritava desesperadamente.
Pensei de imediato: voltou tudo ao princípio, mas não, era um gatarrão da vizinhança que andava às gatas e queria levar a menina para a cama depois de a trocar por outra e desaparecer.  
Arrogante introduziu-se cá em casa.
Veio-lhe aquelas vontades imensas de mergulhar dentro da minha gata e saltou pela janela da casa de banho que se encontrava entreaberta.
Pronto, foi assim, uma noite povoada de personagens e gritos insólitos.
A Nini, que até leva uma vida honesta, fugia dum gato, tipo gatarrão, que a veio 'visitar' sem pré-aviso.
Gato amarelo, bem treinado, sem acesso a computador, com educação liberal, introduz-se por qualquer poro da casa não tecendo loas à moral.
Com sono ainda pensei ou julgo ter pensado - que pena os gatos não terem computador, se esta possibilidade estivesse ao seu alcance, por certo que quando desesperados, mediariam os seus ímpetos sentados à mesa do computador.

sábado, 15 de agosto de 2015

HOJE


comecei o dia com um telefonema da minha filha: Mãe é só para te dar um beijo.
uma delícia

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Finalmente em férias

é mentira pura
A foto foi feita ontem no Porto

SEM ADJECTIVOS

As pessoas duma maneira geral não prestam e mesmo que se use as mesmas palavras, não se fala a mesma língua.
Há pessoas que colecionam personalidades.
Podem ilustrar-se muito bem, fazer esforços desesperados por se apresentarem, ter o sonho  de dissolverem os caracteres em aparências, mas a verdade é que a natureza humana é aquilo que é, nem é preciso mais adjectivos.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

IDEIAS EMPERRADAS


ideias que emperraram  em estações intermediárias do meu caminho

PARA QUE AS COISAS FOSSEM COMO AS PENSO

Gostara eu de ser escritora/poeta.
As coisas como são escapam-me ao entendimento, por isso poderia  compreendê-las através da poética, duma forma imaginada.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

A INVEJA


A  inveja é um sentimento doméstico e ao contrário da admiração que vence todas as fronteiras e todas as épocas.
Todos nós temos um rebanho de sentimentos que se tresmalham muitas vezes.
Meter na ordem estes sentimentos não é pêra doce.

sábado, 8 de agosto de 2015

RIO PAIVA


Il Divo - Amazing Grace


QUERO

Há pessoas que fazem os possíveis e até os impossíveis por se parecerem com todos os anúncios que veem.
A leviandade a proferir palavras, sentenças de morte sobre coisas sérias, profundas, como se de amendoins se tratasse, refiro-me aos números do desemprego, mas podia referir-me a tantas outras coisas que afectam a vida das pessoas duma forma, às vezes, fatal. Ontem, ouvi  técnicos do IEFP  a falarem, na televisão, sobre a forma como chegaram aos tais números do desemprego por volta dos 12%, consoante as semanas, sabendo nós que a verdade deve rondar quase os 40%,  tinham perfeitamente um aspecto técnico-burlesco.
Tenho uma mágoa ardente que persiste dentro de mim: este país dói-me,  a Europa dói-me, o mundo dói-me.
Por isso cada vez mais me quero nas coisas banais, nas coisas simples  sem mais.
Acontece que nós, os que intelectualizamos o sofrimento humano, é-nos proibido ser simples, mas podemos, pelo menos, não o ignorar e lutar por aqueles que sofrem pacificamente vencidos.
Até morrer, quero  que as gotas da chuva que perlam as ervas me façam o mesmo.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

É A VIDA


O QUE EU SINTO AGORA

 Agora o que sinto mesmo  é uma necessidade de espairecer, de sair não digo de casa, de mim própria, é isso de mim própria.




como se fosse possível...

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

sou linda


O MEU CROCODILO

 
TREPA PELA PAREDE ASSUSTADO COM TANTOS BARCOS QUE PASSAM NO RIO

ARRIVISTAS

São ambiciosos e trepam, trepam sempre à custa dos velhos militantes.
Prometem sempre o que não podem dar e sabem-no bem demais. Não hesitam em caluniar aqueles que lhes fazem sombra.
Passam a ser calculistas e muito prudentes e a gostar de louvaminheiros e partem sempre da dúvida para a certeza. Não são crédulos, começam por desconfiar lentamente, pacientemente de  todos os que são honestos e desinteressados e mesmo quando confirmam que se enganaram posteriormente, mantêm-se sempre a duvidar, sempre admitindo que os seus receios vão-lhes dar um dia razão.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

o irrevogável

Há pessoas que são incapazes de analisar um poliedro, de observar as várias faces dum problema, ao ponto da sua última verdade  parecer ser sempre a definitiva

segunda-feira, 3 de agosto de 2015


PERTENÇAM A UMA ASSOCIAÇÃO, SENÃO ESTÃO TRAMADOS

Que frase feia e despropositada.
A Associação é que devia estar mais pequena sem vós.
Ora aí está um raciocínio que nos devia acompanhar na vida.
Juntos conseguimos muito mais que sós.
No tempo das artes e ofícios havia as guildas, lembrei-me ao passar pela Rua dos Caldeireiros.
Hoje só vejo letreiros de associações de futebol e outras relativas ao desporto, não querendo dizer que não haja muitas mais.
Os empresários, por exemplo, estão sempre organizados, só assim se constituem um lobby para o poder.
Respiro fundo: que tem isto a ver com liberdade?
Há quem diga que sim.
Como ninguém me fala daí e nunca gostei de ensinar  embora goste muito de aprender, vá-se lá saber como resolvo este paradoxo.
Aqui fico eu a reflectir até ao próximo pensamento que será sobre arte, tenho a certeza, haja tormenta ou mar agitado.

Zeca Afonso - Os Vampiros "Eles Comem Tudo" (Original)