sexta-feira, 30 de novembro de 2012

SONHO OU REALIDADE

Podemos sempre dar uma boa imagem ou uma má imagem sobre a mesma coisa. Tomo como exemplo uma cidade, mas podia tomar uma pessoa ou até um objecto.
Temos uma cidade, por exemplo, Lisboa. Se quisermos ver a luz lisboeta, a cor, a bela Lisboa, fotografamos e observamos isso, mas se quisermos ver uma Lisboa pobre e quase sinistra, também o podemos fazer e não nos faltarão igualmente motivos, como aconteceu no "O Filme do Desassossego".
Podemos retratar tudo em função do nosso estado de espírito.
E onde fica a realidade? Está na "ficção" vista por cada um de nós?
Subjugamos a realidade à nossa vontade e ao nosso "sonho", mas a realidade está para além da nossa vontade.
A racionalidade tem mais de irreal que o próprio sonho.
Não irei entrar por estes caminhos de interpretação do sonho, do inconsciente e do consciente por óbvias razões no que a mim me diz respeito, direi apenas que quanto a esta matéria, me lembro sempre dos sinais da matemática, quando aprendi que mais com mais dá menos e menos com mais dá mais. A lógica do real e do imaginário  eram o contrário da lógica e tudo isto para dizer o quê?
Que não há democracia na realidade, mas apenas na ficção. Que ainda há liberdade de expressão, mas apenas para fazer de conta que a democracia existe.
Tudo se importou dos E.U., até as sondagens. Nos E.U., alguém se lembrou de aplicar os métodos da publicidade ao campo da política, para se poder prever o comportamento dos "clientes" ou "consumidores", vistos como massas, números simples.
Um dia sonhei com aranhas, aranhas que cobriram uma cidade inteira, acordei e quis verificar se era verdade, mas já não consegui entrar outra vez no sonho.
Hoje estou metida num país com governantes que ascenderam político/financeiramente, gente imprestável, lumpens sociais, que vieram das profundezas de um qualquer lugar. Esta gente espalhou-se por todos os quadrantes, deixaram de andar de minis para andar em carros topo de gama em 15/20 anos e até em menos.
Chego a pensar que estou a sonhar, dentro dum terror nocturno.
Fala-se das oligarquias russas e angolanas, fala-se bem por que existem, ascenderam a todos os poderes, e então aqui, no nosso país? Não acederam ao petróleo e às minas, mas a todos os cargos-chave e prioritários do país, através da política (PSD/PS), os mesmos que agora os põem à venda.
É esta a realidade ou será sonho mau?
Aguardo o dia em que a realidade entre pelo meu  país adentro, assim como na matemática, vivo no terror nocturno, irei entrar na realidade que sonhei.
Este escrito esteve para se chamar "O Lado Certo".

olá Cabide



sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O ERRO DE DESCARTES

E hoje és tu Descartes o responsável pelo meu escrito. Lembrei-me de ti.
Quantos já não escreveram sobre o Erro de Descartes?
Há seres humanos chamados de "ponta" que descobrem constantemente erros nos que os precederam, normalmente as actividades presentes deixam-se para trás, embora haja sempre quem consiga vislumbrar os seus erros.
O erro a que a Europa está a ser sujeita em geral e Portugal em particular já muita gente o viu e ainda nem sequer é futuro, embora a soberbia e o fanatismo sempre de mãos dadas em Portugal não deixe inverter a marcha, para que os desenhadores de tal projecto maquiavélico e de morte  económica/financeira dêem o braço a torcer.
Quando vejo e ouço os deputados da maioria serem eco destas políticas monstruosas com a sua pretensão da gravidade hierática a encobrir o rigor duma falta de ideais extreme, lembro-me de ti e não só.
Dir-se-ia que a cabeça lhes foi amputada, ao negarem tudo quanto é evidência. Nestas alturas lembro-me de Sampaio Bruno, homem da minha terra que se definia a ele próprio como um "jacobino" na "Ideia de Deus", onde se diz que as ideias, ao invés dos sentimentos não mudam.
E lembro-me dos homens da Renascença, Pascoaes, Leonardo, Cortesão, Pessoa, que se opuseram ao Estado Novo, defenderam os pedreiros livres e a democracia, sofreram a prisão, partiram para o exílio, tudo em nome do povo.
Como gostava de ver estes deputados e os seus quase gémeos do PS defenderem as suas ideias com entusiasmo, em permanente compromisso com o voto com que foram eleitos, mas antes pelo contrário, a título de exemplo, lembro-me da última do PSD que recusou poupar 24 milhões nas autárquicas e já agora o caso de Angola, em que os partidos políticos, à excepção do BE se mantiveram em silêncio durante 5 longos dias e etc, etc.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

NUMA TARDE CINZENTA O PENSAMENTO CORRE

Há um ano atrás, há 2, há 3 andava às compras por esta altura e como eu outras pessoas. Levava um carrinho com rodinhas e ia aos livros. Tinha recebido o subsídio de Natal e gastava-o inteirinho em  prendas.
Comprava livros para toda a gente e para mim também, claro está. Alguns grandeS com imagens,  livros de fotografia e pintura. Deliciava-me a ver aquelas imagens.
As bocas rosadas de Botticelli, as mulheres de Modgliani, os regimentos mortíferos de Goya e Picasso, os azuis de Chagall.
Tantos universos que trazia para casa, tantos inconformismos feitos arte. Aquelas pinceladas dadas na cara da  modelo para rematar a obra.
Esses livros eram caros antigamente, por isso eram prenda de Natal e estes mundos novos transbordavam para mim.
Há instantes difíceis de definir. Não sei se é um instante ou um intervalo entre todos os instantes, sem medida de tempo possível.
É um sentimento mais que um tempo.

Levantei-me. Fui ao jardim, levei com uma teia de aranha na cara. Antes e enquanto tentava removê-la senti o meu país revoltado, emaranhado, apanhado numa teia.
Foram linhas invisíveis que nos lançaram, quem as emitiu, sabia o que estava a fazer.
Os fios indizíveis lançados pelos todos poderosos e, quase retiraram logo de seguida.
Quanto tempo vamos levar para nos desemaranharmos da teia?
E vem-me à memória Fernando Pessoa e a Mensagem, para muitos obra menor, não sei se se menor ou maior, mas sei que Fernando Pessoa a pôs à venda no dia 1 De Dezembro de 1934 ainda estive com o livro na mão, de manhã, quando fui procurar um outro.
Foi um gesto simbólico que ele teve para realçar o seu desejo de que Portugal retomasse o seu destino nas mãos. A Restauração da Independência do País, em 1640 e como ontem ouvi todo o dia na rádio, que ligo logo pela manhã, falar-se na restauração e restauração aqui é o conjunto de pastelarias, restaurantes, cafés e afins, pensei que agora os Restauradores são as pessoas que trabalham na restauração e que a Rainha Austeridade levou a melhor sobre o feriado do dia 1 de Dezembro e podemos comemorar o dia a meter para a barriga, restaurando forças  com "fulgor baço da terra/ que é Portugal a entristecer", versos da Mensagem.

domingo, 18 de novembro de 2012

SER ENGANADO E QUERER SER ENGANADO

Sonhamo-nos.
Sonhamos que estamos perto uns dos outros e enganamo-nos e às vezes quando acordamos encontramo-nos.
Provocamos enganos que nos conduzem gradualmente, de facto, ao verdadeiro encontro.
O engano tem sempre um início e até um propósito. Por vezes surge da oposição a outros pontos de vista e tem intenções mais ou menos veladas de os atacar.
De início os outros são mistérios indecifráveis, são máscaras. confusões de imagens.
Um dia de tanto olhar, de tanta chuva misturada com sol, um dia vemos o arco-íris e nesse instante é a actualização da actualização. É o momento da revelação. E nesse instante a proibição faz-se convite e eis o paradoxo de chover e fazer sol, de o tempo não o ser, do engano e de querermos ser enganados.
A natureza gosta de se esconder, dizia Heraclito.
Lembrei-me desta frase porque reflicto sobre a natureza humana, quando verifico que a Pessoa  se fecha no pequenino mundo das suas fantasias, num mundo que não é senão uma criação duma criação, um sonho dum sonho, é assim que as coisas acontecem.
É por isso que somos enganados e nos queremos enganar.

E paro por aqui, senão entro no campo da imaginação e aí reflicto sobre as culturas (a celta, a persa, a indiana), pela imaginação pura, sem tecnologias a tolher-nos os movimentos, mas fá-lo-ei numa outra ocasião.

Agora deixo aos poucos leitores que tenho, a possibilidade de reescreverem o "texto" do engano e do ser enganado.
                 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

E NISTO LEMBREI-ME DA REVOLUÇÃO DE 1383

A revolução de 1383 teve como objectivo directo evitar a  usurpação estrangeira.
Esta revolução foi obra da maioria da nação e não duma pequena parte. Foi uma revolução social, característicamente urbana e  popular.
Na consequência das Cortes de Coimbra de 1385, o rei D.João II rodeado de legistas, começa a grande obra da unificação social, cerceando passo a passo privilégios do clero e da nobreza e sujeitando-os aos ditames da lei comum.
Uma revolução leva tempo a fazer, a não ser que seja "eleita democraticamente", como foi a nossa, a actual. O que se está a passar é uma "revolução"  só que não é popular, é antes anti-popular e não é para cercear os privilégios dos mais ricos, mas antes pelo contrário, é para empobrecer ainda mais os que menos têm.
O magnífico sistema que nos rege, fez com que uma minoria elegesse uma "maioria".
As promessas da campanha eleitoral foram completamente esquecidas. Hoje, estamos reduzidos a números. Houve como que um "apagão" da memória.
Todos se esqueceram, de repente, quem somos, o que prometeram, donde viemos e para onde vamos.
Esqueceram o que  realmente é importante face ao que nos ameaça e aniquila.
Estamos no meio desta catástrofe nesta mesma barca e não temos nenhum Noé para nos levar até à sua Ilha do Amor, por isso temos que ser nós e só nós, com as nossas acções a conduzir-nos.
Esta gente a quem o poder foi confiado não é gente séria nem possui uma única ideia sua, um único pensamento.
Os "seus"  pensamentos e opiniões são dos outros. A própria chancelarina só conhece uma palavra que quer aplicar a toda a Europa -AUSTERIDADE.
As suas vidas não passam de imitações, citam outros. Hoje há uma indústria montada à escala mundial para a transmissão de modelos, a tal globalização. "Toda" a gente pensa e diz o mesmo.
O totalitarismo do séc. XX, impôs-se sob outras formas mas com os mesmos efeitos.
Portugal, precisa de ser ele próprio, com a sua identidade e características próprias. Precisamos de ser nós, "de realizar a  nossa alma" como dizia Óscar Wilde. Precisamos de exercer uma filosofia de rebeldia.
Já vimos que não é quem nos governa que nos salva.
Já vimos que não podemos esperar milagres, portanto não nos resta outra alternativa senão deitarmos mãos à obra e mobilizar braços e almas para refundarmos Portugal, para tornarmos esta pedaço de terra um lugar bom para viver.

domingo, 11 de novembro de 2012

O VALOR DO ESTUDO

Saber pensar. Saber falar. Saber compreender. Saber reflectir.
Para haver mais compreensão no Mundo é importante tudo isto.
Sem pensarmos, sem compreendermos somos escravos de opiniões alheias.
Se não houver interrogação sobre os fenómenos, se não houver diálogo, se não conversarmos sobre as coisas não descobriremos nada de novo.
Mas como perceber o significado do que nos rodeia se não estudarmos?
Saber de onde vimos, dá mais garantia de saber onde e como estamos e, com base no caminho feito, especular com alguma margem de verdade para onde as coisas poderão ir.
O processo da comunicação é um processo complicado como sabemos, que dá lugar aos maiores erros de interpretação.
Para comunicar tem que haver  um emissor que transmite e um receptor. Entre a matéria  emitida e a recebida existem perdas,  por variadíssimos factores, entre os quais os vividos e experienciados de ambos os lados. Casos há, em que as perturbações são de tal ordem que nos deixam perplexos.
Não sei se para obviar a esta perplexidade ou não, encontramos por todo o lado a sensação do "dèjá lu e vu". Claro que ironizo, já que este fenómeno é de outra ordem de factores, mas por vezes vontade tenho de assim pensar, quando encontro por todo o lado, no falado ou no escrito, as mesmas opiniões, os mesmos livros escritos muitas vezes.
Para se ser verdadeiramente firme e objectivo, necessário é reflectir primeiro, só dessa maneira somos conduzidos até indagações fecundas pelas regiões espirituais.
Como poderemos ser solidários sem primeiro sermos solitários?

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O PAÍS DO TONY CARREIRA

Os emigrantes voltaram, os retornados também. Coliseus sempre cheios, mulheres em histeria, como se de um Deus se tratasse.
A visão do Portugal de há 40/30 anos permanece na cabeça destas pessoas. Foram-se com o Salazar e Caetano e nada ou pouco aprenderam, viveram em guetos e continuam.
Refundar o país, pois bem, refundemo-lo.
Refundar igual a partir do  zero. Refundemos os campos verdes do golfe  para voltarem a ter as culturas autóctonas.
Refundemos o país com menos auto-estradas que desaguam em lugares nenhuns e onde a circulação automóvel não se faz.
Refundemos o país de quilos de imagens que nos fornecem todos os dias, em especial, às crianças, para não mais conseguirem ler uma linha.
É tudo fast-food. O ensino é fast-food, ninguém lê, porque são muitas letras sem imagens, a musica é fast-food; já há muitos anos que o Quim Barreiros é convidado de honra em festas universitárias.
As paisagens começam a ser fast-food também com as suas casas tipo cubo ou os seus cubos tipo casas.
Refundemos patrões analfabetos, chefes incompetentes, políticos de aviário.
Refundemos os clubes de futebol e os ordenados dos jogadores e treinadores acrescidos de impostos zero.
Refundemos prémios literários para as damas e cavalheiros simpáticos do regime.
Refundemos canais televisivos com mais publicidade que programas.
Refundemos jornalistas analfabetos.
Refundemos telejornais do crime.
Refundemos os ordenados de miséria.
Refundemos bancos e capitalistas, queremo-los de gabarito.
Refundemos a tristeza e a depressão.
Refundemos o MEDO. 
Refundemos o Governo e o Presidente da República
e  antes de tudo isto façamos desintegrar-se a troika que  tanto se parece com os cobradores  coercitivos de dívidas.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

BOA NOITE


NASCER DO SOL

A NUVEM NEGRA DE MORCEGOS

Hoje vou  contar uma história a meninos pequeninos.


Era uma vez um País que vivia quase sem luz, embora houvesse muito sol cortejos imensos de morcegos negros se colocavam à frente do  precioso Astro.
Um dia, as pessoas que viviam naquele pedaço do Planeta Terra, tristes e incomodadas com as nuvens espessas de morcegos durante mais de 4 décadas, resolveram voltar a ver o sol e enxotar os pestilentos animais.
Reuniram e decidiram, duma vez por todas, ver-se livres deles já que eram causadores de toda a sua tristeza e, assim, foram falar com o chefe do bando,  exigindo que ordenasse  aos seus amigos  a retirada imediata da frente do sol, caso contrário teriam que sair à força.
E assim aconteceu: os morcegos maus fugiram para outras paragens.
Ouvia-se foguetes por todo o lado de tanta alegria.
Passados alguns anos, os morcegos maus voltaram, já as pessoas estavam  esquecidas da sua existência. Trouxeram os filhos desta vez e, alguns, até netos. Eram muitos.
Tinham feito amigos lá por onde andaram e conheceram outros morcegos,  cuja única actividade que tinham era tapar o sol a quem gostava e precisava dele. Eram morcegos diferentes e maus que viviam de dia ao contrário dos outros morcegos bons, que só aparecem à noite.
Organizaram-se e decidiram os  locais onde se esconder para que ninguém soubesse onde  estavam e quantos eram.
Algum tempo depois, já  escondiam o Rei Sol de novo e o país  voltou a ficar às escuras e as pessoas ficaram  outra vez muito tristes e deixaram de brincar, de saltar e pular e como tinham pouca luz para apreciarem todas as coisas belas e coloridas desta vida, vieram para a rua gritar bem alto que queriam luz e que para isso  aqueles bichos  tinham que se ir embora já, pois precisavam de Sol para viverem e serem felizes.
O resto da história contarei se se mantiverem acordados.
Fica combinado.